segunda-feira, outubro 15, 2012

O Ano da Fé que bem precisamos

Andavam na vindima, e nas vindimas há tempo para todas as conversas. Uma senhora querida, que vai sempre à missa e até canta no coro, aproveitou a ocasião para evangelizar, que é assim que os cristãos deveriam fazer. Mas foi em vão, contou-me ela. Só faltou ser enxovalhada. Estava lá um senhor de bigode, aqui da terra, que nunca vai à missa, que me disse assim. Vossemecê julga que por ir à missa, e cantar na missa, vai para o céu?! Vai tanto como eu, porque não há céu. E ela que lhe respondeu com outra pergunta. Então se não há céu, que foste fazer à missa do funeral do teu irmão? E quando pensava que o desarmava ou o ia fazer pensar no que acabara de dizer, este virou costas e disse. Tem razão. Olhe que não fui lá fazer nada. E depois é o que se vê, disse-me ela no fim de uma missa. Eu contei as pessoas que vieram hoje à missa. Eu também contara. Fora fácil contar as oito pessoas que lá estavam. O senhor padre falou, na missa, do Ano da Fé que aí vem. Bem precisamos dele. E repetiu. Bem precisamos dele.

33 comentários:

Anónimo disse...

hehehe
Muito bem metido este texto depois do post anterior.
O confessionário consegue ter muita graça mesmo.
hehehe

Luz disse...

Boa noite padre.
Tenho estado em silêncio, mas tenho lido com muito interesse os seus textos. Sinto que tem andado triste e inquieto.
Peço a Deus nas minhas orações que o ilumine e o ajude a viver a vida com paz (interior) e confiança no Pai.
Um grande abraço.
Luz

Anónimo disse...

Uma mensagem de jesus para vc ,através da música,algo que lhe faz e dá sentido à vida.Espero que goste e que possa fazer sentido,não temos infelizmente ,respostas e nem sempre conseguimos com palavras alcançar e/ou confortar um vazio/deserto/questionamentos ( que talvez outros não entendam ou sejam indiferentes ).Mas,quem os tem,entende e sabe que devemos ter ,ainda que saturados muitas vezes ;paciência e pedir muita sabedoria.Para entender e senão podermos ,apenas caminhar sem desistir ,prosseguir e teimosamente resistir.O quê esta viagem VIDA nos reserva e confiar que temos um grande amigo e uma mãe sempre conosco ( apesar de muitas vezes nos fazerem falta aqui concretamente),bem como os amigos distantes ,pessoas próximas que não estão mais conosco ou que gostariamos que estivessem e não podemos por diversas situações da vida.Temos que aprender e não é muito fácil ,estarmos bem e em paz em solidão e em companhia.Fique bem ,fiquemos bem,hoje e sempre.Força,fé,luz,coragem,paz,serenidade,sabedoria,amor pra ti e todos os seus .

http://www.youtube.com/watch?v=SIcEJBSq2mw&feature=related
Let me love you- Third Day

http://www.youtube.com/watch?v=je-RTYbzoEk
Paciência -Lenine

Abraços grandes.LUZ ( Brasil).

Anónimo disse...

Onde está toda essa gente que enche santuários!
Onde estão essas multidões de jovens que enchem Praças em Madrid!

Um paradigma “migratório” nas dinâmicas dos movimentos da Fé actual a repensar e meditar:
Enquanto esses fenómenos das multidões crescem, os templos esvaziam-se literalmente numa agonia lenta mas inexorável!

E agora vem aí mais um ano, este é o da Fé!
Mas que direcção tomarão esses “timoneiros” que guiam as barcas:

Apenas a mesma navegação de sempre que os faz andar à roda de si mesmos nesse mastigar de doutrinas já tão gastas, ou desbravando novos rumos e novas direcções que ajudem essas gentes a redescobrir o sabor do VINHO NOVO e o PÃO verdadeiro que enche a vida tão vazia e faminta desses já tão exíguos corações que ainda levam nas suas barcas!

As quarentenas usadas muitas vezes nas antigas naus serviam para evitar contágios nas gentes que no exterior desses portos onde acostavam acolhia os que chegavam! De nada serve sair das barcas para distribuir e oferecer pão aos que os esperam nos portos, se esse pão carrega já muito bolor e salmonelas das doenças da alma!

Haja coragem para deitar fora toda a tralha que arrisca afundar as barcas, e fazer uma limpeza total nesses porões obscuros e tão cheios de lixos e doenças que impedem que os alimentos se conservem sãos, e que depois ao longo dessa viagem da Fé irão sustentar e manter Vidas interiores!

Porthos disse...

Meu caro:

Sem querer entrar por caminhos de pobres de espírito nem de outras Bem-Aventuranças, reconheçamos que é muito difícil explicar as graças de Deus presentes no dia-a-dia da nossa vida aos espíritos mais simples...

No que diz respeito à evangelização militante, ela também pode trazer dissabores, como aquele excelente exemplo da imagem que nos deste. Sou mais adepto da evangelização pelo exemplo, como Jesus.

P.S.: Há dias perguntava-te qual a cor que tu davas a Deus.

Confessionário disse...

OLá, Porthos

eu disse!!!

Adalberto Macedo disse...

O texto não diz e eu também não vou especular; mas esse tipo de abordagem requer algum cuidado para não se tornar chato e recorrente. Se o Zé Bigodaças, durante uma missa convidasse a querida senhora para a vindima, também (penso), não teria sido recebido com hosanas. Isto para dizer que quando a mensagem não tem sucesso em vez de à partida condenar o recetor é bom não eliminar algum falhanço por parte do emissor. Embora, não pelos mesmos motivos, não deixo de concordar com o bigodaças quando diz: “Vossemecê julga que por ir à missa, e cantar na missa, vai para o céu?!”…

Abraços.

