Numa das minhas paróquias reza-se todos os dias o Rosário comunitariamente. É um costume que encontrei e que alimentei. Ou deixei que alimentassem. Vale a pena rezar. O Ti Joaquim vai algumas vezes. Mas ontem estava descontente com a vida. Encontrei-o sentado no jardim. Passava a correr como já é hábito em mim. Um hábito pouco saudável e solidário. No entanto ontem estacionei junto do Ti Joaquim. Estacionou-me ele. Ó padre, queria fazer-lhe uma pergunta. E atirou logo que não estava para me fazer perder tempo. São palavras dele. Mas ressentiram-me. É um dos meus defeitos. Procurar não perder tempo. No Domingo o padre falou que devemos rezar sempre e sem desanimar, verdade ou não? Olhe que eu estava atento. Mas estar assim tantas horas a rezar porquê e para quê? Não será perder tempo também? Ele ouve-nos mesmo?
O Ti Joaquim tem idade para ser meu pai, ou quase meu avô. Olhe aquele casalito que vai além. Quem? Aqueles dois marmanjos? Sim, aquele par de namoraditos. Por acaso passavam também. Olhe como eles se gostam de olhar. Se pudessem, passavam assim o dia inteiro. Aproveitou para me dizer que isto já não era como antigamente. Insisti. Mas no seu tempo também não fazia tudo por tudo para estar com a sua Maria? Ui, padre, se fazia. Ficava à espera dela sair da fábrica. E já se perguntou porque é que perdia tanto tempo com ela? Porque é que queria estar sempre com ela? Ó padre, porque não podia passar sem ela. Mesmo às escondidas, a gente encontrava-se por aí. Nem falávamos. Mas ficávamos a olhar um para o outro. Nem sabe a falta que me tem feito! Lá está, digo eu. A oração é um diálogo entre duas pessoas que se amam e que não podem passar sem estar, desta forma, uma com a outra. Ao namoro entre nós e Deus chama-se rezar. Mais lhe digo. Reza-se como se ama. Por isso rezar, às vezes, não é mais do que abandonar-se ao Espírito. Estar ali escondido. Dizer coisas. Procurar-se. É uma questão de achar que sem falar com essa pessoa a vida não tem sentido.
Olhou-me às gargalhadas. E como quem aceitou bem o que ouviu, lá me disse: Vá lá, não perca mais tempo comigo. Se por acaso encontrar por aí o seu Amigo, dê-lhe cumprimentos meus.
Eu percebi as duas frases. Ó se percebi. É mesmo um homem sabido.
O Ti Joaquim tem idade para ser meu pai, ou quase meu avô. Olhe aquele casalito que vai além. Quem? Aqueles dois marmanjos? Sim, aquele par de namoraditos. Por acaso passavam também. Olhe como eles se gostam de olhar. Se pudessem, passavam assim o dia inteiro. Aproveitou para me dizer que isto já não era como antigamente. Insisti. Mas no seu tempo também não fazia tudo por tudo para estar com a sua Maria? Ui, padre, se fazia. Ficava à espera dela sair da fábrica. E já se perguntou porque é que perdia tanto tempo com ela? Porque é que queria estar sempre com ela? Ó padre, porque não podia passar sem ela. Mesmo às escondidas, a gente encontrava-se por aí. Nem falávamos. Mas ficávamos a olhar um para o outro. Nem sabe a falta que me tem feito! Lá está, digo eu. A oração é um diálogo entre duas pessoas que se amam e que não podem passar sem estar, desta forma, uma com a outra. Ao namoro entre nós e Deus chama-se rezar. Mais lhe digo. Reza-se como se ama. Por isso rezar, às vezes, não é mais do que abandonar-se ao Espírito. Estar ali escondido. Dizer coisas. Procurar-se. É uma questão de achar que sem falar com essa pessoa a vida não tem sentido.
Olhou-me às gargalhadas. E como quem aceitou bem o que ouviu, lá me disse: Vá lá, não perca mais tempo comigo. Se por acaso encontrar por aí o seu Amigo, dê-lhe cumprimentos meus.
Eu percebi as duas frases. Ó se percebi. É mesmo um homem sabido.