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sábado, janeiro 04, 2020

O menino Jesus sem casa

A criança berrava e chorava compulsivamente. Ouvia-se a sua tão profunda tristeza nas lágrimas que lhe inundavam as faces. Estava a passear de mão dada com a mãe que lhe prometera uma visita ao presépio. Ao presépio grande da comunidade. Um presépio de rua feito com madeira e palha, à boa maneira antiga. Muito lindo, por sinal, com uma cabana toda iluminada e que albergava a sagrada família, o anjo, o burrinho e vaquinha. Mas o temporal dos dias de Natal fizera das suas. O vendaval deitara abaixo tanto a cabana como as figuras do presépio. E se estas não tardaram em ser levantadas, o mesmo já não foi possível com a cabana que ficara um monte de destroços. Deixara de ser uma cabana para ser um monte de lenha para queimar. Ora, a criança, nos seus cinco anitos, berrava e chorava compulsivamente, porque, como ela dizia em palavras inacabadas, à maneira da sua idade, o menino Jesus já não tinha casa onde morar. Devia estar cheio de frio. Queria levá-lo para sua casa. E pedia à mãe que fizesse alguma coisa. Que ao menos a deixasse pegar no menino e emprestar-lhe o casaco ou o gorro. E chorava. E berrava. Porque Jesus, sem ela saber, morava no seu pequenito coração.

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Estamos nas mãos de Deus"

terça-feira, dezembro 24, 2019

O menino que nasce no meio da porcaria

Atenção que eu li um título parecido há tempos e isso livra-me da autoria moral deste título. Mais, sou a informar que há certas palavras que são muito mais difíceis de dizer ou escrever que de ler. Eu tinha pensado, inclusive, numa palavra mais directa, mas não consegui usá-la. Portanto, não se assustem por eu, hoje, fazer questão de lembrar que Jesus nasceu numa gruta cheia de dejectos de animais e maus cheiros (por causa dos dejectos dos animais), uma gruta muito pobre, uma espécie de estábulo, algo mais para animais que para pessoas. Ou seja, naquele tipo de condições que nós costumamos dizer que não são condições humanas para nascer. Não, não havia enfermeiras ou parteiras. Nem empregados ou exércitos para guardar tão ilustre nascimento. Também não havia ar condicionado ou climatização solar. Estava rodeado de animais e, provavelmente, foram eles que o aclimataram. Recordo-vos que nem sequer era bem-vindo por parte de alguns, sobretudo alguns dos mais poderosos do tempo. Basta recordar o massacre dos inocentes a mando do rei Herodes como tentativa de acabar com a vida do protagonista desta história. 
A história de Natal que contamos nestas alturas do ano faz lembrar histórias como o capuchinho vermelho ou a bela adormecida. Mesmo quando excluímos dela a figura do Pai Natal e o comércio à volta dele, a nossa narrativa de Natal parece um conto de fadas. Até as estrelinhas brilham mais. Até os anjinhos aparecem para cantar. Tudo é tão belo e bom, que até se esquece a realidade em que Deus encarnou. Ou porque encarnou. E que ama muito os homens, ao ponto de se associar, desde o primeiro momento da sua encarnação, ao que mais sofre, ao mais desprotegido, ao mais necessitado. E que quer mostrar a sua omnipotência, não no poder e na riqueza, mas no amor. E que veio ao mundo para dar mais sentido ao mundo, mesmo que pareça não fazer sentido. E que Deus é Emanuel, isto é, Deus connosco. 

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "E o Menino fica esquecido entre as palhas de um presépio pequenino por debaixo de uma árvore grande enfeitada"

Aproveito para vos desejar um Santo Natal e um Feliz Ano Novo: Que Ele seja a certeza no meio das nossas incertezas!

terça-feira, dezembro 25, 2018

O Pai Natal dos meus sonhos

Encontrei uma carta no correio. Toda encarnada. Toda enfeitada. Parecia o embrulho de uma prenda. Era uma carta com remetente sem morada. Descobri, depois de aberta, que era uma carta de um pai natal. Apercebi-me disso porque tinha uma caligrafia muito bonita, também encarnada, estava cheia de emojis coloridos e, no final, era assinada por um pai natal. Curiosamente, vinha assinada em minúsculas. A leitura era fácil, dado que o texto não era longo e as letras tinham um tamanho acima da média. Não sei traduzir tal e qual o que li. Não me sinto verdadeiramente autorizado a fazer copi past, nem me dou ao desplante de fazer minhas as palavras que li e que me fizeram chorar. Afinal, tratava-se de uma oração de um qualquer pai natal, dos muitos pais natais que nesta época pululam nas nossas cidades e nos nossos centros comerciais a apregoar felicidade. A oração era dirigida a Jesus. Ao Menino Deus. 
Era a carta de um Pai Natal que se ajoelhava diante do verdadeiro Natal. Dizia palavras como: eu só trago brinquedos e tu trazes amor; eu faço rir as crianças, mas tu ama-las de verdade; eu deixo uma alegria passageira, mas tu deixas o teu coração para sempre; eu tenho bochechas rosadas e uma barba branca e farta, a maioria das vezes postiças, mas tu tens umas cicatrizes nas mãos e no peito que são a maior verdade; podes encontrar vários como eu nas cidades e centros comerciais, mas só tu és o único omnipotente, vivo e verdadeiro; eu alimento a economia e o mercado de consumo, mas tu dás sentido à vida das pessoas; eu brinco às cartas e mensagens de pedidos, mas tu levas a sério cada um de nós… Era tão linda e tão autêntica a carta! 
No final, antes da assinatura, dizia ainda algo do género: diante de ti me dobro no teu aniversário. E depois assinava. Era o Pai Natal dos meus sonhos. 

