sábado, setembro 29, 2007

Como é que o stor aguenta?

A aula estava, como sempre, em rebuliço. Eram miúdos complicados, mas gostavam de aprender a vida. Demoravam a sentar nas cadeiras. Demoravam a assentar o silêncio. Porém, passados que fossem cinco minutos, prestavam atenção ao que eu falava. Só que mais não fosse, para me poderem confrontar e questionar. Para me medir o pulso. Hoje em dia os jovens são muito assim. Dispersos, mas com sede de perceber a sua vida. E no meio de uma situação normalíssima de uma aula de EMRC o Luís soltou descaradamente a pergunta. Ó stor, não lhe custa essa coisa do celibato? Como é que o stor aguenta? Não tinha absolutamente nada a ver com o assunto da aula. Mas respondi no segundo seguinte, como resposta à sua pergunta, que ainda era novo. Todos franziram as orelhas. Pois, por isso mesmo, stor, disse outro. O stor ainda é novo. Quando for velho é que vai ser mais difícil, acrescentei. Ó stor, retornou o Luís. Atão mas agora, que é novo, não será mais difícil?! Os olhos estavam todos à espera que explicasse. Não tinha sentido algum a minha afirmação. De novo é que a gente tem as hormonas aos saltos! Deixei que a sala parasse. Virei costas e escrevi no quadro, enquanto perseguiam o barulho do giz: Quando tivermos menos forças, será mais difícil encontrá-las.

42 comentários:

elsa nyny disse...

(........)
Deixo-te o silêncio das palavras...as palavras já as ouvistes da boca de uma criança...

Convido-te a escreveres uma carta por Darfur - http://eu-estou-aki.blogspot.com -

bjts

Daniel disse...

Desde o final do mês de Junho que fiquei sem possibilidades sem fazer nenhum artigo. Agora visto já ter Internet (ALELUIA), posso retornar a fazer o que gosto.
Desde já agradeço todas as visitas feitas ao meu blog (Biblos) e espero que retornem periodicamente.

danielaurelio.blogspot.com

nuno alexandre disse...

Quano ao celibato, há uma coisa que me vem à cabeça.

O Filho de Deus não era casado (porque não o foi em Deus).
O Espírito Santo, tanto quanto se sabe, pode ser pleno de Amor mas não foi sacramentado com o Matrimónio.

E um sacerdote? Deve ser feito à imagem e semelhança dos seus semelhantes?
O Padrão dele foi?

O Padrão Casou-Se e teve Filhos? Quando? Quando estava vivo?!

Porque será que ao longo do tempo as pessoas vão nascendo e vão livre e responsavelmente degradando e personalizando as coisas de que não foram elas origem mas das quais deveriam elas ser beneficiárias?

Frequência Jovem disse...

Parece que o celibato é um mistério para alguns jovens... Mas a sua resposta esteve à altura!

Anónimo disse...

"Esvaziar a tomatada" não tem nada a ver com EMRC nem com sacerdócio. O amor sagrado é que tem. E como o amor sagrado não comunga com o profano, é natural (além de ser natural ser humano) que um sacerdote cristão não se case com uma semelhante carnal mas com Uma sagrada, a divindade (bem, um casar no sentido de namoro porque ainda não se viu tal casamento eheh). Mas aí é que está: se amas, enamoras-te. E não te enamoras com mais do que uma pessoa ao mesmo tempo.

Anónimo disse...

Não me viu...mas estava no meu desses alunos. Só que eu faria a p
ergunta :"porquê" e não "como".
Abraço
Filó

Ni disse...

Forças fisiologicamente tão diferentes: a das hormonas e da a falta de forças...
Não acredito que alguma delas seja fácil de suportar e/ou superar... mas acredito que encontrem outras que ajudem a continuar a seguir e partilhar ideias e ideais... e que, com tanta gente sempre a vossa volta, tenham mãos que segurem e pouco tempo para deixar sentir a eventual falta de forças.

Nenhuma destas, mas... Força!

anawîm disse...

eheh... olha... fiquei sem palavras...

está bem.

disse...

Nos primeiros 90 anos custa um bocadinho mas depois passa!:)))) Um abraço

nuno alexandre disse...

Quero fazer uma nota ao que eu disse: acredito (justamente) que um padre pode estar enamorado de uma pessoa (o amor é uma bem-aventurança; sim, saber que está apaixonado por essa pessoa e essa pessoa também saber que o está, e comungarem, em verbo, desse amor que possuem; é que o amor de um ser humano por um outro determinado é subsidiário do amor único e universal da divina fonte), só não me parece apropriado que ele mantenha uma relação carnal (coisa que define um conjunto de práticas) com essa pessoa tendo assumido uma correspondente espiritual com a divindade. E exemplifico com as palavras deste padre sobre o seu dogma do amor sacerdotal (amar cada um com o amor com que ama todos os semelhantes desse mesmo i.e. ter num qualquer dos semelhantes dele o padrão do amor que recebe de uma origem que não tem forma nem limite): o amor sagrado é monógamo (atenção que isto mesmo iliba o sacerdote casado; a verdade não classifica objectos mas a si própria) (é monógamo porque possui uma origem e um destino, os quais até são um mesmo), daí que não possa ser duplicado nem multiplicado.

nuno alexandre disse...

Padre, gostava de te agradecer isto: fazes da tua voz a voz dos teus semelhantes, como um peixe que fala.

Luís disse...

Quando se é novo, é possível (ainda) disponibilizarem-se forças para a força-de-vontade e para o resto. Mas o que é isso ‘força-de-vontade’, compromisso para toda a vida, numa sociedade que prefere oferecer preservativos, a acreditar na felicidade da força dos valores e da vontade?
Mesmo que os padres possam vir a ter mulher e filhos, não lhes faltarão ocasiões para pôr à prova a sua força-de-vontade, pois quem se casa não fica livre de problemas. Ter uma família pode ser mais normal em certos aspectos, mas alarga o leque das dificuldades: A educação dos filhos, a manutenção da casa e da família, a questão do divórcio, as situações de relacionamento de proximidade e de confidencialidade, …
Mas a sociedade deseja trazer os padres para essa área de conflituosidade, pois, presentemente, pensa que a plena disponibilidade está assegurada.
É um pôr à prova!
Assim, parece-me, que, no futuro, será mais fácil ordenar casais, do que casar padres.
E compreendo que alguns padres procurem (alguma) estabilidade emocional e afectiva e nem sempre se aguentem no seu celibato e acredito que isso possa contribuir para a sua realização como pessoas. Mas muitos também sentirão não menor realização e alegria por terem superado e vencido essa tentação. Não sou o Luís da aula, mas também me interrogo 'como se aguenta?'
E às vezes não será mesmo nada fácil!!!

