quarta-feira, janeiro 20, 2021

sondagem "best post" 2020

Deixamos os resultados da última sondagem que perguntava: Na tua opinião, qual o "acontecimento" mais marcante do pontificado de Francisco em 2020? 

O amplo destaque da oração de sexta-feira santa denota o que significou aquele gesto do Papa para todo o mundo. Mas a segunda e terceira escolhas têm a sua importância. A encíclica Fratelli Tutti e o ano Laudato Si apontam para um novo rumo no mundo. A ver vamos!

Iniciamos, igualmente, uma nova sondagem, no lado direito do sidebar, para perguntar qual foi, na nossa opinião, o melhor, mais tocante ou mais interessante texto não poético de 2020. Os 10 textos a votação foram seleccionados de acordo com as indicações dos "penitentes" deste espaço e de acordo com a minha apreciação. Quem os quiser "revisitar", tem os links respectivos abaixo da sondagem. Bem haja pelo vosso interesse e colaboração!

segunda-feira, janeiro 18, 2021

iacobus [poema 298]

Enquanto os pés me deixam, eu faço as circunferências 
Em teu redor, são ponteiros de relógio marcados no chão 
Quente, da terra batida, lume aceso quando passas. 
 
E acende-se o sol na poeira dos meus dias, descalços 
Os pés que te percorrem na ânsia de serem mãos a correr,
Braços a crescer das mãos, e a morrer 
Para te abraçar.

quinta-feira, janeiro 14, 2021

"best post" 2020

Embora sabendo que não é o mais importante, é uma boa desculpa para revermos e relermos textos deste ano atípico. Assim, peço a vossa ajuda para seleccionar aqueles textos/prosa que considerais ou considerastes como os melhores, os mais tocantes ou interessantes em 2020. 

Indiquem nos comentários o título ou títulos dos vossos preferidos. 

Deixo algumas sugestões, de acordo com a minha apreciação particular e tendo em conta alguns dos que foram mais visualizados, mas podem indicar outros que aqui não se encontrem linkados. Agradeço desde já a vossa participação e colaboração. 

Como nas outras ocasiões, tenciono posteriormente colocar os melhores à votação. Podem sugerir outros que não estejam nesta selecção. A mim fez-me bem relê-los. Pode ser que faça bem a mais alguém.

Quem quiser dar uma espreitadela aos "best post" de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019 clique AQUI.
 

janeiro

conversas de outros mundos

O menino Jesus sem casa

 

fevereiro

Eu thanatos

 

março

Contaminados pelo vírus do pânico

a nossa parte

O beijo do meu pai

A igualdade das mulheres na Igreja

A ‘minha’ ou a ‘nossa’ missa

 

abril

A Igreja que está para vir

uma Igreja virtual

Encontrei o beijo do meu pai

Olha, faz o bem

 

maio

Subir ao céu em corpo e alma

A Igreja que faz o mesmo de sempre

As igrejas vazias e fechadas

A Igreja que está aí

 

junho

A desculpa do vírus

A Luiza está no céu a enfeitar igrejas

A Igreja do relacional

a verdade anda cada vez mais longe da verdade

A importância da eucaristia

Onde esteve a Igreja nestes tempos

 

julho

O ministério sacerdotal não é um privilégio

Deus no quintal

 

agosto

Deus ama-nos, não porque sejamos bons, mas porque Ele é bom.

 

setembro

A oração como saída de nós mesmos

 

Outubro

Gostar das pessoas

Uma fé que quer Deus sem esforço

O retiro e a percepção de Deus

Às vezes infantilizamos o sacramento da penitência

 

Novembro

As missas e a azeitona

Tratar dos pobres

Doer sem tempo para doer

A santidade dos que não são santos

A morte como um fim

 

dezembro

o inimaginável Deus vulnerável

Não é uma porta fechada que fecha uma igreja.

O Miguelito e o Papa

Mãos ao alto

terça-feira, janeiro 12, 2021

o nó [poema 297]

Nunca desato o nó como devia, fica apertado 
Como a corda enfeitada de um enforcado 
Engulo o sangue que é sempre o teu 
No cálice, e aperto nas mãos o véu 
 
Dizem que o mar foi feito de lágrimas apertadas 
Contra o céu 
 
Passo as contas pelos dedos, e aperto mais ainda 
O nó na garganta para não chorar 
o adeus

domingo, janeiro 10, 2021

Um senhor que morreu e nasceu de novo

Na catequese do primeiro ano, a catequista, para ambientar o que era a catequese, perguntou ao seu pequeno grupo o que é que eles sabiam de Jesus, se já tinham ouvido falar dele e, nesse caso, o que tinham ouvido. Alguns ficaram calados. Era a primeira vez que estavam com a catequista e provavelmente não se sentiram à vontade para falar. O Afonsito, porém, que é uma criança com uma doença rara, mas com o entusiasmo de leão, como ele diz, quando chegou a sua vez, disse que sabia que ele era um senhor que tinha morrido e que tinha nascido de novo. 
Assim, tal e qual. Em três ou quatro palavras simples, resumiu o que a teologia demora muito em dizer e sintetizou o anúncio da Boa Nova. Claro que estou a brincar com o assunto, pois não há verdadeira comparação. Mas gostei imenso de ouvir esta resposta que diz tanto e diz na maneira pura e simples das crianças. 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO:  "Chama-se Jesus"

sexta-feira, janeiro 08, 2021

desprendimento [poema 296]

O dia do desprendimento das coisas 
Foi hoje mesmo, quando o dia escureceu 
E entrei por mim a ver se me encontrava. 
 
