sábado, abril 04, 2026

Jesus está em silêncio

Por favor, paremos. Jesus está em silêncio. Jesus não se calou, mas está em silêncio. O tempo parou. O véu do templo rasgou-se em dois. O seu corpo está frio. Está frio mas o coração não regelou. O mundo está em silêncio. As palavras vão e vêm no meio do silêncio. E eu digo: faça-se silêncio no nosso coração para que entre a palavra da Verdade. Já basta de palavras ao vento, de verdades que são mentiras ou meias-verdades, de verdades que são apenas opiniões e transformamos em Verdade. Queremos apenas a verdadeira Verdade! Por favor, paremos o ruído da rua e o ruído do nosso coração. Hoje somos convidados a olhar, a escutar, a meditar, a rezar a morte de Jesus em silêncio. Um silêncio de espera. Um silêncio de quem sabe que depois da morte vem a ressurreição. Por isso, hoje, Senhor, quero subir contigo ao calvário e, depois, baixar também contigo ao túmulo vazio para neles encontrar a Esperança! Nunca te cales, Senhor, neste silêncio que tanto me diz.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "Ficamos 'bem mas bem'"

2 comentários:

Emília Simões disse...

Boa tarde Senhor Padre,
Jesus, Ressuscitou! Vive para sempre!
Santa e feliz Páscoa!
Abraço em Cristo Ressuscitado.
Emília

Sabrina disse...

A reflexão resgata algo essencial e, ao mesmo tempo, tão esquecido: o silêncio como lugar de encontro. Não um silêncio vazio, mas um silêncio habitado, onde a Palavra deixa de se diluir no ruído e volta a ter peso, verdade e presença.

Há também uma lucidez muito atual ao distinguir entre tantas “verdades” que se proclamam e a Verdade que, no fundo, não se impõe pelo volume, mas pela profundidade. Num tempo em que tudo se diz, mas pouco se escuta, o convite ao recolhimento torna-se quase contracultural e, por isso mesmo, profundamente evangélico.

Toca particularmente essa ideia de um silêncio que não é ausência, mas espera. O silêncio do túmulo não como fim, mas como espaço onde a esperança se prepara, discreta e fiel. É um silêncio que não cala Deus, mas nos dispõe a ouvi-Lo.

No fundo, um convite a uma espécie de desaprendizagem: falar menos para escutar melhor, afirmar menos para acolher mais, até que, no silêncio, a Verdade deixe de ser apenas dita e passe a ser reconhecida...