Kephas disse...

Neste Verão estive a ler um livro: "A História da Igreja" de Philipe Foucault.

Como acho que a maioria das pessoas (mesmo algumas que defendem o celibato) não percebem o porquê da decisão da Igreja em não aceitar o casamento de sacerdotes (e como já adivinho alguns comentários), penso que convém contextualizar.

A verdade é que nem sempre houve celibato entre sacerdotes católicos, mas a Igreja sentiu necessidade de encontrar um mecanismo de "filtrar" as verdadeiras vocações.

Quem quiser gastar uns minutos a ler um comentário maçudo, mas informativo, prossiga:

27-29 d.C.
Jesus começa a pregar e funda a fé cristã. Jesus (exemplo para todos os cristãos) cumpre a sua missão como celibatário, completamente desapegado de tudo e todos para melhor se poder oferecer a toda a Humanidade.

Na verdade, já o seu precursor, S. João Baptista era celibatário pois era um essénio (eremitas ascetas que pregavam no deserto).

O celibato de Jesus é atestado pelo facto de não haver qualquer menção a uma esposa ou filhos em qualquer parte do Novo Testamento. As teorias New Age que acreditam numa relação de Jesus com Maria Madalena são especulativas e carecem de qualquer substrato histórico.

Ainda a favor do celibato de Jesus estão certas partes da Bíblia em que Ele fala em deixar a família para O seguir, imitando o Seu desapego a tudo o que pertence a este Mundo. A este propósito o próprio Jesus prega que alguns, por “Amor aos Céus” devem abster-se do casamento: Mt 19, 10-12

40-60 d.C.
S. Paulo (também celibatário) afirma que quem casa faz bem mas que quem não casa faz melhor, pois pode dedicar-se melhor a Deus. 1Cor 7, 8-40

Séc. I -IV d.C.
Surgem grandes discussões no seio da Igreja sobre o celibato dos ministros sagrados. Declara-se que este é aconselhado, mas não obrigatório.

Uma excepção apenas: a nossa Ibéria. No séc. IV, no Concílio local de Elvira, foi definido que todos os ministros sagrados estavam obrigados ao celibato sob pena de degradação. Como era um concílio local, apenas os sacerdotes hispânicos foram sujeitos a essa obrigação.

De notar que, ao contrário de muitas igrejas europeias, que entraram em decadência com a queda do Império Romano, a Igreja na Hispânia sempre foi florescente em termos de produção teológica, evangelização dos seus fiéis (mesmo nos meios rurais mais inacessíveis) e equilíbrio com o poder temporal, até à conquista da Península pelos Muçulmanos (séc. VIII).

Séc V-VI d.C.
S. Bento de Nursia funda o primeiro mosteiro. Os religiosos das Ordens monásticas seguem uma ascese escrupulosa e têm um grande sucesso por toda a Europa.

Séc. IX-XI d.C.
Grande decadência da Igreja. Os imperadores e reis intrometem-se constantemente em assuntos eclesiásticos e a ausência de celibato obrigatório permite a entrada no clero de vários “afilhados” (para benefício divino dos respectivos “padrinhos”).

Não há qualquer controlo sobre quem adquire cargos eclesiásticos. Muitos chegam lá por compadrio. Quem não tiver “padrinho”, pode sempre comprar o seu cargo (chegou a haver leilões de dioceses).

Muitos sacerdotes nem sequer se casavam… limitavam-se a entregar-se a concubinas, por vezes formando autênticos haréns. Alguns bispos tiveram de expulsar das respectivas dioceses as concubinas dos padres, pois estas atentavam contra a castidade dos fiéis.

Dos casamentos resultavam filhos que tinham assegurado um lugar no “negócio da família”. Caso não quisessem ser padres, podiam sempre viver à custa do dinheiro pertencente à Igreja (muitas vezes com prejuízo para os pobres). Surgiram conflitos de heranças entre os filhos de padres e a Igreja.

Os sacerdotes não cumpriam as suas obrigações (e, muitas vezes, nem tinham formação para as cumprir), deixando os fiéis a seu cargo entregues a um misto de religião cristã e superstição.

Também nos mosteiros predominava a promiscuidade. As ordens religiosas entraram em declínio.

Séc. X-XII d.C.
Fundação da Ordem de Cluny, que pretendia um retorno à verdadeira ascese que antigamente era apanágio dos mosteiros. Sob a direcção do abade Hugo, o Grande, que herdara 70 conventos desta ordem, os conventos multiplicam-se para 1200.

Também são fundadas, com o propósito de renovar uma vida totalmente entregue a Deus, as ordens dominicanas, franciscanas e cistersienses, que tiveram grande êxito. S. Bernardo de Claraval, da Ordem de Cister, funda aproximadamente 350 mosteiros por toda a Europa.

No Concílio de Latrão II em 1139, apesar da grande oposição de muitos bispos e padres (sobretudo os não celibatários, claro), o concubinato é proibido e os clérigos são fortemente exortados a manter uma vida moral imaculada (incluindo, se possível, o celibato).

Após a implementação destas reformas e de outras no que diz respeito à promiscuidade com o poder temporal, a Igreja conheceu um período de prosperidade como já não possuía desde a queda do Império Romano.

Séc. XV-XVI d.C.
A moral dos clérigos volta a cair. O próprio Papa Alexandre VI (mais conhecido como Bórgia) possui 4 filhos da sua amante Vannozza Cattanei. Este papa não tem prurido nenhum em permitir estes filhos na sua corte e em beneficiá-los utilizando o seu poder. Anula um casamento consumado da sua filha Lucrécia. O seu filho César abandona a sua vida de Cardeal para, com o auxílio do seu pai, conquistar a Romanha e constituir aí um principado. A Igreja no geral e Roma em particular estão sobre o domínio da família Bórgia (um pouco à semelhança das famílias da Máfia).