A ver se a noite era madrugada 
Entrei como um suspiro ao contrário 
Para dentro. 
 
Esse dia foi um momento 
Quando incorporei o que não era corpo 
As coisas que andavam cá dentro 
A brincar às escondidas, ao mata mata 
 
O nó que não desata 
Por fora 
 
Chegou a hora 
Do desprendimento das coisas

domingo, janeiro 03, 2021

A pastoral das mensagens

O Bispo disse isto. O bispo falou de. O bispo escreveu uma carta pastoral. O bispo redigiu uma nota. Na mensagem do primeiro dia do ano o bispo afirmou. Na de Natal pediu. Ou alertou. Na homilia tal referiu que. E por aí fora, num rol de notícias ou ocorrências que mais não são que dizeres e mensagens. Ou seja, a pastoral que fazemos parece, muitas vezes, reduzir-se a notas, cartas pastorais, mensagens e similares. 
Sem desprimor do conteúdo desses conjuntos de palavras, acaba por se tornar cansativo ler tanta coisa que se diz e se repete, quase como que a ver quem diz primeiro aquilo que toda a gente já sabe que vai ser dito. Não digo que não seja importante, mas acaba tornando-se muito cansativa tanta leitura ou mensagem que se consome por estes dias. Ainda por cima, a pandemia causada pelo novo coronavírus e as condicionantes pastorais que trouxe consigo, vieram acicatar esta como que necessidade de se dizerem coisas. Vieram fomentar a necessidade de nos fazermos escutar e de manifestarmos uma presença. 
Este proceder é, de certo modo, consequência de uma sociedade líquida e pós-moderna, em que tudo é volátil e há uma necessidade constante de ter uma palavra e preencher o vazio do silêncio. Contudo, pessoalmente acho que o silêncio da intimidade com Deus é capaz de ser escutado com mais intensidade que as muitas palavras proferidas. E sou de opinião que a melhor acção pastoral são as obras. 
Por isso, ao ver alguns canais de comunicação da nossa Igreja, canso-me de tanta mensagem que pouco acrescenta ao que já foi dito noutras mensagens. Quando a mensagem é só uma. Quando o mensageiro é só um. A mensagem da Igreja é a Boa Nova da Salvação. E o seu mensageiro é Cristo. Assim o dizem os documentos da Igreja e assim o creio também. Mesmo que as centenas de mensagens sejam valiosas e importantes, a nossa Igreja deveria dar mais espaço à Mensagem.  
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "As mensagens de natal ou que tal"

sexta-feira, janeiro 01, 2021

Na tua opinião, qual o "acontecimento" mais marcante do pontificado de Francisco em 2020?

Em agosto deste ano, quando já se tinham retomado as celebrações comunitárias da eucaristia, após o confinamento geral causado pelo novo coronavírus, elaborámos uma sondagem que questionava os motivos pelos quais os crentes ainda não tinham regressado à Eucaristia. Talvez muita coisa tenha mudado entretanto. Ou então talvez ainda seja uma questão pertinente para reflectir. Aqui estão os resultados apurados na altura.

 
Hoje lançamos nova sondagem para perguntar sobre o "acontecimento" que, na tua opinião, foi o mais marcante do pontificado do papa Francisco este ano de 2020. 
Agradecemos a quem esclarecer a sua escolha!

terça-feira, dezembro 29, 2020

o inimaginável Deus vulnerável

O Deus que encarnou e se fez menino foi acomodado em palhas, numa manjedoura, sob os olhares de vacas, burros e ovelhas. Não sob o olhar de holofotes e de câmaras de televisão e jornais. Não teve as melhores condições sanitárias para vir ao mundo. Não teve direito nem a clínicas privadas nem a hospitais públicos. Não teve sequer lugar numa hospedaria. Encarnou junto dos animais, na solidão dos homens e sob a ameaça de um genocida. Nasceu na maior humildade e fragilidade da natureza humana. 
Deus quis entrar na nossa história anónimo e escondido, frágil e pobre, um deus vulnerável. O inimaginável Deus vulnerável! 
O Natal é a memória da vinda de Deus entre nós, na carne frágil, vulnerável e mortal que nós somos. A partir daquele dia, não se pode mais dizer Deus sem a humanidade, nem a humanidade sem Deus! A partir daquele dia, o sofrimento, a morte e o mal não terão mais a última palavra. 
Há que dizer, portanto, que, apesar dos tempos em que vivemos, nada nem ninguém nos tira o Natal, porque o verdadeiro Natal acontece nos nossos corações! É lá que Deus quer encarnar! É lá que Deus quer habitar! Talvez assim consigamos olhar o mundo e todas as adversidades do mundo com um novo olhar que brota de um coração cheio de Deus! 
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Há gente para quem o Natal é só uma data"

quarta-feira, dezembro 23, 2020

os meninos [poema 295]

Veio, agarrado às mãos, do bolso de um menino, 
Cabia entre dois dedos, era tão pequenino! 
 
Fora tomado à pressa, no presépio da sala, 
Com auxílio do avô e de uma bengala. 
 
Juntou-se aos corcéis, comboios e carrinhos 
Numa azáfama grande de muitos carinhos.
 
Em duas mãos dançava, na brincadeira, 
Era quem mais rebolava no chão de madeira.
 
Era o mais querido, com quem mais brincava, 
O seu menino mais lindo, o que mais amava. 
 
Apertava-o e dizia: eu gosto deste menino! 
É tão parecido comigo. Ele é tão pequenino… 
 
 
Aproveito para desejar um santo e verdadeiro Natal a todos vós que aqui vindes buscar algo!