sábado, abril 12, 2014

O Domingo de Ramos

A Francisca é catequista dos mais pequeninos, aqueles que hoje chegam à catequese sem saber uma oração, por mais pequena que seja. Nem o anjinho da guarda, que recordo com tanta saudade. Veio-me contar, a propósito destas coisas dos pais que enviam os filhos à catequese, pese embora o princípio da boa vontade e da boa intenção, mas que não poem os pés na Igreja a não ser quando a festa da catequese acontece. Sabe o que me perguntou há dias uma mãe! Ah e tal, ó catequista, não é agora um dia destes aquela coisa dos ramos? Olhe, é agora antes da Páscoa ou depois? É que eu estava a pensar ir. Temos de ir benzer os ramos, não é? Dizia satisfeita do seu interesse em benzer os ramos, como se estivesse a mostrar o maior interesse nos interesses da catequista. A Francisca contava-me que ficara de cara à banda e não soubera responder mais que um É já no próximo Domingo.
Cá está a prova de que os pais precisam mais catequese que os filhos. E mesmo com interesses ainda enganados, vale a pena agarrá-los por estas coisas que a nós, o comum dos cristãos que vão à missa, nos possam parecer coisas de outro mundo. Afinal o outro mundo é também o mundo onde vivemos. Claro que fiquei triste pela constatação. Mas não quero perder a esperança nestes pais. Pior que não saber quando é o Domingo de Ramos ou para que existe uma cerimónia de bênção dos ramos, é estar convencido profundamente que não se podem comer verduras nesse dia, porque depois pode acontecer alguma coisa de mal na vida das pessoas. Pior que não saber, é estar sabedor de coisas, a meu ver, tão desajustadas. Acho eu. Que às vezes já não sei que achar.

8 comentários:

Luis Claudio LC disse...

Aqui de Maceió, capital de Alagoas, estado federado brasileiro, conheci casualmente seu blog, Padre... Gostei muito, o sr. não faz ideia quanto! Identifico o problema exposto por Francisca, a catequista, e refletido pelo sr., também aqui entre nós. Trata-se de algo que deve nos intrigar e provocar, animando-nos a agir na direção da família como destinatária de toda ação da Igreja, sob pena de falecerem as "boas intenções", ou seja as sementes morrerem sem germinar por falta de quem da terra cuide.

Anónimo disse...

A grande maioria dos cristãos não vai à missa.
A grande maioria dos cristãos põe os pés na igreja para assistir a casamentos e funerais.
A grande maioria dos cristãos não comunga, nem se confessa.
A grande maioria dos cristãos nunca pegou no evangelho.
A grande maioria dos cristãos sabe de cor o Pai Nosso e a Avé Maria.
A grande maioria dos cristãos sabe que Jesus nasceu no dia de Natal, foi crucificado, morreu e ressuscitou no Domingo de Páscoa.
A grande maioria dos cristãos sabe que na Sexta-Feira Santa não se come carne.
A grande maioria dos cristãos foi baptizado e fez a Primeira Comunhão.
A maioria dos cristãos baptiza os filhos e manda-os fazer a Primeira Comunhão.
A grande maioria dos cristãos já foi a Fátima e fez um pedido a Nossa Senhora.
A grande maioria dos cristãos lembra-se de Deus quando está em apertos e as coisas não correram bem com a Nossa Senhora.
A grande maioria dos cristãos sabe que o actual Papa é um tipo porreiro chamado Francisco.
A grande maioria dos cristãos não sabe o nome do pároco da sua paróquia.
A grande maioria dos cristãos é católico porque nasceu e vive num país católico.

É pena que os catequistas deste mundo se deixem paralisar pela ignorância dos graúdos e não aproveitem as oportunidades que a vida lhes oferece para catequizar. É pena que a ideia do “nós” se interponha entre “nós” e o mundo em que vivemos. Este mesmo.

Anónimo disse...

