terça-feira, maio 29, 2012

Esta é para ti, Diana, parte X, O pai da Diana

A Diana foi para o céu no dia cinco de Maio deste ano de dois mil e doze. Foi direitinha para lá porque ela sabia que o céu existe mesmo e que Deus a esperava mesmo, e que a vida é isto mesmo. Ela foi direitinha para o céu, porque o lugar dos santos é junto de Deus. Ela foi direitinha para o céu porque é no céu que se atinge a plenitude da felicidade e ela merece ser feliz. Ela foi direitinha para o céu porque o seu exemplo de fé e de santidade tem de ser conhecido no melhor tempo da nossa vida que é a juventude. E foi isso que aconteceu à Diana. Ela sabia-o e eu sei-o. Foi a sepultar no dia sete à tarde. O pároco que me substituiu nesta paróquia permitiu que eu fizesse a homilia. Tinha muita coisa a contar. Contei as nossas conversas. Ou melhor, as suas palavras, a sua vida. Senti-me muito feliz a contar a história da Diana. As cerimónias passaram por entre homenagens lindas e por manifestações de fé e amizade. Gostei muito da missa da Diana. Gostei muito da forma como a mãe foi corajosa depois de anos e anos sem descansar o coração. Gostei muito dos amigos da Diana, que também são meus, ali ao lado dela. Gostei de tanta coisa que nem dá para imaginar. Mas o que gostei mais foi do pai da Diana. Um homem que não tem aquilo que se chama fé. Um homem que várias vezes me mostrou como estava revoltado com Deus. Um homem que me disse que não podia acreditar assim num deus que permite estas coisas injustas. Um homem que poucas vezes acompanhou a filha à missa. Um homem que no final de tudo, ao cruzarmo-nos na rua, se agarrou a mim para me dizer. Não conhecia esta parte da minha filha, padre. Obrigado. Hoje recebi a resposta a muitas das minhas questões, padre. Obrigado. E apertou ainda mais o abraço, comovido e sereno. Que pena não a ter acompanhado mais nesta forma da sua vida. Fez-me bem saber tudo isto, padre. Obrigado. A mãe ouviu, olhou-me com um sorriso suave, e eu falei-lhe dizendo. Já é a Diana, no céu, a fazer das suas.

16 comentários:

Rosa disse...

Não podia ser de outra forma,bem haja pelo Seu coração tão grande.Muito gostava de dizer,mas está tudo dito ,todo o sentimento e amor está expresso nestas linhas que escreveu.
Bem -haja

Porthos disse...

Meu caro. Parabéns por esta tua forma de exteriorização do teu luto. É das coisas mais comoventes que já deste a ler neste teu canto.

Trabalharmos para a felicidade é, na verdade, um gozo muito especial.

Mas fazermos os outros felizes é um gosto uma infinitude de vezes maior. Essa Diana cumpriu-se a fazer os outros felizes... O pai, a mãe, os amigos e todos quantos puderam privar com ela.

E nós? Como é que nos vamos cumprir? Como procurar esse sentido de finalidade e missão que nos permita ir, assim como a Diana, para o lado da felicidade eterna, confiante daquilo que vai encontrar?...

Se alguém souber a resposta... por favor partilhe.

Luz disse...

Boa tarde.
Pensei que a morte da Diana não fosse ainda tão recente.

Em primeiro lugar quero dirigir-me aos pais da Diana (apesar de não os conhecer) e dar-lhes um grande abraço e desejar-lhes muita coragem e fé em Deus, pois têm no céu, quem interceda por vós .
A si padre ,que nos vá dando a conhecer mais sobre esta querida jovem corajosa e crente em Deus.
Muitos beijinhos.

Anónimo disse...

Olá Confessionario.
Obrigada pela partilha.
Só me ocorre uma passagem da 1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios(2,9-10) que diz:
Nem os olhos viram.
Nem os ouvidos ouviram.
Nem a inteligência humana pode imaginar sequer quanta felicidade Deus tem reservado para quem O segue.

Creio que resume bem tudo o que tem escrito . Não concorda?

Beijinhos.Maria Ana.

Anónimo disse...

Estes últimos 8 textos têm-me arrepiado.

Obrigado, padre e Diana.

Rosa disse...

