segunda-feira, abril 14, 2014

versão altamente inédita da paixão e morte de Jesus

NOTA: não aconselhável a leitores com problemas cardíacos!

A Eucaristia de Domingo de Ramos tem um Evangelho que não passa despercebido. Além de se ler a paixão e morte de Jesus, o tamanho do texto é bem acima da média. São umas boas oito ou dez páginas, aliviadas pela forma dialogada de três leitores. Por melhores que estes sejam e por mais bem preparados que se encontrem, é comum haver gafes pelo meio. Umas melhores que outras. Umas que não trocam o sentido das palavras ou das frases, e outras que as alteram completamente. Umas inusitadas e outras altamente hilariantes. E foi assim numa das minhas paróquias. A leitora até leu bastante bem. Mas para o fim já se mostrava cansada. Assim na cena final da paixão do Senhor, numa versão altamente inédita, temos o Centurião e os que com ele guardavam Jesus, isto é, os soldados, em vez de ficarem “aterrados”, ficarem enterrados. Tal seria o pavor. Mas nisto, vem o final apoteótico. E vemos Jesus na cruz que, clamando outra vez com voz forte, espirrou. Nesta versão Jesus não “expirou”. Espirrou. Não é uma versão má de todo. Espirrar é melhor que expirar. Devia estar constipado o nosso Jesus. Da próxima vez, antes de ir lá para a cruz, que tome os remédios.

9 comentários:

Anónimo disse...

Boa noite, as gafes as vezes sao inconvenientes, mas a maior parte das vezes sao hilariantes, mas esta ate e melhor, pois seria melhor Jesus so ter "espirrado" do que expirado...

Anónimo disse...

Confessionário,
Mais um sorriso "escancarado" no meu rosto.
Magnifica esta sua forma de relatar acontecimentos.

Permita-me deixar aqui também uma história vivida na primeira pessoa.
É recente e este seu relato avivou em mim o sucedido. (Às vezes sinto-me uma autêntica anedota)
Sentei-me lado a lado com o confessor, um padre novo na casa dos quarenta (julgo eu) comecei por lhe dizer, num tom carregado, que o meu grande pecado era sentir-me afastada de Deus, os outros pecados seriam muito pequenos quando comparados com esta falha.
Do fundo dos olhos escuros olhou-me demoradamente, pareceram-me pretos (adoro olhos pretos) e disse num tom de voz calmo, "...sabemos que Jesus Cristo morreu, ficou lá no túmulo durante algum tempo... poderíamos pensar que ele nos havia mentido ou deixado, quando ele aparece vivo e exclama (aqui o tom de voz elevou-se, além de ter aproximado a cabeça junto do meu ouvido) AH! AH! enganei-vos a todos", dei um pulo no banco e pus-me em pé. Todos os olhares se viraram na nossa direcção... fiquei ali em pé sem reacção.
Ele pegou-me na mão e puxou-me para me sentar de novo junto dele.
Deus trabalha fortemente em si, não se surpreenda pois poderá ser dessa forma que lhe pode acontecer, um dia sem esperar apanhará uma surpresa tamanha que se levantará e caminhará de mãos dadas com Ele.
Valeu a intenção, mas confesso que não imagino Jesus Cristo a fazer uma figura daquelas por muito bem humorado que fosse, mais depressa imagino os soldados "enterrados" na própria maldade ou Jesus Cristo a "expirar" devido ao pó.
No entanto a situação suscitou muitos olhares curiosos, alguns sorrisos e também dever ter dado assunto para as senhoras bem intencionadas lá do sitio.
Fique bem,

BOA PÁSCOA.

Anónimo disse...

Qual cansaço! Nada de desvalorizar a fabulosa interpretação desta actriz amadora que com a sua genial capacidade de improviso converteu um clássico hardcore numa versão refrescante e livre da Paixão de Cristo. A radicalidade da representação em nada comprometeu, apenas sublinhou a coerência interna (Cristo desnudado na cruz, constipação certa) e a componente fortemente dramática (os enterros e o “AAAAtchimmm!” final) do texto original, abrindo caminhos nunca antes desbravados que remetem para uma outra dimensão. A viral.
Uma actuação experimental, irreverente, arrojada, intuitiva, despojada de facilitismos mainstream, a apelar brilhantemente à natural interacção com o espectador, que é irresistivelmente impelido a assaltar o altar para dirigir um sentido “santinho” ou um terapêutico “saúde” ao seu Senhor. Fora dos círculos habituais.

Deixe-se contagiar e reserve já lugar na missa indie mais perto de si.

SIRF disse...

A big smile :-D

Anónimo disse...

Os seus paroquianos adoram inovar :)Uma Santa Páscoa

Anónimo disse...

Fartei-me de rir...
Nesta semana santa, acho que este texto é uma boa forma de olharmos para a cruz de Jesus a sorrir!

Ana disse...

Muito bom, mesmo :)

Um Santa Páscoa!

Anónimo disse...

que fartote de rir

Anónimo disse...

ó que fartote de rir...