quarta-feira, outubro 24, 2007

sondagem_ " Qual o momento da Eucaristia que te prende mais a atenção ou que valorizas mais?”

Passados que vão mais de quase sete meses da última sondagem e 635 votos, chegou a hora (até ultrapassou) de avaliar a sondagem que estava no lado direito, no sidebar. A questão era:

Qual o momento da Eucaristia que te prende mais a atenção ou que valorizas mais?
E os resultados são:

1. Consagração _45%
2.
Homilia _18%
3.
Comunhão _17%
4. Animação Musical _5%
5.
Acção de Graças _ 4%
6.
Acto Penitencial _4%
7.
Leituras _4%
8. Outros _2%
9.
Animação Litúrgica
_1%
___________________________
pequenas considerações:
1. Não há maior alegria que perceber que a maioria dos meus peintentes percebe que o momento em que Jesus se torna real e presente na Eucaristia (CONSAGRAÇÃO) é o momento central da mesma. Por isso devíamos dedicar mais atenção a cada uma das palavras que são soletradas neste momento.
2. Supus que a HOMILIA competisse bastante com a Consagração, dado que há quem classifique a Eucaristia como boa ou má a partir da homilia que ouve.
Ao mesmo tempo, esta ordenação faz-me concluir na tão grande necessidade que os cristãos têm de formação e de intelecção da Palavra de Deus. E mais nos responsabiliza a nós, os sacerdotes. Este é momento que mais nos dá espaço à criatividade.
3. Aliada à Consagração, não me admira a terceira opção, a COMUNHÃO, pois é a ocasião em que a presença real de Cristo se partilha connosco e nos faz participantes dessa presença. Pessoalmente talvez a colocasse em segundo lugar.
4. Quero crer que a escolha da ANIMAÇÃO MUSICAL não seja motivada pelo espectáculo que possa proporcionar. Aliás costuma ser também um dos fundamentos habituais para classificar a eucaristia. É bom relembrar que é um acessório da Eucaristia. Mas é importante, sobretudo na medida em que provoca a participação mais activa dos leigos.
5. ACÇÃO DE GRAÇAS, ACTO PENITENCIAL, LEITURAS. Todos estes momentos são imprescindíveis na Eucaristia. Bom mesmo era que, ao fazermos esta sondagem, concluíssemos que cada momento é importante por si e que não se pode qualificar em comparação com outro. No entanto cada pessoa sente ou vive de maneira diferente cada um, e pode bem constatar-se alguma distinção entre eles.
6. É engraçado como a ANIMAÇÃO LITÚRGICA foi escolhida apenas por 9 pessoas. Fala-se tanto nesta animação pelas nossas paróquias e, afinal, não se lhe dá muita importância.
O resto da reflexão fica convosco.

Hoje surge nova sondagem. Porque não questionar-nos da forma como lidamos com a Palavra de Deus! Aí vai a pergunta:
Quantas vezes por mês abres a Bíblia para ler durante mais que 10 minutos?~

Se possível, dá também a conhecer o que seria desejável em termos pessoais ou relativamente a um bom cristão.

9 comentários:

ana maria disse...

Uma pergunta que me envergonha...
Tempos houve em que, não mensalmente, mas diariamente, eram bem mais do que esses 10minutos...
Agora, nesta vida de filhos, escola, casa, ......, tento vivenciar em todos os minutos os muitos minutos que a li, reli, meditei... mas não é nada fácil, Confessionário!

nuno alexandre (já cá faltava lol) disse...

Gostava de comentar isto, porque fiquei mesmo sem saber como devo responder à pergunta...

É que a Bíblia que eu leio está toda na minha cabeça, com quase todas as partes que li dela desde há anos (na memória de longo prazo devem estar todas mesmo), e se eu for ler agora é para continuar a escrevê-la na minha cabeça, mesmo que não queira; ela é como um livro cujas partes não leio mais do que 1 vez (mas escrevo na minha mente sem poder evitar). Por isso tenho-a sempre muito "à mão", e então posso "lê-la" da melhor forma: sem nada a separar os livros (mas sabendo a que livro ou profeta pertencem determinadas coisas) e vendo como as diversas partes quase que falam entre si e também o próprio contraste entre elas. Por isso, quando eu preciso, "vejo" palavras de Jesus, de Moisés, dos salmos, dos livros dos outros profetas... e vejo como a Bíblia para mim é mais do que sagrada: porque abstraídas todas as coisas dela, é como ter um cubo mágico: cada disposição que as partes desse cubo assumem é como ver uma nova página "da verdade" (para mim profecia é um dos nomes da verdade, senão veja-se as palavras do anjo Gabriel [lá estou eu outra vez com ele... mas a culpa é dele!! ninguém o mandou ser como é lol]), e eventualmente podemos chegar a ver coisas que atravessam a Bíblia de uma ponta à outra. Isto sem fazer interpretações arbitrárias, mas sim "trabalhando" mentalmente (como um programador informático tem que fazer na sua mente para poder escrever código funcional e até mesmo inovador; ele não faz, ele vê i.e. intelige de facto, e só depois pode produzir coisas).