Confessionário
Todo o Seu partilhar é diferente porque aborda temas que realmente,são únicos em blogue,algo simples concreto, que nos da vida que nos faz meditar.
A Diana então é de uma mistura de sentimentos que nos transporta para Deus e nos faz pensar na vida,o quanto a desperdiçamos com coisas sem valor algum,e quanto é de bom dizer ás pessoas que connosco privam eu amo-te.
Nada acontece por acaso o Pai da Diana foi «pescado»por o coração da Diana para Deus.

Confessionário disse...

Obrigado, Rosa

Também sabe bem perceber que vale a pena continuar a fazer estas partilhas...

Rosa disse...

Há tempos ofereceram-me um livro de um autor muito conhecido,que com alguma curiosidade comecei a ler,é muito grande li rapidamente,até para ver o desfecho, e fiquei triste,muito triste mesmo, não por mim mas muita gente que o irá ler e a sua fé ficará muito abalada.
Chorei,senti a minha fé posta à prova,e fiquei feliz porque a força,o amor a Cristo superou,eu já senti Deus em mim na minha vida e isso ninguém me tira,apenas reforçou a minha fé e me deixou chocada.
Confessionário força continue sempre a nos interpelar e nos dar Deus através de todo o Seu
partilhar.
Bom dia

Joana disse...

Porthos, partilho das suas dúvidas, também eu gostava de sentir a confiança necessária de saber o que vou encontrar.

Pois mesmo que a Diana e o pe confessionário tenham certezas, eu ainda me pergunto, será que também irei? Será que também mereço ir?

Bjs :)

Peregrina Repetente disse...

Lindo padre. Mais uma vez bate certo, os desígnios de Deus são bem diferentes dos nossos. Este pai perdeu uma filha e ganhou Deus!

Rosa: Puderá partilhar connosco o nome desse livro que leu e tanto gostou?
Obrigada :-D

Rosa disse...

O livro que não gostei, apenas saiu dele a minha fé reforçada,porque consegui abstrair-me e sentir que só Deus faz sentido em meu caminho.O livro chama-se o Último segredo de José Rodrigues dos Santos.

Moçambicano disse...

Olá,Caro Amigo P.e "Confessionário".
Olá a Tod@s Quant@s por aqui passam.

É reconfortante, no meio de tantos "milagres feitos a régua e esquadro" que circulam aí pela Net, podermos testemunhar este Milagre de Vida.
Tem-me feito muito bem, até porque perdi recentemente, de uma forma brutal e injusta, um Grande Amigo. Digo "injusta", se a nossa vida for apenas um "intervalo entre dois imensos vazios". É por isso que teimo em pensar que, embora a Justiça de Deus seja diferente da nossa, não pode "terminar tudo aqui". Alguns teólogos - e não só (nem vocês imaginam...) -, que pensem o contrário, que me perdoem.

Quanto ao livro do J. Rodrigues dos Santos, lamento. O Pai, o saudoso Dr. Paz (o "Anjo Branco"), merecia outras coisa... Mas às vezes as pessoas deixam-se "inebriar" pela busca do "sucesso de vendas".

Um forte abraço para Tod@s.

Moçambicano

Moçambicano disse...

Só mais uma coisa:

Um Bom Domingo da Santíssima Trindade para Tod@s!

Maria disse...

Um áparte na sequência do que atrás foi dito sobre o livro do jornalista José Rodrigues dos Santos, é uma pena, ainda não li nenhum livro dele e porventura não irei ler, não me fascína. Admiro enquanto jornalista, já como escritor??? será que vamos ter um novo Saramago?
Santo Domingo para todos@s.
Maria

Peregrina Repetente disse...

Obrigada Rosa, Há muito que desejo ler alguma obra de José Rodrigues dos Santos e apenas SÓ por Acaso é que nunca li nada dele.
Compreendo que não tenha gostado de uma obra que vai contra a sua Fé,apenas gostava de ler algo do autor para ver até que ponto me dá "pica" ler um livro em que discordo do que lá se diz.
Em tempos li " Mar Adentro" do Ramón Sampedro e cada página mais que lia melhor percebia que aquilo não tinha nada a ver comigo e até acho que serviu para aprofundar a minha Fé.

Anónimo disse...

Já o meu namorado nasceu e foi supultado no mesmo dia, 11-06-2005.
Encontro muitas vezes Deus na intuição e nas coincidências, mas estas assim são mesmo difíceis de engolir!