És a forma visível de te dizeres
A mão que me adentra para te buscar
És a verdadeira encarnação
O rosto de se viver
dentro de mim
em coração
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terça-feira, agosto 25, 2020
sexta-feira, agosto 14, 2020
os filhos de bartimeu [poema 278]
Vejo as pessoas como árvores a andar
Poes as mãos em mim, deixo-as entrar
Marcas-me com a saliva, nos olhos,
Um carimbo terno para me trespassar.
Vejo pouco
Vejo tudo a andar,
Paredes a desmoronar,
Escadas a saltar
Tudo a correr
sem parar
Insistes com as mãos e a saliva.
Com muita pena, com muita dor
Continuo a ver as pessoas apressadas
Como árvores a andar
Paradas.
Poes as mãos em mim, deixo-as entrar
Marcas-me com a saliva, nos olhos,
Um carimbo terno para me trespassar.
Vejo pouco
Vejo tudo a andar,
Paredes a desmoronar,
Escadas a saltar
Tudo a correr
sem parar
Insistes com as mãos e a saliva.
Com muita pena, com muita dor
Continuo a ver as pessoas apressadas
Como árvores a andar
Paradas.
sexta-feira, agosto 07, 2020
Lugar das pedras [poema 277]
No lugar das pedras há um riacho
Que dá de beber ao mar.
Há sempre um lugar para morar
Onde há pedras que parecem viver
Para se gastar.
Também no mar há lugar para pedras
que parecem andar
Onde houver pedras haverá sempre um lugar
Para além delas,
e se habitar
Que dá de beber ao mar.
Há sempre um lugar para morar
Onde há pedras que parecem viver
Para se gastar.
Também no mar há lugar para pedras
que parecem andar
Onde houver pedras haverá sempre um lugar
Para além delas,
e se habitar
terça-feira, agosto 04, 2020
Mar adentro [poema 276]
Não sei que me deu para adormecer a olhar o mar
Ali fiquei, de olhos abertos, parado no tempo, entre as ondas
Que iam e vinham a mim, sem me acordar
Havia rochas por perto, rudes e gastas de tanto o mar tentar
Estavam entre mim e o meu olhar,
O que me fazia parar nas ondas
A esperar
Que uma delas viesse e não voltasse
E fosses tu por mim
A sangrar
Ali fiquei, de olhos abertos, parado no tempo, entre as ondas
Que iam e vinham a mim, sem me acordar
Havia rochas por perto, rudes e gastas de tanto o mar tentar
Estavam entre mim e o meu olhar,
O que me fazia parar nas ondas
A esperar
Que uma delas viesse e não voltasse
E fosses tu por mim
A sangrar
sexta-feira, julho 31, 2020
folhas [poema 275]
As folhas não caem sem voar
Não adormecem sem se deitar
Encontram-se com o destino
Embaladas pelo vento
Como um menino
Aguardando o tempo.
Não adormecem sem se deitar
Encontram-se com o destino
Embaladas pelo vento
Como um menino
Aguardando o tempo.
