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segunda-feira, março 11, 2019

A Camila e o que Deus lhe está sempre a dar

A Camila é uma boa rapariga. É uma boa mãe. É uma boa catequista. Eu atrever-me-ia a dizer que é uma boa cristã. Mas a vontade de nada é a vontade que tem mais vezes. Passa o tempo a queixar-se do que não tem, do que queria ter, do que anseia viver. Desta vez queixava-se de este ano só ter cinco crianças na catequese. Por isso perdera a vontade de dar catequese. No entanto, em cada encontro da catequese fica feliz por poder partilhar Deus com aquelas cinco crianças. Como é bonito vê-las a crescer. Cada uma delas. Dizia-me. Cada uma delas. 
As suas palavras foram a melhor ocasião para lhe recordar como Deus lhe dava tanto e ela achava sempre tão pouco. Deus dera-lhe cinco crianças para guiar, e ela achava pouco. Deus dera-lhe a oportunidade de servir e ser missionária junto destas crianças, mas ela insistia no desejo de ir para África como missionária. Deus dera-lhe uma comunidade cristã onde crescer e por a render os talentos que lhe dera, e ela continuava a desaproveitar esses dons, porque nem sempre a comunidade é como ela gostaria que fosse. Tentou interromper-me para murmurar baixinho que nunca lhe ocorrera este pensar. Porém, eu continuei o meu raciocínio, como se não a estivesse a escutar, lembrando-lhe que Deus estava sempre a dar-lhe coisas, oportunidades, soluções, e que ela insistia em desaproveitar grande parte delas, porque achava que era pouco ou que não era bem o que queria.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

Não percebo porque é que são sempre os mesmos

Amanhã há uma formação com o tema tal, e aparecem aquelas pessoas que já sabemos que irão. Um dia destes temos retiro, e aparecem as mesmas pessoas. É preciso que se trate deste assunto ou daquele, quem limpe a igreja ou que trate do almoço tal, e são praticamente os mesmos. Vamos realizar um encontro da paróquia, uma viagem ou uma actividade cultural, e aparecem os mesmos. São os mesmos que nos dão alegria por serem eles que participam, por serem com quem contamos, quem nos segura a comunidade, quem garante a mesma comunidade, quem faz a paróquia ser uma paróquia. Mas não sei que dizer ou pensar dos outros oitenta ou noventa por cento de paroquianos, que até vão à Eucaristia, mas que não aparecem nunca mais!

segunda-feira, novembro 12, 2018

A limpeza da Igreja

A mãe ia sair de casa, apressada, quando o filho mais velho, que já anda na universidade, lhe perguntou, intrigado, onde ia àquela hora. Seriam umas duas horas da tarde de Sábado. É que ainda, por cima, já era costume vê-la sair porta fora nos sábados anteriores. Pelo menos uns três ou quatro. A mãe respondeu que ia, mais umas amigas, limpar a Igreja. O filho, mais intrigado, perguntou-lhe porque ia fazer isso, se ele, quando ia à Igreja a encontrava sempre limpa. Para que era necessário ela ir limpá-la se ela estava sempre limpa. E a mãe respondeu que estava limpa exactamente porque havia senhoras, na comunidade cristã, que, tal como ela, todas as semanas se juntavam para limpar a Igreja