Aproveito para agradecer a Deus estes 13 anos de vida do "Confessionário dum Padre" e os 1022 textos que nele foram publicados

sábado, dezembro 22, 2018

Onde há-de nascer Jesus este ano?

Quando Jesus estava para nascer, Maria e José, como todos sabemos, encontravam-se em Belém, para se recensear. E quando chegou o momento de Maria dar à luz, pelos vistos, não havia lugar para eles nas hospedarias. Deus decidira habitar no meio da humanidade e esta não arranja um lugarzinho para Ele nascer! Não era preciso um hospital xpto ou um hotel de luxo. Tão só precisava de um lugar acolhedor com as mínimas condições para que Maria pudesse dar à luz e oferecer a Luz à humanidade. Mas não. Não havia. Os homens não tinham lugar para Ele. Ora se não havia lugar entre os homens para Deus encarnar e assumir a nossa humanidade, então que sejam os animais, num estábulo, a acolhê-l’O. Se não havia uma lareira para O aquecer, então que se encarreguem os rebanhos e as palhas de O aquecer. 
Foi assim há mais de dois mil anos. Mas hoje as diferenças não são muitas. Também hoje Deus terá dificuldade em nascer de novo. No meio de tanta azáfama, correrias, ruídos, comidas, talheres, prendas e stresses, terá Ele lugar para nascer? Quando andamos tão ocupados com tantas coisas que nos distraem do essencial, não estaremos de novo a fazer com que Ele procure outro lugar para nascer? 
Ele quer nascer em cada um de nós e hospedar-se no nosso lar. Ele quer habitar no lugar mais especial que temos, o nosso coração. O que nos vale é que Ele não desiste de nós, não desiste de ser a nossa Luz, nem desiste de nos habitar. Assim encontre um lugar, mesmo que seja mais pobre e humilde, para continuar a nascer!

Que Jesus nasça em nossos corações neste Natal

sexta-feira, dezembro 15, 2017

As missas de Natal parte II

Há paróquias que só se enchem para a missa de Natal. Também ocorre o mesmo por ocasião da missa da bênção dos ramos, da missa de Páscoa, da missa da festa da aldeia, da missa quando se vai em romagem ao cemitério. E com menos pompa, também nas missas de funerais. Mas não todas, porque depende do morto a homenagear. 
É uma graça, dirão alguns, termos tanta gente nas nossas Igrejas por estas ocasiões. E é mesmo uma bênção, nem sempre aproveitada, sobretudo para anunciar o Evangelho como ele merece. Que grande oportunidade para chegar ao coração de cada um dos que ainda não se encontraram com Cristo, mas estão ali. Também é de recordar que nessas ocasiões vem muita gente de fora. Familiares e amigos juntam-se, com o motivo da celebração festiva que nos junta numa Igreja ou numa capela lá da aldeia. Tudo são graças de Deus. Suas bênçãos. 
Mas ainda ontem fui celebrar uma missa, a uma paróquia dessas, com 13 pessoas presentes, incluindo eu. Mesmo quando vou a paróquias que deixam a Igreja meio compostinha, pergunto-me sempre pelos outros vinte, trinta, quarenta, cinquenta por cento ou mais que não foram lá compô-la, mas que depois vão engalanados para a missa de Natal, e ai do padre se não tiver possibilidade de lá ir celebrar. Pois que, senão, dizem, o padre é que tira a fé e a religião já não é como dantes. Pudera. Claro que não é como dantes. E embora não pretenda questionar a fé herdada que existia como um modo cultural de viver, não posso deixar de me queixar que não é possível manter esse tipo de religiosidade num tempo em que as pessoas usam a religião como uma feira e o padre como um vendedor ambulante de sacramentos. 
Neste Natal vou ter a coragem de pedir ao Menino Jesus que não ponha mais padres no sapatinho. Talvez quando o número de padres for exíguo e as terrinhas não consigam ter as suas missinhas de Natal, nos detenhamos a buscar o essencial do cristianismo, como um balbuciar de uma criança que vai crescer. Isso mesmo me lembra o Menino Jesus numas palhinhas deitado.