A Reforma Prostestante agita a Igreja, que mais uma vez retoma a sua busca pela perfeição moral. No Concílio de Trento (1545-1553) o celibato é finalmente declarado OBRIGATÓRIO. É instituído o sacramento da Ordem como um matrimónio do sacerdote com a sua Igreja e com Cristo. Como tal, qualquer casamento com uma mulher constitui adultério e é gravemente penalizado.

Séc. XX-XXI d.C.
Os papas tentam a todo o transe manter o status quo, baseados numa experiência histórica que durou 1500 anos. O Papa Paulo VI emite a encíclica Sacerdotalis Celibatium. Não parece haver abertura por parte da hierarquia para voltar aos tempos antigos. Situação actual da Igreja: alguns membros do clero dão algumas cambalhotas, mas, no geral, temos de concordar que estamos muito melhor servidos de sacerdotes de qualidade e de moral irrepreensível. Inconveniente: o declínio de vocações.




Bem, perdoem-me a arrogância e o aborrecimento, mas penso que agora já podemos ter um debate informado sobre o assunto.

Cumprimentos

Anónimo disse...

A minha condição feminina não me permite falar acerca das dificuldades do celibato masculino. No entanto, e independentemente do género, basta tratar-se de uma imposição (disparatada na minha humilde opinião. A Igreja está povoada de homens inteligentes e dá-lhes para esta taradice!)para que se torne em algo difícil de aceitar. Ok, só é padre quem quer!

Lembro-me do meu Manel (homem com uma vida bem vivida no verdadeiro bom sentido) referir que o celibato para os homens é algo difícil. Claro, mais para uns do que para outros. Segundo ele, as necessidades dependerão certamente de razões hereditárias, saúde, alimentação, estilo de vida e hábitos.

Portanto padres, mandem a hereditariedade às urtigas, façam por andar indispostos, comam pouco e mal, trabalhem muito e sexo só para fazer chichi!

Como prémio ganharão com maior probabilidade problemas de próstata.

Não é que eu ache que as pessoas ou os padres devam andar por aí a acasalar como animais. Não se trata de "uma escola agrícola" à semelhança do que reina em determinados meios.

Falo de afectos, de pessoas adultas, sérias e responsáveis.

Quanto às mulheres a próstata não chateia. Ainda que eu usufrua desta vantagem, estou prestes a atingir o nirvana. É certo que tenho perdido alguns quilómetros. Assim que avisto o meu padre os sinais de trânsito ficam todos invertidos.

Era só vê-lo vestido com um manto tamanho S em plena via sacra. Que imagem idílica! Fiquei sem respiração a olhar para aquilo tudo! Está claro: andam sempre tapadinhos e de uma só vez exibem quase tudo! Uma pessoa não está preparada para tanto!

Subitamente ergui os braços para o seu e gritei bem alto: "Cristo vindo cá abaixo ver isto!" Que bela figura; um santo de um homem. Claramente percebi que se trata de uma criatura muito saudável.

Padres... homens de Deus tenham pudor. Não andem por aí a tentar jovens virtuosas. Depois não se espantem com confissões ansiosas, desesperadas e intimistas. As raparigas abordam-vos com aspecto de quem fez 100m barreiras, pois tá claro!

A propósito não estará a Igreja interessada em angariar uns fundos com fins lucrtaivos com a venda de uns calendários do ano 2008?! Não se trata de um calendário com ilustrações de fraca qualidade de imagens de santos. Opatriam por fazer uma sessão fotográfica de estúdio em que cada padre exibiria um modelo de paramento. O meu padre ilustraria o mês de Agosto!

Só uma outra sugestão. Julgo que D. José Policarpo deverá também ele integrar esse elenco. Não devemos esquecer que a faixa étaria católica "praticante" já atingiu a idade adulta há já algum tempo. D. José Policarpo tem ar de nos seus anos de maior juventude ter feito suspirar muita catequista.

Em minha casa será Agosto todo o santo ano!

Teodora

nuno alexandre disse...

Desculpem a minha intromissão mas...

Não vejo como é que o celibato pode justificar o declínio de vocações (isto não quer dizer que candidatos ao sacerdócio não se afastem por essa razão), por uma simples razão: o serviço consagrado e a "vida do comum dos mortais" não me parecem nada comparáveis ao ponto de uma pessoa poder dizer "Eh pah, não vou ser consagrado ao serviço a Deus porque casar vai-me fazer muita falta". É que as duas coisas não têm nada a ver uma com a outra, por isso a pessoa tem que escolher: ou vive como qualquer pessoa comum ou então vai viver o sacerdócio, não faz sentido uma hipótese do tipo "Vou consagrar-me e a uma esposa também", é a mesma coisa que fazer de uma pessoa comum um padre, quando ela não é um padre nem de longe. Mas não quero dizer com isto que há alguma coisa de errado em sacerdotes casados (como acontece em pelo menos uma Confissão), estou só a dizer que o celibato faz todo o sentido e que a hipótese de escolher o sacerdócio com a possibilidade de casar não faz sentido nenhum (porque o sacerdócio não pode ser escolhido tendo a possibilidade de casar qualquer peso nessa escolha, por alguma razão é Deus que tem que chamar o sacerdote e não o homem decidir que quer ser sacerdote como decide que quer namorar e casar), como também não faz desistir da ideia de ser sacerdote por não poder casar (neste caso a pessoa quer mais viver como os semelhantes do que como sacerdote, não haja dúvidas sobre isto).

Agora, outra coisa que eu acredito: um sacerdote pode, digo mais, até beneficia mesmo de se enamorar de alguém (lembram-se daquele padre que disse «Amo em silêncio»?), mesmo assumidamente se quiser. Isso só demonstra que ele sabe derivar do amor sagrado um amor por uma semelhante, justificando por conseguinte o próprio amor "profano" tão comum e tão devido entre as pessoas não consagradas.

Cara Teodora: acho tão poética a sua afeição pelo seu padre (sim, com fisionomia e tudo, que ela também é bela precisamente), que não percebo porque é que isso não a aproxima da experiência religiosa. Afinal de contas ele é um padre, e a Teodora sempre podia escolher um dos muitos homens comuns que fazem salivar as raparigas...

Abraço a todos, e um gigante para este Padre! Que não lhe falte o amor em nenhuma das suas sagradas formas.
Beijos e abraços, queridos co-penitentes :D

nuno alexandre disse...

