quinta-feira, outubro 11, 2007

Uma Confissão uma lição

Ainda era seminarista, mas não esqueci mais. Foi uma lição.
Estava em Fátima e, como muitos outros, aproveitei para me confessar. Abundam padres em Fátima. Mas isso não vem ao caso. Pelo menos que sirvam para nos encontrarmos de novo com Deus através da Confissão. A sala das confissões tem fila preparada, confessionários preparados. Chegara a minha vez porque a luz verde tinha acendido para mim. Entrei. Ajoelhei. Não olhei o padre, que este é apenas o intermediário. Quem perdoa é Deus. Olhei Deus através do padre e inclinei-me para me recolher e para que os pecados a apresentar fossem mesmo os meus e os que mais me doíam. Feitas as orações prévias, comecei o desenrolar dos pecados. Quase como um desfiar do rosário. Não precisei dizer mais que dois ou três que me perturbavam para que o padre iniciasse um rol de perguntas. E isto? E aquilo? As perguntas eram mesmo daquelas que não se esperavam. Salvo erro, estava no último ano de Seminário e estas coisas já não eram novidade para mim. Porém, não abri mão. Deixei-o perguntar e, com ares de malvadez, respondi afirmativamente às suas perguntas. Que sim. Também tinha feito isto. E mais aquilo que o senhor padre não se lembrou e nem lhe passa pela cabeça.
Pequei. Pequei porque inventei pecados. Dos piores que me vieram à memória. Dos mais escabrosos. Ora digam lá se não tinha razão. Afinal, a pessoa que se confessa, se estiver verdadeiramente arrependida e porque custa assumir o nosso pecado perante outrem, não estará também sofrida? Não precisará que um padre, por melhor que seja a intenção, faça perguntas desmesuradas. Quando muito que as fizesse com medida e com a única intenção de ajudar o penitente.
Não gostei daquela confissão. E já ouvi muito boa gente que também não gostou da confissão a, b ou c, daquele padre que faz ou fez perguntas desmesuradas, exactamente porque desmesuradas, despropositadas e inconsequentes. Não entendo porque um padre precisa de saber mais coisas, quando Deus é que precisa de as sentir arrependidas. Por isso ainda pequei mais. Terminei a confissão dizendo que era sacerdote, o que aumentava – digo eu – a responsabilidade dos pecados, e que não achava justa aquela forma de apresentar a misericórdia de Deus. Levantei-me. Saí e coloquei-me de novo na fila. Quem me visse, diria que eu não estava bom. E não estava mesmo. Não quis ensinar nada àquele sacerdote. Mas não consegui evitar. Não sou propriamente santo.
Eu é que aprendi uma lição. Nunca fazer perguntas durante a confissão, a não ser que a pessoa peça, e restringir-me sempre àquilo que se pode chamar faltas de amor a Deus, ao próximo e a si mesmo.

26 comentários:

Anónimo disse...

olá!

Gostei do promenor " coloquei-me de novo na fila". Penso que foi um pouco mauzinho en inventar pecados. Nós ás vezes até nos esquecemos deles, por isso a ajuda desse padre. Penso que durante a confissão deveria haver perguntas, pelo menos um dialogo nenos monotono.
já me aconteceu uma vez confessar-me duas vezes seguidas.A primeira vezes depois das orações prévias comecei o desenrolar de pecados.Dois ou três, não me lembrava de mais. O senhor padre absolveu-me e madou-me rezar mais avé marias que pecados que tinha cometido. Depois de rezar, estive em silencio durante algum tempo, e surgiu a questão: será que isto e isto, e isto é pecado? Levantei-me e voltei a diriguir-me ao confessionário para perguntar ao senhor padre se aquilo tambem era pecado, não tive coraguem de ir ao mesmo padre. Sei que entrei um pouco envergonha,mas comecei por esclarecer as minhas duvidas. Este, ao contrario do outro, conversou, e ajudou a separar os pecados verdadeiros, daqueles "assim, assim". Sei que me levantei muito mais descansada nesta segunda confissão.

