Contaram-me que, enquanto passavas com a cruz aos ombros, algumas mulheres gritavam para dentro o sufoco da dor. Ouviam-se os seus gemidos e lágrimas como uma música de embalar no meio de uma multidão que estava ali para ver o espetáculo! No meio da algazarra do tumulto em volta do espectáculo, os seus gritos mudos em nada sobressaíam, mas tu deste conta. Voltaste-te para elas com a mesma ternura com que as tinhas olhado sempre e disseste: “Não choreis por mim, chorai por vós mesmas e pelos vossos filhos”. Agora que penso nestas tuas palavras, bato no peito, choro por mim, choro pelos nossos filhos, choro em nome desta multidão que está agora à volta do teu corpo frio... e nú.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Beatas, ratas de sacristia ou santas"
5 comentários:
Que profunda e tocante reflexão, Sr. Pároco...
Suas palavras me levaram a contemplar esse momento com mais silêncio e verdade. Essa dor que não é apenas de compaixão, mas também de reconhecimento, de quem percebe a própria miséria diante do amor de Cristo, é algo que me interpela muito.
Ao ler, lembrei me do chamado constante à santidade. Tenho buscado, ainda que com tantas limitações, seguir esse caminho, inspirando me na vida das santas, que souberam transformar a dor em amor e entrega. Esse “chorar por nós mesmos”, como o Senhor nos pede, é também um convite à mudança interior, a um coração mais humilde e mais voltado para Deus.
Veio me ao coração aquela palavra: “Criai em mim, ó Deus, um coração puro, e renovai em mim um espírito reto” Salmo 51,10. É esse o desejo que carrego ao meditar reflexões como a sua.
E confesso que fico também muito contente por ver uma nova postagem sua aqui no blog. Há algumas semanas lhe enviei um e-mail, depois de um tempo sem escrever, e como não tive resposta, ainda mais com as notícias dos temporais em Portugal, fiquei um pouco apreensiva. Ver o senhor escrevendo novamente me traz paz e alegria, por saber que está bem.
Que Deus o abençoe sempre e continue a inspirá lo nessas reflexões tão profundas, que tanto nos ajudam a caminhar.
Sabrina, a disponibilidade tem sido diminuta... muito diminuta!
Compreendo e imaginei que seriam dias ocupados demais... Mas o importante é que estejas bem!
De há uns tempos a esta parte que a disponibilidade tem vindo a reduzir-se... Deus lá saberá porquê! Grato pela atenção, Sabrina
Compreendo perfeitamente, Padre. Há fases em que Deus nos conduz por caminhos mais exigentes, e é natural que a disponibilidade se reduza.
Fraterno abraço!
(Não há necessidade de publicar essa mensagem, caso não deseje).
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