Apresentação


Sou um simples padre.
Ou dizendo o mesmo, mas com mais estilo e erudição, sou um simples sacerdote.
Mas como gosto de falar claro e numa linguagem que se entenda, digo que sou mesmo um simples padre. Assim, do género dos outros padres. Talvez mais refilão ou queixinhas. Talvez mais maroto ou mais indelicado. Talvez mais desbocado ou mais introspectivo. Talvez mais pensador ou mais atrevido (mas muito menos do que gostaria de ser).
O que importa é que gosto de escrever, isto é, deitar palavras para fora. Palavras que me sufocam como se não as quisesse manter, ou que jorram como se a fonte estivesse dentro de mim e não quisesse secar. Esta saiu-me poética (pois que também gosto da poesia e de sonhar que um dia poderia ser poeta além de padre!).
O certo é que com todas as palavras que aqui vou escrevendo, vou crescendo (lá está ele a teimar com a poesia!). Dizia antes de ser interrompido por este quase pensamento, que é a escrever que mais tenho crescido, sobretudo espiritualmente. Por isso muitos dos textos tenho-os escrito no meio da oração ou diante do sacrário.
Sou também um simples pároco com uma série de paróquias. Nelas tenho a meu cuidado uma série de ovelhas, e paremos aqui o assunto, porque me pode dar vontade de por nomes às ovelhas e falar de algumas das suas primas.
Sou ainda um padre que tem várias (é melhor dizer algumas) responsabilidades diocesanas. Aquelas que aguento e que me aguentam.
Sobre este espaço, que nasceu há muitos anos, ele que fale por si mesmo.
Nasceu porque um dia conheci o blogue “o meu pipi” (já não deve estar activo, e vá-se lá imaginar porquê), ri-me à fartazana, cansei-me rápido dele, mas achei que esta coisa dos blogues poderia ser um espaço para as minhas palavras. E elas começaram a sair num tempo em que quase não havia nenhum blogue de origem ou temática religiosa. Recordo que estávamos em 2003 (o blogue precisou de ir dar uma volta e voltou a 25 de Dezembro de 2005. Dir-vos-á a data alguma coisa? A mim sim).
As palavras começaram a sair como se viessem dum espaço meio escondido, meio escuro, com cortinas e buraquinhos aqui e ali para se ouvir mas não para se ver. Sim, parecia um daqueles confessionários antigos. Mas com menos paredes e cortinas, mais cor e mais aberto. E assim foi crescendo este pequeno confessionário. De confissões minhas, de confissões de coisas que penso ou sinto. Confissões da minha forma de pensar a Igreja, o mundo, e Deus.
Atenção que aqui não encontram propriamente doutrina. Isso fica para o catecismo e os doutos. 
Também não encontrarão piedosismos, pelo menos os baratos. 
Se tenho uma pequena pancada?! Provavelmente tenho. Uma pancada por Deus. 
Se podia não ser padre? Claro que podia. A minha vida não está agarrada ao meu sacerdócio, mas a Deus. Pelo menos assim quero estar convencido.
Se me perguntassem, como já têm feito por mail, se sou um padre genuíno, eu não saberia garantir. Fui ordenado faz já muitos anos. Isso posso garantir (até tenho um cartãozinho com uma foto). Também tenho fotos da ordenação e da missa solene, para o caso. E recordo bem o que disse naquela homilia. Gostaria de todos os dias tentar ser padre. Bem, a maior parte dos dias se calhar não consigo. Mas tento. Isso sim. Talvez ainda não seja o padre que Deus quis. Mas isso Ele sabe melhor que eu. Faço alguns esforços.  Faço por ser quem sou. Eu mesmo. Eu Homem e Eu Padre (isto faz lembrar um endereço que conheço muito bem).
E pronto. Talvez quisessem saber meu nome, ou em que diocese estou, ou de que cor são os meus olhos, e cabelo, e altura, e gordura, e por aí fora... Tudo isso guardo para um dia, que não sei quando será ou se será.
Mas se precisares deste pobre e simples padre, sempre lhe podes mandar um correio electrónico, ou então procurá-lo algures. Pois algures ele estará.



10 comentários:

Anónimo disse...

Gostei da mudança, mas muito, muito mais desta partilha, desta "abertura" de coração.
Que Deus continue a mantê-lo assim agarrado a Ele.
Bj

Anónimo disse...

adorei a apresentação... já era fã, mas acho que depois deste texto mais fã virei!
é um padre sem complexos!

Gui disse...

Gostei da mudança, mas ando demasiadamente despistada, só hoje vi, de facto as mudanças, li o post sobre o inquérito e não vi nadinha... hoje já dei umas belas gargalhadas à conta disso mas não tantas como dou quando leio ou releio os smile posts.
Não acha que esse tag anda um pouco esquecido?

Anónimo disse...

Obrigado.

Anónimo disse...

Este padre deve ser castiço!

Mia disse...

Devo dizer que a devoção dos padres sempre suscitou a minha mais elevada curiosidade e, ao descobrir o seu blogue, fiquei absolutamente fascinada! Parece ser uma pessoa diferente, humilde e muito... Como hei de explicar, sem preconceitos. Quer dizer, todos nós os temos, e eu nem sequer sou 100% católica, devo admiti-lo, mas este seu cantinho pareceu-me mesmo especial.
Continue a escrever! :)

Anónimo disse...

Ó padre, esta apresentação fazia falta. Creio que é uma mais valia. A gente lê este texto e tem uma perspectiva de quem és. É engraçado como te tenho lido e pensava mais ou menos isto de ti, mas agora, como está escrito por ti, autentica o que pensava.

Anónimo disse...

Gostei de saber da apresentação, seria muito bom saber quem realmente é o Senhor Padre, mas o bom mesmo é ficar na ficção. Ou melhor na curiosidade isso rende mais apreço no blog. Este cantinho me cabe perfeitamente. Eu tenho tanto pra dizer, que ,milhões de palavras são poucas devido meu estado de espirito atual. Mas á derramei algumas neste local. Adoro este espaço.

Anónimo disse...

" Faço por ser quem sou. Eu mesmo. Eu Homem e Eu Padre"
Provavelmente será por isso mesmo que Deus te ama, a coragem de ser autêntico genuíno verdadeiro faz de ti uma pessoa linda muito linda, diria mesmo bela. Independentemente da cor dos teus olhos(que eu imagino serem cor de avelã e com óculos) do teu corpo (que eu imagino com um 1,70m) e do teu peso (que suponho rondará os 80 Kg).
Com isto apenas te quero dizer que ao escreveres da forma como o fazes revelas um ser humano adulto e em busca de ser um pouco melhor a cada dia.
Pode parecer estranho, (não te conheço e penso que uma distância quase instransponível nos separa) dizer isto mas gosto muito de ti e da forma como te revelas.
Também te agradeço pelo que escreves, e pelas vezes que fizeste a esperança renascer em mim.
Obrigada "AMIGO"!
Paulina

António Sousa disse...

Andando a ler "Uma nova oportunidade para o Evangelho", vim à net pesquisar: "pastoral de gestação" e por aqui me detive um bocado, porque gostei. Espero vir muitas mais vezes e encontrar aqui espaço onde se possa respirar outros ares, outros sopros. Obrigado