E agora surgem as perguntas:

1ª - Qual dos dois padres é o mais certo: aquele que ouve dois ou tres pecados e termina ali a confissão ? Ou aquele que faz pergutas (as necessárias),para tornar a confissão mais verdadeira?

2ª O que é verdadeiramente pecado? Que tipo de faltas fazemos na nossa vida que podemos considerar pecado?

3ª Que espaço de tempo deveremos ter entre uma confissão e outra. E nós simples " comentadores" deste blogger, há quanto tempo não nos confessamos? Eu sinceramente não sei.Talvez dois três anos. Tenho o habito á noite ao deitar( quando me lembro) pedir perdão a Deus pelas faltas cometidas durante o dia. Mas penso que isso não chega...

Um abraço!
Alexandra

Anónimo disse...

Boa tarde.
No Domingo passado estive em Fátima e fui confessar-me.
Precisava de me reconciliar com Deus, há algum tempo que estava afastada e como tal preparei-me em frente ao Santísimo Sacramento.

Quando chegou a minha vez entrei no Confessionário e do outro lado estava um padre que, a cada pecado meu, suspirava impacientemente.

Assim que fiz uma pausa na minha lista ( tentava ver se me esquecia de algum ) deu-me penitência e absolvição.

Sem uma palavra, sem nada...

Fiquei na dúvida se me tinha confessado ou não... não tive tempo de dizer algumas coisas...

Mas penso que sim, afinal os padres também são humanos e o Senhor conhecia a intenção do meu coração.

Moral da história e objectivo deste comentário:
Alguns padres "pecam" por defeito, outros por excesso!

A paz de Cristo.

pe.cl disse...

Creio que se impõe por vezes uma ajuda ao penitente quando nos apercebemos que ele não sabe por onde começar, porém é importante perceber quando a ajuda se torna um inquérito desnecessário, na prática como em tudo na vida deve reinar o bom senso.

Não compete ao confessor tirar os pecados a saca-rolhas uma vez que isso pode conduzir a uma interpretação menos correcta do sacramento da reconciliação, contudo creio que graças a Deus a maioria dos sacerdotes tem a noção de que o sacramento da reconciliação só surte efeito se o arrependimento é sincero.

Abraço em Cristo.

Anónimo disse...

Há uns anos atrás fui confessar-me. Saí do confessionário envergonhada e muito arrependida, não só pelos pecados que confessei mas, principalmente, por me ter ido confessar. Pensei que ficaria mais aliviada com a confissão e fiquei mais revoltada, só faltou levar uma tareia do padre. Já várias vezes senti necessidade de me confessar, mas não tive coragem de me voltar a aproximar dum confessionário.
Resolvi confessar-me só a Deus e, pedir directamente perdão a Ele.
Ln

Luís disse...

Gostava de imaginar como seria a confissão no tempo dos Apóstolos ou nos 1ºs tempos da Igreja. Como se faria esse arrependimento pessoal, em Igreja, e o crescimento interior na partilha, na inter-ajuda e no compromisso com os irmãos. Talvez esse modo de se confessarem fosse mais acolhido pelos outros e talvez houvesse mais compreensão, a partilha mais profunda, a ajuda mais eficaz, o compromisso mais assumido e a interacção como irmãos que se dirigiam ao mesmo Pai, mais edificante, mais construtiva.
Há certos grupos onde cada um é capaz de partilhar as suas dificuldades, as suas fraquezas, o seu pecado e se sente apoiado pelo grupo no seu crescimento na fé e na santidade. Onde cada um acolhe e se sente acolhido. Onde cada um se sente pobre na sua fraqueza e rico na comunhão do grupo.
Será que a Confisão ainda um dia poderá voltar a evoluir por aí?

Kephas disse...

Cara Alexandra:
1ª pergunta (também para o Confessionário): ambos os padres e nenhum deles. Como pe.cl bem disse, deve imperar o "bom senso". Um padre que faça demasiadas perguntas interrompe o fio do raciocínio da confissão... um padre que apenas cale pode dar a sensação que não está interessado e pode deixar passar pecados frequentes, mas que o penitente não considere como pecados...

