A Clara é uma senhora de meia idade. Diz-me que a sua fé também anda na meia idade. Ela quer amadurecer a sua fé, mas acha que ainda tem mais de metade do caminho por andar. E nestes tempos, disse-me, perdeu-se um pouco, porque buscava e o que encontrava, sobretudo na net, era quase sempre de fraca profundidade. Ela não se contentava com mais do mesmo, ou com abordagens que não iam ao amago do essencial. Viu muita coisa que, na sua opinião, só infantilizava ainda mais os crentes. Por isso me fez a pergunta sobre onde estivera a verdadeira Igreja nestes tempos de confinamento.
A minha resposta estava na ponta da língua, porque muito reflectida e meditada por estes dias. A Igreja destes tempos esteve e continua a estar no coração de cada crente. Assim como Deus. Ele está por todo o lado, é certo. Está nas nossas igrejas que estiveram fechadas. Está na rua e nos acontecimentos. Está nas casas das pessoas. Até está nas muitas manifestações que ela quase chamou de medíocres. Mas onde Ele quer estar deveras é no coração de cada um. E é aí que a Igreja começa por se construir, por ganhar raízes, por se nutrir. A comunidade cristã é imprescindível para o itinerário de fé. Mas a fé é uma razão do nosso interior. Por isso a verdadeira Igreja está onde sempre tem estado, no coração de cada crente.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "A Igreja da senhora Alcinda"