Por essas razões, acho óptima aquela analogia da Alexandra entre Deus/sacerdote e Escritor/livro, até porque para mim os profetas do AT estão para o Espírito Santo como os sacerdotes cristãos estão para Jesus.

Por exemplo (e mais uns pontos para a Alexandra), na última homilia a que assisti o padre falou de uma só vez em anjos, arcanjos, bebés por nascer (até um email que lhe tinham enviado lol), Fátima, arcanjos, a fuga para o Egipto... (para não falar no meu espanto ao ouvir diversas coisas que eu próprio andava a pensar) Deus faz maravilhas quando escreve livros nos seus sacerdotes. Por isso é que o "livro" deste blogger é muito belo.

Concluindo: acho que cada um sabe como é melhor para si pensar nas palavras da Bíblia, e isso pode incluir lê-la literalmente ou apenas em pensamento (é que apesar de ela ser um Livro, é-o porque fixa Verbo, e este não é linguagem humana mas divina; e essa linguagem é brilhante, por isso é que foi guardada por nós seres humanos; é uma linguagem da própria inteligência, ou uma linguagem do Espírito, se quisermos).

Eu costumo dizer que a luz dos olhos permite ver texto, mas a luz do pensamento permite ver a verdade (e esta é universal, e portanto pode ser inteligida por quaisquer criaturas humanas, porque tem uma origem única e absoluta [a da vida humana], e não uma origem nas coisas; ela é como uma roupa que um ser humano pode vestir, uma roupa de "sol").

Por fim, faço a minha continência aos sacerdotes cristãos, que são mais para nós do que estamos habituados a pensar. São pessoas de um Padrão verdadeiro e único.

Kephas disse...

Eu escolhi menos de 5 vezes...

Não porque não queira mais, mas (como já disse ao Nuno) porque quero ter a certeza que estou a interpretar bem a Bíblia. Basicamente eu pesquiso textos fidedignos que a interpretem e depois leio os excertos bíblicos aos quais esses textos se referem.

Eu sei que muitas pessoas vão dizer que isso não é muito flexível, que muitas vezes a leitura da Bíblia per se permite encontrar as respostas dos nossos problemas. Houve santos que, para encontrar a resposta aos desafios da vida, "jogavam à roleta", ou seja, abriam a Bíblia numa página ao acaso e depois diziam "é assim que vou fazer". E está muito bem.

Eu porém, prefiro ter uma ideia geral, compreensiva e holística da Bíblia. Assim, posso adquirir uma mecânica de pensamento, uma ginástica de raciocínio, um enquadramento de valores que me permita, a cada momento, saber o que é mais correcto...

Muitos católicos (e outros cristãos) seguem o caminho errado porque lêem a Bíblia como querem e lhes é mais conveniente. É para evitar isto que existe a Igreja.

É claro que, uma vez tendo adquirido esta mecânica de pensamento, poderei começar a ler a Bíblia mais amíude.

Cumprimentos

Anónimo disse...

Olá!

Eu tropeço na bìblia quase todos os dias. Mas nem sempre tenho tempo para dar uma vista de olhos:

* Tropeço quando demanhã pego nas chaves do carro e vou para o trabalho

* Volto a tropeçar quando chego no final do dia e deixo as chaves.

* No fim de semana aproveito a limpar-lhe o pó. Pois claro que tenho de mudar de pagina e abro-a ao calha. Dedico-lhe alguns minutos.

* Domingo a seguir ao almoço pego nela e tento procurar momentos importantes relacionados com a catequese desse dia. Mais minutos dedicados.

* Este ano arranjei-lhe uma adeversaria á altura( catequese do 2º ano), uma bìblia para crianças. Mais gira, cheia de ilustrações.Com coisas simples que os miudos consigam compreender. Pois claro que todos os domingos os miudos querem ler uma historia da bìblia . Mais uns minutinhos.

* Em determinados momentos simplesmente pego nela e leio-a. Não sei quantos minutos lhe dedico.

Há! Esqueci-me de dizer. As minhas duas bíblias( agora são duas) estam abertas em cima de uma mesa, á entrada da porta de casa.
Um daqueles livros que apareceu lá na paroquia á alguns anos atrás, incutiu esse costume. "A biblia deve estar num lugar que se veja, não arrumada lá num canto. E todas as vezes que passarmos por ela vamos lembrarmo-nos do nosso Deus"

Por isso a minha resposta varia um pouquinho. Vejo-a todos os dias varias vezes por dia. Mas apenas dedico algumas horas, das 720 horas que o mês tem (quando estou de fèrias da catequese estas horas transforman-se e minutos).