Na minha humilde opinião, penso que ajudaria se fossem distribuidos (pelo menos nas alturas em que o ritmo de confissões é maior) uns panfletos com perguntas sobre os diversos pecados que afectam cada um dos Dez Mandamentos de forma a que o penitente pudesse fazer um completo exame de consciência previamente à Confissão. Se os panfletos fosse demasiado caros, podia-se sempre afixar uns cartazes junto ao confessionário com o mesmo conteúdo. Em seguida, o padre apenas teria de escutar (pacientemente para ter a certeza que estava tudo dito).

2) Não lhe sei responder, também tenho muitas dúvidas.

Mas pecado é tudo aquilo que nós fazemos contra a Lei de Deus (particularmente os Dez Mandamentos e o Mandamento do Amor)...

Quanto à gravidade, penso que tem a ver com a gravidade das consequências, mas também com a atitude. Obviamente, um homicídio é mais grave do que uma agressão.
Mas a Igreja define como pecado mortal (grave) todo aquele que é cometido com "plena consciência e consentimento". Quer isto dizer que é mais grave dar um murro a alguém premeditadamente e com pleno conhecimento da maldade desse acto, do que cometer um homicídio instintivamente em auto-defesa.

Portanto é extremamente complicado definir o que é pecado. Acho que isso é algo que a Alexandra tem de descobrir por si e para a sua própria vida (sempre, é claro, com a orientação espiritual de um padre, para não cair na tentação de racionalizar os seus pecados em algo aceitável).

3) A Igreja sugere que os fiéis não estejam mais de um ano sem se confessar. Porém, em termos teológicos, seria aconselhável que não se recebesse a Comunhão sem se estar em estado de graça (confessado).

Eu já não me confesso há 1,5 mês. E estou meeeeeesmoooooo a precisar de voltar a confessar-me. Infelizmente ainda vou ter que esperar um pouco porque o meu horário laboral não me permite ir lá às horas definidas pela igreja onde costumo ir.

Pedir perdão a Deus é óptimo, mas não chega. Tal como não chega à Alexandra chegar ao pé do seu namorado e dizer: "Olha, estamos casados!" Pode ser a verdade do coração da Alexandra, mas não é oficial.

Eu, pessoalmente, penso que, dada a nossa propensão para errar, deveríamos confessar-nos muito amíude. Não só pelo perdão dos pecados, mas também como auto-avaliação do nosso desempenho nesta vida e dos aspectos que temos de melhorar em nós.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Caro Padre.
Penso que o Confessor não deve ser "8 nem 80", ou seja, um padre que apenas ouve e de imediato aplica uma penitência, denota impaciência e insensibilidade. Por outro lado um padre muito "perguntador" talvez tire a naturalidade da confissão. è preciso que haja um equilibrio.Muitas vezes nas perguntas do padre confessor encontramos a coragem para relatar alguns pecados dificies até nos ajuda a lembrar de alguns outros pecados "menores.

Pitux disse...

Eu acho que parte muito pela atitude do padre. Por exemplo, um dia estava a confessar-me e o padre começou a fazer demasiadas perguntas e eu não gostei. Na altura sentia-me realmente arrependida do que tinha feito e não gostei de estar a ter que responder a perguntas sobre os "pormenores" do pecado. Na altura estive para me levantar e sair sem a absolvição, mas resolvi aguentar e responder a tudo, porque era o mais correcto.
Por outro lado, de uma outra vez que me confessei, o padre fez-me perguntas, mas era no sentido de pôr a pessoa mais à vontade, de compreender que género de pessoa eu era e eu gostei dessa confissão. Não era de querer saber demais.

Maria João disse...

Acho que é importante que o padre dê conselhos e chame a atenção para a misericórdia de Deus.

Em relação ao que o kephas disse, também acho que é importante se dar atenção aos mandamentos. E principalmente por uma razão: nem todas as pessoas conhecem os dez mandamentos. Podem saber alguns, mas não todos.

Mas, claro, por mais difícil que seja haja bom-senso: não se torne a confissão como algo que é para despachar, mas também não se a torne num interrogatório, onde a misericórdia de Deus fica para segundo plano.

beijos em Cristo

Anónimo disse...