Só um comentário ao caro Kephas: a sua arrogância e aborrecimento tendem a enriquecer a experiência deste blog, tanto quanto eu sei.

Para mim é óptimo ver como estes penitentes são tão diferentes uns dos outros. E o caro Kephas leva a palma.

Para mim, olhe, obrigado por si Kephas.

Ó Teodora, você só me faz lembrar o Romeu e a Julieta, a sério...

Kephas disse...

Olha, o blogger não publicou o meu comment sobre a verdadeira essência do post...

Eu apenas coloquei o comment histórico porque já sabia que a questão do celibato ia tomar conta deste post, o que não é o mais importante (de longe)

A questão põe-se com o celibato, mas poderia pôr-se com qualquer pecado. Assim, pelo post, ficamos a saber que a nossa resistência ao pecado fica adormecida quando nos faltam as forças (neste caso concretizada na "idade").

Ou seja, a nossa propensão para pecar surge nos piores momentos, quando a nossa virtude é eclipsada pela revolta, apatia e desespero...

É por isso que devemos, mesmo nos piores momentos, acreditar que Deus está ao nosso lado, como no conto das "Pegadas na Areia".

Sobretudo, orar. A Força não é do Homem, mas de Deus. Milénios de civilização anteriores a Cristo não conseguiram criar uma sociedade perfeita e imaculada de pecado. Foi preciso Deus encarnar num Homem para que a Humanidade pudesse redimir-se a si própria.

Portanto, nos piores momentos, peçamos a Deus que "encarne" em nós, como Espírito Santo, a fim de que Ele seja a Força que nos permite redimirmo-nos. É a Graça Divina.

O celibato é apenas um exemplo. Poderia ser a resistência a uma paixão adúltera, à prostituição ou até a pecados não sexuais como corrupção, apego ao dinheiro, ódio para com o nosso semelhante, etc...

Este comment deve ser lido como se viesse imediatamente depois do meu de 1/10 20:38

Cumprimentos

Errata: Não é Philipe Foucault é Philipe Tourault eh, eh.

Anónimo disse...

Ó Nuno Alexandre

E quem lhe disse que eu de facto estou interessada em experiências religiosas. Eu se quiser experiências religiosas vou para um mosteiro! Ainda sobram muitos padres para ter experiências religiosas.

Desculpe lá mas com que então acha que nós escolhemos as pessoas de quem gostamos?! Eu pensei que nós gostavamos das pessoas com as quais sentimos afinidades e que reconhecemos possuirem qualidades humanas das melhores.

Claro que se falarmos de sentimentos homem/mulher terá necessariamente de haver algo mais. Caso contrário estavamos enamorados por muitas pessoas simultaneamente, o que me parece ser algo bizarro!

Não percebo essa de "escolher um dos muitos homens comuns", eu gosto é daquele e não doutro! Se ele fosse um homem comum seria porque eu não o distinguiria dos outros!

Para mim ele é um homem! É padre e é homem!

Eu não acho que se possa escolher. As coisas são como são. Eu gosto ou não gosto.

Não me vai dizer que os padres são como os anjos - não têm sexo?!

Para mim celibato, ir virgem para o casamento e outras trapalhadas do género são taradices! Nem tanto ao mar nem tanto à terra já diz o povo!

Permita-me que lhe diga que não apreciei essa do "salivar"!

Só uma pergunta: aos padres só lhes resta a masturbação? (Desculpe mesmo padre) se assim é só posso ficar profundamente triste com a solidão deles. Não há dúvida é sexo seguro! Não engravidam e também não contraem doenças! Ok tá certo, faz sentido!Logo não precisam do preservativo! É barato e é seguro!

Teodora

nuno alexandre disse...

Boa, Kephas. Fazes comentários sem comentários eheh.

É precisamente como dizes - o celibato é uma força, e como tal, ele não é possível sem ele mesmo resistir à tentação do pecado (do qual, e da resistência à qual, dizes que se trata). Ele é uma força porque é uma virtude eclesiástica herdada do divino (conforme a igreja quer, a qual é precisamente veículo da herança do divino e dos bens do mesmo), e não um mérito humano (abstinência; por alguma razão foi feita a alavra celibato, é que ela não caracteriza a não ser o sujeito consagrado, e este, não esqueçamos, é caracterizado pelo divino porque o serve e não propriamente ao homem [apesar de nesse serviço o homem, como classe, ser verdadeiramente servido porque é definido de uma forma justa]).

Aproveito para dizer que quase como a cara Teodora, a minha vivência pelas igrejas e salões paroquiais é (quase) nula (é mesmo, no caso dos salões; a Teodora, neste caso, imagino-a mais em salões de chá eheh talvez a confraternizar com o tão seu padre ;). Então hoje fui estar presente numa Eucaristia (sinto a minha ausência com alguma vergonha, sim, e tive provas disto ao ouvir a homilia), e vi um anúncio que dizia que os fiéis (da minha paróquia de Carcavelos, mas fiéis são todos eles) são convidados a um jantar no salão paroquial (lá me lembrei eu da cara Teodora) em recepção ao novo presbítero. Então, em vez de uma...

"Ceia do Confessionário:
Tratar com: Kephas
Local: Algures
Em honra a: Alguém Padre
Convidados: Penitentes"

que obviamente só pode ser uma ceia na unidade do Espírito Santo, vou fazer esta ceia naquela, porque me vou levar para lá (assim possa). O pormenor aqui é que consubstanciando uma na outra, fico a pensar que era engraçado que ela (ou melhor, eu) fosse honrada com a visita de algum dos ilustres penitentes deste blog. Isto é só uma coisa engraçada que eu me lembrei lol. É que divirto-me à brava só a imaginar estes penitentes a penitenciar à volta da mesma mesa, na presença uns dos outros... dava pano para mangas.

Um abraço penitente

nuno alexandre disse...

Olha agora lembrei-me de uma coisa gira: a Teodora instaurou a ideia de um "padre-lendário", à imagem e semelhança do existente "papa-lendário", o calendário com pias fotos do Santo Padre Bento XVI para todos os meses do nosso ano (oh pah juro que não isto não tem nenhum sarcasmo!). Já que foi feito um "papa-móvel"... porque não? imaginação não falta a estes penitentes eh eh (pronto, agora vou calar-me de vez, a sério)

nuno alexandre disse...

