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sexta-feira, setembro 07, 2012

Quem canta, seu mal espanta

A senhora Emília é a cantora mor numa das minhas comunidades. Inicia e orienta os cantos da liturgia. É muito prestável, mas já não é a primeira vez que na hora do pós-comunhão fica em silêncio. Pelos vistos estavam assim habituados. E não vem mal ao mundo que a acção de graças seja feita na intimidade própria do silêncio. Porém, como gosto de cantar, insisto que se cante. No último Sábado assim aconteceu. Como ela estava perto da cátedra onde me sento, insisti baixinho, mas de forma audível, para que cantassem. Nada. Fez-se ainda mais silêncio. Mas nisto alguém resolveu cantar do lado de fora da porta da capela. Estávamos nós no tal silêncio profundo quando se ouviu, como se fosse ali juntinho à porta, o senhor burro a zurrar. Gargalhada geral na capela. Mais sonora que o zurro do senhor burro. E o senhor padre não resistiu a comentar do altar. Ora, eu tenho dito para cantarem. Mas hoje alguém me ouviu, e já que não cantamos nós, que haja quem cante por nós. E saímos da eucaristia todos bem-dispostos, pois que, deixem passar a expressão, quem canta seu mal espanta.

segunda-feira, junho 01, 2009

A música litúrgica

Aproveitou experimentar outra opinião, para justificar a dela. Lá na terra faz parte do grupo de jovens e cantam na missa. Tudo certinho e direitinho, porque o padre só gosta assim. Podemos dar notas ao lado, que o importante são os cânticos litúrgicos. Queríamos colocar guitarra. Grita impossível, e a gente sente o impossível bem no fundo de cada um de nós. Entretanto, quando há casamentos e nos pedem para os animar, a gente desforra-se um pouco. Até há uns dias atrás, em que ouvimos o que não queríamos. Estamos impedidos de cantar na missa. E agora diga-me o senhor o que havemos de fazer? Deixar de cantar? Deixar de ir à missa? Deixar de ser cristão? Na minha paróquia quem manda sou eu, disse. Eu não sabia que dizer, pois sou de opinião que a música litúrgica é aquela que se adapta à liturgia e não aquela que com sonoridades exclusivas e características, nos é proposto alindar a Eucaristia. Também não gosto de canções de ir à erva, um pouco apimbalhadas, imitações baratas de artistas conhecidos como os Abba ou por ai fora. Mas gosto de uma viola, de um bom ritmo, de uma canção que faça sorrir e faça festa, uma canção que incentive todos a cantarem. Para mim, a música litúrgica é aquela que acompanha, que sustenta a liturgia. Não pode ser um espectáculo, e deve servir para que toda a gente cante na assembleia. Recordo como o meu mestre no Seminário nos ensinava aqueles temas cheios de vozes e harmonias que ninguém cantava senão nós, e que depois dizia serem litúrgicos. Por tudo isto, pedi à jovem que encontrasse naquilo tudo um equilíbrio. Que falasse de novo com o pároco e que tentasse encontrar o tal equilíbrio juntos. Mas, ó padre, então eu para cantar a Deus não hei-de poder cantar com as minhas palavras e melodias? Sou obrigado a cantar o que não gosto? Então como posso gostar daquele a quem canto se não gosto do que canto?