terça-feira, janeiro 30, 2018

A Igreja precisa de padres?

Dava um bom título para um dos nossos pasquins mediáticos. Assim como dava um bom artigo de teologia numa revista especializada. Mas a pergunta surgiu numa reunião de padres que se queixavam a propósito de uma notícia badalada na comunicação social e que percorreu as redes sociais. 
O padre ainda é preciso para fazer funerais, as festas bonitas de alguns sacramentos e as festas populares com procissões e romarias que terminam com bailaricos, cantores famosos e muita bebida. Nalgumas paróquias servem ainda para as reclamações de missas, sobretudo as de sétimo dia ou de notícia, aquelas missas com intenções, em determinados aniversários de defuntos. 
São, a meu ver, necessidades autênticas e que a Igreja deve valorizar. Mas a pergunta, para mim, é muito mais profunda. A pergunta mexe com a razão verdadeira da existência dos sacerdotes, a própria existência da Igreja Católica, Apostólica e Romana, e que hoje já é costume chamar de ICAR (não gosto nada que lhe chamem assim, como se fosse o nome de uma instituição que se designa pelas suas iniciais e não pela sua razão de ser, o mandato de Cristo).
Precisa a Igreja dos padres, quando o seu número tem tendência a diminuir drasticamente e já não se conseguem manter as comunidades cristãs como no tempo da cristandade? O futuro dir-nos-á da necessidade dos padres, mas di-lo-á na procura daquilo que é a sua missão específica. Com o tempo creio que a Igreja assentará sobretudo no Povo de Deus que é constituído maioritariamente por leigos. Em breve serão eles a tomar conta das comunidades cristas, com um sacerdote que vai passando a celebrar missa de vez em quando. O próprio tempo fará com que deixemos de querer manter o de sempre. Talvez nessa altura descubramos que a Igreja é de Deus e não ao contrário, que a Igreja tem um deus. Na verdade, não é Cristo que precisa da Igreja, mas a Igreja que precisa de Cristo. 
Talvez nesse tempo sejamos obrigados a dar conta que os padres só são necessários porque Cristo é necessário.

21 comentários:

Paula Ferrinho disse...


De facto, penso que o futuro será por aí: uma integração cada vez maior e mais plena dos leigos, levando-os a assumir "cargos" e uma supervisão da gestão das paróquias. Paróquias menos "clericalizadas", onde imensas coisas não tenham que passar "pelo sr. Padre." No entanto, ainda se nota muita resistência a isto e esta resistência começa muitas vezes nos próprios sacerdotes, que chamam a si o "pelouro" de imensas coisas, não as deixando ser assumidas/geridas por outros. Claro que isto exigiria formação e comprometimento dos leigos e uma alteração na rede de funcionamento de muitas coisas. Enfim, o Espirito Santo valer-nos-á, a nós e à Sua Igreja, sem dúvida, mas que é certo ter de haver um reajuste, isso acho que sim. Os funerais, por exemplo... não será possível haver equipas de leigos conscientes e "formados nesse sentido" que assegurem parte desta área? Falo nisto porque vejo pelo meu pároco... há dias em que chega a ter 5, 6 funerais por dia. Haverá espírito que aguente? Como se pode apostar na "pedagogia da dor", desta forma?
Enfim, não há respostas imediatas, mas muitas pistas que nos têm que levar à abertura para a reflexão.
Gosto sempre de lê-lo. Um beijinho.

francisco disse...

Realmente o problema é esquecermos Cristo e o que nos vem dar, por vezes fica a ideia que a Igreja apenas presta "serviços" ou que o fim principal é criar uma comunidade ou que Deus é apenas um aspecto da nossa espiritualidade.

O padre é fundamental tal como Cristo o é, pois pelo caráter do sacramento da Ordem, impresso em sua alma no momento da ordenação, o padre torna-se partícipe do sacerdócio de Cristo.

Assim de modo semelhante a Cristo, o padre é constituído como mediador entre Deus e os homens, diz o Apóstolo, “tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens naquelas coisas que se referem a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Heb. 5, 1), começando pelo sacrifício por excelência, a Santa Missa.

O padre também faz com que desça sobre os homens a misericórdia e as graças de Deus”, aquele que dá as coisas sagradas aos Homens, diz São Paulo: “Assim todos nos considerem como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus” (1 Cor. 4, 1).