Vou quebrar o meu voto de silêncio, mas é para me penitenciar relativamente à Teodora, por isso acho que se justifica, assim o Sr. Padre não se importe. (Afinal de contas isto é um blog, que além disso não é nosso. Fica a minha promessa de que me vou concentrar mais nos posts e menos nos comentários, e que vou refrear as minhas observações aos meus colegas leitores do blog, ou pelo menos fazer observações mais sérias se eu quiser pensar mesmo a sério nas coisas que eles dizem de si próprios, ok?)

Sim, percebe-se mais do que perfeitamente que à Teodora não interessam experiências religiosas (sempre vi que você foi sempre clara nisso, e isto é bom porque não é ambíguo). O meu raciocínio foi este: tratando-se de um padre, e sendo que a Teodora não se interessa por esse facto, não deve portanto gostar dele por ser padre; mas como você brinca de vez em quando com o facto de ele ser padre (peço desculpa se a palavra 'brinca' é desadequada, mas espero que se reconheça no que eu estou a dizer), eu pensei que portanto você o distinguia de alguma forma e nalguma medida dos restantes homens de quem a Teodora seria perfeitamente capaz de gostar (e seria, porque você disse explicitamente que este não é diferente dos outros por ser padre), e que essa distinção podia ter a ver com afinal aquilo que é uma coincidência entre ele ser padre e as suas referências (não feitas a sério, ficou claro) a essse facto. Então eu fico a saber, e reconheço agora perante si, que as suas referências a esse homem ser padre não têm nada a ver com a sua afeição por ele, e assumo perfeitamente que esse padre simplesmente é o homem certo para a Teodora, de entre todos aqueles que podem sê-lo (entre os quais você não força nenhuma distinção), e que ele o é porque desses homens é das duas uma: aquele que você escolheu daqueles com os quais pode sentir afinidades e nos quais reconhece possuirem qualidades humanas das melhores (já vi que não foi este o caso, você deixou isto bem claro), ou simplesmente aquele que você encontrou. E aqui, para mim você disse a verdade das verdades: que encontrou um homem de quem gosta independentemente do facto de ser padre (bíceps incluídos, se me permite e se não foi brincadeira sua noutro comentário), um homem cuja única relação com a religião (em particular com o sacerdócio que faz) é precisamente as qualidades que possui. Para mim, digo-lhe isto (que não tem a ver consigo mas comigo): você acertou num homem em cheio, é a minha opinião. Por isso compreendi perfeitamente o que você explicou sobre a sua afeição a esse homem, só lamento não ter pensado nisso que explicou antes de você o explicar, por isso ainda bem que o fez.

Para além dessa questão específica, há outra: isto deve decerto ter a ver com a minha personalidade, mas pensei (e infelizmente escrevi, mas felizmente fica corrigido e penitenciado): o afecto ou interesse num homem que é sacerdote não vai dizer nada a quem o sente, sobre isso que ele é? essa pessoa (concretamente a Teodora, estava eu a pensar sem saber o que você pensava disto) vai mesmo viver essa relação (mesmo que unilateral e não assumida para com o outro) sem isso que ele é ter qualquer efeito nessa relação? isto é, o sacerdote só interfere nessa afeição ou interesse que a pessoa tem por ele no sentido em que impede uma relação prática? Eu imaginava que não, imaginava (e na minha personalidade continuo a imaginar porque me estou a exprimir a mim, não à Teodora, cometendo apenas o pecado de pensar naquilo que é uma situação sua e sobre a qual você basicamente se limitou a "brincar" com o facto de o homem ser religioso consagrado celibatário) que eu teria que ter qualquer relação com a consagração do homem tendo ele uma relação com essa consagração (uma vez que se ele fosse apenas religioso, eu poderia na minha cabeça definir isto como todas as coisas que ocupam a cabeça dum homem, ser benfiquista se é, ou jardineiro se é), isto é eu, no lugar de uma mulher que gosta de um homem que é padre (se alguém me permite chegar a tal posição no pensamento, mas uma mulher é uma pessoa e pensar não é exclusivo das mulheres), sentiria alguma coisa por este facto, seja uma dorzinha no coração por estar impedido de praticar para com ele a minha afeição (bem, isto não seria totalmente assim, porque um padre pode e deve viver aquilo que afinal amor é em si mesmo, que para mim não é sexual), seja um encrudescimento dos meus sentimentos para com ele pelo facto de o amar (atenção que estou a falar de mim) independentemente de qualquer obstáculo. Pronto. Agora, eu achei a sua afeição (palavra minha, eu sei, mas tenho que usar alguma, se me concedem o obséquio) poética precisamente porque eu não acho que a pessoa que ama o padre devesse ficar triste por causa dos obstáculos à prática desse amor com ele, bem pelo contrário (trata-se de mim). E é por isto mesmo que disse à Teodora que esta me faz lembrar Romeu e Julieta, nunca por uma brejeirice tonta qualquer (eu não sou assim, mas sim como estou a dizer, e só o digo por isso, não porque tenha alguma coisa a ver com a Teodora). Como vê, Teodora, isto tem tudo a ver com a grande verdade que você disse: não escolhemos; e eu sei isto, porque sei que (por mais que eu tenha namorada hoje) amo uma determinada rapariga há 15 anos com quem por infelicidade não namorei, e com quem dava mais do que tenho coragem de dizer, para poder ter namorado.

Pronto, já me confessei o que mais precisava. Agora o resto.

Para mim, os padres são precisamente aquilo que são os homens que não são padres, pelo que assumo sem pudor nenhum que me masturbaria tanto quanto o faço (vamos supor que não tenho relações sexuais) agora mesmo, ou quanto fiz até hoje (talvez menos porque teria essa ocupação na minha pessoa e tal ocupação para mim não tem nada a ver com sexo). Por isso a Teodora vê que para mim não existe nenhuma relação entre ser padre e ser anjo (já agora, sim, acredito em anjos, não sou é burro, como aliás é natural), até porque eu disse várias vezes aqui o quanto acredito que um padre é humano (e deve ser mais verdadeiramente por ser consagrado ao serviço do divino, claro que as pessoas que pensam como a Teodora devem ter alguma dificuldade em ver no divino um modelo do humano, mas para mim isso é simples falta de prática no pensamento sobre tais coisas, mais nada, por ex. quando a Teodora pensa no seu padre eu penso na Trindade, se não estiver a pensar numa rapariga claro). Só que para mim os padres são além disso algo humano que as outras pessoas não são (digo humano porque não o comparo a uma ocupação ou actividade comuns).

