quarta-feira, abril 23, 2014

Como costumas reagir à ideia da tua morte?

A última sondagem proposta surgiu após uma mudança no aspecto do blogue, com novo banner, novas cores e nova música. Agradeço imenso aos votantes e aos comentadores que já antes me haviam ajudado a procurar e a tomar opções mais interessantes no aspecto gráfico deste espaço. Fica de seguida a votação.

Hoje, a propósito deste período que vivemos da Páscoa, tendo presente a paixão e morte de Jesus, lanço uma questão intrigante e pessoal: Como costumas reagir à ideia da tua morte?
Agradeço que justifiquem as escolhas nos comentários.

13 comentários:

Anónimo disse...

Nesta ponderação ("ideia da tua morte") não deveria também ter sido introduzida (além da "paixão" e "morte") o factor "ressurreição"?
Assim, tal qual como está, parece-me uma coisa muito macabra! Pensa no sofrimento que conduzirá à tua extinção... e conta-me como foi. Ui! Muito agradável, como deve calcular. Um pensamento positivo que vai alegrar o resto do meu dia.
Onde fica a Páscoa? Perdida no meu disto tudo. Caramba! Assim não dá!

Ruth Bassi disse...

Caro Padre,
Quando penso no dia da minha morte, sinto como que um mix de reacções.
Sinto pena de deixar este mundo e aqueles que amo (ou nem tanto). Sinto receio que ocorra numa altura em que não esteja suficientemente preparada
para me encontrar com Ele. E todo este conjunto me provoca alguma angústia...mas, afasto o pensamento, confiando Nele e fazendo o propósito (nem sempre conseguido) de que o "meu sentir e estar" me permitam encarar esse momento com serenidade e confiança Naquele que espero me irá acolher, apesar de todas as fragilidades que tive (ou terei) ao longo do meu peregrinar.
Por tudo isto votei "algum receio"
Um abraço
Ruth

Anónimo disse...

Bom dia,
Como reajo eu à ideia da minha própria morte?
Normalmente fico triste pois penso no meu filho ainda menor.
Outras vezes fico deprimida (e sem querer chocar ninguém) por vezes penso tudo se renova e cada um renovar-se-á quando se diluir no pó???!!!... um vazio toma conta de mim.
A fé que me assiste é um tanto limitada.
Frequentemente penso em viver aqui o melhor que puder e souber (dentro de determinados parâmetros) pois se não o fizer perco a oportunidade única.
Em todos os estados assiste-me a certeza de que o aqui e agora é determinante para tudo o que está para vir... a morte e/ou a ressurreição para uma outra forma de ser, estar e sentir sem as limitações impostas pelo mundo material.
Não desejo a morte... mas também não me a temo muito, claro que existe sempre uma ânsia secreta uma vontade de que essa "entrega" ou "passagem" seja feita sem dor, sem sofrimento... e nesse desejo existe também um pouco de Deus que me segreda sem palavra "Entrega-te nas minhas mão e nada tema".
Quase sempre sinto uma certa curiosidade... mas sem desejar aproximar-me do acontecimento.

Confessionário disse...

24 Abril, 2014 12:46

A ideia da Páscoa está implicita nalgumas respostas!

Anónimo disse...

“Como costumas reagir à ideia da tua morte?”
A morte em si não me assusta, desde que eu não dê por ela. O que me assusta é o processo agonizante que precede algumas mortes anunciadas e que poderá preceder também a minha. Não por culminar com a morte, mas por ser uma morte do corpo e do espírito de gente viva. Aquelas mortes desumanas, ruídas e lentas, de gritos e de sufocos, que te levam ao limite do que é possível aguentar. As que te fazem clamar pela morte como por uma bênção ou refrigério e em que ela tarda a vir. Assustam-me os períodos de permanências à beira da morte, os que te dão a oportunidade de palpares a tensão que se gera entre aqueles que tu amas e que te amam desmesuradamente e que te puxam com todas as suas forças para as suas vidas e para a tua própria vida e a senhora dona morte. Ou que te fazem perceber que não partes em paz, porque deixaste algo importante por fazer ou por dizer. Ou que amas tanto esta vida e és tão feliz e realizado nela, apesar dos dissabores, que perdê-la te é difícil ou mesmo insuportável. Assusta-me a morte dos que amo, não propriamente por morrerem, mas por saber que a sua morte traz irremediavelmente a morte à minha vida e à daqueles que os amam.
De resto o que é a morte morrida? A morte é a extinção de um ser físico. É um facto natural, certo e irreversível. O homem morre, como morrem todos os seres vivos. No entanto, o homem é o único ser consciente da sua finitude com inteligência bastante para “criar” Deus, e dar aso à sua ânsia de se perpetuar “ad eternum”, a si e aos que ama, através da ideia de ressurreição. O homem como criação de Deus ou Deus como criação do homem?! E, às vezes, na minha fé vacilante, penso que tudo seria mais fácil se Deus não nos ressuscitasse. Se nos limitássemos a crer n’Ele simplesmente por ser Ele, sem promessas de vida eterna.

