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sábado, abril 27, 2019

Jesus trabalha na farmácia

Depois das férias da Páscoa, uma das nossas catequistas, por sinal religiosa consagrada, regressou aos encontros que, de vez em quando, fazia na creche, com os petizes que tinham entre 4 e 5 anos de idade. Costumava contar-lhe muitas histórias à volta da grande história de Jesus. Como vinha mais que a propósito, começou a falar-lhes sobre os acontecimentos vividos na Páscoa. Sobre a Morte e Ressurreição de Jesus. Alguns deles tinham participado na encenação da via-sacra e, pelo que a catequista percebera, haviam interiorizado grande parte dos momentos encenados. Aproveitou a ocasião para afirmar que Jesus dera a vida, de verdade, porque era muito nosso amigo e que ressuscitara, voltara a viver para nós sermos muito felizes um dia, com Ele, no céu. 
Mas nisto, um dos pequenitos levantou a mão e disse. Olha, Jesus não morreu de verdade. Foi só faz-de-conta, a fingir. A catequista ficou estarrecida. E a criança continuou. Não sei se sabes, mas Jesus é o senhor Fernando e ele está vivo a trabalhar na farmácia. Pois é, reponderam os outros em coro. Sabes, catequista, os maus puseram-lhe uma coisa na cabeça, com picos, bateram-lhe com umas coisas mas não fazia doer, porque outros batiam numa tábua para fazer barulho. Tinha muito sangue, faz de conta, porque era tinta. Ele caiu na rua, mas levantou-se. E quando o pregaram numa cruz, o senhor Fernando disse umas palavras e fez assim. Ao dizer isto, inclinou a cabecita. 
A catequista já não sabia bem o que dizer. Tinha sido, de certo modo, desarmada. Entretanto, pegou nas palavras que acabara de escutar e começou a fazer a destrinça entre Jesus verdadeiro e o senhor Fernando, seu fiel seguidor, que tinha, de facto, encarnado de forma excelente, a figura de Jesus. Dizia-me a catequista que achava que eles haviam percebido a diferença entre Jesus, que deu a vida de verdade, e que ressuscitou, voltou a viver, e o senhor Fernando, que foi só faz de conta, por isso não morreu e continua a trabalhar, na farmácia. Pelo menos ficaram a conhecer melhor como foi que Jesus deu a vida por nós.

domingo, abril 21, 2019

Jesus morreu e ressuscitou aqui na minha terra

Foi isto que uma criança disse um dia depois de termos encenado a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Como ela era uma criança pequenina, a mãe deve ter-lhe explicado algumas coisas. E foi assim que ela se acercou de mim e me informou, para o caso de eu não saber, que Jesus tinha morrido e ressuscitado na nossa terra.
Era bom, era. Era bom que Ele morresse e ressuscitasse em cada um de nós, nas nossas terras, nas nossas vidas… 

Aproveito para desejar a todos os meus visitantes e amigos uma Santa Páscoa.
Que Jesus ressuscite nas nossas terras, nas nossas comunidades e nas nossas vidas!

sábado, abril 13, 2019

A tradição da procissão de Páscoa

O padre tinha a sua saúde bastante debilitada, A idade avançada também não o auxiliava. Arrastava-se mais que andava. Mas era dia de Páscoa e, como a tradição manda, depois da missa tem de haver procissão. Dizem assim as vozes religiosas que estão habituadas desta maneira. Com as tradições. O padre, no final da missa, que presidiu a um custo notório, fez uma pergunta. Tendo em conta o estado débil em que se encontrava, perguntou a quem o ouvia na assembleia se achavam que devia fazer a procissão ou não. Contou-me quem ficou chocado nesse momento, já lá vão uma série de anos, porque ninguém abriu a boca. Ninguém fora capaz de dizer que, para cuidar da sua saúde, melhor seria não se fazer a procissão. Como ninguém abrira a boca, o padre resignou-se e respondeu por eles. Assim sendo, faz-se a procissão, mesmo que não resista a meio dela. Continuou sem resposta. Fez-se a procissão. O padre, graças a Deus, não caiu. Poucos meses depois o padre faleceu. Não há causa efeito, como é óbvio. Mas há uma Páscoa que não se percebe muito bem se foi Páscoa se foi apenas mais uma tradição.

quinta-feira, abril 26, 2018

Os coelhinhos da catequese

Num dia destes, qual não é o meu espanto quando, à saída do centro pastoral, umas crianças dos primeiros anos de catequese traziam em suas mãos uns desenhos, bonitos por sinal, com uns coelhinhos de Páscoa. Em tons de brincadeira, perguntei se os tinham feito na escola e responderam prontamente que os haviam elaborado na catequese com a catequista. 
É verdade que, segundo dizem, o coelho sempre foi visto como símbolo da fertilidade, os judeus assumiram-no como um símbolo e a cultura popular foi-o adoptando como um símbolo da ressurreição. Li em tempos que eles deveriam ter sido, de tão madrugadores, as primeiras testemunhas do maior milagre da história. De modo similar, fala-se dos ovos da Páscoa como símbolo de algo que parece não ter vida, mas que origina vida, e assim se pode considerar símbolo de Cristo que rompe a pedra do sepulcro. Contudo, nenhum destes argumentos me convencem. Não será antes a expressão de um comércio que usa e abusa do tempo pascal, tal como o Pai Natal é apanágio do mesmo interesse por alturas do Natal? 
Ainda não conversei como deve ser com a catequista. Já lhe disse da minha admiração. Não creio sequer que ela tenha mandado fazer o desenho sem boa intenção. Talvez ela tenho uma muito boa justificação para a sua opção. Também não a julgo, porque a continuo a considerar muito boa catequista. Mas estas coisas metem-se comigo, porque me parece que a Ressurreição de Cristo está muito para além de qualquer um destes potenciais símbolos.