terça-feira, dezembro 05, 2017

Missas de Natal

Não sei como fazer para marcar tanta missa no dia de Natal, comentei com uma paroquiana de umas das minhas aldeias, no ensejo de que me aliviasse o peso de não saber que fazer. Como todos os cristãos compreendem que as coisas estão cada vez mais difíceis a este nível, também a Sandra compreende. A primeira coisa que disse foi um longo e pesado Pois. E acrescentou que as coisas estão a ficar complicadas. Mas decidiu dar uma ajudinha e perguntou porque não arranjava um padre.
Primeiro ri-me. Depois respondi que um padre já eu tinha arranjado. Eu mesmo. E por último pedi-lhe que arranjasse ela um. De facto parece que a nossa obrigação de padres, quando não podemos fazer certas celebrações, é a de arranjar padres. Outros padres que nos substituam. Mas poucos casais se preocupam em arranjar filhos padres. 
A Sandra também sorriu porque entendeu. Mas depois foi citando, um a um, nomes de padres que ela pensava que estavam disponíveis, isto é, sem paróquias. Contudo, um a um, todos os nomes que referia são agora párocos. Em verdade, não é fácil encontrar um padre disponível para ajudar outro padre, porque todos, afinal, vão precisando de ajuda. Entre sete, oito e mais paróquias, não há como celebrar missa de Natal em todas. Além de ser humana e praticamente impossível, é esquecer que a verdadeira missão da Igreja está muito para além das missas. Elas são o centro da vida cristã, mas ainda é mais importante a vida cristã. Os padres têm-se gastado a celebrar missas, porque não há padres para celebrar tanta missa. E depois sobra pouco tempo para anunciar a Boa Nova da salvação, essa que Jesus nos trouxe quando nasceu. Além disso, deixem-me dizê-lo. O Natal é muito mais que a missa de Natal.

quinta-feira, dezembro 22, 2016

As mensagens de natal ou que tal

Estamos na época das mensagens, pouco lidas ou pouco recebidas, ou não sei. Palavras que se soltam e não se prendem. Estais neste preciso momento, e quase com certeza, a receber centenas de mensagens de Natal que ou não ledes ou ledes a correr, e o que interessa nelas é que alguém se lembrou de vós. Na verdade, isso, só por si, é bastante importante. Mas cuido que a maioria apenas nos contentamos com recebê-las. Eu recebo umas largas centenas e gosto muito de as receber. Mas vivo neste mundo e assumo que a maior parte delas as leio a correr. 
Mais curioso ainda é o fenómeno de ter de mandar mensagens. Como a obrigação vem do facto de também nós as recebermos, então multiplicamos as mesmas mensagens sem nos preocuparmos ao menos com a originalidade delas. E depois recebemos mensagens assinadas com outro nome que não o da pessoa que no-la enviou, porque esta se esqueceu de, ao menos, apagar essa assinatura. Ou acabamos por receber uma série de mensagens iguais. 
Obrigamo-nos. Obrigamo-nos a escrever e receber mensagens. Fazêmo-lo soltando palavras sem as sentir, ou pouco sentidas, sem que sejam muito mais do que obrigações. Claro que exagero, pois existem muitas mensagens verdadeiras e sentidas em cada Natal. Claro que no meio desta panóplia de mensagens, que devem dar muito a ganhar às operadoras de telecomunicações, existem muitas que são genuínas e têm propósitos genuínos. 
Assim também os bispos multiplicam as suas mensagens de Natal, como costumo seguir numa das nossas agências católicas. Quero crer que são escritas e enviadas sem a obrigação das mensagens de telemóvel, de facebook ou de twiter. Que são sentidas e brotam do espírito de Natal. Que não são apenas para se fazerem presentes ou para constar. E que possam ser lidas como tal, como mensagens de Deus a cada um de nós que ama.