Configurado com Cristo Sacerdote, o padre, e só ele, recebeu o poder de realizar, na consagração da missa, a transubstanciação do pão no Corpo de Cristo e do vinho no Sangue de Cristo. Só o padre nos pode dar o alimento de vida eterna.

A isto associa-se a acção do padre sobre o Corpo místico de Cristo, ou seja, sobre os membros do povo de Deus: ajudar a santificar e a salvar as almas.

O padre é fundamental tal como Cristo o é, perdemos a noção da salvação que Cristo nos veio dar.

2019. A justificação compreende a remissão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior.

2020 A justificação foi-nos merecida pela paixão de Cristo. Foi-nos dada por meio do Baptismo. Conforma-nos com a justiça de Deus, que nos faz justos. Tem como fim a glória de Deus e de Cristo e o dom da vida eterna. É a obra mais excelente da misericórdia de Deus.

2022. Na obra da graça, a iniciativa divina previne, prepara e suscita a livre resposta do homem. A graça corresponde às aspirações profundas da liberdade humana; chama-a a cooperar consigo e aperfeiçoa-a.


Não existe salvação sem a graça de Deus e o padre é fundamental para nos ajudar a cooperar e manter a graça de Deus.

Em cada dia nos sacramentos e no Sacrifício do Altar Cristo realiza em nós a nossa salvação, purificando-nos e fazendo as nossas almas participantes da Sua vida divina.
É o padre o mediador dessa obra.

Anónimo disse...

Não sei se escandalizo alguém, mas parece-me que a presidência da Eucaristia (a Eucaristia é o alimento da comunidade e não pode realizar-se só de vez em quando) tem que passar a ser assumida por cristãos dignos e bem preparados, homens ou mulheres, mandatados ("ordenados") pelo bispo.

Anónimo disse...

O senhor, tem toda razão, isto mesmo e tens muita coragem para revolucionar o meio católico. a igreja ainda vivem em uma redoma. Mas tudo se evolui, e sim ela que precisa do CRISTO. Isso ainda esta nas vias de ser entendido ate mesmo nos mais praticantes do uso da FE. Muitos desconhecem mas que bom que buscam.

francisco disse...

Anónimo não escandaliza mas "presidência da Eucaristia" e "Eucaristia alimento da comunidade" é serviço protestante, não é a missa católica.

Na missa católica torna-se presente o sacrifício da Cruz, volta a tornar-se presente para dele participarmos e recebermos os méritos, diz o Papa Francisco:
"A Eucaristia é um acontecimento maravilhoso no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. Participar na Missa é viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor torna-se presente no altar para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo"
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2017/documents/papa-francesco_20171108_udienza-generale.html

E isso apenas é realizado pelo padre que o realiza na pessoa de Cristo.

A Hóstia Sagrada é alimento de vida eterna, onde o Senhor está realmente em Corpo, Alma e Divindade, isso apenas é realizado pelo padre que o realiza na pessoa de Cristo.

O que indica de "cristãos dignos e bem preparados, homens ou mulheres, mandatados ("ordenados") pelo bispo", sim pode vir a ser necessário devido à falta de vocações de ser um novo Cristo, devido à falta de Fé, falta de famílias cristãs. Mas isso não é Eucaristia nem missa, é ouvir a Palavra e dar a Hóstia Sagrada previamente consagrada. É o que se fazia na União Soviética devido às perseguições.

Porque estamos abandonados numa espécie de protestantismo? Como pode haver vocações se Jesus apenas é mostrado e visto como um «bom amigo»? A vocação é para se ser outro Cristo, dar a vida pelos outros, pela santificação e salvação deles, ajudá-los a entrar na Graça de Deus, e na missa dar a Deus toda a honra e glória em adoração, tornar presente o Santo Sacrifício com a oferta a Deus a partir da qual torna-se presente o Cordeiro de Deus nosso alimento de vida eterna.
Jesus não é apenas um «bom amigo», é nosso irmão, Filho de Deus, como nos pede para nós também sermos: Filhos de Deus, não apenas «boas pessoas».

Ao protestantismo e relativismo Jesus responde:
"Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará; pois a este é que Deus, o Pai, confirma com o seu selo."
(João 6, 26-27)

A comunidade é importante, é o Povo de Deus, mas ela só surge a partir da união de cada um dos seus membros a Cristo, fazendo parte do mesmo Corpo. É a conversão da alma e coração de cada a Deus que forma a comunidade, Deus é o princípio e fim de tudo não a comunidade, esta será um bom fruto.