Há alguns anos atrás...como não tinha opção, nem liberdade opção minha mae
insistiu que eu me confessasse com padre XX..

o que é certo é que nunca me esqueci daquela situação, em que tal como o confessionário nos conta, tive de mentir em confissão...é que não me deixava sair..não acreditava que eu não tinha feito..e após tanta insistência...acabei por assumir algo..que não tinha feito..
não voltei para fila...porque iria ter com mesma pessoa...

não sei qual a melhor forma para confessar, mas ás vezes quando padres conversam um pouco connosco..é muito reconfortante...

um abraço
PC

ana maria disse...

Bem...
Ser confessor não deve ser nada fácil!
Imagino que um padre tenha que se deixar abandonar completamente em relação à sua condição humana, no sentido de se fazer e ser apenas instrumento visível da Misericórdia Divina...
Por outro lado, a face humana desse instrumento deveria ser a mais sensível possível à dor do pecado...a simpatia e empatia por definição... à semelhança de Jesus!
Não deve ser nada fácil, mas Deus está sempre lá, e o penitente não se pode esquecer disso.

Devo dar graças a Deus pelos confessores que me têm ouvido! Nunca me "magoaram"... e compreendo que muitos "bons cristãos" se afastem do confessionário -não o "nosso" padre, claro! Este só atrai!!!- a sete pés!!!

elsa nyny disse...

Pois...o padre estava a exagerar...e tu zássss! Aproveitaste a onda!

Pronto mas tás perdoado...voltaste para a fila...

Entretanto há um novo desafio Por Darfur, vem ver se queres colaborar!

Bjs

deprofundis disse...

Caro amigo

O meu afastamento da fé começou na minha adolescência, durante uma confissão. Foi na Igreja de S. Francisco em Lamego, pela altura da "desobriga".
O confessor, um padre franciscano, também era daqueles que faziam muitas perguntas. Embora eu não entendesse bem o que se estava a passar (só mais tarde é que somei dois mais dois), repugnou-me a insistência e a demora com que exigia a pormenorização de certos pecados. Pereceu-me de uma curiosidade mórbida...

Anónimo disse...

Confessar?! ooooohhhh então não gostava!

Pois... trata-se de uma das duas coisas que eu não consigo fazer com o meu padre. Suspeito que são as únicas! A outra é não conseguir comungar, sentiria algum embaraço em exibir as minhas papilas gustativas. Que falta de respeito! O que pensaria o meu padre de mim?!

Como conseguirei au confessar-me?! Primeiro: não consigo manter-me de joelhos (problemas na região lombar; será que estaria disponivel para outra posição?!); segundo: não acho que seja a posição ideal para manter um diálogo; terceiro: quando olho para o meu padre dá-me uma branca monumental, cai-me o queixo, baralham-se-me as ideias, tremem-me os joelhos, o coração tenta sair pela boca, uma caloraça nas orelhas, e não consigo terminar as frases porque tudo se me varre!

Ainda ontem à noite no passeio com a nossa Senhora de Fátima lá estava ele liiiiiiiinnndo! Que riqueza!!

Apresentou-se com um modelo em tom pérola (é o meu tom favorito! embora o roxo seja a tendência deste Inverno e lhe fique muito bem prefiro o dourado! - ilumina-lhe ainda mais a face. Atenção! Tratou-se de um modelo de padre mesmo (com uma capa tipo Zorro), não aquele em tom pérola igual ao dos acólitos! Esse não me agrada mesmo nada! O meu padre é padre, não é acólito!!! Inclusive, gostaria aqui de manifestar o meu descontentamento face a este modelo porque aquela corda faz com que o meu padre pareça ter barriga. O meu padre não tem barriga! Ele é um homem muito elegante! Aquela corda não o favorece de todo! Passa-lhe abaixo do equador, alí prás bandas do trópico de capricórnio.

