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sábado, abril 25, 2020

"Dia da Revolução"

Escrevem e dizem alguns que, depois deste furacão chamado coronavírus, a nossa vida não voltará a ser a mesma. Que está a ocorrer uma revolução viral. E falam muito de solidariedades, atenções, correntes de vizinhanças, gestos maravilhosos que vão ocorrendo por todo o lado e em todo o mundo. Dizem também que há menos poluição. Menos Co2. As águas mais limpas. Que, no plano climático, está a valer a pena. Que a natureza nos está a obrigar a rever o nosso estilo de vida. Que o capitalismo vai sofrer um desfalque. Que agora sentimos que precisamos uns dos outros e que os valores que nos têm guiado não são os valores que nos devem guiar. Que agora descobrimos que precisamos da ajuda de Deus porque sozinhos não nos bastamos. 
Mas… 
Li, há dias, no jornal espanhol “El Mundo”, que, em Espanha, na província espanhola de Cádis, onde um grupo de quase três dezenas de idosos tiveram de ser realojados pelo Governo depois de terem sido despejados de um lar por estarem infetados com a Covid-19, os veículos de transporte médico que transportavam os idosos foram apedrejados e um carro chegou mesmo a atravessar-se no caminho. Os populares receberam aqueles idosos com pedras e explosivos! 
Li também algures que alguns médicos e enfermeiros, no mesmo país, têm recebido missivas de vizinhos a pedir que se mudem para outras habitações longe deles, pelo risco que correm. 
Li ainda que num estudo realizado, durante os 6 dias com o maior número de mortes por coronavírus, no mesmo país, pelo Laboratório de Economia Comportamental (LoyolaBehLAB) da Universidade de Loyola, depois de terem oferecido vales de 100€ aos participantes, se verificou que estes fariam menos doações à medida que a pandemia aumentasse e houvesse uma maior exposição à ameaça do COVID-19. 
Por estas e por outras é que não sei se haverá alguma revolução viral. Até porque o vírus parece querer isolar-nos. E cada um parece preocupar-se mais com a sua sobrevivência que com a vida dos outros. Talvez nestes tempos haja uma preocupação maior pelos outros. Talvez nos lembremos mais dos que amamos. Talvez estejamos mais atentos às necessidades que ao nosso redor se encontram. 
Mas… 
Dizemos que é preciso uma revolução no mundo, e que pode ter chegado a hora dessa revolução… Que o maldito vírus veio fazer uma revolução entre nós. 
Mas a denominada revolução não está nas mãos do vírus. Ela está nas nossas mãos! 
Vivemos num mundo, numa criação, numa sociedade que nos foram dados por Deus, como dons, para nós administrarmos. Mas enquanto pensarmos que é o mundo, a criação e a sociedade que nos têm de servir, será difícil fazer desta “Casa Comum” um lugar melhor para se viver e, mais importante ainda, um lugar para conviver, isto, viver com 
A revolução não está nas mãos do vírus. Ela está nas nossas mãos! 
Hoje, dia 25 de abril de 2020, faço votos de que estejamos unidos na liberdade de poder fazer uma revolução… no nosso interior 

Este texto também foge um pouco ao estilo literário que gosto de usar neste espaço. 
Aliás, é um texto ampliado do que escrevera aqui
Mas achei que era uma partilha oportuna para fazer neste dia da "Revolução".

sexta-feira, abril 24, 2020

"oração cansada"

Estou tão cansado, Senhor.
E não é cansado de não fazer nada.
Não é cansado de estar em casa, em quarentena, mesmo sem poder estar com os meus amigos, com os meus colegas, com outros familiares.
Não é cansado de estar recolhido, entre quatro paredes, sozinho com os meus botões, com a televisão, ou com as redes sociais.
Estou aqui em casa, Senhor, a ver o mundo à minha volta a passar.
E estou cansado de esperar.
Estou cansado da ansiedade e da incerteza.
Estou cansado de ter medo e de estar em pânico.
Estou cansado deste estado de estar cansado.
Meu Senhor e Meu Deus, onde estás?! Porque não fazes nada?!

Meu filho, eu também estou cansado…
Naqueles que estão cansados de tantas decisões que têm de tomar e responsabilidades que têm de assumir;
Naqueles que estão cansados porque saem todos os dias de casa, arriscando a sua vida e a dos seus, para que não te falte o pão em casa;
Naqueles que estão cansados pelo desespero de ter perdido o emprego ou estarem em risco de o perder;
Naqueles que estão cansados de esperar uma mão que os ajude, que lhes dê alimento e pousada onde dormir;
Naqueles que estão cansados de sair de casa, ainda que voluntariamente, para cuidar de quem não tem quem cuide deles;
Naqueles que estão cansados de esperar em casa, porque infectados pelo maldito vírus, sem saber como será o dia de amanhã;
Naqueles que estão cansados de cuidar dos doentes, horas seguidas a fio, sem parar e a ver muitas vidas a falecer;
Naqueles que estão cansados de sofrer, nas camas dos hospitais, agarrados à vida pelo fio de máquinas.
Meu filho, estou tão cansado!
Mas, não me canso de estar cansado!
E sabes porquê? Porque te amo, muito.
Porque te amo muito, assim… e quem ama não deixa de cuidar!
Amo-te muito, meu filho.

Esta oração foi feita há uns dias atrás. Foge um pouco do estilo literário que gosto de usar neste espaço. Mas achei que era uma partilha oportuna para fazer. 
Boa oração, na certeza de que Deus nos ama!

terça-feira, janeiro 22, 2019

"best post" 2018

Embora sabendo que não é o mais importante, parece-me que esta é uma forma de revermos textos, pensarmos de novo, e ajudarmos o autor deste blogue a verificar caminhos. Assim, peço a vossa ajuda para seleccionar aqueles textos/prosa que considerais ou considerastes como os melhores, os mais tocantes ou interessantes em 2018. Indiquem nos comentários o título ou títulos dos vossos preferidos. Agradeço desde já a vossa participação e colaboração. Como nas outras ocasiões, tenciono posteriormente colocar os melhores à votação. Podem sugerir outros que não estejam nesta selecção. A mim fez-me bem relê-los. Pode ser que faça bem a mais alguém.

Nota que os poemas não entram nesta sondagem.
Quem quiser dar uma espreitadela aos "best post" de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017 clique AQUI.