Era uma conversa que escutava ao longe, como quem não quer entrar na conversa, mas está lá em silêncio. Era uma conversa fiada, mas que não era bem fiada. Era uma conversa entre dois padres amigos, mais ou menos da minha idade. Aquela idade em que se começa a olhar mais para o passado que para o futuro, mais para o que não fizemos que para o que ainda poderíamos fazer. Dizia um. Cada vez que olho para os casados da minha idade, alguns que andaram na escola comigo, a passear com os seus filhos, fico a pensar. A ti nunca te acontece? O outro respondeu que não. Que não tinha pensado muito nisso. Na verdade, talvez um pouco. Mas pouco. O primeiro continuou. Já imaginaste quem vai cuidar de ti quando estiveres velhote, doente, incapacitado? E o outro respondeu na mesma linha. Também ainda não tinha pensado muito nisso. Dizia que não tinha muito tempo para pensar neste tipo de coisas. Ok, acrescentou o outro. E ficou por ali a conversa.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Fez-me só parar o carro"
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Fez-me só parar o carro"