domingo, dezembro 18, 2016

A personagem do presépio que não conta

Nesta época do Natal é hábito a Câmara Municipal juntar os idosos dos lares do concelho para uma festa. A mim costumam convidar-me para celebrar missa com eles, e vou com agrado. Para a celebração deste ano escolhi o evangelho da Missa da Vigília de Natal. Quem foi à missa hoje também deve recordar este texto evangélico, pois era o mesmo. 
A propósito desse texto, comecei a homilia questionando qual era a personagem do presépio a que dávamos mais atenção e importância. A maioria gritou que era o Menino Jesus, embora se ouvissem igualmente algumas vozes proferindo o nome da sua mãe. Concluímos juntos, e ainda bem, que a personagem que mais nos chamava a atenção era Jesus. Depois dele, era Maria. E depois… referiram baixinho o nome de José. Disseram baixinho, como se ele contasse pouco. Ou como se tivessem medo de errar. Disseram a medo o nome de José, esse que às vezes até fica atrás do burrito e da vaquita. Aquele José que Deus adoptou para ser pai do seu filho. Aquele que humildemente aceitou o papel secundário na encarnação de Deus. Aquele de quem tão pouco se fala na Sagrada Escritura. Uma das personagens da Bíblia mais silenciosas, que menos conta, de quem menos nos lembramos. É aquela figura que parece não fazer falta, mas que dá nome ao Messias. Olhem que não é coisa menor dar o nome ao Messias, não senhor. É humildade maior. Digo-vos que por vezes me apetece dizer que José é ainda mais humilde que Maria na aceitação dos planos de Deus a seu respeito. José afinal é aquele que parece não contar muito, mas conta tanto! 
E foi este José que apresentei como modelo àquela plateia. Àquela gente que, muitas vezes, também cuida que não conta, que não é importante, que não faz falta. E para terminar a homilia, aproximei ainda mais o microfone da boca, e fiz a pergunta. Quando pensardes que a vossa vida não é importante, ou que o vosso papel na história, na sociedade, no mundo e na Igreja não conta, quem havemos de lembrar? E todos responderam em coro. José.

quinta-feira, dezembro 08, 2016

O Natal antropocêntrico

Ó meu menino Jesus, porque não entras nas chaminés? Porque é que só entras pelos corações? Porque é que as prendas que nos ofereces geralmente não as conseguimos ver? Já te imaginaste vestido de vermelho vivo e apelativo? Talvez assim no dia do teu aniversário não te esquecessem. Às vezes imagino-te a percorrer os corredores dos centros comerciais com uma bolsa às costas, ou sentado numa poltrona vermelha para as fotografias. Às vezes imagino-me a ouvir as crianças chamar por ti como chamam pelo Pai Natal. As centenas de cartas que te escrevem a pedir presentes: cura a minha mãe, dá forças ao meu pai, dá-me vontade de amar, ajuda-me a ser feliz. 
Ó meu menino Jesus, gostava que o Natal fosse mesmo Natal, mas o homem transformou o teu Natal e fez um outro natal, um natal antropocêntrico que gira à volta da tecnocracia e da economia.
Valha-nos ao menos que as pessoas se juntam em família, ainda que à volta apenas de elas mesmas.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

O advento é um tempo de “espera”

Aqui para os meus lados diz-se que se vai fazer uma espera quando, às escondidas ou às escuras, se vai preparar o assalto a alguém. Faz-se-lhe uma espera para lhe dar uma coça ou para lhe sacar alguma coisa. Não sei que possamos sacar ou sovar no advento. Mas sei que o advento é um tempo de espera.
Ó padre, não era melhor dizermos esperança e evitávamos assim essas confusões de que está a falar? perguntou a Maria João no meio da reunião de catequistas. Ó Maria João, a esperança pode ficar-se naquela de ansiar algo, de esperar ou confiar que aconteça algo, mas não no agora que tem a certeza do acontecer e que começa já a acontecer. A espera é um já acontecer agora. A esperança pode deixar-nos confortáveis e passivos esperando. A espera exige de nós uma acção já e contínua. Ui, padre, está cá com umas filosofias! Explique-se melhor.
Para entenderdes melhor, permiti que vos fale do que se espera. De uma forma muito superficial, todos os anos dizemos que esperamos o nascimento do menino Deus. Dizemos que esperamos o Natal, e na verdade os muitos adventos de cada ano, às vezes, não são mais do que um esperar o Natal. Devia antes ser a espera de um Deus que teima em vir ao nosso encontro, ao encontro da nossa intimidade. É mais que esperar um Natal. É esperar que Deus aconteça no meu interior. Por isso não é uma espera fácil. É uma espera dura e dolorosa. Porque Ele não vem para nos facilitar a vida. Vem para a felicitar. Para lhe dar sentido pleno. E por isso exige, e por isso dói. E por isso faz-nos fazer a acção de esperar para que vá acontecendo e para que seja já. E por isso exige que me desacomode. Que não espere acomodado, passivo. Advento aliás é a resposta litúrgica (espero não dizer uma asneira litúrgica, que eu não sou propriamente liturgista, mas digo-o na mesma) para um tempo inteiro que se quer que seja uma vida inteira. A espera que recordamos no advento é uma espera de toda a vida. Como uma noiva espera seu noivo para a festa e se banha, maquilha, prepara as palavras e os olhares, perfuma-se, torna a maquilhar-se, veste o melhor vestido, prepara uma surpresa, penteia-se e torna a compor o cabelo, sorri, anda de um lado ao outro amando já, mesmo sem que o noivo tenha chegado e esteja ainda à porta…