quarta-feira, julho 29, 2020
O apagamento [poema 274]
Imagino que há um ditado que fala de quem vive em mim
No apagamento de quem constrói para fora do que sou
Sei que o mundo se apaga quando nós queremos ser
No íntimo da razão de viver como somos
Sei que não vivemos sozinhos quando apagamos os outros
Eles serão sempre os outros que nós criámos em nós
Imagino que um dia o meu apagamento será só meu
No mundo dos outros
No apagamento de quem constrói para fora do que sou
Sei que o mundo se apaga quando nós queremos ser
No íntimo da razão de viver como somos
Sei que não vivemos sozinhos quando apagamos os outros
Eles serão sempre os outros que nós criámos em nós
Imagino que um dia o meu apagamento será só meu
No mundo dos outros
sexta-feira, julho 24, 2020
acoli [poema 273]
Estou longe do mundo
Longe do lugar onde as coisas se tornam coisas
E passam do ser ao que são
É uma luz completamente diferente
Eu diria que é o lugar de quem vive à espera
Esse espaço onde passa a gente
Por passar
Estou por perto, mas distante
Do lugar das coisas
Onde o mundo parece mundo
Onde o que é
acontece
Longe do lugar onde as coisas se tornam coisas
E passam do ser ao que são
É uma luz completamente diferente
Eu diria que é o lugar de quem vive à espera
Esse espaço onde passa a gente
Por passar
Estou por perto, mas distante
Do lugar das coisas
Onde o mundo parece mundo
Onde o que é
acontece
quarta-feira, julho 22, 2020
nós [poema 272]
Quando penso que um dia hei-de ver o meu rosto
Cravado na imagem que tenho do teu amor
Há em mim uma permanência de um não sei dizer
Uma força do tempo que imagino sempre a passar
Mesmo quando tudo parece o mesmo segundo
E o mesmo caminhar
Cravado na imagem que tenho do teu amor
Há em mim uma permanência de um não sei dizer
Uma força do tempo que imagino sempre a passar
Mesmo quando tudo parece o mesmo segundo
E o mesmo caminhar
sexta-feira, julho 17, 2020
completude [poema 271]
Poderei completar o que me pedes
Amontoar pedras e subir-lhes degrau a degrau
Poderei sorrir-te do alto da escadaria
Mesmo que a chuva me molhe os calcanhares
E não veja o tempo para descer de novo a mim
Poderei abraçar-te como me abraço a sós
Porque onde estiver aí completarei quem és
Amontoar pedras e subir-lhes degrau a degrau
Poderei sorrir-te do alto da escadaria
Mesmo que a chuva me molhe os calcanhares
E não veja o tempo para descer de novo a mim
Poderei abraçar-te como me abraço a sós
Porque onde estiver aí completarei quem és
quarta-feira, julho 15, 2020
vens [poema 270]
Sonho contigo nas noites que não passam
Escondido nos lençóis vazios e muito brancos
Sonho que és a minha história real, que vens
Pelo que desejo subconsciente sem controlar
Na verdade mais simples de me encontrar
Escondido nos lençóis vazios e muito brancos
Sonho que és a minha história real, que vens
Pelo que desejo subconsciente sem controlar
Na verdade mais simples de me encontrar
segunda-feira, julho 06, 2020
ela outra vez [poema 269]
Afinal ela não tem um avião
Tem um papel que parece um avião
Dobrada nos joelhos, na vida
da mão
Tem um papel para encontrar alguém
No coração
Tem um papel que parece um avião
Dobrada nos joelhos, na vida
da mão
Tem um papel para encontrar alguém
No coração
sexta-feira, julho 03, 2020
ela [poema 268]
O meu prato não tem fundo
Não tem o terminar
O copo deitado, a água na fonte
A esperar
O meu sonho é um dia poder ser gente
Como as outras
E amar
Não tem o terminar
O copo deitado, a água na fonte
A esperar
O meu sonho é um dia poder ser gente
Como as outras
E amar
domingo, junho 28, 2020
vivo a voar [poema 267]
Vivo até onde me leva o coração
Nessa extensão que desconheço
Entre mim e onde hei-de chegar
Um caminho que não tem preço
Entre a terra e o céu,
Entre a lágrima e o mar
Vivo, porque me leva na ponta dos dedos,
A voar
Nessa extensão que desconheço
Entre mim e onde hei-de chegar
Um caminho que não tem preço
Entre a terra e o céu,
Entre a lágrima e o mar
Vivo, porque me leva na ponta dos dedos,
A voar
terça-feira, junho 23, 2020
entrada e saída [poema 266]
Quando entras, sinto o calor das tuas chagas
ainda a sangrar
O meu peito descansa no teu
Depois de sentir
o teu palpitar
Mas o sangue não para
de caminhar.
Vai desaguando, vai-me levando
a alastrar
O amor que entrou,
sem portas,
Para te amar
ainda a sangrar
O meu peito descansa no teu
Depois de sentir
o teu palpitar
Mas o sangue não para
de caminhar.