Filha de Maria disse...

Também eu convivo com a falta de fé, e pior... dentro de casa!

Eu, "sou" a beata... a "das rezas", a que "põe a igreja à frente", porque apenas um dia senti o Amor de Deus na minha vida.

Há momentos, que me sinto desanimada... quero baixar os braços... abrandar o passo e parar, até!

Basta que pense em mim demoradamente... no tempo, que gastei fora da Igreja e como me deixei encontrar pelo Amor de Deus, e sinto que devo persistir, respeitando quem ainda não se deixou abraçar por tão Grande Amor de Deus...

Não é fácil... caiem muitas lágrimas... mas por enquanto, ainda não desisti!

Anónimo disse...

Padre,
Penso que a evangelizacao requer algum cuidado e discernimento, sob pena de ser mal aceite e provocar ate o efeito contrario ao desejado. No caso, parece tratar-se de gente simples que ate gosta de provocar para obter uma resposta acalorada.
Por outro lado, o senhor de bigode
fez o que grande parte da populacao faz - cumpre um dever social e nada mais, porque na generalidade nao ha outro local para o velorio a nao ser a igreja.
Mas nao duvido que o panorama a nivel de fe e pratica religiosa e,em muitos locais, deploravel.O Ano da Fe so peca por chegar tarde
e quando a secularizacao ja toma
proporcoes preocupantes.Precisamos muito que o Ano da Fe seja muito bem estruturado, a fim de serem obtidos os resultados ambicionados e tendentes a que Deus volte a ocupar as nossas vidas duma forma esclarecida e perene.
Um abraco
Ruth

Maria J. disse...

Ai de mim senão evangelizar...dizia Paulo...mas como evangelizar se as palavras estão tão gastas...creio que só o testemunho de vida e coerência poderão encontrar eco...

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e Confessionário.
Olá a Tod@s que por aqui passam.

Gostei particularmente do Comentário da "Ruth" (16 Out, 22.14).

Quanto à "ligação" entre este Post e o anterior, faz-me lembrar aquela estória de um Jovem que chegou à porta de um Convento, bateu, e quando um velho Frade veio abrir, perguntou-lhe: "Que fazeis, aqui no convento?". E o Frade respondeu-lhe, com um sorriso: "Caímos, e levantamo-nos. Caímos, e levantamo-nos. Caímos, e levantamo-nos...".
Às vezes esquecemo-nos que Jesus também foi INTEIRAMENTE Homem...

Quanto ao Ano da Fé, tomo a liberdade de citar uns excertos de um Artigo publicado por um Grande Cristão, o Dr. José Dias da Silva, no "Correio de Coimbra", em Maio deste ano:

"A maior dificuldade está na mentalidade dos próprios cristãos, no seu entendimento do que é ser cristão hoje, no modo de viver a sua fé muitas vezes mais “de maneira decorativa como que aplicando um verniz” e não de “ maneira vital, em profundidade” (EN 20). Muitos de nós tem uma fé recebida mas não conquistada. E o dado não custa, não compromete, não põe em causa a vida. Só aquilo que conquistamos com esforço e persistência marca as nossas opções de vida e nos afecta existencialmente. Assim, poder-se-ia falar de uma fé quase sociológica baseada numa ética, por muita humanista que ela seja, mas não no “encontro com um acontecimento, com uma Pessoa (Jesus Cristo) que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (DCE 1). Por isso, o Papa pede que este ano seja “uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé”.

Mudar mentalidade, converter corações, reformular modelos, alterar estilos de vida é uma tarefa lenta, dolorosa e, por isso, desmotivadora. Por isso, esta dificuldade deve ser a primeira preocupação. Se não avançarmos neste capítulo, podemos ter um Ano da Fé muito vistoso, mas assemelhar-se às chuvadas repentinas que vêm e vão sem deixar a água fecundar o terreno." (cont.)

Moçambicano disse...

Olá de novo.

Continuando a citar o Artigo do Dr. José Dias da Silva:

"Sem uma autêntica formação cristã, não saberemos enfrentar o problema da identidade – quem somos e o que somos? –, o problema do discernimento – ler evangelicamente a realidade – e o problema da missão – o que devemos testemunhar. Estes são três desafios básicos no mundo de hoje.

Temos de saber quem realmente somos, para podermos dialogar com outras propostas de vida mas também, e talvez sobretudo, para não sermos guiados pela pressão da opinião pública, pelo tipo de comportamento dominante, pelo pensamento vazio que hoje ataca muitos dos nossos concidadãos, pela ambição dos interesses egoístas e, quantas vezes, geradores de injustiça.
Sem saber quem somos, não estamos em condições de discernir, isto é, ler a realidade com os olhos de Jesus e descortinar as melhores opções a tomar em cada momento, sobretudo neste época em que a palavra sufocante (dos outros) não dá espaço ao silêncio (nosso) que todos precisamos para poder pensar por nós próprios, isto é, de acordo com os nossos princípios orientadores e não os dos outros.

Como diz o Papa (Bento XI)na sua mensagem para o Dia das Comunicações Sociais, “quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório.
Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico”.

Sabendo o que somos e com alguma capacidade de discernimento, então podemos pensar como testemunhar aquilo em que acreditamos, a experiência inolvidável de nos sentirmos amados sem o ter merecido.

E hoje, num ambiente de descrença, de desconfiança, de medos difusos, a mensagem evangélica seria um bálsamo para tanta gente angustiada.