Como diz o primeiro Papa, São Pedro:
"Como filhos obedientes, não vos conformeis com os antigos desejos do tempo da vossa ignorância; mas, assim como é santo aquele que vos chamou, sede santos, vós também, em todo o vosso proceder, conforme diz a Escritura: Sede santos, porque Eu sou santo."
"fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro, 19mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha"
"vós, que por meio dele tendes a fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e o glorificou, a fim de que a vossa fé e a vossa esperança estejam postas em Deus. "
(1 Pedro 1, 14-21).

Anónimo disse...

A Igreja precisa de padres para a liturgia.
Mas a Igreja não se resume à liturgia.
Na minha modesta opinião, era necessária uma reflexão alargadíssima sobre este assunto.
Qualquer dia, como diz o conf, não haverá padres.

francisco disse...

Não é para a liturgia que precisamos de padres, é para recebermos e permanecermos na Graça de Deus.

Diz-nos o Concilio Vaticano II, a nós que somos católicos, na Lumen Gentium 14:
"não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar."
"Não se salva, porém, embora incorporado à Igreja, quem não persevera na caridade: permanecendo na Igreja pelo «corpo», não está nela com o coração.
Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e acções, bem longe de se salvarem, serão antes mais severamente julgados."


Diz o Concilio que para nós católicos o caminho de salvação é permanecer na Igreja praticando a verdadeira Caridade, sem isso colocamos em causa a salvação.

E a verdadeira Caridade é "A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus."

Vemos tantos católicos indiferentes à Igreja e a Deus, desconhecimento da Fé, solidariedade sem amor de Deus. Isso é colocar em causa a salvação, devia-nos fazer sair e evangelizar dizendo "Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação" (Lc 22, 46)

Para isto precisamos de padres, para nos ajudarem a seguir o caminho estreito. Porque haveria de ser necessário alguém consagrar a vida a Deus pelos outros se não fosse para os santificar e salvar? Ser como Cristo.

http://enxertadosnacruzdecristo.blogspot.com/2018/01/em-portugal-conservar-se-sempre-o-dogma.html

Anónimo disse...

ao amigo Francisco, envio este texto com o título: Do sacerdote celebrante a uma assembleia sacerdotal (Em que o Vaticano II mudou a Igreja 3)

http://amerindiaenlared.org/contenido/12094/do-sacerdote-celebrante-a-uma-assembleia-sacerdotal-em-que-o-vaticano-ii-mudou-a-igreja-3/

francisco disse...

amigo Anónimo, o artigo que indicou leva-nos para os erros do protestantismo, seguindo a teologia da libertação condenada pelo Vaticano. Pode-se ver qual a intenção ao consultar o sobre do site:
http://amerindiaenlared.org/sobreamerindia/

O Vaticano II mudou algumas coisas mas não mudou nem pode mudar a essência da missa que é um mandato recebido do Senhor.

Não existe nada do Vaticano II a indicar para a missa ser voltada para o povo nem nenhum documento dos Papas a indicar isso.

O Sacrifício da missa vem desde sempre:
Santo André Apóstolo (séc. I): O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.

Didaqué (instrução dos doze Apóstolos) (cerca 70dc):
Reúnam-se em cada dia do Senhor e partam o pão, e deem ações de graças após ter confessado seus pecados, com o propósito que seu sacrifício seja puro.
Mas não deixe que qualquer pessoa que tem um rancor contra o seu irmão ou aquele que se encolerizar contra seu irmão reúna-se contigo para tomar a ceia, até que eles se reconciliem, para que seu sacrifício não seja profanado.
Porque isso é o que foi dito pelo Senhor.
"Em todo lugar e tempo oferecerão a mim um sacrifício puro, porque eu sou grande Rei, diz o Senhor, e o meu nome é maravilhoso entre as nações."
Portanto, nomeiem para vós bispos e diáconos dignos de Nosso Senhor, [entre] homens que são mansos, e não amantes do dinheiro, e verdadeiros e provados, para que eles também possam dar-vos o serviço de profetas e professores.

São Cipriano de Cartago (séc.III)
Este pão sobrenatural e este cálice consagrado são para a saúde e salvação da humanidade.