Sobre aquelas taradices, eu não lhes chamo isso porque como eu disse, um religioso consagrado é consagrado a um de vários tipos humanos que mais ninguém (por alguma razão) investe. São taradices se assumidas por pessoas que não querem ser consagradas ao serviço religioso ou que não compreendem este serviço (e como tal não quereriam ser-lhe consagradas). O que você disse sobre isto realmente aplica-se ao povo, só não se aplica a quem compreende o fenómeno religioso ao ponto de perceber porque é que alguém se sujeita a essas taradices.

Sobre o "salivar", a Teodora como é natual não me conhece (se falasse comigo presencialmente saberia logo), mas isso para mim quer dizer "gostar sem poder escolher", os homens falam muito destas formas, Teodora; basta-me uma rapariga ter olhos azuis para eu "salivar"; só posso pedir a quem me ouve que não entenda isto de uma forma pervertida, porque eu não sou assim mas sim como estou a dizer. Se há coisa que eu gosto de ser é do sexo masculino (acho que gosto tanto disso quanto gosto do feminino), por isso vê-se bem que não tenho psicologicamente nada do tipo "sou um assexuadozito".

Sobre a pergunta "Aos padres só lhes resta a masturbação?", para mim sim, na razão do sacerdócio, e por isso não posso advogar o fim do celibato enquanto ele vigorar. Mas acredito igualmente no sacerdócio que não está sujeito ao celibato, que acontece nalguma Confissão que não a católica, e também aceito totalmente que haja padres que têm relações sexuais (mas sou incapaz de dizer que isso coaduna com o sacerdócio).

Quero que a Teodora saiba que a respeito (antes, agora, e atrevo-me a dizer, também no futuro) sem qualquer condição nem fraqueza, e que só pequei por falta de conhecimento sobre si (agora já não, você ajudou-me nisso e muito, e fê-lo muito bem) e por me permitir falar com alguma liberdade. Pronto, parece que esta combinação não funcionou bem. Peço desculpa por isso.

Peço mil desculpas a todos por este comentário não ter nada a ver com o post nem com a discussão do mesmo, sinceramente.

Abraço a todos, e obrigado pela paciência e compreensão, ok?

nuno alexandre disse...

Só há mais uma coisa que eu pessoalmente gostava de dizer à Teodora: é verdade que um homem é único, mas essa unicidade só é inteligível depois de escolher amar (ou experimentar com) esse homem específico; além disso, a partir de um certo ponto dessa unicidade, nós descobrimos não aquilo que o distingue dos outros nem a unicidade dele, mas a própria essência do género humano, quaisquer coisas que podemos inteligir e que inteligiríamos em todos os homens mas mais dificilmente em nós próprios (esta mesma é a razão que eu dou a amar uma determinada pessoa, e digo mais: a religião, a fé, ou a verdade [aqui é uma questão de nomes] dão precisamente esta razão do amor, razão pela qual se pode amar todo e qualquer ser humano igual e indistintamente). Não digo mais, porque se vou explicar estas coisas dão-me um tiro!

Cumprimentos

nuno alexandre disse...

E então percebi que a associação que a Teodora referiu várias vezes até aqui entre relação com um padre e o facto de ele ser padre, exprime apenas a noção que a Teodora tem daquelas taradices. De facto, é uma razão para as "brincadeiras" que a Teodora faz com essa associação, e que de qualquer forma acho legitimamente divertidas (rio sempre com os meus botões daquela conversa com o padre entre uns e outros pré-cozinhados, e digo cá para mim que essa conversa é que aqueceu os refrigeradores eh eh).

Anónimo disse...

Kephas

A sua "tábua cronológica" é esclarecedora, mas julgo não ter lido referências ao facto de os padres anteriopres à chegada dos Jesuitas seram homens rudes, iletrados e sem qualquer tipo de preparação para o seu ofício.
Existem documentos de bispos da época que o atestam, nomeadamente do bispo da Guarda e Vila Real.

Isso pode ser a diferença.

Teodora

Anónimo disse...

Ó Confessionário,
feche esta capoeira...de galinhas desenfreadas...um só galo! Aqui, assim, não se aprende nada.

Anónimo disse...

Essa maneira de pôr o problema- Ó stor não sei como o stor aguenta...está muito infeliz. Depois vem essa das hormonas...
Ó Confessionário...aconselho-o a voltar para férias. Sinceramente.
Volte mas com a cabeça fresca e mais clara.

Confessionário disse...

Amigo anónimo das 12 e das 12.6, que pressuponho ser o mesmo.
duas coisas:

- O problema foi posto assim na realidade, e não tinha porque inventar outra forma de o colocar.

- Reconheço que têm havido comentários que quase parecem transformar este espaço num linguajar desconexo, descontrolado ou brejeiro. Porém, e por norma, enquanto não se transformarem em ofensivos directa e objectivamente, vou-os colocando online. É uma forma de pensar que gosta de que este espaço seja aberto, mesmo que às vezes não apropriado. O mesmo raciocínio me leva a publicar os teus comentários. Posso pedir que nos concentremos todos mais na reflexão que na brejeirice. Mas só peço. Não exijo, para já.

nuno alexandre disse...

Sea Teodora me permite, eu precisava de saber o seguinte: diferença entre o quê?

nuno alexandre disse...

Eu gostava de dizer que para mim, se este blog fosse um exercício de literatura, seria um contentor de lixo e o blogger seria um lixeiro. Por isso mesmo, pode-se aprender muito neste blog, do qual faz parte integrante o exercício de comentários.

Obrigado! :D

nuno alexandre disse...

Numa coisa eu tenho que concordar com o nosso anónimo amigo: numa capoeira, para quê ter galinhas a cacarejar livremente (as galinhas poem ovos, o que pressupõe a existência de galos para esse efeito) quando há um galo que canta à hora certa? Boa, caro visitante.

Kephas disse...

Oh meus caros Teodora e Nuno Alexandre, vamos pedir desculpas, dar as mãos e ser amigos (abraço Ursinho Carinhoso, lol).