Já intercedi junto dos bispos no sentido de banir aquele modelo. Sugeri-lhes que aproveitassem os bons contactos do actual Papa (homem com muito bom gosto) junto da casa Prada para realizar algumas actualizações em alguns modelitos e particularmente na selecção dos tecidos! (ultimamente acho que estão a descorar este aspecto - muita fibra! Deus é uma criatura que aprecia o belo portanto vamos lá respeitá-lo)

O homem deu um solo em pleno adro da igrejo - qual Demis Roussos! Eu estive mesmo para gritar "Torero!", "Viva!" e outras coisas. A minha amiga tapou-me a boca?! Também declamou um conjunto de versos todos terminados em "-osos" numa homofonia externa pobre, se bem me lembro!

Registaram-se algumas falhas técnicas ao nível do som (vão à loja do chinês depois é assim!) Nada que o técnico de som destacado não resolvesse com umas pancadinhas nas colunas (tecnologia de ponta é assim!) Também foi muito agradável auscultar os cânticos em versão onda mexicana. Poderiamos dizer que foi tudo cantado num estilo emjambement! Uma sílaba à frente e a mesma lá atrás passado 3 segundos em simultâneo com uma nova sílaba já cá à frente.

Beijos em Cristo e beijos no meu padre.

da sua eterna Teodora

Anónimo disse...

Eu pessoalmente gosto dos padres que vão fazendo algumas perguntas para eu me desengasgar...
O padre da minha paróquia é contra as perguntas na confissão, ele diz que nós é que pecamos e por isso nós é que sabemos os nossos pecados.

Mas acho que o meio termo é o ideal.

Acredito que seja complicado para o padre conseguir perceber que penitente é que precisa de perguntas e qual é que não precisa.

Fá disse...

Tento preparar o melhor que posso a confissão. Mas, invariavelmente, quando estou perante o confessor acontecem-me duas coisas: baralho o acto de contrição e esqueço-me das faltas. Daí que, não gostando de inquirições, necessite de uma ajuda. Como aquela que dou quando, num momento de avaliação, noto o aluno atrapalhado...
Mais uma vez a intenção é a única maneira de fazer a destrinça entre o bem e o mal... Ou não será, Padre?
Um abraço

Anónimo disse...

Uma das "regra" para a Confissão, a dos 4C, conforme costumava lembrar S. Josemaria Escrivá:
"Clara, Concreta, Concisa e Completa"!
Mas, por favor, não esquecer o mais importante: Estar arrependido e depois, mesmo que nos esqueçamos de pequenas coisas, elas já ficaram perdoadas desde que, à partida, tivessemos a intenção de nos acusarmos. Também S. Josemaria aconselhava a "deitar fora em primeiro lugar a pedra que mais pesa" (ou seja acusarmo-nos do que mais nos custa, em 1º lugar, que depois é tudo simples.
Costumo confessar-me regularmente e ainda bem, porque, se demoro muito, depois custa-me mais. Também já tenho o meu padre escolhido, digamos assim. É bom fazê-lo. Bjs a todos e que muitos mais aproveitemos este SACRAMENTO DA ALEGRIA!

disse...

é somente pra dizer k descobri por acaso e ja nem sei como o seu blog e estou a gostar..
Mas o que eu gosto particularmente é da musica...linda...linda...
Chego a deixar tar a tocar tempos e tempos, enqto ando pela net...

Vítor Mácula disse...

Pequena deriva neófita:

A confissão funda-se na mais funda comunhão, e nunca no juízo final sobre o outro. Não se trata de policiamento, mas de abraço fundo e sagrado em Deus que nos renova e enlaça no seu transfigurante amor. Ambos, o que escuta e o que acolhe a pequena palavra do outro – se redimem na autenticidade com que se encontram, e na busca das vias de Deus. E a diferença sacerdotal dá-se na ordem interna dessa comunhão.

O resto pois, é de Deus, por Deus, com Deus.

Abraço, padre

PS: Estás bom?... :)

nuno alexandre disse...

Caríssima Teodora, seja eterna mesmo, porque você é única, bem sabe :D

De resto, estou sem comentários eheh

JOINCANTO disse...