O pior é que os primeiros angustiados talvez sejam os próprios cristãos.
Há, por isso, que empenhar o melhor que temos para vencer esta mentalidade generalizada através de uma metanoia para o Reino de Deus.
A começar pelos principais formadores e animadores."

Que neste Ano da Fé, em Peregrinação conjunta, saibamos transformar as nossas angústias individuais numa Esperança Partilhada!

Um forte abraço para Tod@s.

Moçambicano

Anónimo disse...

Volto aqui porque me parece que queremos repetir os “velhos caminhos de sempre!

O encontro dos que se reúnem no Espírito acontece sempre no espaço espiritual, e ele é desprovido de qualquer medida, forma ou conceito humano, porque ele acontece dentro de nós quando nos deixamos fazer habitação desse mesmo Espírito! Ora, como Deus é Espírito, ele é então o único TEMPLO onde nos acolhemos em espírito e em verdade!

Reduzir isto a espaços ou um qualquer programa “bem estruturado” com objectivos que tentam “obter” “resultados ambicionados” como dizia aqui a nossa irmã Ruth, é pensar e caminhar no esforço apenas humano, esquecendo que quem convence o homem é o Espírito Santo e não programas ou doutrinas por mais perfeitos que sejam…

Depois, também no comentário do nosso irmão (Moçambicano:14:27), sobressaí uma outra preocupação que até é compreensível mas que denota outro grande erro que se tem feito, que é a tónica forte que se dá à prioridade de educar COMPORTAMENTOS : “…, reformular modelos, alterar estilos de vida”…!

Retirei dessa lista o “Mudar mentalidades e converter corações” porque aí sim, são vitais para o RENOVO, embora a mentalidade mude somente depois da conversão do coração! Mas os outros aspectos focados voltam ao mesmo moinho donde saem as farinhas que produzem o tal pão bolorento que não alimentará ninguém!

Modelos e estilos de vida não têm nada a ver com ser-se mais cristão ou menos cristão, tem apenas a ver com ser-se diferente… meu Deus…!

Enquanto continuarmos a “institucionalizar” e a “formatar” o Caminho da Vida no Espírito a partir destes e outros pressupostos humanos, é como a estória daquele miúdo que na praia tentava colocar o oceano completo num buraco que tinha cavado na areia!

Moçambicano disse...

Caro Irmão "Anónimo das 16.56":

Pode crer que acolho com agrado a sua contribuição.
Decerto se recorda que, há uns "Posts" atrás, "fiz votos" de que este "Fórum" também pudesse contribuir para reflectirmos juntos o Ano da Fé.
Espero que haja muit@s mais Imãos/as noss@s a darem o seu contributo.
Se o fizerem com o intuito se "Procurarmos Juntos", este "Fórum" também será "Templo" e estará assim cumprido o seu desejo - que comungo -, de estarmos "reunidos no Espírito".
E aí talvez possamos "sentir" mais profundamente as palavras (e O que está por "trás"/acima): "Sempre que dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu ESTAREI no meio deles".

Um forte abraço.

Adalberto Macedo disse...

Bom dia a todos.
O meu último comentário passou ao lado do tema “Fé” que me parece muito importante. Daí, este segundo comentário.
Um dos grandes equívocos da Fé é pensar que pode dispensar a Razão! Eu, pelo contrário, penso que a razão pode purificar muito a Fé em Deus, liberta-a da superstição e dá resposta a muitas perguntas que dantes se respondiam apenas com Deus e ponto final; discutia-se dentro da epistemologia em forma de sofismas ou falácias que a justificam de modo ilusório! Assim , à medida que esta se efetiva através das dinâmicas das relações sociais, é, simultaneamente, a base da vida social e fonte permanente de tensão e conflito entre diversas fés impuras que tanto mal já causaram e causam à humanidade.
Sem a Razão o homem encontra-se no meio da “alteridade” não de um cogito, um penso (logo existo), vejo e decirno, ou experiencio algo, mas de um creio e tudo mais são cantigas. Em toda esta ilação (Fé) só está presente o “creio”(?) -Não entendo, mas creio! Ao formular o “não entendo”, entro no absurdo e fecho a porta a um Deus que tendo-nos dado a Razão teimamos em não fazer uso dela.
Li a carta pastoral de Bem XVI e surpreendeu-me, negativamente, a atribuição de indulgências plenárias. Para além de nunca ter percebido muito bem a administração e concessão destes “dons”, que foram aliás um dos motivos de separação dos nossos irmãos protestantes, estou a lembrar-me que nas cruzadas os mesmos eram concedidos em troca de cabeças de sarracenos!
Sem quererem, os místicos causaram neste ponto bastante dano ao exaltarem as experiencias das suas “consolações”, porque despertaram em muitas pessoas algo que a tradição cristã vituperou fomentando atitudes expiatórias e masoquistas na convicção de que estavam a contribuir para “um banco de indulgências” , e supostamente agradaria a Deus. Isto retira-nos a alegria e torna-nos fanáticos do sacrifício redentor, como se o AMOR Agápico não pudesse ser exercido na alegria e bem estar pessoal.
Este comentário não pretende tirar a fé a ninguém. Que lhes faça bom proveito! É apenas uma convicção pessoal de que Deus não “goza” nem tira proveito dos nosso males e que a Fé tem muto a ganhar se andar de braço dado com a Razão.
Deixo-vos com uma explosão de FÉ e Alegria:-“ missa de ano novo gurue 2012”
Um abraço.

Anónimo disse...