Santo Ireneu (130-202)
A oblação da Igreja, portanto, que o Senhor deu instruções para ser oferecida em todo o mundo, é apresentada a Deus como um sacrifício puro, e é aceitável para Ele; não que ele precise de um sacrifício de nós, mas para que aquele que oferece é ele próprio glorificado no que ele oferece, se o seu presente é aceite.

Beato Papa Paulo VI:
Regina Caeli, 12 de Abril de 1970
É pois necessário rezar pelas vocações. O único atractivo que elas oferecem hoje é o sacrifício, isto é, o amor que se dá, à Cruz. É preciso rezar para que almas generosas, principalmente jovens, sintam a sua misteriosa e poderosa atracção.


Beato Papa Paulo VI:
Credo do Povo de Deus, Homilia, 30 de Junho de 1968
Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em
virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial.

Veja-se como o Sacrifício vem desde as origens até agora:
http://enxertadosnacruzdecristo.blogspot.com/2017/09/cristo-eterno-rei-e-eterno-sacerdote.html

Porque é que nos querem afastar do sacrifício e focarmos apenas em nós mesmos?

"Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação" (Lc 22, 46)

francisco disse...

sobre o papel do padre e da assembleia, do código de direito canónico:

Cân. 897 — O augustíssimo Sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus Cristo se contém, se oferece e se recebe, e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua através dos séculos o Sacrifício da Cruz, é a culminância e a fonte de todo o culto e da vida cristã, pelo qual se significa e se realiza a unidade do povo de Deus e se completa a edificação do Corpo de Cristo. Os demais sacramentos e todas as obras eclesiásticas de apostolado relacionam-se com a santíssima Eucaristia e para ela se ordenam.

Cân. 898 — Os fiéis tenham em suma honra a santíssima Eucaristia, participando activamente na celebração do augustíssimo Sacrifício, recebendo com grande devoção e com frequência este sacramento, e prestando-lhe a máxima adoração; os pastores de almas, ao explanarem a doutrina sobre este sacramento, instruam diligentemente os fiéis acerca desta obrigação.

Cân. 899 — § 1. A celebração eucarística é uma acção do próprio Cristo e da Igreja, na qual Cristo nosso Senhor, substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho, pelo ministério do sacerdote, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis associados na sua oblação.

§ 2. Na Assembleia eucarística, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do Bispo ou, sob a sua autoridade, do presbítero, que faz as vezes de Cristo, e todos os fiéis presentes, quer clérigos quer leigos, com a sua participação para ela concorrem, cada qual a seu modo, segundo a diversidade de ordens e de funções litúrgicas.

§ 3. Ordene-se a celebração eucarística de modo que todos os participantes dela aufiram os maiores frutos, para cuja obtenção o Senhor Jesus Cristo instituiu o Sacrifício eucarístico.

francisco disse...

O Vaticano II e a Santa Missa:
http://enxertadosnacruzdecristo.blogspot.com/2017/08/o-concilio-vaticano-ii-e-santa-missa.html

"Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual
«Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (1 Cor. 5,7), realiza-se também a obra da
nossa redenção
. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é
representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em
Cristo (cfr. 1 Cor. 10,17). Todos os homens são chamados a esta união com
Cristo
, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos.
"

(Lumen Gentium 3)



"Os fiéis pela participação no
sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem
a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela
" (Lumen Gentium 11)




Aqui vemos que continua a existir uma diferença essencial entre o sacerdote e a assembleia:
"O mesmo Senhor, porém, para que formassem um corpo, no qual «nem todos os membros têm a mesma função» (Rom. 12,4), constituiu, dentre os fiéis, alguns como ministros que, na sociedade dos crentes, possuíssem o sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício, perdoar os pecados e exercer oficialmente o ofício sacerdotal em nome de Cristo a favor dos homens." (PRESBYTERORUM ORDINIS 2)

"[o Bispo] com solicitude exortam e instruem o seu povo para que participe com fé e reverência na Liturgia, principalmente no santo sacrifício da missa." (Lumen gentium 26)

Porque nos querem afastar do sacrifício do Senhor?
"Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação" (Lc 22, 46)

francisco disse...

desculpe sr.padre por colocar comentários longos mas parece-me importante esclarecer as pessoas.

são as influências erradas do protestantismo que levam à perda de Fé, a relativização e reduzir Deus a um sentimento leva à falta de vocações.