Vamos lá, um pouco de respeito, que estas coisas nada têm a ver com o post nem com o debate de uma questão séria como é a do celibato...

Agora só para a Teodora:
Não percebi o seu comment relativo ao meu, mas parece-me ter a ver com o facto de existirem clérigos letrados e castos mesmo anteriormente ao Concílio de Trento.

O que é perfeitamente verdade...

Nunca disse que, anteriormente ao Concílio de Trento, não houvesse padres santos e bons (e muitos).

O que eu disse foi que a Igreja passou por períodos de crise, os quais se deveram sobretudo a padres que conspurcaram a sua profissão com o concubinato, entre outros pecados (sim, porque não podemos atribuir a decadência da Igreja a apenas um factor, mas a toda uma míriade de factores).

Além disso, intercalando com esses períodos de decadência, houve períodos de grande prosperidade eclesiástica. Mas estes deviam-se sobretudo às medidas levadas a cabo para moralizar o Clero. Ora, com o celibato, essa moralização está estabelecida a priori (o que não significa que essa moral não degenere mais tarde).

É claro que mesmo nas épocas mais escuras da nossa história houve bons clérigos, ou então não se teriam tomados as decisões drásticas nos Concílios de Latrão II e de Trento (que sempre tiveram a oposição dos padres mais amorais).

É claro que, face às evidências da sua história, a Igreja tem um certo prurido em re-instituir o matrimónio entre o Clero. O que é lógico! Sem obrigar um Servo de Deus a uma profunda reflexão sobre "É mesmo isto que quero da minha vida?" como é que a Teodora vai impedir gente como o Mário Soares de se "converter" e se tornar um agento duplo no interior da Igreja (moldando a doutrina de Deus a agendas políticas e ideológicas?)

Quanto à sua concepção do celibato (que eu denoto no seu comentário sobre a masturbação) devo referir que a Teodora está a ver as coisas pelo prisma do séc. XXI, o que é legítimo, sobretudo se nunca conheceu experiências religiosas. A verdade é que a masturbação é um pecado (Teodora fica com os cabelos em pé e grita como o miúdo do "Sozinho em Casa").

Isto não é "taradice", Teodora. Nem é desumano. Mas eu não me importo que a Teodora pense o contrário, porque eu também já tive essa concepção (coro). O que acontece é que a doutrina da Igreja tem tudo a ver com Liberdade!

É que as pessoas têm tendência a considerar a actual abertura ao sexo como Liberdade, mas é o inverso!

A Liberdade, cara Teodora, parte de nós. A doutrina de Jesus é essa mesma. Nós podemos estar presos materialmente e ser livres, porque Deus nos criou livres e Jesus nos libertou com a Sua Mensagem e a Sua Crucificação.

A Igreja pretende que sejamos livres. Mas nós só somos livres se nos despojarmos de vícios. Chama-se auto-disciplina: Eu sou completamente livre porque as minhas acções não estão condicionadas pelos meus instintos. Eu sou livre porque sou capaz de renunciar aos prazeres temporários e fúteis para obter prazeres mais duradouros e recompensadores num futuro mais ou menos distante. Eu sou livre porque a minha Vontade não é dominada pelos meus apetites.

E então eu posso dedicar-me ao cultivo das coisas divinas e verdadeiramente boas: como o Amor. Eu amo tanto esta rapariga que sou capaz de tudo por ela, até abster-me de relações para estar com ela até chegar a hora em que pronunciarei o "Sim" e para nunca a trair. Eu amo tanto a Deus que sou capaz de tudo por Ele, até de levar uma vida completamente casta e de dar o meu exemplo de vida aos meus paroquianos.

E não, não se pretende com isto diabolizar o sexo e sim dignificá-lo. Uma vez tendo adquirido este rigor eu posso integrar o sexo numa existência livre e plena e colocá-lo ao serviço do meu Amor.

Mas a Teodora responde que isto é idílico, que não é possível... sim, somos todos humanos! É por isso que a Igreja não se impõe. E é por isso que existe o sacramento da Penitência. Desde que haja arrependimento sincero e um desejo de melhorar, todo e qualquer deslize nosso é perdoado pela Igreja (e, por extensão, por Deus). 70*7

Isto que eu disse constitui o cerne de uma vida cristã... em relação ao sexo e a tudo o resto...

Não nos esqueçamos que a católica "modelo", a pessoa mais respeitada por toda a Igreja, é a Virgem Santa Maria... ela foi virgem antes do casamento e foi-o até à assunção... Não a vai chamar de "tarada" pois não?

Eu, por mim, devo à Igreja a minha Liberdade. Espero que ela nunca mude a sua doutrina, para que mais e mais católicos possam ser libertados. Os que não quiserem, permaneçam como estão...

Cumprimentos do seu "tarado" (lol) Kephas.

nuno alexandre disse...

Tou com vontade de dizer 2 coisas:

1) Aprender é conhecer-se (isto sobre eu ter dito que se pode aprender neste blog).

2) Não posso pedir desculpa (por nem sei o quê) à Teodora, porque eu e a Teodora não fizemos nada errado ou repreensível entre nós. Eu disse que sempre a respeitei, e portanto isso não muda com nada do que eu comentei aqui até agora (outra razão para isto é que quando eu falo, é de mim e não de outrem, mesmo que seja relativo a outrem, por ex. falo do post do Sr. Padre e não do Sr. Padre, logo só posso estar a expor-me a mim). E respeito-a em igualdade para com quaisquer outras pessoas que comentem aqui, porque fazem precisamente aquilo que eu faço. Uma das razões para eu respeitar plenamente a Teodora é: o que seria de vários comentários que fiz, se não fosse a Teodora, aquilo que ela felizmente quis exprimir? Agradeço-lhe por isso, e a todos os outros comentadores. Por isso, só vos posso dar um abraço mesmo, assim vocês o queiram aceitar.

Obrigado Kephas

Anónimo disse...

Se o sexo fosse condição suficiente para se ser feliz não acredito que no mundo houvesse tanta infelicidade! Essa é que é essa!
A infelicidade surge da falta de Amor, sempre.

Um abraço

Fátima - Brasil disse...

Gosto desse blog pela liberdade de expressão oferecida pelo nosso Confessionário ... Aqui, podemos, todos, falar (escrever), ouvir (ler), concluir e aprender mais sobre nós mesmos!

Celibato é coisa dos homens e não de Deus!