Confessionário disse...

24 Abril, 2014 19:39

Gostei tanto do teu texto!
S´gostava que a certeza da tua ressurreição, como a de Cristo, estivesse mais clara. Mas gostei muito e fez-me pensar!

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e Confessionário.
Olá a Tod@s que por aqui passam.

Como costumo reagir à ideia da minha morte?
"Tem dias"...
A Morte de Pessoas Queridas entrou muito cedo na minha vida.
Felizmente, acreditava num Deus Bom, que não queria a morte dos seus Filhos. E essa crença - que eu sei, poderá parecer "datada" -, ajudou-me muito a suportar várias Perdas muito dolorosas, ao longo de muitos anos.
Só que eu próprio passei, durante anos, por uma daquelas "(...) mortes desumanas, ruídas e lentas, de gritos e de sufocos, que te levam ao limite do que é possível aguentar.". E aí sim, confesso que tive um verdadeiro pavor de morrer.
Mas, e aí discordo de si, Car@ Anónim@ de "24 Abril, 2014 19:39", Deus "Ressuscitou-me", há quase 9 anos, através de uma "Experiência Espiritual" muito bonita - em Comunidade. Felizmente que "Isso" aconteceu, pois tinha/tenho uma Família que necessita de mim - e me Ama.
Desde então, tenho procurado "Caminhar", com o apoio de Amig@s - entre os quais o P.e "Confessionário" -, no sentido de não perder a Esperança, mas porventura "purificando-a"/"amadurecendo-a". Se conseguir atingir esta "purificação" / este "amadurecimento", é provável que um dia possa dizer:
"Continuo a ter muito "respeitinho" pela morte corporal, mas Confio".
Até lá, espero que haja sempre Irmãos/ãs que me ajudem, não só a "conservar a vida que morre", mas sobretudo a "Construir a Vida que Não Morre". Com as mortes e consequentes ressurreições "quotidianas", até "Mergulhar no Mistério".

Continuação de Boa Páscoa!

Moçambicano

Moçambicano disse...

Uma das Pessoas que me marcou em 2013 foi José Gómez Caffarena, um Jesuíta Espanhol falecido em Fevereiro desse ano.

O P.e Anselmo Borges, pouco dado a a "fantasias do Além", citou-o no seu artigo "A jornada de Sábado", no DN, de 19 Abril corrente:

"O cristianismo tem a seu favor o imenso acerto de se apresentar como a tradição de um ser humano que enfrentou o mal com enorme dor, mas com a prevalência da esperança", reflectia o filósofo J. Gómez Caffarena. Na linha de Kant, que escreveu: "A balança da razão não é completamente imparcial: o braço que aponta "esperança do futuro" tem uma vantagem mecânica que faz com que mesmo razões leves que caem no seu respectivo prato levantem o outro braço que contém especulações em si de maior peso. Esta é a única inexactidão que eu não poderia e na realidade também não quero corrigir."
"Não é nenhuma estupidez nem loucura esperar": "O enigma que somos pode ter no Mistério para o qual abrem as religiões uma chave para uma esperança fundada", acrescentava Caffarena.

Outro forte Abraço.

Moçambicano

Anónimo disse...

"O homem como criação de Deus ou Deus como criação do homem?! E, às vezes, na minha fé vacilante, penso que tudo seria mais fácil se Deus não nos ressuscitasse. Se nos limitássemos a crer n’Ele simplesmente por ser Ele, sem promessas de vida eterna."
Também eu penso dessa forma algumas vezes.

Anónimo disse...