Pois eu vejo este assunto de uma forma mais simples.
Talvez o senhor do texto ache simplesmente que a senhora passa os dias na missa mas depois e logo a seguir à mesma vai dizer mal dos vizinhos ou ter comportamentos pouco cristãos. Nao sei se assim é mas exemplos destes são infelizmente muito habituais.
Discordo totalmente da ideia que estilos de vida nao intervém com a nossa fé ou sermos ou nao cristãos.... Ahhhhhh portanto eu digo-me crista, vou à missa e etc e depois cá fora desprezo tudo quanto é pobre, vivo da miséria dos outros.... Quantos dos nossos governantes se dizem cristãos e vão à missa? Quantos estão a viver uma vida e a tomar escolhas que estão a influenciar negativamente milhares de pessoas? Isso nao conta. Pois.... É por estas e por outras que quem tem olhos de ver se afasta muitas vezes das comunidades que se dizem cristas, das pessoas que se dizem cristas, porque essas pessoas que por exemplo condenam o aborto por um lado, são as primeiras a apontar o dedo a uma jovem que fique gravida e que decida ter o filho ainda menor... São os primeiros a chamar-lhe nomes, galdéria e outros, são os primeiros a irem falar com os pais envenenado-os....
Para mim a atitude crista nao é isto e infelizmente eu vive esta situação que contei e vi muito tristemente atitudes que nao gostei.
Sonho um dia com pessoas que nas suas atitudes estejam à altura dos ideais cristãos, espero também eu estar à altura.

Mar disse...

Um homem sem fé fica desestabilizado,porque perdeu a sua raiz e o seu fim,a razão de existir e o seu futuro.
Nós complicamos algo tão simples,só o amor ,a entrega nos leva à fé,sem esses olhos não vemos Jesus.
Gosto muito do comentário da "Filha de Maria" tem muito conteúdo e é o que acontece em muitos lares.

Anónimo disse...

Ao anónimo de 19 Outubro, 2012 09:39

“Estilos e formas de vida” não são “conteúdos morais”… Agora se me disser que os conteúdos morais influenciam estilos de vida, aí completamente de acordo, mas isso não quer dizer que eles sejam mais válidos ou menos válidos só porque estão alicerçados e sustentados sob “valores morais”, que, como sabe, não são estáticos no tempo nem nos espaços onde se movem! Agora quando entramos em terrenos da ética religiosa essas mudanças levam sempre muito mais tempo, às vezes séculos!

Por outro lado, percebo claramente que a moral estabelecida, esse sistema de pensamento e conceitos construído a partir de “interpretações da Lei” e reconfirmado pela força das doutrinas e dogmas, seja aceite como a única e válida no terreno “religioso”…!

Mas não me vai negar que é precisamente essa “validade” selada muitas vezes pelo força dos poderes religiosos com acordos tácitos cozinhados com os poderes civis do momento, e da imposição da maioria que aceitou e se submeteu a ser orientada e controlada nos comportamentos e no seu modo de pensar a partir de tais acordos, não são os MOTORES que geram e dão espaço à marginalização de comportamentos que não se identificam com o modo de estar e pensar dessas mesmas maiorias que ainda por cima, e aqui é que o mais grave, continuam a pensar Deus a partir de categorias morais!

Embora o neguemos, vivemos e movemo-nos cercados por muros e balizas morais que depois dão expressão aos tais “rótulos” com que classificam os comportamentos, mas a VERDADE é apenas uma! Infelizmente, muitos continuam a deixar-se guiar e caminhar apenas no plano das relatividades humanas, onde tudo se reduz ao estabelishement!

Por isso a minha preocupação sobre voltarmos ao tal caminho que se preocupa com EDUCAR e ENSINAR apenas COMPORTAMENTOS… ao invés de tentar ajudar as pessoas a saber construir os seus próprios caminhos na liberdade de Espírito!

Deixo uma interrogação que me preocupa imenso nestes tempos, embora saiba que vou ser "crucificado" por ela:

Será que entramos no “Ano da Fé” ou entramos no “Ano do Catecismo”…!

Não me importo nada de estar errado na análise que tenho feito desde que começou este novo ano pastoral… mesmo nada acreditem… sobretudo para bem de todos os que fazemos e construímos IGREJA!

Anónimo disse...

Errata:

Faltou o acento no verbo... entrámos... porque já lá estamos...sorry:

Será que entrámos no “Ano da Fé” ou entrámos no “Ano do Catecismo”…!

Joana disse...

Anónimo
de 19 Outubro, 2012 14:55;

Permita-me fazer-lhe uma pergunta, o que é para si a fé?

Para mim a fé, é um sentimento, não é algo que se aprenda na catequese.
Na catequese conheci a vida de Jesus, mas decidir ter fé e acreditar n'Ele, foi uma escolha minha, pois há muitos católicos, que se convertem a outras religiões.

A formação é importante para conhecer-mos Jesus, mas optar por ter fé n'Ele e segui-LO é uma opção pessoal de cada um.

Porque é que hoje em dia é moda muitos pais decidirem não baptizar os filhos? Porque querem que essa seja uma opção e decisão pessoal deles no futuro, com plena consciência daquilo que querem. Para não acontecer o mesmo que ao sr. do bigode no texto, só vai à igreja e à missa no funeral do irmão, porque é essa a tradição(ritual) que lhe foi ensinada e não porque tenha fé naquilo que faz.

Por isso, o facto de os nossos pais nos "incutirem"/transmitirem uma religião, não significa que a sigamos, pois a nossa fé pode ser sentida de maneira diferente...

Bjs :)

Anónimo disse...

“Para mim a fé, é um sentimento, não é algo que se aprenda na catequese.”

Cara Joana

Não me imagino a questionar a fé de ninguém, embora na linguagem espiritual possa dizer-se “Pelos seus frutos os conhecereis” Mateus 7,16… no entanto, é ousado para nós, seres humanos que somos, tão cheios de fragilidades e imperfeições, tentar a partir de “sinais” e “gestos” aferir se o outro tem fé! Só Deus conhece os corações….

