sexta-feira, maio 07, 2010

Hoje não faz escuro aqui, mas cinzento

Tinha saído de casa porque não estava lá muito bem. O dia estava frio. Eu também. Era daqueles dias em que vejo muita televisão. Quer dizer, olho muita televisão. E mudo de canais. São quatro. Mas parecem-me vinte e um. Não sei o que está a passar. Olhos fixos nos pontinhos do écran. Tenho o casaco comprido vestido porque não o despi. E o cachecol. Era um desses dias. Daqueles em que vejo muita televisão porque não vejo mais nada. Na rua fazia um escuro danado. Não o distinguia. Como se houvesse um lado de lá e um lado de cá e ambos estivessem pintados com a mesma cor, o escuro. Não havia ninguém àquela hora. Mesmo que houvesse, acho que não ia dar por isso. Percorria a rua do cemitério, a pé, quando me pareceu, Não. Não pareceu. Era mesmo a sonhar. Estava ali sozinho.
Entro na Igreja. Entro no confessionário. São 03 horas da manhã. Está apertado e sinto-me sufocar. Hoje não faz escuro aqui, mas cinzento. Nublado. É um daqueles dias em que me sinto sozinho. E nem tenho vontade de falar comigo. Os padres têm dias assim. Se calhar todos temos dias assim. Por isso, volto-me para Deus e murmuro: “Estás a ouvir-Me!”

36 comentários:

D. R. disse...

"Se calhar todos temos dias assim."

Eu tenho, sem dúvida. Mas Ele ouve. :)

É o que dá alento. :)

Parabéns pela reportagem do dia 2 de Maio na revista do Correio da Manhã. Fico feliz por o seu trabalho ser reconhecido. Muito merecido.


Beijinho*

Maria disse...

Senhor Padre,
se temos dias assim, claro que sim. O senhor como confessor sabe bem que sim. Há dias e dias, meu amigo. Agora mesmo acabei de entrar no meu blog e lembrei-me que ainda não tinha rezado quase nada hoje. Fiz por escrito uma oração à Virgem, era a minha alma que queria falar, mas os meus lábios não. O melhor que consegui, foi um, ai Jesus...parece que tudo à minha volta é uma solidão tão grande e tão profunda, que parece que estou fechada num mausoléu, salvo seja. E chega de queixas vamos lá alegrar-nos que estamos no mês de Maria e Ela não vai gostar de nos ver tristes.
Beijinho fraterno.
Maria
P.S. tem de me visitar de novo, fico à espera.

I. M. RODRIGUES disse...

Pois, também eu tenho dias assim, triste, só, inútil.Dias em que não consigo sentir Deus.

Teodora disse...

ó pe.

desculpe o meu comentário, mas acontece-me entrar em casa e até achar que está mais escuro do que lá fora, porque esqueço-me de tirar os óculos de sol, por isso, entro e acendo a luz até circular pela casa e perceber que há algo de errado.

outras vezes estou sem óculos e ainda mal entrei e já estou a sair.

só uma pergunta: aquele pe. da foto é o senhor?

Anónimo disse...

Compreendo.
Estou consigo.
Rezo por si.

Confessionário disse...

Olá, teodora
Não, não sou eu o da foto. A entrevista foi feita por telefone.
E já apareceram mais pedidos de entrevistas. mas não sei se é isso que Deus quer de mim e deste espaço. Eu quero que este espaço seja nosso e Dele. Não sei se precisa de ser mais do que isso!

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e Confessionário!
Olá a Tod@s.

Pois, Tod@s temos dias assim, sobretudo se pretendemos "remar contra a corrente".
Se pretendemos ser Testemunho Credível.
E esse "ser Testemunho", nos Padres Católicos, pode implicar horas de grande solidão.

A única coisa que nós - os seus amigos -, podemos fazer, é testemunhar-lhe a nossa proximidade e rezar consigo. E assim, Tdos Unidos na Esperança, lá nos vamos dando forças uns aos outros para irmos vencendo os sucessivos momentos de solidão e de desânimo a que cada um de nós está sujeito, nesta Preregrinação Comum.

E o resto é demagogia, porque "os Santos são raros"...

Um forte abraço deste seu amigo

Moçambicano

Canela disse...

Cinzento... faz parte da paleta de cores :/ e a vida, é como uma paleta de cores...

Quanto á reportagem, compreendo que não seja essa a função deste blog... aliás, foi muito bom manter o anónimato. Sendo anónimo, puxa outros anónimos, pessoas que não querem ser reconhecidas, vistas... mas que no fundo desejam e precisam de ajuda, ou apenas acolhimento.

Nós católicos, deviamos meditar bem nesta palavra: Acolhimento.

A Paz de Cristo

Anónimo disse...

os dias cinzentos tornam os dias coloridos mais coloridos

Anónimo disse...

