O Altíssimo abaixou-se para ser o Baixíssimo. Assumiu a carne frágil da humanidade. Depois subiu novamente. Mas subiu para o lugar da morte, a cruz. Subiu para baixar ainda mais. Para baixar aos mais periféricos dos periféricos, os criminosos. Devo dizer que me custa imenso pensar num Deus que se deixa associar aos criminosos! Não há baixeza maior! O Deus que tudo pode, baixa-se como nenhum de nós se baixa. Basta pensar nas vezes em que buscamos algum tipo de superioridade em relação ao nosso próximo, em relação ao nosso semelhante. Apesar de ser um gesto que se tem vindo a perder, mesmo nos momentos mais íntimos da liturgia, ainda há quem se ajoelhe diante de Deus. Pergunto-me, no entanto, se não será um rito sem verdade quando não aprendemos a baixar-nos de verdade. O Papa Francisco dizia que a única ocasião em que devíamos estar acima de alguém era quando estendíamos a mão para levantar essa pessoa. Infelizmente, mais rápido nos achamos mais superiores que os outros e os tentamos abaixar a nós. Deus baixíssimo nos ajude!
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Indizível amor"