Moçambicano
Posso te dizer que a minha fé não é feita de certezas absolutas mas antes de convicções que algumas vezes se mostram mais firmes do que noutras. É uma fé em processo de construção, com as limitações das minhas vivências pessoais. Bem, nem sei se lhe posso chamar realmente “fé” devido às limitações de que te falei. Acredito que é em determinadas situações limite, como a que tu e outros já experienciaram, que a fé posta à prova e que passa pelo tal processo de purificação que mencionas. Não tens por onde fugir. És chamado a responder intimamente perante ti e perante Deus. Há um momento em que ficas ali nu, sozinho com Ele. E mesmo que tu não queiras o sofrimento e que faças tudo para o minimizar, mesmo que penses que não merecias passar por tal atrocidade, mesmo que estejas ciente que trilhas um caminho de dor que inevitavelmente te conduzirá à morte física, mesmo que vejas distorcido o rosto de um Deus Pai, amoroso e misericordioso, ainda assim, a verdadeira fé exige de ti a superação de todas as condicionantes e a livre aceitação do sofrimento como componente da tua vida. Esta aceitação não é mais do que a inteira entrega de ti nas Suas mãos, a exemplo de Jesus Cristo. Só que no teu caso, a tua confiança vai ser depositada num Ser que tu nunca viste materializado e que muitas vezes não compreendes. Tu, um simples ser humano, confias a tua dor, a tua vida, a tua esperança, submetes a tua vontade à Sua, antes de O entenderes, num acto de pura fé. Para isso, penso que Deus tem que ser sentido tão intimamente, estar tão presente em ti, que te é real e vive em comunhão contigo. É uma graça que poucos alcançam, ainda que lutem por ela. Apenas os santos conseguem calcorrear estes árduos caminhos exemplarmente e, mesmo esses, devem ter tido os seus momentos de fraqueza. Peço a Deus que se apiede das nossas fraquezas, compreenda os nossos momentos de pavor, e abra em cada um de nós uma via de fé, que suavize a dureza do percurso e nos ajude a “conservar a vida que morre”, a aceitar o fim da vida terrena e a “construir a vida que não morre”, na esperança perene das diferentes ressurreições.
Abraço

Moçambicano disse...

Car@ Amig@ Anónim@ de 26 Abril, 2014 17:31:

Muito Obrigado pelas suas Palavras.

Sabe, tenho procurado resistir a uma ideia muito "Ocidental", ou melhor, do "1.º Mundo" - aquele tão "civilizado" que inventou o Individualismo -, de que "Deus é um vazio à nossa beira"...
Em África e na América Latina - só para dar 2 exemplos -, os Cristãos, mesmo com um satisfatório/bom nível de instrução, não tendem tanto a ter essa perspectiva.

E é por isso que, p. ex., alguns Teólogos Europeus,que foram em "jovens" trabalhar para a América Latina, se "converteram", nomeadamente em contacto com as Religiões pré-"Cristãs" (ou melhor, a "visão Ibérica" do Cristianismo...).
Aconselho nomeadamente algumas leituras de Victor Codina sj, que "reclamou" pela re-valorização do Espírito Santo (pneumatologia), na nossa Cristologia ocidental.
"¿Por qué no se suicidan colectivamente los pobres?" - http://www.redescristianas.net/2010/12/13/%C2%BFpor-que-no-se-suicidan-colectivamente-los-pobresvictor-codina-sj/ -, é uma MeditAcção muito bonita (alguns dirão "visionária", "idílica", etc.), que vale a pena Ler - e Orar. E que nos pode ajudar a - pelo menos tentar -, caminhar no sentido da "Medida Alta" que refere:
"Só que no teu caso, a tua confiança vai ser depositada num Ser que tu nunca viste materializado e que muitas vezes não compreendes. Tu, um simples ser humano, confias a tua dor, a tua vida, a tua esperança, submetes a tua vontade à Sua, antes de O entenderes, num acto de pura fé. Para isso, penso que Deus tem que ser sentido tão intimamente, estar tão presente em ti, que te é real e vive em comunhão contigo.".

Uma vez mais, Muito Obrigado.

Continuação de uma Boa Páscoa, e um forte Abraço, para Si, e para Tod@s que por aqui passam.

Moçambicano

Anónimo disse...

Como reagir à ideia da mimha morte?
Gostava de saber o que vou encontrar para além da morte? Isso é uma pergunta impertinente que me faço connstantemente? Será que mereço o abraço do Pai? Será que o que faço aqui para Deus, não o faço sem merecimento algum?
Será que a minha vida não é uma bola de neve? etc etc?
Por todos estes conlitos interiores, por toda esta minha inserteza, Peço-Te Senhor a paz de coração. O pensamento positivo que me leve à ideia da Tua ressurreição.
E que a minha se eu a merecer, seja abraçada à Tua Senhor.
Padre reza por mim, para eu eu encontre em Deus a esperança e a alegria que me conduz ao Teu reio de Misericórdia, uma vez que hoje é o dia da Misericórdia.
Um abraço, obrigado.

Anónimo disse...

Como reajo eu à ideia da minha própria morte?
Neste momento reajo com naturalidade, é algo que irá acontecer.
Gostaria de não ter uma morte fulminante. Gostaria de ter tempo para me despedir (e a calma nesse processo) mesmo que isso signifique algum sofrimento físico.
Mas já passei por uma altura em que pensava que ia morrer, e senti medo, angustia e pedi tempo....mais tempo.
Geralmente digo que uma coisa é pensar em algo e outra é vivê-la, geralmente vivê-la é mais difícil e muitas das vezes diferente do que pensávamos.

Dulce