terça-feira, novembro 06, 2018

Pagar para ter a doutrina

Este ano o grupo de catequistas, juntamente comigo, decidiu convidar os pais daqueles que vão frequentar a catequese na paróquia, a darem um contributo para ajudar os custos com a Catequese. Nem sequer é obrigatório. Os pais foram convidados sem carácter de obrigatoriedade. Mas os zunzuns da paróquia, as vozes críticas da mesma, decidiram interpretar este convite como “agora é obrigatório pagar para ter a doutrina”. Foi assim que alguém se referiu ao assunto, em tom jocoso, quando estávamos à mesa de um restaurante, no meio de uma refeição. Reparem que até o termo “doutrina” fala do que as pessoas entendem que é a catequese, uma doutrina que se dá a conhecer. Respondi, saturado com os comentários que tenho ouvido a propósito, que nada era obrigatório na minha comunidade cristã. Nem contribuir economicamente, porque era uma questão de generosidade e partilha, nem a Catequese, nem o que quer que seja. O senhor indagou-me dos donativos, indicando que a paróquia devia viver dos donativos. Eu perguntei-lhe quais eram os donativos que ele tinha efectuado, e calou-se. Depois insistiu com o habitual tema de que a Igreja é rica e que o Vaticano devia auxiliar as paróquias, ou então que umas ajudassem as outras, referindo explicitamente o Santuário de Fátima. Tem alguma razão, neste ponto, este senhor. O que ele não sabia era que o Santuário de Fátima já tinha auxiliado a nossa paróquia e que o natural/ideal era que cada comunidade cristã tivesse a capacidade de  subsistir por si mesmo. Esclareci-o de que as contas da paróquia eram públicas e apresentadas anualmente com transparência, e que a gestão corrente dos últimos dois anos, devido aos custos normais e àquelas coisas que não se valorizam a não ser quando se precisa delas, tinha um saldo negativo. Acham que isso interessou ao senhor? Nada. A conversa continuou no mesmo tom, por um lado de quem acha que a paróquia não necessita de contributos de ninguém para nada, e por outro de quem está saturado desta forma de entendimento, que nada tem a ver com uma comunidade verdadeiramente cristã

segunda-feira, setembro 24, 2018

Beatas, ratas de sacristia, ou santas

Há quem lhes chame beatas do padre, ratas de sacristia, e por aí fora. Nomes que se ouvem por todas as paróquias e que, às vezes, até a nós, padres, nos ocorre repetir. Mas são aquelas mulheres que sustentam a paróquia com a sua oração, todos os dias, à mesma hora, na Igreja. Guardam essa hora para estar com Ele e para rezar por todas as necessidades, por todos e toda a paróquia. São meia dúzia de senhoras com uma certa idade que quase nunca faltam a esse compromisso que assumiram diante de Deus e da comunidade. Se calhar nem sempre são pessoas que na vida diária têm as melhoras condutas. Apontam-lhes, com frequência, o dedo, como sendo pessoas que batem no peito ou colocam as mãos juntas para rezar, mas pouco fazem, de mãos abertas, para ajudar os outros. Não sei se isso é verdade ou não. Também me parece que esse tipo de juízo é demasiado exagerado. Não há ninguém perfeito. Mas uma coisa é certa: elas raramente falham ao compromisso de rezar pela comunidade toda. Por isso hoje queria dirigir-lhes o meu Bem hajam, e chamar-lhes de minhas santas, ou santas da minha comunidade cristã. Vós suportais, em muito, a nossa comunidade. Não há casa sem fundações. Não há árvore sem raízes. Não há intimidade com Deus sem oração. Não há Igreja sem oração. Não há comunidade cristã sem oração.

quarta-feira, julho 11, 2018

Há paróquias e paróquias

Há paróquias que o são porque assim foram constituídas, zonas religiosas com um determinado território para cumprir a sua cultura religiosa e alimentar um pouco a fé de cada um, sobretudo através dos sacramentos. E há paróquias que querem ser comunidades cristãs e que, partindo da Palavra de Deus, fazem caminho para serem cada vez mais comunidade cristã.
Digo isto porque, apesar de ter paróquias a meu encargo como no primeiro caso, também tenho algumas paróquias que vejo crescer como no segundo. Há dias uma destas, por ocasião de uma festa onde, no final, havia rematações de buxos, chouriças e farinheiras confecionadas por um número bonito de senhoras da comunidade, assisti a algo que superou grande parte das minhas expectativas. Depois de tudo rematado, e sem que se previsse, lá foi grande parte da minha gente para o forno assar outra grande parte das chouriças e farinheiras. Eu tivera necessidade de me deslocar a outro local, e às tantas recebo uma chamada a dizer que estava tudo pronto para o convívio e estavam à minha espera. Qual não foi o meu espanto quando, ao chegar, verifiquei que estava quase toda a comunidade reunida para o convívio e, ainda por cima, ninguém tocara na comida antes de eu chegar. Porque sim, disseram. Porque eu era o seu pastor. Para além das chouriças e farinheiras, não faltou o pão e até uma sopinha, como eu gosto, e umas sobremesas para os mais gulosos. Bonita comunidade esta, que tenho de agradecer a Deus.