o Vaticano II trouxe alterações mas não mudou o significado da missa, o sacerdote continua a ser o ministro de Cristo e não a assembleia, esta deve participar activamente e unir-se ao oferecimento realizado pelo sacerdote na pessoa de Cristo:
"É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente, ... aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada"(Sacrosanctum Concilium 48)

coloco uma ligação onde se explica o que é a missa:
http://enxertadosnacruzdecristo.blogspot.com/p/blog-page_27.html

"O sacrifício eucarístico é a fonte e o cume de todo o culto da Igreja e da vida cristã. Os fiéis participam mais plenamente neste sacramento de acção de graças, propiciação, petição e louvor, não só quando oferecem de todo o coração a Vítima Sagrada, e nela eles mesmos, ao Pai com o sacerdote, mas também quando recebem a mesma vítima sacramentalmente." (instrução Eucharisticum Mysterium de 1967).

francisco disse...

amigo Anónimo o artigo que indicou contém erros contra a Fé, por favor procure esclarecer-se, valorize a sua alma e não se deixe seduzir.

diz o artigo: "o protagonista da celebração litúrgica não é o padre, mas a assembleia"

e diz o artigo: "Para o Concílio, a presença real de Cristo na liturgia não está só nas espécies consagradas do pão e do vinho, mas também na assembleia reunida, na Palavra proclamada e no presidente da celebração....A celebração eucarística é antes de tudo banquete, que faz memória do único sacrifício de Cristo, através de uma ceia."

mas na verdade diz o Concílio Vaticano II: "Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» -quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas." (sacrosanctum concilium 7)

quem nos quer afastar da Cruz, do Sacrifício do Senhor e da Sua presença real?

"Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação" (Lc 22, 46)

francisco disse...

sr.padre desculpe-me acrescentar, mas as pessoas têm fome de Deus, do Beato Papa Paulo VI enciclica Mysterium Fidei de 1965 (no ano em que concluiu o Concilio Vaticano II):

"2. Na verdade, tratando da restauração da Sagrada Liturgia, os Padres do Concílio, pensando no bem da Igreja universal, tiveram sobretudo a peito exortar os féis a participarem ativamente, com fé íntegra e com a maior piedade, na celebração deste sacrossanto Mistério, oferecendo-o a Deus como sacrifício, juntamente com o sacerdote, pela salvação própria e de todo o mundo, recorrendo a ele para encontrarem o alimento da alma."

"4. E para que ficasse bem claro o nexo indissolúvel entre a fé e a piedade, os Padres do Concílio, confirmando a doutrina sempre defendida e ensinada pela Igreja e definida solenemente pelo Concílio de Trento, julgaram dever iniciar a matéria do Sacrossanto Mistério Eucarístico por esta síntese de verdades: "O nosso Salvador, na última Ceia, na noite em que foi traído, instituiu o Sacrifício Eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar o Sacrifício da Cruz pelos séculos afora, até à sua vinda, deixando deste modo à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que se recebe Cristo, se enche a alma de graça e é dado o penhor da glória futura".

5. Com estas palavras exaltam-se ao mesmo tempo não só o Sacrifício, que pertence à essência da Missa, que todos os dias é celebrada, mas também o sacramento, no qual os fiéis comem, pela sagrada comunhão, a carne de Cristo e bebem o seu Sangue, recebendo assim a graça, antecipação da vida eterna e "remédio da imortalidade", segundo as palavras do Senhor: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia"."


http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_03091965_mysterium.html

A missa ainda que numa forma do rito nova continua a ser o Santo Sacrifício oferecido a Deus e perpétuado pelos séculos até à vinda do Senhor onde nos alimentamos do Corpo e Sangue do Senhor que está realmente presente.
O fundamental que o Concilio nos pede, e bem, é a participação consciente, activa e piedosa e não apenas passiva. E isso faz-se primeiro interiormente na alma e depois exteriormente com os cânticos, orações, posições e gestos.

É para isto que necessitamos de padres, para oferecer a Deus o sacrifício para a nossa santificação e salvação até à vinda do Senhor e daí recebermos o alimento de vida eterna, do Cordeiro de Deus do Altar. E a partir daí sim temos a assembleia e a comunidade onde reina o Senhor e a partir da qual levamos a Caridade ao mundo.

Confessionário disse...

Olá, Francisco, se calhar vou desiludir-te, mas concordo imenso com o artigo enviado pelo anónimo de 31 janeiro, 2018 14:01.