Mais reportagens, confessionário?!

Eu acho bem que a Igreja dê a cara. Mas também não sei se é o melhor para este teu sítio.

Já agora, reportagens para onde mais? desculpa a curiosidade! lol

Number Ten disse...

Olá Padre.Gostei da sua entrevista ao CM.Ás vezes estas entrevistas também são necessárias na perspectiva de dar a conhecer este tipo de relacionamemto tão importante para tanta gente.
Quanto ao seu último post percebo-o muito bem.Como toda a gente já tive dias desses e o facto de repente perceber que o Padre também os tinha tocou-me profundamente.São dias duros, parece que não temos saídas, mas de repente o nosso grilo falante lembra-nos que Jesus está sempre a par dos nossos problemas e ao nosso lado.Gostei muito do texto.E de si, mesmo virtual, nem sabe o bem que me faz!
Mafalda

disse...

Mais reportagens? Ná... Venham procurar os lucros do protagonismo para outro lado. Para esse peditório NÃO dou!!!

Comento -neste blogue e em mais dois ou três que me merecem confiança- porque entendo que cada cristão só o é com o outro. Umas vezes concordando outras discordando. SEMPRE com o propósito de colaborar de forma construtiva. Mas a exposição é arriscada. O universo de quem nos lê é demasiado vasto. Muita gente incógnita espreita e sai sem deixar rasto... Começo a sentir medo e a prudência raramente é má conselheira...

Se calhar também estou num dia cinzento... não liguem! Mas, caro confessionário, cuide dos seus penitentes...

Um abraço amigo!

Confessionário disse...

Pois, amigos


Na "Família Cristã" deve estar para sair. Mas esse é o nosso meio ambiente!

Recebi tb um convite para a RTP.

MAC disse...

Boa tarde

Parabéns, por tudo. Continue o seu belo trabalho e aceite todos os convites que o seu coração lhe aconselhar. Gosto muito, muito, de o ler. Os seus escritos transmitem-me paz e alegria. E lágrimas também. Que Deus lhe dê força e sabedoria para continuar a despertar consciências e evangelizar, mesmo que seja de forma virtual. Abraço em Cristo
MAC

Teodora disse...

ora bem... o reino da informação é o que se tem visto... pois, prudência que rima com potência.

eu gosto desta vertente do desconhecido...

mas olhe da próxima que venham entrevistá-lo, que estudem a lição se fazem favor, porque a religião não está ao nível da última colecção da fátima lopes. não chega dizer que é gira, segue as tendências de milão, nova york e da semana de moda da cibelles. é mais complexo. um poucochinho só. só um poucochinho mesmo.

olhe padre a da rtp se for com aquele rapaz que trata dos assuntos religiosos, que está um pouquito mais gordinho e algo mais liberto,(não sei se é a palavra)com ar de quem casou há relativamente pouco tempo, está muito bem. se for com aquele senhor pseudo-intelectual que acha que percebe de tudo(bichano), não. atenção que os bichanos são nossos amigos e muito divertidos. mas neste contexto não.

hoje apetece-me mandar-lhe beijos! beijos! muitos!

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo "Confessionário"!
Olá a Tod@s!
Bom Domingo!

Queria deixar aqui - em público -, a minha opinião sobre a questão do anonimato, neste "Círculo de Amigos".

Penso que é importante que, antes de mais, o próprio nosso Amigo "Confessionário" se resguarde um pouco do "vir à luz da ribalta".
Assim ele estará mais à-vontade para partilhar connosco os seus sentimentos, as suas emoções, as suas inquietações, as suas esperanças.
É que de facto uma das coisas boas deste Blogue é o Diálogo "no mesmo patamar"...

Depois, e decorrente desse "resguardo", há o anonimato de cada um de nós, que comentamos. Todos temos a possibilidade - eu já o fiz -, de nos identificarmos perante o nosso Amigo "Confessionário", até para ele saber "com quem lida". Ressalvando esta identificação, o anonimato permite-nos, como uma Comentadora disse anteriormente, estar nomeadamente salvaguardados de quem "visita" o Blogue pontualmente, e nem sempre com a melhor das intenções.

Quanto à Divulgação desta Forma de Evangelizar, não tenho nada a opôr. Era muito bom que muitos Padres seguissem o exemplo...

Um abraço para Tod@s!

Moçambicano

Teodora disse...

afinal o bichano é da tvi!

Anónimo disse...

sr.padre tive pena de nao ver a sua entrevista no correio da manha , foi pena. quanto aos dias mais cinzentos todos nos os temos , e voces padres nao sao excessao , e preciso e nunca vacilar e ganhar coragem para seguir em frente , e nao se esqueça de que tem muita gente que gosta de si , e dos seus escritos e se se quiser dar a conhecer e porque o Senhor quer que assim seija , ponha isso ao cuidado dele que lhe dara a resposta, mas nao deixe de escrever para nos , um abraço.