Do jornal A Guarda:

Em muitas aldeias do Distrito da Guarda ainda é cumprida a tradição quaresmal de Domingo de Ramos, que afasta verduras e saladas das refeições e impede idas à horta, a juntar a muitas outras tradições que são revividas anualmente pelos católicos.
Eugénio Cunha Sério, Cónego Penitenciário da Diocese da Guarda, contou que no Domingo de Ramos “não se comem verduras nem se apanham e as pessoas não vão à horta”. O costume antigo ainda é seguido “por muitos católicos”, explicando que é justificado “pela razão de que o Senhor [Jesus Cristo] se escondeu detrás dos arbustos, no Horto das Oliveiras”. “É um costume ainda praticado nas aldeias da região”, assegurou, referindo que nesse dia “as sopas são sem verduras, comem-se sopas de grão e outros pratos sem saladas”.
A tradição é seguida pelos habitantes de Vila Cova-à-Coelheira, no concelho de Seia, como confirmou a moradora Maria Gonçalves, 49 anos.
“Muita gente da aldeia ainda o faz e eu também. A minha mãe ensinou-me e pratico-o e hei-de deixar esse costume para os vindouros”, assegurou.
Salientou que naquele domingo “comem-se outros pratos onde não entra verdura, não se faz sopa de legumes”, optando “pela canja ou pelo grão”.
Também afiançou que naquele dia “nem à horta” vai buscar alimento para os animais domésticos. “Apanho a erva e a hortaliça na véspera e no Domingo de Ramos não vou à horta”.

barro disse...

13:59, em Israel, também existem empregados não judeus só para carregar no botão do elevador, para que aquele que é judeu não viole o Shabat, tocando com o dedo naquele botão nesse dia! Esse santo cónego parece que anda com a mente escondida detrás dos arbustos, no horto dos nabos que alimentam tais justificações absurdas, e que não ajudam em nada o povo a amadurecer a sua fé! Pergunto-me o que comerão as galinhas nos galinheiros desta santa gente nesse dia, isto é se alguma sobrou daquelas panelas de canja!

Anónimo disse...

Nunca pensei que o nosso povo fosse tão ignorante neste aspecto das verduras, no Domingo de Ramos.
Ò povo meu, deixem-se de supestições
baratas. De cabecinhas á bola...
Faz-me lembrar os fariseus que sempre atacam Jesus, quando Ele faz um milagre ao sabado.
Vamos abrir os olhos para o infinito.
E ver as coisas com o olhar de Deus, que só nos quer ver felizes.
bjs.

Anónimo disse...

Eu ao ver a ignorança daquela mãe, tive pena que as nossas catequeses não possam chegar aos pais das crianças.
É certo que é difícil!...
É certo que nem pais nem catequistas, estão disponiveis para abarcar filhos e pais.
É certo que o nosso mundo foge para o alto mar, porque na praia não podem encontrar o peixe preciso. Perante todos estes certos e não certos, está por vezes a nossa falta de disponibilidade, o nosso egoismo,a nossa falta de lógica, a nossa falta de amor a Deus e aos irmãos.
Sendo assim, Padre catequisa os teus catq. Que eles levem a Palavra de Deus ás suas crianças e aos seus pais.
Boa noite.

Anónimo disse...

Se Deus nos ama como somos,
Temos de O olhar como Ele é nos nossos irmãos!...
Todos temos limites...
Por vezes grandes...
Ajuda-nos Senhor.
Ajudar o que
não sabe.
Amar o que
não ama,
a fazer feliz
o infeliz...
abs.

Anónimo disse...

Na paróquia onde pertenço o primeiro ano de catequese é para pais e filhos. Os pais trabalham com um grupo de animadores/catequistas enquanto as suas crianças têm também as suas catequeses numa salinha ao lado. É uma forma de reavivar a fé, de os integrar na comunidade e também de os ajudar para que possam acompanhar melhor os seus filhos. Quantos pais não regressam á vida da comunidade e sentem vontade de aprofundar a sua fé depois desta experiência! Eu fui uma delas.