Parece-me, inclusive, que as frases que destacas desse artigo não estão contra o que pretendes dizer sobre o sacrificio da Eucaristia. A segunda, por exemplo ("Para o Concílio, a presença real de Cristo na liturgia não está só nas espécies consagradas do pão e do vinho, mas também na assembleia reunida, na Palavra proclamada e no presidente da celebração....A celebração eucarística é antes de tudo banquete, que faz memória do único sacrifício de Cristo, através de uma ceia.") parece-me que não vai contra o que afirmas. Aliás, tu próprio fazes referencia (que creio propositada) sobre o nº 14 da Sacrossanctum Concilium, onde fala da participação de todo o povo de Deus, uma participação que deve ser plena,activa e consciente.

Mais, a Lumen Gentium apresenta uma eclesiologia assente no "Povo de Deus" como "Corpo de Cristo" e "Templo do Espírito Santo", ou por outras palavras como disse mais tarde a Christifidelis Laici, uma eclesiologia de comunhão.
Se pensarmos na Gaudium et Spes ou na Apostolicam Actuositatem, vamos ainda ver reforçada a participação dos leigos e a ideia de que todos têm o dever do apostolado.
Depois, a Ad gentes, no nº 2, indica que a missão e natureza da Igreja é evangelizar.

Posto isto, amigo: sem deterimento pela ideia que defendes sobre o sacrifício da eucaristia e sobre a centralidade da eucaristia (com o qual concordo), de facto é de assinalar a ideia de uma "assembleia sacerdotal" (o que não significa ou se traduz por dizer que todos sejam iguais, possuam os mesmos dons e carismas, ou funções iguais). O sacerdote pode agir, na eucaristia, in persona Christi, como dizem alguns documentos, mas Cristo tb age em toda a assembleia, presidida pelo sacerdote.
... e cuidado, pois acentuar o papel do padre para o sacrifício da Eucaristia é quase como reduzir o seu ministério a isso (e isso sublinharia a ideia do outro anónimo 31 janeiro, 2018 12:07, que reduz o papel do padre à liturgia) o que seria redutor...

abraço muito amigo

francisco disse...

obrigado sr.padre, estamos de acordo, o papel da assembleia e do Povo de Deus e a sua participação é uma exortação importante e necessária do Concilio, esta exortação vem já desde o Papa São Pio X, o qual fomentou a prática da comunhão frequente e a 1ª comunhão das crianças pelos 7 anos. Da ideia de Povo de Deus como Corpo de Cristo e participação activa já vemos sinais e exortações quer em São Pio X quer no Papa Pio XII nas encíclicas Mystici Corporis e Mediator Dei, também no Bispo São Manuel Gonzalez, por exemplo.

Indico é que a assembleia não é o principio nem o fim, será um importante fruto que podemos obter na medida em que damos a Cristo o lugar principal. A missa é o Seu Sacrifício oferecido a Deus, o Cordeiro de Deus que se torna realmente presente e se torna alimento de vida eterna. Nisto é fundamental sem dúvida chamar a assembleia a participar activamente de alma e corpo. E a partir daqui os leigos têm um papel fundamental na evangelização na medida em que se unem a Cristo e se abrem à Graça de Deus.

O padre não tem o papel principal, nem a assembleia, é Cristo quem tem, é Ele quem oferece «por Cristo, com Cristo e em Cristo», o padre é apenas o instrumento de Cristo, está ao Seu serviço. E a assembleia participa unindo-se de diversas formas a esse oferecimento. Formamos um só Corpo em que Cristo é a Cabeça.

Sobre o papel do padre não referi a evangelização porque isso pode e deve ser também feito pelos leigos, a isso nos exorta o Concilio, indicava apenas aquilo que só o padre nos pode dar e fazer.

francisco disse...

sobre o artigo aí fico desiludido pois o artigo é uma sedução para o protestantismo, afasta-nos da Fé e da verdade, mesmo da verdade histórica. Salientar a importância da assembleia e do Povo de Deus compreendo mas desta forma é levar as pessoas para o erro.

se o sr.padre me permite observar algumas falhas no artigo:

"o padre preside uma assembleia toda ela celebrante. Consequentemente, o protagonista da celebração litúrgica não é o padre, mas a assembleia." é claramente contra a Fé e o que o Concilio diz, o protagonista da celebração é Cristo, o padre é o Seu instrumento e a assembleia une-se e participa da celebração. A ideia que é transmitida é de um serviço protestante.