terça-feira, dezembro 24, 2013

O Natal traz sentido às nossas vidas

A azáfama do meu Natal chegou com festas e missas nos lares, nas casas de alguns doentes, nas escolas, na catequese, em jantares dispersos por motivos variados. Chegou cheia de alegria, como é normal nesta época. Ainda não me cansei. Espero não me cansar porque o Natal não cansa. Nem aos padres que têm muitas missas para celebrar e muitas terras para calcorrear. O Natal é muito mais que as prendas, as luzes, os pinheiros iluminados, os presépios. Para mim o Natal chega a ser muito mais que os encontros, embora seja uma celebração do encontro de Deus com os homens. Infelizmente há muita gente que confunde o Natal com o homem das barbas brancas e com a consoada em família. Vou dizer-vos o que é para mim o verdadeiro Natal. Foi o que fiz com os idosos de um dos lares das minhas paróquias, onde o Natal pode ser uma época de maior dor, porque estão ou são abandonados, porque estão doentes ou sem forças, porque se recordam de forma profunda que a vida está a passar rápido e já lá vai mais um Natal. Comecei a homilia da missa que celebrei com eles a fazer perguntas, informando que quem acertasse ganhava um prémio, o prémio da descoberta. A primeira pergunta era sobre o motivo pelo qual existia o Natal, e lá foram respondendo, por entre os poucos dentitos e muitos sorrisos, e por mais ou menos estas palavras, que o Natal existia porque Deus tinha vindo ao mundo e tinha assumido a nossa humanidade. Estavam de Parabéns. Mas a segunda pergunta era mais difícil. Porque é que o Menino Deus tinha encarnado e se tinha feito homem. As respostas foram variando entre o porque nos amava ou o para nos salvar ou o para nos ensinar muitas coisas. Entretanto, no meio da barafunda que foi todos quererem dizer da sua sabedoria, alguém disse que tinha vindo ao mundo para nos mostrar como se deve viver. Obriguei-os de seguida a fazer silêncio e arregalaram os olhitos. De facto Deus veio ao mundo para nos mostrar o Sentido da Vida. Que esta tem sentido. Que esta é um dom maravilhoso de Deus. Que o Amor de Deus manifesto na sua humanidade, bem como todas as Suas expressões, mostram que vale a pena viver. Bateram palmas os meus amiguinhos. E terminei dizendo que não interessava se estávamos doentes ou a sofrer, por dentro ou por fora, porque o Natal reforçava em nós a certeza de que a vida é tão boa, e que podemos ser felizes mesmo que nos falte tudo ou muita coisa que gostaríamos de ter. O que nunca nos falta é este Deus que nasce para nós e para nos mostrar e garantir o Sentido da Vida! E vão mais palmas, porque estas coisas sabem melhor que qualquer rabanada ou bacalhau.
 
Aproveito para desejar a todos um Natal cheio desta certeza e um ano cheio do Deus que nos garante esta certeza!

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A Maria, o burro e a vaca

A Maria, que não é a mãe de Jesus mas é muito brincalhona, estava à minha espera no final da missa para me fazer uma pergunta importante e a propósito deste Natal. Ó senhor padre, diga-me lá uma coisa ou diga o que tem a dizer da proibição que o senhor Papa fez, aquela de que não podemos por o burro e a vaca no presépio. Não consegui conter a gargalhada e ela também não. Olha uma coisa destas, continuava. Então hei-de deitar o burro e vaca que lá tenho em casa para o lixo! Era gargalhada atrás de gargalhada, e não resisti a contar uma história verosímil que li algures e que, segundo consta, há uma qualquer referência dela no tal livro do Papa, “ A infância de Jesus”. Sabe, senhora Maria, na Bíblia não aparecem nenhum burro ou vaca nas passagens em que se fala do nascimento de Jesus. Nem uma referenciazinha sequer. Porém, a dada altura, a Igreja não quis deixar o menino sozinho com a mãe e o pai. Aliás, queriam que no presépio toda a humanidade estivesse representada. Vai daí que as melhores figuras que encontraram foi o burro e a vaca. E assim, a partir daquela altura, tanto eu como a senhora já estamos representados no presépio. Foi rir até mais não. Confesso que ainda não li o livro do papa, mas já li o suficiente para perceber que o Papa, tal como eu, aconselha a que nos centremos no essencial do Natal e da Vida. Não proíbe nada. Não bane o burro e a vaca do presépio. Mais, diz que nenhum presépio vai prescindir deles. Agora quem não quer que se queixe. Eu prefiro rir-me disto tudo e pensar que afinal nem estou nada mal representado no presépio. O que importa é estar por lá.
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Aproveito para desejar a todos um Natal cheio da presença de Deus!