Um abraço!

Alexandra

JP disse...

Reverendo,

Como sacerdote, torna-se, por força do ofício, natural abrir, ler, meditar a Bíblia. Se assim não fosse, como poderíamos ensinar algo que não vivemos.
A questão de ler a Bíblia é importante. Mas é apenas a porta para uma pergunta muito mais pertinaz: quantas decisões é que tomas (desde as pequenas decisões do dia a dia até às decisões morais mais importantes) tendo por base o que leste na Bíblia?
Mas, não era essencialmente isso que queria escrever. Queria, antes de mais, dar-lhe os parabéns pelo modo como escreve e pelo testemunho que vai dando. Obrigado!
Em segundo lugar, como somos homens muito ocupados, por vezes torna-se necessário ser-se engenhoso. Por mero acaso, falaram-me de uma versão do Novo Testamento em áudio, ou seja, é um conjunto de CD's que pode ser ouvida (no carro, em casa, etc.). Consegui comprar e, muito frequentemente, a Palavra de Deus tornou-se a mais fiel companheira de viagem. Não substitui a lectio divina diária, mas serve, no meu caso de complemento.
Com as mais cordiais saudações,
JP

Margarida disse...

Leio a biblia ocasionalmente, quando procuro alguma resposta.
Há observei uma situação que me deixou a pensar!...
No hospital em que estava internada estava tambem uma senhora de étnia cigana (analfabeta).
Na hora das visitas o marido dela sentava-se a ler o novo Testamento por imenso tempo, e conversavam sobre o que os textos.
Um belo dia ,quando eu já não tinha mais revistas nem livros para ler, a "cigana" disse-me:
-Ò vizinha se quizer leia o meu livro!
Respondi tá bem quando me apetecer ler vou buscar!
No outro dia fui buscar o livro dela para passar os olhos e disse-lhe: vou ler um pouco do seu livro...
Noutra cama, uma senhora disse-me: Ó menina leia alto pois também gosto de ouvir.
Sentei-me junto dela e comecei a ler, abri o livro e li à sorte...os evangelhos, apercebi-me de que uma outra velhinha estava a dormir e para não a imcomodar e, eu já estava cansada de ler, disse:
- Vou acabar porque a senhora Maria está a dormir... e ouvi a voz dela:
-Não estou não, estou muito bem a ouvir o que está a ler , e a gostar muito, e continuei...
Eram os 4 Evangelhos (da Igreja Evangélica e os faziam parte da comunidade local).
(Naquela enfermaria as senhoras internadas já idosas eram todas analfabetas e agradeceram-me por lhes ter lido a palavra de Deus)
Que grande lição, e eu tinha deixado a minha biblia em casa, pensei em tudo para ler enquanto estava internada,menos na biblia, e nem na capela havia uma à mão.
Fico por aqui.
Obrigada pelas reflexões
avó guida

Lua dos Açores disse...

Em tempo frequentei um curso Bíblico e abria-a frequentes vezes. A Bíblia não é um livro de leitura imediata, há que ter preparação. As anotações que vêm em rodapé ajudam mas não substituem o esclarecimento da parte de quem sabe. Resumindo e sem tentar justificar, talvez o injustificável, o meu contacto com a Bíblia resume-se ao orar das Horas e à Eucaristia quase sempre apenas Dominical.

Mea culpa...

Anónimo disse...

Habitualmente não leio a Bíblia. Tenho ainda presente a catequese de criança e formação católica até à idade adulta.

Não é por acaso que à biblia se atribue o epíteto "O Livro dos livros" e portanto um livro que foi objecto de múltiplas interpretações de fés cristãs e de guerras e disputas em nada consentâneas com a verdadeira mensagem - paz e amor. Cito o exemplo notável do saudoso papa João Paulo II, na sua caminhada para o eucomenismo.

No meu modesto entender não se deve ler de ânimo despreocupado este livro que também sofreu na letra deturpaçoes graves fruto de contradições da história, no seio estritamente católico e nas interpretações/pontos de análise judaico e muçulmano.

Como individuo do meu tempo e abstraindo-me da caminhada do homem no tempo com os percalços - alguns antes citados - a minha conclusão perante os dogmas, que não se podem cientificamente provar, resume-se unicamente a factos muito simples: se tem a graça de se ter fé e acreditar ou não em Cristo e na sua tremenda mensagem.

Anónimo disse...

Não quero arranjar desculpas: infelizmente, passam meses sem abrir a Bíblia.
O que não signifia que não faça, digamos, "evangelização"( passe a vaidade...), nomeadamente na blogosfera!

quanto à segunda questão, é ,sem dúvida, voluntariado por quem mais precisa:DARFUR;Fundação Ajuda à Igreja Que Sofre( que eu entendo ser uma obrigação de todo o católico); missionários;órfãos e doentes da África,Ásia,etc.

Francisco Rodrigues