"Por isso o povo passa a rodear o altar e, o padre, a presidir a assembleia celebrante, de frente para o povo, dialogando com ele, em sua língua." nada disto vem indicado no Concilio nem em nenhum documento dos Papas.

"O padre deixa de ser chamado ‘sacerdote’, pois preside uma assembleia toda ela sacerdotal." nos documentos do Concilio é diversas vezes chamado de 'sacerdote'.

"Para o Concílio, a presença real de Cristo na liturgia não está só nas espécies consagradas do pão e do vinho, mas também na assembleia reunida, na Palavra proclamada e no presidente da celebração." isto é induzir em erro, presença real na assembleia reunida? A presença real na Eucaristia é igual a uma presença "real" na assembleia? Estando o Senhor realmente presente e indicado a importância disso no Evangelho (João 6, 22-71) porquê O diminuir e salientar a presença espiritual no meio de nós?

"A celebração eucarística é antes de tudo banquete, que faz memória do único sacrifício de Cristo, através de uma ceia." induz em erro, o único aspecto de ceia é a comunhão do Cordeiro de Deus, imagem do banquete do Cordeiro que um dia faremos no Céu (Ap 19, 5,10), em que a indicação «felizes os convidados para a Ceia do Senhor» se refere à felicidade de um dia sermos convidados para esse banquete no Céu e não apenas a comunhão na missa. Todo o restante da celebração se refere ao Sacrifício, como indicou o Papa Francisco à poucos dias "A participação na Eucaristia faz-nos entrar no mistério pascal de Cristo, concedendo-nos a oportunidade de passar com Ele da morte para a vida, ou seja, no calvário. A Missa significa percorrer o calvário, não é um espetáculo."
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2017/documents/papa-francesco_20171122_udienza-generale.html

"Por isso, o rito eucarístico é celebrado na “mesa do altar”, sobre a qual as espécies consagradas são mais “alimento e bebida” do que “corpo e sangue”. E toda a assembleia é convidada a comungar sob as duas espécies." isto é negar a presença real do Senhor.

"a descaracterização da liturgia da Igreja primitiva tinha começado ainda no século IV, com a passagem: das pequenas comunidades com celebrações nas casas, para celebrações massivas, em basílicas" as primeiras comunidades celebravam nas casas e nas catacumbas devido às perseguições, quando terminaram já puderam construir igrejas. Faz uma contraposição falsa entre a Igreja primitiva e o uso de templos, o próprio Senhor indicou a importância de templos ao expulsar os vendilhões do Templo "Está escrito: A minha casa há-de chamar-se casa de oração, mas vós fazeis dela um covil de ladrões."

E existe um outro problema, se a Igreja por ventura seria assim tão má e errada desde o séc.IV até 1965 quem nos garante que agora também não seja? Pois se é possível errar assim no passado também é possível errar no presente e futuro, quem sabe qual é a correcta?

o sr.padre é muito generoso com o autor ao ver aqui algo de bom, mas para as outras pessoas este artigo é um mau alimento. É levá-las para o erro, à desinformação e ignorância, é relativizar a Fé, banalizar.

francisco disse...

Duas coisas são necessárias, especialmente para o autor e para quem analisa e descreve o passado: humildade e caridade.
Humildade para ver os frutos que obtemos hoje e os que foram obtidos no passado.
Bem indicou o Papa São João XXIII na abertura do Concilio "Fim principal do Concílio: defesa e difusão da doutrina. O que mais importa ao Concílio Ecuménico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz."
http://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/speeches/1962/documents/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html

Caridade para olhar para os nossos antepassados que fazem parte da Igreja tanto como nós e ver o que de bom fizeram e no que por ventura nos parecer menos bem ir ver mesmo como foi e porque foi assim.

E sem dúvida devemos dar importância à assembleia e ao Povo de Deus, e aos leigos na missão de evangelização, mas isso é feito com a Igreja toda, desde o 1º Apóstolo até nós, passando por todos os Concílios e Papas, sem excluir ninguém, é tanto com Pio XII como com o Beato Paulo VI, é tanto com São Pio X como com São João Paulo II, é tanto com São Pio V como com o Papa Francisco, é tanto com São Gregório Magno como com o Papa Emérito Bento XVI, porque "haverá um só rebanho e um só pastor" e "Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar; e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir."

obrigado

Confessionário disse...