sábado, dezembro 24, 2011

Há gente para quem o Natal é só uma data

Há gente para quem o Natal é só uma data. Gente que se senta no sofá de forma mais pausada, com uma rabanada que a amiga lhe deu, à espera que a televisão dê a meia noite para ir até ao vale dos lençóis. Há gente assim, que não tem outra gente com quem partilhar os sons, os ruídos, as algazarras, os afazeres, os talheres, as prendas do Natal. Gente que uns dias antes estivera no jantar tal com o grupo dos colegas. Mas que agora está só. Não tem mais ninguém. Não tem o amigo ou a amiga colorida porque estes estão com a família. Não tem o filho ou a filha porque este ano pertence ao outro pai. Não tem os amigos, porque nem sempre há amigos para estas ocasiões do Natal. Ou então são aqueles que a idade não deixa que o Natal seja tão Natal. Porque os filhos estão longe. O marido ou a esposa já morreram. O lar está fechado ou vai-se para a cama cedo. Passam o Natal com a televisão. Nada mal para quem há uns anos nem televisão tinha. Mas eu acho que estes tipos de Natal são muito dos Natais modernos. Fazem parte da vida moderna, para quem uma reunião é apenas uma reunião e não uma união. Fazem parte da vida que nos dá tudo, mas nos tira grande parte do amor. Fazem parte da vida que está cheia, mas afinal está mais vazia que nunca. Pode ser que, com esta crise, as pessoas comecem a buscar o essencial do Natal, aquele essencial que não é só uma celebração, mas uma forma de vida. E digo àqueles para quem o Natal é só uma data que o Menino Deus também nasceu para eles. Eu até diria mais. Diria que o Menino Deus nasceu sobretudo para eles.
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Aproveito também para desejar a todos os meus amigos um Natal cheio de Deus!
Congratulo-me igualmente com os 6 anos de vida deste "nosso" espaço. Faz amanhã anos que nasceu juntamente com o "Menino", e já passámos as 400.000 visitas, 8.800 comentários e temos disponíveis 339 textos. Assim Deus continue a fazer-nos Seu instrumento.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

E o Menino fica esquecido entre as palhas de um presépio pequenino por debaixo de uma árvore grande enfeitada

Piscam as luzes. Piscam as vitrinas. Piscam os hiper-mercados. Piscam as árvores. Piscam as igrejas. Piscam as pessoas em correrias com sacos na mão. Piscam as frigideiras, as rabanadas, as filhoses. Tudo pisca à nossa volta em época de Natal. As cores misturam-se de uma maneira que não se vê durante todo o ano. As conversas são ligeiramente mais solidárias. Há sempre uma parte de nós que quer fazer algo de bom nesta altura. As prendas são disso exemplo. Apontamos no bloco de notas todas as pessoas a quem temos dever de comprar. Para não esquecer ninguém. É a época das mensagens de telemóvel. Toda a gente envia a toda a gente. Repetem-se as frases, os desejos, as brincadeiras. Há gente com pouca criatividade. Cá para mim, a TMN deve ter uns relações públicas a criar mensagens para esta altura. O açúcar esgota. O bacalhau quase esgota. O peru sai dos supermercados às toneladas. Este ano vou para a sogra. Este ano estaremos todos juntos. A irmã mais velha não pode vir. Trabalha até tarde. Todos querem sair mais cedo dos empregos. O patrão ofereceu um bolo-rei a cada um. Mais uma garrafa de vinho do Porto. Pai Natal nas varandas. Menino Jesus nas janelas. É um rebuliço que só se vê uma vez por ano. O Natal faz destas coisas.
E tudo isto porque um menino nasceu há cerca de dois mil anos. E tudo isto por causa deste Menino Deus que nos quer salvar. E tudo isto porque é mesmo Natal. No entanto, o rebuliço desta época encosta a um canto o Menino Deus. Diga-se. O rebuliço do Natal esconde o verdadeiro Natal. E o Menino fica esquecido entre as palhas de um presépio pequenino por debaixo de uma árvore grande enfeitada.
Por isso é que este ano pedi aos meus paroquianos para, no meio da azáfama da noite de Natal, pararem o rebuliço do Natal num breve minuto. E nesse instante rezarem em família, com os que estiverem ao seu lado, um Pai Nosso a agradecer a este Menino ter vindo ao mundo para salvar cada um de nós. É pouco. É apenas um Pai Nosso que dura um minuto. É apenas um minuto do verdadeiro Natal.
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Este é o meu desejo de Natal para todos vós: um Natal cheio de Jesus!