A Joana desculpe-me, mas faz-me alguma “confusão” essa sua “definição” de fé!

Repare, se a Fé fosse um ”sentimento” ela passaria a estar submetida aos altos e baixos das suas emoções e outros aspectos interiores ou exteriores a si que são uma realidade em qualquer ser humano, não é porque somos cristãos que deixamos de ser humanos com tudo o que isso carrega em si!

A Joana pense e medite um pouco nessa sua “expressão”, e busque compreender bem aquilo que é para si VIVER a FÈ… mais do que uma DEFINIÇÃO procure acima de tudo compreender como a Fé se define dentro de si e como a EXPRESSA nos seus gestos de vida no dia-a-dia… e tente não “limitar” esse espaço apenas no Templo... que é certamente o local forte da comunhão espiritual, mas ela não se limita apenas aí, vai mais longe…

Deixo-lhe aqui algumas pistas como ajuda se desejar:

(Hebreus 11,1), (Romanos 12,3), (Tiago 2,17), (1João 5,14-15)… existem mais fontes mas deixo-lhe agora estas para abrir caminhos….

Força e confie… oro por si….

Joana disse...

Anónimo de: 19 Outubro, 2012 20:22

"Repare, se a Fé fosse um ”sentimento” ela passaria a estar submetida aos altos e baixos das suas emoções e outros aspectos interiores ou exteriores a si que são uma realidade em qualquer ser humano, não é porque somos cristãos que deixamos de ser humanos com tudo o que isso carrega em si!"

Posso dizer-lhe que por vezes, quando passamos por situações más, se perde a fé, porque não conseguimos compreender o porquê de certa situação e revoltamo-nos com Deus. E durante algum tempo, deixamos de acreditar em Deus, na vida,etc..
Isto não é um sentimento? não é uma crise de fé?
Quem nunca sentiu isto?

Explique-me, porque acha que este ano foi proclamado o "Ano da fé?"
Talvez porque exista uma grande crise dela e é preciso renová-la, senti-la e vive-la com mais intensidade.

As 3 virtudes teologais:
1ª Fé;
2ª Esperança;
3ª Caridade.

O que é a esperança? e a Caridade? Para além de virtudes, são sentimentos que todos possuimos, uns mais do que outros. Nunca perdeu a esperança?
Nunca ajudou (caridade) alguém em alguns momentos e noutros estar-se nas "tintas" para essa pessoa, porque se cansou das suas atitudes imutáveis.
Então a fé, é ou não um sentimento?

Eu acredito que sim e todos a sentimos de maneira diferente, por isso é imensurável e um dom de Deus diferente para cada um...
Bjs

Joana disse...

Anónimo uma proposta:

Responda-me a esta pequena pergunta, acha que Confiança é = a fé?

Filha de Maria disse...

Desculpem-me... mas a fé é Dom de Deus!

Não é minha, nem tua... eu explico-me!

Fui criada em família de tradição católica (a seu tempo entenderão este termo). Fui habituada a ir à catequese e Eucaristia Dominical, tudo o que respeitava ao "ritual", era feito... mas recordo-me de não entender a fé... não rezávamos em família... e todas as cerimónias que implicassem muitas multidões, não íamos.

Um dia afastei-me e mantive-me assim, durante muito tempo... regressei um dia... sozinha, triste e doente... naquele momento senti-me no papel do filho pródigo... e a partir daí, nunca mais pensei em afastar-me.

O que houve de diferente? Antigamente, cumpria o preceito, o ritual... agora... após ter "sentido" o abraço do Pai... é como que se tivesse "visto" Jesus... como que se O tivesse sentido ali mesmo diante de mim.

De facto, deixei de cumprir o preceito e abri o meu coração ao Amor de Deus. Nós temos que desejar esse encontro...mas a bênção, a Graça, essa é Derramada pela infinita misericórdia e amor de DEUS!

Não há catequese que nos coloque a Fé no coração, mas a vivência em Família e comunidade Cristã, inicia-nos nesse caminho, se aderimos o Dom da fé é derramado em nós... caso contrário, andamos apenas a marcar passo e a fazer o mesmo que os outros fazem...

Anónimo disse...

Ao anónimo de 19/10 das 14.45.

Se bem percebi o que escreveu a mim dirigido, diz que os comportamentos não são mais válidos ou menos válidos só porque estão alicerçados e sustentados sob “valores morais”.
É aqui que discordamos totalmente.
para mim alguns comportamentos são melhores do que outros, alguns aproximam-nos de Deus, outros não. Se medirmos a validade dos mesmos por essa característica então uns serão mais válidos do que outros.
Fala também na VERDADE. Pois bem, se existe a VERDADE então certamente existirão comportamentos que nos aproximam mais da verdade do que outros.
Se o papa Bento XVI afirma que Deus é Amor (escrevendo uma longa encíclica). Certamente Deus não é ódio. E assim concluo que existem comportamentos mais válidos do que outros, ao meus olhos existem, aos de Deus não sei e não posso afirmá-lo, mas creio.
Pensei muito no que haveria de escrever aqui a responder-lhe, mas eu não tenho o seu dom de escrita e por isso escrevo como sei e o que sinto de uma forma simples, porque gosto da simplicidade.
Pergunta-se se não será o ano do catecismo?
penso que sim, não sei se no plano material onde todos nós estamos agora, podemos dissociar a Fé da aprendizagem da mesma.
A Fé não é um sentimento? Não se ensina?
Ainda que eu creie que a Fé não é um sentimento, creio que é passível de ser cultivada, tal como tudo o resto nos seres humanos.
Uma criança que vai para um seminário e tem uma vivência negativa (sei lá, vê comportamentos nos padres pouco dignos) certamente verá a sua Fé minada e sairá de lá com dificuldade em ligar-se a Deus.
Uma criança que por sua vez encontrar padres dignos desse nome, vivenciará a Fé e acreditará com mais facilidade.
A fé em si pode até ser algo de incognoscível mas a forma como a cultivamos no dia-a-dia poderá ditar muito do que somos. Creio que não estaremos em total desacordo.
Pensar estes temas é muito complexo e escrever sobre eles também. Agora de uma coisa tenho a certeza, se as atitudes não estão em conformidade com os ideias que se apregoam então os mais atentos irão duvidar não só dessas pessoas como dos ideias em si. Porque se existe uma VERDADE inerente a esses ideais então porque é que eles não se revelam sempre de uma forma avassaladora?
Não sei bem se me fiz entender... :)

