A Igreja propõe que, a poucas semanas do Natal, quatro para ser mais concreto, os cristãos se preparem de forma mais especial e intensa para a festa que se aproxima. Chamamos-lhe advento, que vem da palavra latina adventus e que significa vinda. Utilizava-se para falar da chegada solene do imperador ou de alguma personalidade importante. Para os cristãos significa a espera do seu Salvador, Jesus Cristo. Por isso gosto de pensar que toda a nossa vida é um advento. De qualquer modo, cada vez que chegamos a este tempo litúrgico, somos convidados a caminhar de forma especial ao encontro de Cristo. Mas será que todos os cristãos sabem o que é o advento?
Num encontro de um grupo de meninos dos primeiros anos da catequese daqui da paróquia, a Susana, que é a catequista ao seu leme, ousou perguntar aos seus catequizandos se sabiam o que era o advento. Das duas uma, disse-me ela, ou sabiam o que era ou nunca tinham ouvido falar dele. Então uma das meninas mais atrevidotas, com ar de satisfação e, ao mesmo tempo, de um certo gozo com a sua catequista, respondeu. Ó senhora catequista, então a senhora catequista não sabe que é aquela caixa com janelinhas e que vamos abrindo uma a uma e tem lá dentro um chocolate? E sabe o que é que eu faço com ela? Abro logo todas as janelinhas, e como os chocolates que lá estão escondidinhos, porque vem a avó e dá, mas também a tia e outras pessoas dão um advento. E ria-se perdidamente, porque gostava muito dos adventos. Afinal não havia só um. Havia vários adventos, tantos quantos as pessoas amigas lhe ofereciam.
É este o advento do nosso tempo, dizia-me a Susana, para concluir. Ou melhor, para deixar tudo em aberto!