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Faltam personagens no presépio da paróquia _ sondagem

Na paróquia estão a faltar algumas personagens para o Presépio deste ano. Como não sabemos quem há-de fazer esses papeis, decidimos pedir-te auxílio. Destas figuras públicas que seleccionei sem grandes motivos de relevância, tentando apenas destacar alguns dos que se destacaram em 2010, ou que se destacam nas suas áreas de representação, a saber, Desporto, Música, Política, Igreja Católica, Cinema/teatro, Comunicação Social, Economia, mundo Vip, quais convidarias para fazer parte do nosso Presépio? Todos são portugueses, porque a língua que se vai usar no presépio é mesmo o português. Queres dar-nos ajuda? Então vota nas duas sondagens que encontras no sidebar, e indica-nos quem poderia ou deveria ser o "Menino Jesus" e o "Rei Herodes".
Claro que esta é uma brincadeira que não pretende ter consequências nocivas ou nefastas. Nem queremos denegrir a imagem destas figuras públicas. Muito menos ainda confundir coisas sérias. É tão só uma forma de sorrir!
Se acaso acharem que outras figuras públicas portuguesas deveriam constar nesta lista, façam favor de indicar num comentário. Nunca se sabe se ainda iremos precisar mais alguma personagem. Ouvi dizer que José estava tão ocupado na carpintaria que não tinha a certeza de poder ir. A estrela disse que também estava com frio. Só Maria garantiu que ia. Ela não podia faltar mesmo. Por isso, amigos, digam lá qualquer coisinha que o Natal está á porta.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Estamos nas mãos de Deus

Há dias assim. Dias que nos tocam por dentro. Para o bem ou para o mal. Foi assim hoje, um dia antes do Natal. Acordei com vontade de sorrir e mostrar que o menino que celebramos faz sorrir. Mas ao longo do dia, entre as centenas de mensagens de Natal do telemóvel, chegaram outras que me fizeram sofrer. Ou porque o padre não fez como devia. Ou porque o padre devia ter feito. Ou porque o padre assim. Ou porque o padre assado. A hora da missa. O dia da missa. A celebração tal. A bênção tal. A Elvirinha que está nos cuidados intensivos. Ouvi sempre como se uma agulha me fosse espetada sem razão, motivo ou vontade. E assim foi crescendo em mim uma adversidade às coisas e à vida. Há dias assim.
Mas o Joaquim ligou-me. A sogra já tinha regressado do Hospital. Prometera ir lá a casa visitá-la e confessá-la nesta época. Entretanto, no dia em que me dispunha fazê-lo, dera entrada no hospital. Hoje estava em casa e o genro telefonara a dizer para me informar. Ou para pedir enquanto informava. Fui. Estava na cama com muitas dores. Premeditara sorrir para a vida, para que ela não entendesse as agulhas que tinha espetadas. Mas não aconteceu. O sorriso saiu-me natural porque olhei para ela e isso bastou. Perguntei se tinha muitas dores. Acenou que sim. Mas falou que estava nas mãos de Deus. Abri mais ainda o sorriso. Nada melhor que no dia de Natal estarmos nas mãos de Deus. E falei. Pois tenho a certeza que este vai ser o melhor momento deste meu Natal. Confessei-a. Conversámos. Rimos. Sempre aumentando e abrindo o meu sorriso. De facto, num dia em que se celebra a Vida, o Amor, a Felicidade que Deus nos promete, nos traz, e encarna no Seu Filho, nada melhor do que sentir que estamos nas mãos de Deus. Mesmo que seja a sofrer. No final contei-lhe que tinha sido o melhor momento do meu dia. Ela disse que também para ela o tinha sido. Agora já era Natal. E para mim também. Porque neste Natal descobri mais uma vez que estamos nas mãos de Deus!
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Aproveito para desejar a todos, penitentes, amigos, menos amigos, anónimos, menos anónimos, um Natal nas mãos de Deus!