Dulce

Anónimo disse...

Este post aborda o tema do “Ano da Fé”… não queria de forma nenhuma tornar este espaço uma espécie de “catequese” e muito menos tomar conta dele, mas como a Joana me interpela com questões sobre a Fé, responder-lhe-ei esta vez mais! A Joana, creio que já vai se dando conta pelas questões que aqui surgem, da necessidade vital de um “Ano da Fé”…

Joana, não é a confiança que nos dá a Fé, posso ser muito confiante e seguro de mim próprio e não ser sequer crente… certamente que ter Fé “exige” de nós CONFIAR, há coisas que não percebemos, não vemos e muito menos esperamos como seguras, mas a Fé ajuda-nos a fazer esse caminho…. Depois sim, podemos dizer que tendo Fé nos tornamos mais confiantes, mas isso requer humildade constante, senão podemos cair naquilo que os jovens dizem naquela frase: a Fé é uma fezada… que em linguagem mais teológica significa “orgulho e persunção”!

Como disse a Filha de Maria e bem, “a Fé é um dom de Deus”, a nós, apenas nos é necessário procurar com que esse dom cresça em nós e à nossa volta! E isso é possível, não só pela Graça do Pai, que é sempre o primeiro passo, mas também procurando nas Escrituras que é lá onde está a FONTE que nos fará beber e crescer nela quando depois a colocamos em prática, seja através do caminho dos sacramentos ou outros caminhos da vida comum, no TESTEMUNHO que ajudará outros a crescer também na Fé! Mas nunca esqueça Joana, ela nasce sempre no coração daquele(a) que se deixa guiar pala liberdade de Espírito que é quem nos ilumina quando lemos a escritura, sem Ele, apenas estamos a ler mais um livro entre muitos…!

Ao contrário do que possa “parecer” na minha última interrogação, o catecismo é válido e necessário, ele é como um “manual” que nos indica de uma forma “organizada”o “caminho da Fé” que acolhemos ao nos tornarmos cristãos neste caso católicos, mas a Fé existe também fora de qualquer campo da religião (oficial)… o DOM não é propriedade privada de nenhuma religião, ele é e tem origem no Divino…. que o dá a quem quer, como quer e onde quer…!

É caminhando que se faz Caminho.. confie e siga em frente….

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á “ Lucas 11,9-10

Anónimo disse...

À Dulce 19 Outubro, 2012 23:50

Corrigindo aquele erro de distracção da palavra “presunção” e não persunção… queria deixar apenas mais alguma palavras que buscam abrir caminhos!


Cara Dulce, a “simplicidade” não está de forma nenhuma nas exterioridades, posso parecer simples exteriormente na escrita ou noutro campo qualquer e depois nos meus gestos do dia-a-dia ser complicado e andar só a complicar a vida dos outros! (ou vice-versa)!

A SIMPLICIDADE é irmã da HUMILDADE, aí sim… e ela nasce sempre dentro de nós… faz parte do SER… quem é simples por dentro usa os dons que recebeu da melhor forma que sabe e com responsabilidade, pois eles são para colocar ao serviço dos outros, e aos outros damos o nosso “melhor” mantendo claro, o equilíbrio de quem sabe que também podemos nas linguagens, complicar mais do que ajudar! Vou então tentar sintetizar um pouco abordando apenas alguns pontos que tocou!

A Dulce escreve no seu comentário: “…para mim alguns comportamentos são melhores do que outros, alguns aproximam-nos de Deus, outros não.”!

Não é por acaso que digo que alguns e não são assim tão pouco, continuam a pensar Deus a partir de categorias morais!… eu explico-me:

Como acha que reagiríamos nós perante aquela mulher adúltera, a Samaritana, o Zaqueu, etc! Era ou não da mesma forma em face dos valores morais que defendemos! Não estou a dizer que o faríamos com pedras, ou outras coisas…mas existem “pedras” muito piores, olhares, juízos, gestos, afastamentos etc… agora tente ver as coisas sobre outro OLHAR!

Repare, ao contrário do que diz, é precisamente o comportamento errado que faz com que Jesus se aproxime desta gente! Depois, uns não querem escutar e partem, outros ficam e escutam, e nem por isso Jesus deixa de lhes falar sobre o caminho errado, mas a sua postura não é de juízo, é de aproximação, estar ao lado deles, ajudá-los a fazer caminho!