Isa disse...

Não, não sabia que os padres também tinham esses momentos. Eu achava que os padres não passavam por isso...que não têm probelmas...que não se sentem tristes ou angustiados...

O texto bem podia ter sido escrito por mim. É assim que me sinto...há dias, semanas, meses..

Sinto que Deus se esqueceu de mim.

Gosto da forma como escreve.
Bem haja.
Abraço e espero que os seus dias se tornem bem mais coloridos.

noctivaga disse...

Eu tambem li a entrevista e fiquei admirada com a idade do Sr. porque, nem sei porquê, fazia-o mais velho mas afinal é um jovem da minha idade:):):)
Quanto ao tema do post: A solidão é terrível. É dificil ser-se padre...Não é tarefa para qualquer pessoa, por variadíssimas razões. Admiro a vossa capacidade de dizer sim ao vosso chamamento. Nas minhas orações rezo sempre pelos sacerdotes. Apesar de não o conhecer pessoalmente, tenho-o como um bom amigo. Um abraço em Cristo.
Ana Ramos (Beja)

Anónimo disse...

Olá Bom dia...
Se calhar todos temos dias assim. Por isso, volto-me para Deus e murmuro: “Estás a ouvir-Me!”
Se temos, eu por mim falo, mas desses dias temos que fazer radiar o sol.

Anónimo disse...

Os media já deram cabo da vida a muito boa gente. É preciso ter cuidado. Uma coisa lhe digo tem Amigos verdadeiros por aqui. Os comentadores pouco têm a perder porque se quiserem o anonimato é preservado.

Maria Zete disse...

Caro Confessionario.
Dias cinzentos todo nós vivemos, também os Padres, pois que são seres humanos. Os dias assim, fazem parte do nosso "está vivos", fazem parte da vida. Eu mesma estou já há alguns dias assim, vendo tudo meio que cinzento, quando estou assim, nem rezar consigo, muito embora tenha certeza de que Deus está ao meu lado.Forças pra ti e pra mim.

Anónimo disse...

Olá.

Interessante este post.
Fez-me lembrar alguem...
Ontem depois de um domingo meio atribulado, cheio de compromissos com a famelga e com a comunidade. Consegui ter um pouquito de tempo para mim. Eram cerca das 6 horas da tarde. Um livro, um filme na TV, uns copos com os amigos, era uma das varias coisas que podia fazer. Mas o dia estava cinzento, cinzento como o teu conf. Pegei nas chaves do carro e fui dar uma volta, sem destino. Um punhado de minutos depois parei na vila perto da minha aldeia. Queria uma porta aberta , e encontreia.Ainda agora estou a saboriar os minutos que fiquei sentada a olhar...Olhei tudo. O sacrario, Cristo na Cruz, os varios Santos, as flores, as rendas que ornamentavam os altares, o soalho de madeira... Aquele silencio, aquela tranquilidade... Já era a segunda vez naquele dia que entrava na igreja. Mas aquele momento foi tão diferente, tão intenso...

Um abraçito!

Alexandra

teresa disse...

pois é amigo padre , sem dúvida que todos temos dias assim ,,.
em que tudo nos parece escuro , igual , sem graça ..
mas amanha o sol brilha outra vez ..

beijinhos ..

js disse...

Ó Confessionario, em relação à(s) entrevista(s), e sobretudo ao que poderá/deverá ser este espaço blogueiro, e já que anda no ar um certo histerismo sobre o que o Papa vem/vai dizer, talvez valha a pena ler com calma a sua mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/communications/documents/hf_ben-xvi_mes_20100124_44th-world-communications-day_po.html

disse...

Vamos ver se eu explico a reacção que tive… Sei perfeitamente que a hierarquia da Igreja já se apercebeu da força das tecnologias da informação, concretamente da net, na difusão e mobilização das pessoas principalmente os jovens. Este facto, aliado ao reduzido número de sacerdotes e à fraca motivação de muitos para rever modelos de evangelização, justifica que se incentive os padres a estarem presentes nestes espaços. Com todos os riscos inerentes, não se vislumbra outra saída. Se o conteúdo por eles veiculado for neutro, tudo a correr sobre rodas… Agora quando deliberadamente se introduz uma componente menos ortodoxa -como acontece neste blogue- o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro. Não é ser agoirenta, é ser realista e frontal e amiga… Há falta de valores, há profissionais do oportunismo sem qualquer tipo de escrúpulos. Para ser franca não gosto do trabalho do Correio da Manhã -aposta demasiado no sensacionalismo das notícias- e não gostei da entrevista. Limita-se a transcrever excertos de postes e dá uma imagem demasiado simplista do Confessionário. Se o que ele escreve aqui é mesmo sentido e vivido –acredito que sim- então quero mais para ele porque o merece. Se os postes forem apenas historias então é melhor calar-me… Fiz-me entender?
Um abraço a todos/as! Ao Moçambicano, em particular, porque é o único rosto que conheço ao vivo e a cores…

AVOGI disse...

