sexta-feira, janeiro 23, 2026

entre o dia e a noite [poema 402]

sento-me à mesa com o prato nas mãos 
equilibra-se nos dedos, como a vida 
não tenho fome mas como, assim me aguento 
entre o dia e noite 
 
ontem chorei antes de me sentar à mesa 
não havia mais pratos e isso assustou-me 
onde estão os outros pratos? assim não há vida 
entre o dia e a noite 
 
um vento passa e levanto-me da mesa 
o prato vem colado a mim, onde quero comer? 
e o vento volta a passar, como peregrino 
entre o dia e a noite 
 
leva-me 
entre o dia e a noite

1 comentário:

Emília Simões disse...

Boa tarde Senhor Padre,
Um poema tão a seu jeito, mas que deixa passar alguma amargura, solidão, incerteza.
A vida por vezes é assim e só temos que reagir e procurar refúgio em Deus.
Um abraço,
Emília