segunda-feira, fevereiro 23, 2026

A Igreja fácil

Vivemos num tempo do fácil. Tudo tem de ser fácil, de fácil acesso, de fácil consumo, sem dificuldades, adversidades, contratempos, sacrifícios ou compromissos. Sem um não aos nossos desejos e vontades. Neste contexto, a Igreja tem-se tornado um espaço ou um lugar onde o fácil também acontece. Ou, para sermos mais honestos, um espaço onde os seus principais agentes facilitam para se tornarem populares de forma mais fácil. Infelizmente, quando um padre exige alguma coerência entre o sacramento que se exige como um direito e a vida que lhe deve corresponder, está a alterar as regras deste tempo. Li algures a um outro colega, referindo-se a este tipo de situações, que “o consumidor não quer ser discípulo; quer ser cliente”. Concordo. Por isso se não há nesta loja, vai-se à loja do vizinho. Procura-se o padre facilitador, aquele que, como referia esse colega, “por preguiça pastoral ou medo de ser impopular, ‘despacha’ sacramentos”. E depois este padre é que é bom e aquele é que é mau. Mede-se o padre pelo facilitismo com que ele se presta a ser um comerciante do sacramento. Este é que é o padre porreiro. O outro é o padre que afasta as pessoas da Igreja. Como se estas pessoas não estivessem já afastadas e não quisessem manter-se nesse afastamento. Vivemos num tempo do fácil e, muitas vezes, por causa do porreirismo, a Igreja vai-se transformando, muitas vezes, numa Igreja fácil.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Uma conversa de acolhimento e imposições"

2 comentários:

Anónimo disse...

Que bela reflexão, sr. Padre! Sem dúvida que acontece cada vez mais: as pessoas querem uma igreja à sua medida e para servir os seus interesses pessoais. O importante é que se cante a música do filme de Vampiros depois da troca das alianças, "porque é a nossa música". Ou então, eu queria mesmo que o irmão de 12 anos fosse o padrinho do meu filho e o outro senhor padre não permite (nem se importam em perceber o que é ser padrinho...). Ou no dia das minhas bodas de prata até quero que, em vez do coro de sempre, seja aquele dueto xpto a cantar e nesse dia gostava que fossem os meus filhos a fazer as leituras (isto é, as pessoas que servem todas as semanas naquele dia não servem).
E o mal é que há sempre quem permita... e, como o sr. Padre muito bem realçou, o outro é que afasta as pessoas da igreja...
E depois, no dia a dia das paróquias ainda há outro mal: alguns párocos que, para tentarem segurar ou motivar alguns paroquianos que mal aparecem, não lhes dizem não a nada e elogiam-nos por tudo e por nada, e esquecem-se dos paroquianos que estão lá sempre, porque os têm como dados adquiridos, e a esses há sempre reparos a fazer e nãos a dizer... É triste...

Emília Simões disse...

Bom dia Senhor Padre,
Se me permite vive-se num tempo de descrença, em que os valores da fé são muito limitados e as pessoas querem uma igreja à sua medida, que lhes sirva os seus interesses.
Um abraço
Emília