sábado, março 31, 2018

Amontoado de cruzes

Ontem, quando vinha da cerimónia da tarde, a tarde de sexta-feira santa, tropecei num pequeno pedaço de madeira em forma de cruz. Deve ter sido alguma criança da catequese ou algum dos que fazem parte da encenação da via-sacra que o deixaram cair. Na verdade, apesar de quase ter caído, não foi bem um tropeção. Foi mais um pontapé. Sim, sem querer dei-lhe um pontapé que atirou aquele pedaço de madeira para longe. Olhei-o como se fosse uma pedra preciosa e recolhi-o no bolso. Depois levei-o comigo, para casa, afim de poder perguntar a quem pertencia. Mas ao subir as dezenas de escadas para o local onde moro, o bolso pesava-me. Pensei que eram as chaves, mas depois de as meter na ranhura da fechadura, o peso continuava o mesmo. Só podia ser a cruz que encontrara na rua, que atirara para longe e que recolhera de novo. Chegado ao meu quarto, pousei-a em cima da cama. Vou dormir sobre ela. É que nesta Quaresma e nesta Semana Santa tenho encontrado cruzes por todo o lado, de vários feitios, pesos, medidas, e materiais. Tenho-as amontado na cama. Vou adormecer para acordar com elas, e amanhã vou celebrar o Senhor que está vivo para me carregar estas cruzes. 

Uma Santa Páscoa, com os olhos na Ressurreição, para todos

sexta-feira, abril 14, 2017

Quando um coelhinho substitui Jesus

Que o coelhinho nos traga muito mais que simples ovos de chocolate. Que ele nos traga muita saúde, amor, felicidade, compreensão, carinho. Escrevo assim porque li mais ou menos assim. Não o escrevo para desdenhar da boa intenção da pessoa que escreveu cada uma das palavras. Creio que as escreveu sem a perspectiva com que eu as li. E agora reescrevo-as porque ficaram a tinir nos meus pensamentos. 
Se, no Natal, falar do Pai Natal é algo que me custa aceitar, falar ou desejar que um coelho nos traga aquilo que só Deus nos pode eventualmente dar, ainda me custa mais escutar. Se há cidades, como na vizinha Espanha, que tentam transformar a semana santa numa semana cultural, e isso me custa aceitar, mais me custa que Jesus seja substituído por um coelho, por mais bonito, enfeitado ou engraçado que possa parecer para as crianças. 
E é neste mundo e nesta história que Cristo mais uma vez se entrega por nós e manifesta o Seu tão grande Amor ao ponto de nos querer, tal como somos, mesmo quando o substituímos por um coelhinho.

segunda-feira, março 13, 2017

Via Sacra de um simples discípulo

Senhor, estive a reescrever a tua via-sacra para fazermos a encenação do teu amor aqui na paróquia. Reescrevi cada gesto, cada pedaço da tua vida concentrada nesse calvário de amor. Este ano quis escrever com o coração posto nos teus discípulos. Concentrei-me neles, logo atrás de ti. Concentrei-me em mim logo atrás deles. Revi-me em quase todas as personagens. Doeu-me, Senhor, cada reação da multidão, dos sumos-sacerdotes, dos anciãos, de Pilatos, dos soldados. Doeu especialmente a negação de Pedro, a traição de Judas, todos os que dormiram enquanto agonizavas. Tudo me doeu a reescrever este caminho tão doloroso. Valeu-me o Cireneu, a Verónica, as mulheres que choravam por ti, o criminoso arrependido, a tua mãe. Valeu-me ainda mais aquele momento em que desceste da cruz para nos levares, contigo, em ti, à felicidade que o Pai, desde o início, cuidou para nós!

sábado, abril 04, 2015

Pássaro ferido, mas a voar

Hoje venho aqui porque Tu também vieste. Assim sem nada. Tu mesmo e eu mesmo. Tu vivo e eu a viver. A viver-Te. A senhora Maria dizia há dias que não conseguia perdoar a vizinha dela porque esta tinha dito mal dela. E acabou por viver o que a vizinha dizia dela e não a sua vida, que é muito mais do que o que dizem de nós. O não saber perdoar é como um pássaro sem asas. Um pássaro que não é bem pássaro porque não consegue voar. Tu deste o exemplo do perdão com o sinal mais que é a morte, como se esse despojamento fizesse em ti aquilo que és, as asas por excelência de quem quer voar. As asas para podermos voar na liberdade da Páscoa, na liberdade de estarmos vivos porque nos deste as asas para viver e ser pássaro. Hoje venho aqui sem grandes asas para pedir as Tuas asas. Chegou a hora de aprender a voar. Chegou a hora de aprender com a tua morte que um pássaro só é pássaro porque lhe deste a possibilidade de voar nas Tuas asas. Quero sonhar que estou na Tua cruz, planando alto, num voo cruzado, entre Ti e contigo. Ama-me sempre assim, amigo Senhor. Vem de novo com Tuas asas para que eu seja pássaro ferido, mas a voar.