Caro amigo Francisco, vou-lhe ser, mais uma vez, sincero.

Não se pode ler ou interpretar textos, documentos, sobretudo os magisteriais, sem amplitude ou apenas com interesse de justificar a nossa “dama”.

Repare alguns pormenores. No mesmo documento que cita de João XXIII, por exemplo, no nº 5, lê-se: “é necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo. Uma coisa é a substância do « depositum fidei », isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral.”
O verdadeiro objectivo deste papa era reconsiderar o “todo” do ensinamento da Igreja numa perspectiva nova, uma perspectiva mais pastoral e de encontro às verdadeiras necessidades da missão da Igreja e do momento presente. Por isso o concílio foi todo considerado como um concílio pastoral.

Outra das conclusões importantes deste concílio é que a Igreja é como um todo. Por isso mesmo reclamou pela participação de todos nas funções profética, sacerdotal e régia. Dai a importância que deu ao apostolado dos leigos e ultrapassou a ideia eclesiológica piramidal, que coloca Jesus no cimo, seguido pela hierarquia da Igreja até chegar aos leigos, por uma ideia mais circular, a da verdadeira Igreja de Cristo tal como nos inícios do cristianismo. Aliás, se há que ir às fontes da Igreja, devemos ir a esse tempo, e não a outros tempos. A pastoral restauracionista tem essa tendência de justificar-se com os tempos antigos, mas esquecendo os primeiros séculos do cristianismo.

Daquilo que depreendi dos seus textos e aportações, embora verificando claramente uma muito boa vontade, generosidade e crendo estar falando com a verdade, respaldado pela doutrina magisterial, fiquei com a sensação de que vai aí muita confusão, talvez causada por alguns ensinamentos demasiado obsoletos ou absolutos. Cuidado, meu amigo Francisco. Sem o querer julgar, parece-me que está um pouco afecto a uma Igreja apologética e próxima à neocristandade, pouco aberta ao equilíbrio, aos outros e à diferença.
Veja que cita papas e documentos descontextualizando-os, chamando inclusive de exortações aquilo que são constituições.

O que importa mesmo meu amigo, é Cristo. Não é a Igreja. A Igreja é só o seu sacramento de salvação. Porque a salvação é Cristo.

Precisamos todos de ter a abertura necessária para atender o Espírito Santo, deixar de estar cerrados e encerrados em nós mesmo, em conceitos, dogmas e doutrinas, para podermos escutar verdadeiramente a Deus que fala através dos tempos e das circunstâncias. Infelizmente uma certa ala da Igreja vive para defender coisas em vez de tentar perceber o que Deus quer. Vive para se defender a si mesma, em vez de defender a fé e Deus. E geralmente fa-lo de forma quase fundamentalista ou fundamentalista mesmo. Isso não é nada bom, amigo.

Não vou alimentar mais este diálogo ou pequeno debate, tal qual, porque não tenho a disponibilidade necessária para o fazer. Com amizade, espero que entenda que aquilo que eu quis dizer-lhe foi que se abrisse ao outro, tal como Cristo sempre fez. Não se deixe levar por uma forma de entendimento da Igreja autorreferencial nem por uma forma de entendimento de Deus como se este não amasse todos, mesmo os que pensam de maneira diferente de nós.

Um abraço muito amigo

Anónimo disse...

Olá, Padre, ia-me cansando a ler todos estes textos, mas gostei muito da tua última resposta, que me pareceu equilibrada, fundamentada, aberta e sincera. É assim que a Igreja toda devia pensar.
Gostei muito da leitura e sobretudo do seu final

francisco disse...

obrigado por encontrar e salientar o ponto de equilibrio, eu concordo com o que tem indicado sobre o Concilio e a importância das mudanças, importância do Povo de Deus, etc.

O que não concordo é com o conteúdo do artigo, não na importância das mudanças em si mas porque contém erros históricos e de doutrina, exclui 1200 anos de Igreja e respectivos Papas (que também devemos amar) e sobretudo desvaloriza e altera o verdadeiro significado da missa e da presença real do Senhor.
Amar não é também corrigir quem erra e prevenir que outros caiam no erro?

Deus ama a todos e deve ser esse o nosso modelo, e não poderemos dizer até que Deus ama sobretudo os que pensam de maneira diferente d'Ele pois enviou o Seu Filho para que possam encontrar o caminho até Ele?

obrigado sr.padre.