quinta-feira, março 26, 2026
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quarta-feira, março 04, 2026
a propósito dos diáconos permanentes
O número de diáconos permanentes em Portugal aumentou mais de 70% desde 2010. Quando a 8 de dezembro de 1984 foram ordenados os primeiros quatro diáconos permanentes em Portugal, na então jovem Diocese de Setúbal, por iniciativa do seu primeiro bispo, D. Manuel da Silva Martins, não se imaginava que o número de diáconos permanentes fosse aumentando a uma velocidade considerável. Segundo o Annuario Pontificio 2025 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae 2023, os diáconos permanentes constituem o grupo de clérigos que cresce mais rapidamente no mundo. O seu número chegou a 51.433 em 2023. Lembrando como a Igreja se foi organizando e construindo nos seus inícios, considero estes dados uma enorme graça. Contudo, e olhando a realidade por outro prisma, não deixo de me fazer a pergunta sobre se não estaremos a assistir a uma clericalização do diaconado ou, pelo contrário, a uma laicização do sacramento da ordem. O risco de clericalização surge quando o diácono entende ou vive o seu ministério como uma forma incompleta de sacerdócio; quando mede a sua eficácia pastoral pela sua proximidade funcional ao altar e à liturgia; quando adopta estilos e linguagem que não brotam da sua própria identidade, mas de uma imitação do sacerdote. Um diácono não precisa nem deve parecer um padre. Mas há um segundo risco, menos visível e talvez mais subtil: a laicização do diaconado. Isto ocorre quando o ministério diaconal é diluído em tarefas que poderiam ser desempenhadas por leigos. A Igreja não ordena para resolver problemas de organização, mas para tornar visível, de forma estável, um aspeto do mistério de Cristo e uma vocação dentro da Igreja. O diaconado não se justifica pela falta de sacerdotes ou para fabricar super-leigos. Justifica-se por si mesmo, como ministério de serviço. Se isto for esquecido, a ordenação diaconal torna-se um acessório.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Os diáconos"
segunda-feira, fevereiro 23, 2026
A Igreja fácil
Vivemos num tempo do fácil. Tudo tem de ser fácil, de fácil acesso, de fácil consumo, sem dificuldades, adversidades, contratempos, sacrifícios ou compromissos. Sem um não aos nossos desejos e vontades. Neste contexto, a Igreja tem-se tornado um espaço ou um lugar onde o fácil também acontece. Ou, para sermos mais honestos, um espaço onde os seus principais agentes facilitam para se tornarem populares de forma mais fácil. Infelizmente, quando um padre exige alguma coerência entre o sacramento que se exige como um direito e a vida que lhe deve corresponder, está a alterar as regras deste tempo. Li algures a um outro colega, referindo-se a este tipo de situações, que “o consumidor não quer ser discípulo; quer ser cliente”. Concordo. Por isso se não há nesta loja, vai-se à loja do vizinho. Procura-se o padre facilitador, aquele que, como referia esse colega, “por preguiça pastoral ou medo de ser impopular, ‘despacha’ sacramentos”. E depois este padre é que é bom e aquele é que é mau. Mede-se o padre pelo facilitismo com que ele se presta a ser um comerciante do sacramento. Este é que é o padre porreiro. O outro é o padre que afasta as pessoas da Igreja. Como se estas pessoas não estivessem já afastadas e não quisessem manter-se nesse afastamento. Vivemos num tempo do fácil e, muitas vezes, por causa do porreirismo, a Igreja vai-se transformando, muitas vezes, numa Igreja fácil.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Uma conversa de acolhimento e imposições"