terça-feira, dezembro 23, 2008

O Natal de dois mil e cinquenta

Apreensiva a leitura que fiz há dias. Que em dois mil e sete Portugal registou um valor do índice de fecundidade de 1,3 filhos por mulher. Que tem vindo a diminuir substancialmente e que, se acaso esta situação não melhorar, em dois mil e cinquenta chegar-se-á a uma situação insustentável, com uma idade média acima dos cinquenta anos e um rácio de idosos sobre população activa superior a 0.6. A previsão lógica é que acabem as pensões de reforma ou os activos se revoltem com os impostos e taxas que terão que pagar. Dá que pensar. Deu-me que pensar.
Também não foi há muitos dias que fui visitar o lar. Faço-o de vez em quando. Quando o faço, quase sempre regresso a casa com algo para pensar. Os lares são locais propícios para pensar a vida. A época do Natal é propícia igualmente para pensar a vida. Porque Ele também quis viver como nós. Mas não foram estes os meus pensamentos desta visita. A manhã estava fria, mas tinha um sol a vislumbrar-se ao longe. Um pouco longe. Depois de falar com os utentes do lar sobre o amor que Deus nos tem, um amor tão grande que O obriga a tornar-se o mais próximo de nós possível, assumindo uma vida igual à nossa, com sofrimentos e tudo, sentei-me para almoçar ao lado deles. Enquanto dava voltas ao bacalhau, lembrei como vou juntar a minha família, nesta consoada, à volta do bacalhau. Por isso, e por curiosidade, perguntei quantos utentes iam passar o Natal a Casa. Informaram-me que seriam 10 % no máximo. Como achei aquilo absurdo, insisti se não tinham filhos? A resposta deixou-me ainda mais espantado. Praticamente todos.
E foi nesse momento que fiz contas à vida. Por este andar, em dois mil e cinquenta os velhos vão ser em número muito superior aos novos e os pais aos filhos. Se já hoje os filhos não dão o mínimo de atenção aos pais, pior será quando o número de filhos for menor. Em dois mil e cinquenta passaremos o Natal sozinhos nos lares de terceira idade. Praticamente todos.
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Aproveito a ocasião para desejar a todos os "penitentes" e amigos um Natal que nos faça sentir o valor e importância da Vida, uma Vida dada por Deus para sermos felizes!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Deus e o telemóvel da Ana

O telemóvel da Ana pifou. A Ana ia pifando. Ó padre, ele há coisas, contava-me porque eu sou o padre e porque precisava de desabafar com alguém que entendesse a relação de Deus com as suas coisas. O meu telemóvel pifou de todo. Prova disso é que, para além de não se ligar, quando ontem saí da missa retirei-o do bolso e verifiquei que ele estava a carregar. Não estava ligado à electricidade, mas estava a carregar. Já tinha ouvido dizer que a missa era um momento para "recarregar baterias" mas sempre pensei que fosse uma metáfora. A Ana é muito divertida. Faz-me lembrar a simplicidade e o humor de Deus na forma como ela encontra sempre algo divertido para explicar como Deus se relaciona com as suas coisas. Aproveitei a oportunidade e meti-me da mesma forma divertida com ela. Então a menina também leva o telemóvel para a missa? Não me diga que espera alguma chamada importante nessa hora? Ou faz parte do grupo daqueles que, colocando-o em silêncio e a vibrar, obrigam depois o pessoal a procurar, afinal, quem tem o bolso a tremer? Não deixei que ela sequer respondesse. Queria levar a melhor na brincadeira. Se calhar é por isso que o teu telemóvel pifou. Deus não deve gostar disso. Ao que ela, com ar de quem ia vencer a brincadeira e dar a martelada final. Ó padre, ainda não acabou a minha história. Veja como Deus sabe da necessidade que tenho do telemóvel. Acabei de receber, há coisa de uns vinte minutos, uma chamada dos Escuteiros a dizer que a minha frase foi seleccionada e que ganhei um telemóvel. Já nem me lembrava que tinha participado naquilo. Ora veja como Deus, dado que não conseguiu carregar bem a bateria, decidiu premiar-me com uma novinha e com o embrulho todo atrás. Já desconfiava, mas hoje aprendi que é mesmo Deus quem nos dá as prendas no Natal.

domingo, dezembro 25, 2005

Nasceu numa humilde casa

Veio ter comigo num passo demasiado compassado. Foi de-pois da missa de Natal. De preto. As roupas e os sentimentos. A contrastar, as lágrimas sem cor no rosto cheio de rugas. Porquê? Perguntei. O meu filho, senhor padre, o meu filho, mora aqui perto do lar. Que bom, disse eu. Pode vir com mais facilidade. Vou passar o Natal aqui. Se calhar ele anda muito ocupado, sabe. O Natal é uma época de muitas correrias. Carros por todo o lado. Filas de carros nas estradas e filas de carros nas compras. Ele vem. Não vem não, senhor padre. Nem hoje nem amanhã. Esqueceu a mãe que o trouxe no seio. Não é como Jesus. Quem me dera ser a mãe de Jesus. E é, disse-lhe. A Mãe de Jesus é aquela que traz Jesus dentro de si. Aquela que o traz no coração. Mas, como pode ser se eu sou tão pobrezinha?! Sabe, é dessas casas que Ele gosta. Não chore mais. Limpei-lhe a última lágrima. Dei-lhe um beijo na face enrugada. Mas é o tempo da família. E a minha família... Nesse momento lembrei um velhinho de outro lar. Contaram-me. Que esperava os filhos do estrangeiro. Emigrantes. Sabia que eles tinham vindo. Sabia que eles iam levá-lo para passar o Natal em casa. Não apareceram. Passados dois dias, precisamente no dia 27 o senhor foi a enterrar. Nesse dia os filhos apareceram mesmo. Só nesse dia. E a casa não era assim tão pobre!