Dulce, não é porque nos comportamos mal que Deus se afasta de nós, somos nós, que, com essa atitude orgulhosa de persistirmos no erro que nos afastamos de Deus.. Ele jamais se afasta de nós: ” Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” 2 Timóteo 2,13… Precisamente por causa de muitos valores morais que damos como absolutos, é que negamos tantas vezes a misericórdia e o perdão aos outros e pior, a nós próprios… achamos que é impossível acontecer de outra forma que não seja a estabelecida pelas moralidades…

Mas sim, o TESTEMUNHO de quem se diz cristão é motivo de perplexidade e afastamentos de outros, é uma realidade, embora isso não devesse acontecer, o cristão não segue a homens mas a Deus… e como também já disse, Deus não se resume a uma religião ou espaços físicos….mas é outra questão…!

Terminando, fala-nos da questão de não, “podemos dissociar a Fé da aprendizagem da mesma.”! Estou plenamente de acordo, mas desde que a aprendizagem não seja puro decorar de fórmulas e doutrinas nem coloque barreiras ao que está mais para além dos muros dessas certezas oficializadas pela ortodoxia!

São esses caminhos que infelizmente dão tantas vezes origem a “formatizações” em massa, “produzindo” cristãos que não estão preparadas para pensar por si mesmas, e depois vemos por aí tantas dificuldades em dar a razão mais simples da Fé que professam e seguem a quem os questiona nos caminhos da vida… já para não entrar noutro campo muito que é o dos fanatismos…

Adalberto Macedo disse...

Como eu gostaria de cruxificar o anonimo do dia 19 e das 14-55!.. “ Será que entrámos no “Ano da Fé” ou entrámos no “Ano do Catecismo…!” Infelizmente, tenho os mesmos receios.
O Ano da Fé devia responder à urgência que a Igreja tem em se renovar, e só teria a ganhar se essa renovação se fizesse de dentro para fora. Penso que isto dito assim não merece contestação de maior, e até recolhe alguma simpatia! Mas na prática é uma impossibilidade cuja gênese está na própria Fé. Ou, má Fé, se assim a quisermos classificar porque, tal como se apresenta não dá espaço para que essa regeneração se faça. Eu explico:
A Fé é uma crença absoluta. Depois de despida da roupagem teológica que poucos entendem e só complica, a Fé de que aqui falamos não é mais do que a aceitação plena e incondicional dos dogmas. Duvidar de um dogma é uma auto- excomunhão!...Como pode um anátema colaborar de dentro para fora se ele está de fora?
A dialética dogmática é tanto mais problemática quanto é ela própria o busílis para um entendimento ecuménico que tanto propalamos mas que na prática hipocritamente impedimos! É que não podemos chegar ao pé de outro irmão com a mochila cheia preconceitos e dizer-lhe: Vamos entender-nos; mas atenção: -somos nós os detentores da verdade (fora de nós não há salvação); e mais, temos cá o chefe que é infalível-! . Assim, não convenceremos ninguém, julgo que nem a nós próprios. No diálogo franco, temos que, no mínimo, não fechar a porta e admitir que os outros possam ter razão ou razões.
[Entre parêntesis: oxalá me equivoque ao exprimir as minhas dúvidas nos termos acima, mas, o que eu pretendo é que se salve o respeito e a dignidade do homem ainda que à custa de uma Fé cheia de brechas que se afirma à custa de dogmas e com a chantagem do inferno. A ideia de um “Deus Fé” pode ser mais facilmente manipulada pelo nosso egoísmo e orgulho, enquanto o respeito e dignidade incondicionais a Deus e nessa medida ao próximo o pode ser menos]
Pelo que li na Carta Apostólica sob forma de motu próprio Porta Fidei, na qual o Papa Bento XVI convoca o Ano da Fé, vai ser um reafirmar de velhas formulas já gastas, muitas delas não só inúteis mas contraproducentes porque nos retiram credibilidade.
Fechamos portas quando estamos em tempos de as abrir para que Fé e a Razão possam caminhar de mãos dadas.

Renascer disse...

"A Fé está na Palavra (...) a Fé está no Encontro (...) a Fé, que vem pela Palavra e conduz ao Encontro, não exclui a vida e a procura que se faz na vida..." Pde João Teixeira

Joana ;) disse...

Ao anónimo de 20 Outubro, 2012 10:25

Boa noite anónimo!!
Li com atenção o que tem escrito, mas não entendi o porquê desta sua "confusão" em relação á minha "definição de fé...

(" A Joana desculpe-me, mas faz-me alguma “confusão” essa sua “definição” de fé!)

Pois não sei se leu o meu comentário posterior onde explico melhor a minha "definição" de fé...

("Então a fé, é ou não um sentimento?

Eu acredito que sim e todos a sentimos de maneira diferente, por isso é imensurável e um dom de Deus diferente para cada um...")

Não sei se leu esta parte do meu comentário, como vê eu também acredito e aceito que seja um dom de Deus. Apenas entendo que este dom, não é sentido e vivido de maneira igual para todos.

Como me fazer explicar melhor?...

Imagine por exemplo um Santo da história, vamos pegar, sei lá, talvez em São Francisco de Assis que é um dos Santos que mais admiro e me intriga, conhecendo a vida e história de Francisco, como o definiria em termos de fé?

Eu posso garantir-lhe que era muito mais crente do que eu, porque teve a coragem de seguir aquele ideal depois de se "apaixonar" pela cruz.
Foi considerado louco por muitos, até por algum tempo pelos seus amigos e herege e preguiçoso pelo seu pai...

Hoje é um dos santos mais acarinhados pela Igreja Católica, devido à sua enorme manifestação de fé. Aliás foram-lhe identificadas e conhecidas algumas das chagas de Cristo.

Não digo que a fé não seja um dom, é claro que sim, mas manifesta-se em cada um de nós, de formas diferentes. Por isso a "defino" como um sentimento, porque uns somos mais santos (crentes) que outros.
Não sei se consegui explicar o meu ponto de vista...