Deus é quem perdoa e sara. A confissão feita a uma pessoa que não esteja directamente envolvida com o pecado em questão, não faz muito sentido. E muito menos a obrigação imposta por outrém para confessar pecados faz sentido.

Se existe algo que acusa a nossa consciencia devemos ir a Deus em primeiro lugar e se necessário com a pessoa ofendida. Intermediários só conheço mesmo um: O Senhor Jesus Cristo.

Abraço

Anónimo disse...

O tema é interessante.Eu sou dos que acham que a confissão é necessária, um meio muito útil para a nossa perfeição no caminho difícil da vida.Da nossa condição humana estámos certos que todos temos quedas;por isso, como sei e sinto que em cada recomeçar Ele aí está ao meu lado,aconselho a confissão.Não me surpreende-me mesmo nada a tua atitude.Também já passei por algo semelhante, desde o querer confessar-me numa cidade do centro do País onde estava numa formação e ser insultado, mas por fim atendido, ficando aquela reflexão, se eu fosse outro nunca mais me confessaria....
Desde estar a confessar-me e o confessor a ler dando-me a impressão de eu estar a falar para a lua...
E outras...
Mesmo assim não desisto porque sei que há muitos outros que nos ajudam a enxugar as lágrimas, a colocar a nossa cruz às costas e ensinam-nos que assim imitando Cristo, seremos felizes e completámos a Vida de Jesus agora.
E como gosto daquelas confissões que me dão de penitência ajudar os outros naqueles items onde é maior a força dos meus pecados.
Se gosto!... quando me passam a corresponsabilidade...
Ainda bem que temos bons padres para servirem e representarem o Bom Jesus que todos amámos e seguimos.
Por isso apesar de tudo recomendo a confissão e frequente porque já não estamos só na era do " não mato, nem roubo,..." mas é necessária uma vivência diária de fé bastante exgente mas sempre compensadora.Jocap

Anónimo disse...

A minha sogra um dia saíu-se com esta:
"Dantes as pessoas iam à confissão, agora vão ao psiquiatra".
Até tem alguma verdade nisto que diz. Achei-lhe piada.

Diogo disse...

Para sorrir um bocadinho:

A corrida dos Republicanos à Casa Branca passa por um namoro descarado ao National Rifle Association (NRA), um dos lobbies políticos mais poderosos de Washington. A NRA é uma organização conservadora que defende o direito dos americanos usarem armas sem restrições.

Mas alguns senadores meteram o pé na argola. Jon Stewart tem os hilariantes pormenores:

Vídeo – 4:37m (legendado em português)

Anónimo disse...

A propósito de confissões e pecados vou partilhar alguns comportamentos tidos por escuteiros e que me surpreenderam pela negativa. Ora sendo aquela gente toda ela muito próxima dos ensinamentos de Jesus Cristo eu nunca preveria tal cenário.

Foi assim: no fim-de semana passado coloquei o meu equipamento de escuteira, reuni os meus lobitos e dirigimo-nos para a localidade onde se deu o início do ano escutista da diocese. Foi um domingo de actividades e missa para 7000 aproximadamente.

A linguagem obscena de escuteiros jovens e seus responsáveis era de fazer corar um galego! Eram de uma fluência tal ao ponto de não se inibirem com a presença de pessoas anónimas que paravam para observar as actividades. Alguns enfrascaram forte e feio. Mesmo sendo alertados para o exemplo incorrecto, ainda tiveram resposta. Além disto contaram-me que um ou outro agrupamento quando viram a sua inscrição recusada para participarem nas actividades (por já terem excedido o númeor de inscrições) fazerem ameaças de que compareceriam para desestabilizar.

Como se tudo isto não fosse suficiente, durante a missa (no pavilhão desportivo lá da terra) grande número dos presentes mastigaram pastilha elástica, conversaram, bateram palmas no final dos cânticos, entravam e saiam a comer e a beber...

Pais que pretendiam assitir à missa, não perceberam que deveria ser dada prioridade aos escuteiros e só depois aos restantes elementos. Coitado do pessoal que ficou a controlar as portas tiveram que ouvir de tudo um pouco!