Vai desaguando, vai-me levando
a alastrar
O amor que entrou,
sem portas,
Para te amar
domingo, junho 14, 2020
o gesto [poema 265]
Ainda não sei abraçar o gesto
Fazer o sinal da cruz em cima dele
A lâmina passa e é cortante,
O sangue debruça-se sobre mim
Não sei mesmo como nasce o gesto
Como se tece ou como cresce.
Passo um lápis na tua memória
O gesto que se escreve em dois traços
O gesto que desenha um abraço
A nossa cruz
Fazer o sinal da cruz em cima dele
A lâmina passa e é cortante,
O sangue debruça-se sobre mim
Não sei mesmo como nasce o gesto
Como se tece ou como cresce.
Passo um lápis na tua memória
O gesto que se escreve em dois traços
O gesto que desenha um abraço
A nossa cruz
segunda-feira, junho 08, 2020
máscara [poema 264]
Tiraram-te o sorriso
Que eras tu por inteiro.
Até nos olhos se vê
O que se perdeu primeiro...
E o que passa
É a vida que anda
sem se mover
E o que doi
É a dor que mata
sem se morrer.
Que eras tu por inteiro.
Até nos olhos se vê
O que se perdeu primeiro...
E o que passa
É a vida que anda
sem se mover
E o que doi
É a dor que mata
sem se morrer.
sábado, junho 06, 2020
corrida [poema 263]
Gosto de observar o tempo das coisas
Vê-lo a passar,
Vê-las a correr
Voraz e frenéticamente, em busca
Do tempo que passa
ao vê-las correr
Vê-lo a passar,
Vê-las a correr
Voraz e frenéticamente, em busca
Do tempo que passa
ao vê-las correr
segunda-feira, junho 01, 2020
O meu banco de jardim [poema 262]
Há um banco de jardim
Com uma porta, uma cama e uma mesa
De cetim
Nunca sai do lugar onde nasceu
Na sombra dos dias, coberto por um sombreiro
no patamar do céu
Tem as letras do meu nome
A marca do que é meu
Tem o lugar principal do jardim
É a princesa com quem vou casar
É a casa onde moro
Em mim
Com uma porta, uma cama e uma mesa
De cetim
Nunca sai do lugar onde nasceu
Na sombra dos dias, coberto por um sombreiro
no patamar do céu
Tem as letras do meu nome
A marca do que é meu
Tem o lugar principal do jardim
É a princesa com quem vou casar
É a casa onde moro
Em mim
quinta-feira, maio 21, 2020
prantear [poema 261]
As carpideiras deixaram rastos
Nas grandes catedrais de betão
Entre os caminhos de terra gastos
Entre destroços do coração
Ó mulheres, que vida tão triste tendes
Chorar pelo que não é vosso, mas vos toca
Passa entre as mãos e os vossos terços
Que passais a correr, de boca em boca
Levai vossos cântaros de água daqui
Para longe guiai essa dor que bramis
Lavai nos tanques a roupa que escureceis
Deixai que o luto mate quem vós matais
entre papeis
Nas grandes catedrais de betão
Entre os caminhos de terra gastos
Entre destroços do coração
Ó mulheres, que vida tão triste tendes
Chorar pelo que não é vosso, mas vos toca
Passa entre as mãos e os vossos terços
Que passais a correr, de boca em boca
Levai vossos cântaros de água daqui
Para longe guiai essa dor que bramis
Lavai nos tanques a roupa que escureceis
Deixai que o luto mate quem vós matais
entre papeis
terça-feira, maio 19, 2020
asceta [poema 260]
Os homens que se olham parecem parados
Mas são estradas que entram neles
Vozes que crescem por dentro, no que são
Homens que crescem como sementes,
Plantadas no coração
Mas são estradas que entram neles
Vozes que crescem por dentro, no que são
Homens que crescem como sementes,
Plantadas no coração
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