O que faz um padre às 3 da manha? na igreja? não creio , mas enfim... bem cá ter vinda dali de outro lado. agora já disse uma coisinha e vou embora pregar para outra freguesia. kis :) Ah e vou (per)seguir o blogue, sem penitencia claro. voltarei aqui quando menos so senhor padre esperar entrarei pela porta da sacristia kis:):)

Eu... disse...

...Sempre tive a ideia que um padre raramente se sentia sozinho...mas pelos vistos engano-me!

Quando fez a pergunta"Estas a ouvir-me?"...sentiu-se menos só??

Espero que sim...

Bjinho*

Confessionário disse...

A pergunta "estás a ouvir-me" foi como que um berro... um berro como aqueles que damos a alguém que amamos para lhe chamar mais a atenção, mas de quem temos quase a certeza de nos estar a ouvir. A dúvida é se nos presta a atenção que queríamos.
E quando berro assim com deus, pelo menos fico aliviado.

Anónimo disse...

Não enjeito a solidão, busco-a. É minha alma gémea. Minha necessidade e vício. Entretemo-nos horas e horas a fio. Sem ela por perto, o meu ar satura. Mas não quero que seja a minha única, nem melhor companhia. Aliás, se isso alguma vez acontecesse, teria que a matar (e faz-me mesmo muita falta). Apesar de me estar profundamente entranhada na pele, também me ferra os dentes. A presença da solidão, força a olhar para o interior de nós próprios. Não vê-mos só brilhos e luzes. Dias há em que me penso, repenso, aumento, diminuo, condeno, absolvo… Até à náusea de mim própria. Nestas alturas, só me apetece sair fora de mim, mas não consigo largar-me em lado nenhum… Aliás, quanto mais me penso, mais agarrada fico à ideia que tenho de quem sou… E sei que não sou aquilo que penso porque ao pensar-me só me imagino… E depois, penso ainda, estando eu tão presa à ideia de quem sou, como sei que estou, conseguirei eu acrescentar-me, de modo a vir a ser mais do que a ideia que faço de mim própria?

Confessionário disse...

mas continua cinzento?!

Anónimo disse...

Às vezes estamos tão enredados na ideia que temos de nós próprios, que já não nos conseguimos descobrir, não nos acrescentamos, não saímos do mesmo rango-mango. Rodamos em espiral como o parafuso. Estou em dia não! Estou tão farta, tão farta de mim própria, que me apetecesse sair, sem me levar atrás. Diz-me tu, que cor é que lhe dás?!

Confessionário disse...

experimenta uma pinceladazinha de um tom mais vivo, sei lá, pode ser só um azulinho ou um laranja. Vais ver como faz logo a diferença, por mais pequenina que seja a pincelada. Além disso, no meio do cinzento ou do preto, ou do branco, sovressais sempre outra cor, por mais pequena que seja a sua pincelada.

Anónimo disse...

O dia hoje está frio, mas azulinho. Não nasceu para tristezas. Obrigada pela vitamina C., vou comer uma laranja!

Anónimo disse...

Hoje acordei, nada bem. Agradeci estar viva, mas não encontrei o motivo. Sonhei que chorava no ombro do padre. Que agarrava a mão do padre. Não suportei abrir os olhos e ter de admitir que este vulto paira no meu inconsciente como um fantasma perante a incapacidade do meu coração para expulsá-lo. O pior foi descobrir que se antes me sentia presa, actualmente agarro-me como se não houvesse vida. Mas haverá vida? É porque não tenho vida. Talvez já não tivesse vida. Loucura. Posso dar-lhe razão, se Deus desejar que lha dê, uma vez que só Ele pode justificar o que é Seu. Não vou precisar culpas para comigo, mesmo sabendo que tendemos sempre a encontrar um responsável ou para ser acusado ou para ser vitimizado de forma a procurar reparar as nossas limitações, os nossos erros, as nossas angústias. Mas os sonhos não perdoam, mostram-nos tudo! E no entanto não sei se quero ver, interpretar, analisar. Não me atrevo a apontar. Há sentimentos que nos invadem a mente, o inconsciente a alma sem nossa autorização. Sinto-me perdida. Perdida. Confusa. Tudo está obscuro e sem Deus. Sinto-me capaz de morrer. Hoje não consigo ver senão a profunda escuridão da existência... Talvez eu não tivesse desejado acordar do sonho.
Ainda bem que encontrei este texto, senti-me por minutos menos só.