Aqueles que entraram e ficaram na parte superior, nunca mas nunca se calaram, nem mesmo na hora da comunhão e depois do padre e arcebispo terem pedido silêncio. Entravam e saiam para ir buscar comida e bebidas. ISTO TUDO DURANTE UMA MISSA!!!

O padre de serviço (muito aprecido com o meu, aliás. Curioso?!) homem com muito jeito para orquestrar tudo aquilo (e outras coisas certamente! Cantou muito bem! Equipamento igual aos acólitos - não gosto nada daquilo!- e lenço de escuta ao pescoço. Muito sexy! Só lhe faltava a barba de dois dias. Tive vontade de lhe espetar um beijo!!hum...onde é que eu ia?) lá conseguiu pôr ordem na sequência das palmas. Tentou lembrar os presentes que não gostaria de continuar a ver as pessoas a mastigarem a dita pastilha elástica na hora da comunhão. Pois... não perceberam português! Deve ser por isso que o Papa sugeriu as missas em latim?! Deve ser uma estratégia de desespero?! Nunca se sabe, com o que se vê por aí!

Fiquei 2 horas a olhar para o écran gigante "com os olhos em bico".

Aquele padre dava uns lobitos muito lindos!!!

Teodora

Kephas disse...

Caro Joincanto:
Vi no seu perfil que você é evangélico, portanto não lhe vou explicar o valor teológico do Sacramento da Penitência. Além de ser algo demasiado complexo para relatar num único comment, é uma noção que está impregnada de catolicismo (pelo que seria como se estivéssemos a conversar em 2 línguas diferentes).

Como tal vou limitar-me a mostrar-lhe que faz sentido, do ponto de vista das Escrituras:

"Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.
E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.
Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes säo perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes säo retidos." - Jo 20:21-23

Portanto, foi Jesus Cristo quem nomeou intermediários e quem lhes deu o poder de perdoar os pecados (o que pressupõe que os pecadores se confessassem aos apóstolos). De notar que estes intermediários receberam o Espírito Santo, ou seja, são portadores da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.


"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliaçäo;
Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pós em nós a palavra da reconciliaçäo.
De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus." 2Cor 5:17-20

Mais uma vez, Deus quer que nos reconciliemos com Ele. Além disso, nomeia os Apóstolos seus embaixadores (que é uma forma de intermediário) e dá-lhes o "ministério da reconciliação".


"Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oraçäo feita por um justo pode muito em seus efeitos." Tg 5:16

Claramente, os "outros" a quem este excerto se refere, nada têm a ver com os pecados do pecador. Por que devem eles, então, ser confessores? Por que não pode ser o próprio pecador a orar por si próprio?



Imagine que você estava em casa de um amigo e, por descuido, lhe parte um vaso. Pede desculpa ao seu amigo e ele, como é fulano porreiro, perdoa-o.
Só que não bastam as desculpas. Você tem de pagar o vaso. Você tem de restituir a situação original (ou pelo menos, compensá-la).

Você pecou contra Deus. Pediu-Lhe perdão. Óptimo. Mas, para que a reconciliação seja completa, você tem de exercer uma acção reparadora. Caso contrário você pode cair no erro de pecar e desculpar-se sucessivamente sem sequer se preocupar em evitá-los.

A reparação material do mal causado não chega. O mal não é somente material mas também espiritual. Como você repara o pecado contra o Mandamento "Terás castidade nos pensamentos e nos desejos"?
Mesmo que veja os pecados de um ponto de vista exclusivamente material, o Mal espalha-se como um cancro. Um pecado cometido por mim vai criar uma cascata de ódio que se auto-transmite e perpetua e que se perde no horizonte... é impossível repara-lo completamente pois a ferida permanece sempre.

Jesus nomeou os Apóstolos Seus embaixadores e entregou-lhes o Espírito Santo. Para um católico os padres são os sucessores dos Apóstolos e ainda são portadores da chama divina. Como tal, compete aos padres escutar os pecados dos católicos, estabelecer a penitência reparadora e... perdoar.



Não pretendo convertê-lo, simplesmente explicar-lhe a nossa posição. Espero que ajude ;)

Cumprimentos