Quanto a esta passagem:
("Joana, não é a confiança que nos dá a Fé, posso ser muito confiante e seguro de mim próprio e não ser sequer crente…")

Eu não me referia à confiança em nós mesmos, referia-me à confiança que depositamos em Deus. Se eu tiver fé n'Ele eu sou capaz de confiar-lhe a minha vida a 100% em todos os sentidos, se eu não tiver fé não consigo confiar a 100%, que é o que acontece com a maioria de todos nós...
Vou continuar com o exemplo de São Francisco se ele não tivesse confiado a sua vida a Deus, jamais manifestaria a sua fé de maneira tão "louca" aos olhos do mundo...

Da mesma forma que me aconselhou as leituras, deixo-lhe também esta passagem: Coríntios (1, 17-31)

Deixo-o com esta frase para meditação pessoal;
" Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste Mundo?"

Espero desta forma ter conseguido explicar o meu ponto de vista.
Pois sinto que nada sei, e que ainda tenho um longo caminho a percorrer...
Um bj para si anónimo

Anónimo disse...

Ao anónimo de 20 de Outubro das 11.56:

Nao sei bem como me explicar de uma forma clara.
Começo por agradecer a forma clara com que escreveu, permitindo-me perceber melhor o que diz.

Eu nao sei se uns comportamentos nos aproximam mais de Deus do que outros. Gostaria sim que uns comportamentos estivessem mais próximos de Deus do que outros. Ou seja, que determinados comportamentos estejam mais perto do divino do que outros. Ao afirmarmos que Cristo se aproximava sem juízos de valor, estamos a valorizar essa atitude face a outras onde o julgamento das atitudes dos outros seja uma presença.
Portanto , creio que quando os religiosos nos indicam que devemos imitar Cristo (nas suas atitudes) estão a valorizar essas mesmas atitudes face a outras.
Eu creio que entendi o que me diz. Nao julgar e perdoar os outros é meio caminho andado para a paz interior que desejamos para nós.
Mas a minha duvida persiste. Uma mãe ama sempre os seus filhos, mesmo quando eles fazem asneiras. Nessa altura até os ama mais um bocadinho porque nessas alturas eles precisam dela , para ela os orientar. Os filhos por sua vez sabem disso, sabem que ela os ama. Mas eles nao podem agarrar-se a essa realidade e passarem a vida a fazerem asneiras, só porque podem sempre pedir perdão e serem perdoados. Eles nao podem ancorar-se nessa realidade e nunca aprenderem. Eles tem que ser responsáveis pelas escolhas que fazem e merecerem o amor dela.

Dulce

Anónimo disse...

Continuação ( nao tinha terminado ainda, Dulce)

As pessoas podem afastar-se de Deus de muitas formas.

Umas deixam de ir à Igreja, deixam de rezar e deixam de pensar em Deus. Nao oram, nao se permitem dar um pouco do seu tempo e dos seus pensamentos mais profundos. Nao agradecem o que tem e acham que nao tem que agradecer.

Outras dizem que acreditam em Deus e por isso oram, vão à Igreja e até são activas no seio religiosos. Mas os seus comportamentos sociais põem em causa as outras pessoas, e a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Ambas estão erradas e se calhar os mesmo nível, só que por vezes dá-me a sensação de que quem vai à Igreja e opta por rezar se sente mais próximo de Deus do que aqueles que se afastaram da instituição mas que lutam por serem boas pessoas. Falou-se uma vez aqui em porque é que as pessoas nao se preocupam em serem boas pessoas? E isto em relação a muitos "crentes" que povoam as igrejas. É porque é de facto importante, agir em conformidade com o ideal, agir para nos tornarmos mais justos, mais solidários, numa palavra:melhores.

Se chega? Nao, nao chega. Porque um dia percebemos que ser bom nao chega, que isso devíamos ser desde o inicio. É como os filhos. Que se deviam portar bem mas nao portam... um dia percebemos que temos também que orar e ter a capacidade de pelo menos pensarmos em Deus, nem que seja só por momentos.
É o que eu acho.

E já tomei muito tempo do confessionário.

Dulce

Anónimo disse...

Esperança e/ou Fé
Por João Alexandre Rodrigues
Durante a vida, em períodos atribulados e de sofrimento, automaticamente, sem realmente possuirmos um conceito definido, mas que herdamos dos nossos antepassados de geração em geração e/ou através de tradições religiosas, recorremos com frequência às palavras: Esperança e/ou Fé, ou ambas.

Provavelmente, o significado de cada uma destas palavras será diferente de pessoa para pessoa, mas o que realmente importa, na Dica Arte Bem-Viver, é a forma como a esperança e a fé influenciam as nossas decisões. Qual é a diferença entre uma decisão boa e uma decisão má?

Durante os períodos atribulados a esperança e a fé orientam-nos na tomada de decisões, tendo em conta os resultados mais saudáveis e resilientes, mas por outro lado, ambas proporcionam-nos uma visão da nossa própria condição humana; somos seres imperfeitos, estamos vulneráveis e expostos a doenças, a acidentes e à perda, mas possuímos o livre arbítrio para tomar decisões podendo nunca abdicar da esperança e a fé.

Esperança:
energia que nos alimenta a motivação e o fluxo para realizar os objetivos com base nas decisões.

Fé:
energia sublime, força superior imaterial, que nos alimenta a motivação e o fluxo para realizar o impossível, com base nas decisões.

Votos de uma semana construtiva com base em decisões saudáveis.



João Alexandre Rodrigues

http://mulher.sapo.pt/carreira-vida/desenvolvimento-pessoal/esperanca-e-ou-fe-1271792.html