A Joana, que é catequista, comentava que a Ascenção era Jesus a subir ao céu em corpo e alma. Acenei na sua direcção e fiz do meu dedo indicador um metrónomo, de um lado para o outro, a dizer que não. Ficou intrigada e curiosa ao mesmo tempo e, por isso, pediu-me que lhe explicasse o que queria dizer com o meu dedo a acenar. Aprendera assim e era assim que ensinava aos meninos.
Comecei por lhe dizer que não fazia mal em explicar assim aos meninos, porque para podermos falar de Deus, que não vemos, temos de usar a nossa linguagem e aquilo que conhecemos.
No entanto, há que dizer que esta festa tem sido mal entendida por muita gente e, nesse sentido, alguns teólogos nem lhe apreciam o nome. Dizem que o termo “ascensão” não é o mais correcto porque evoca a categoria de espaço físico.
Jesus ressuscitado não subiu nem podia subir ao céu no sentido literal da palavra. Aliás, a sua corporeidade já não era como antes de ter morrido. Não era um fantasma, mas o seu corpo não tinha explicação. Por isso é que os seus não o reconheceram logo, como referem os evangelhos. Não poderia, portanto, ter subido em corpo para o céu. Além disso, Deus também não vive num “espaço” físico. O céu, mais que um “lugar”, é um “estado”, ou seja, uma forma de estar. Ora, para que a subida de Jesus ao céu não se confunda com a imagem de um astronauta ou um balão de hélio que sobe e desaparece no ar, estes teólogos preferem utilizar termos como “exaltação” ou “glorificação”. E têm razão!
A Ascensão, na verdade, é a glorificação plena de Jesus Cristo. E se percebemos que o céu não é um espaço físico, mas é estar com Deus e em Deus, então percebemos melhor que, afinal, Jesus não nos abandonou. Continua connosco, ao nosso lado. Apenas nos precedeu para a glória de estar com o Pai e no Pai.