Kephas, não foi nenhum aborrecimento suas palavras, pelo contrário, deu-me vontade de ler o livro "A História da Igreja" de Philipe Foucault. Seu breve resumo derrubou algumas mistificações/lendas sobre o real motivo do celibato na igreja, já ouvi tantas versões... Obrigada.

Teodora, simplesmente gostei do que escreveu ... "escolher um dos muitos homens comuns", eu gosto é daquele e não doutro! Se ele fosse um homem comum seria porque eu não o distinguiria dos outros! (...)

Tenho que concordar contigo... Se o " meu padre" ilustrasse o mês de setembro, seria setembro o ano inteiro também aqui em casa ... rs

Nuno Alexandre, suas palavras confundiram-me os neurônios, na verdade nem sei se ainda os tenho... Achei um pouco prolixo...
Pegaste no pé da Teodora. Deixa a menina!(rs) Te incomodou o sentimento dela pelo padre? (rs)

Parabéns pelo Blog e Bjs para todos.

bico de pato disse...

Ó minha santa Sinhóra!...
Quem passa por este blogue fica estupefacto.
Anda aqui muito mais falta dum bom psicólogo...do que dum confessionário.
A questão essencial está mal posta, quanto a mim, como disse outro anónimo/a atrás, e, como seria de esperar, tem sido desventrada, à mão, em vez de sensatamente abordada.
Nunca, na história da Igreja, o celibato deveria ter sido imposto como condição sine qua non para se ser sacerdote.
Porque o casamento não é um malem si mesmo...O casamento não transforma uma pessoa normal numa anormal...
O exercício e a consagração da pessoa a Deus dum sacerdote é totalmente conciliável com o estado de casado.
A questão da disponibilidade ou indisponibilidade alegada para sustentar a exclusividade é, quanto a mim, falsa.
Outras funções humanas exigem essa mesma disponibilidade... exercem-se e desenvolvem-se normalmente com a mesma seriedade e entrega que a dos sacerdotes ocidentais.

Na Igreja do Oriente os padres podem casar-se...e tudo corre normalmente. Nem outra coisa seria de esperar.
Aqui, a tradição é antiquíssima...vem muito lá de trás, desde um histórico concílio...na altura, teria tido as suas razões...mas depois, no devir da história da Igreja "temporal" o que ressalta é a evidência duma mera conveniência - teimosia das Hierarquias para impor o celibato.

Por isso é que, dum modo geral, uma grande parte dos nossos padres anda desorientada, cansada de lutar contra a maré...

Porquê complicar o que por natureza é simples?
Padre casado?...Padre não casado?...Há lugar para os dois tipos. Acima de tudo, respeite-se a liberdade de cada homem!.

Com o tempo tudo iria ao seu lugar. É o que eu penso.

Anónimo disse...

Olá!

"Quando tivermos menos forças, será mais dificil encontrá-las"
Penso que esta resposta embaralhou mais os miudos, assim como me embaralhou a mim.

Pergunto eu, confessionário(para si, e para outros padres que passem por aqui): Não sentem falta de um abraço, de uma pequena caricia, de um gesto que não tenha nada a ver com amizade, mas sim algo mais profundo.
Ou apenas se limitam em amar em silêncio?
O sexo faz falta, mas ainda faz mais falta a liberdade de poder chegar ao pé de alguem e dizer: gosto muito de ti.

Um dia numa conversa com um colega seu, ele afirmava muito convictamente: nunca ando com preservativos no carro para não cair em tentação. Eu apenas me limitei abrir a carteira e dei-lhe um dizendo: se quizeres podes cair.(pois claro que ele me chamou doida e voltou a coloca-lo na minha carteira)

Não se pode ter só força de vontade. Tambem é necessário abdicar de determinados caminhos para não se cair em tentação. Saber até onde se pode chegar.
E ter força para dizer: eu quero, mas não posso!

Um abraço!
Alexandra

nuno alexandre (desculpem) disse...

Eh pah vamos lá ver se eu me entendo com as pessoas.

Não serve de nada as pessoas lerem o que eu comento e pensarem coisas sobre isso, se não perceberem

o que digo antes de pensarem sobre o que digo. Isto é demais para poder ser percebido? não é

matemática nem física nem nada, por favor! não é preciso formação para inteligir, nem muito menos

formação forma inteligência. Livra, que é difícil pensar, e tão fácil imaginar (demasiado fácil). E

precisamente porque é difícil pensar, é igualmente difícil ouvir i.e. perceber o que os outros

dizem.

E se alguém conseguir a proeza de não pensar que quando digo alguma coisa estou a negar alguma coisa

que outra pessoa disse ou estou a "pegar no pé" de alguém, ah eu quero dar os meus parabéns a essa

pessoa pessoalmente, porque conseguiu olhar para mim sem nunca sequer me ter visto (e portanto

consegue falar comigo em vez de comentar o que pensa que eu digo; é que as pessoas devem dizer

aquilo que pensam e não aquilo que pensam dos outros, devem assumir-se em vez de assumirem os

outros, coisa esta que eu nem acredito que seja possível).

Então é assim (mas só interessa a quem se interessar, falar falamos o que quisermos nos cafés e

salões de chá ou com a namorada, e eu falo porque me interesso no que estou a dizer):

--> Um padre é uma pessoa; uma prova bastante disto é que ela é pessoa antes de ser padre, e só pode

vir a ser sacerdote se for uma pessoa (por exemplo os cães não podem ser consagrados). Até aqui é

fatal que as pessoas cheguem, e natural que tenham muita vontade de exprimir umas às outras. Mas há

uma coisa, que já não passa tão apercebida às pessoas que não são padres (as quais gostam muito de

dizer aquilo em que acreditam, o qual as representa e define porque representa e define aquilo que

vêm [e o facto é, se vissem verdadeiramente o sacerdócio, sentiriam uma qualquer vontade de se

consagrarem de qualquer forma, por isso é que pessoas vão à igreja]): é que a pessoa padre, além de

ser pessoa, é um padre; o que significa que 1) nem 'pessoa comum' pode ser definida por 'padre' nem

'padre' pode ser definido por 'pessoa comum', e 2) a pessoa padre, portanto, tem que observar com a

sua própria pessoa (nem sequer se trata de decisões nem de atitudes nem de comportamentos) uma

relação entre 'pessoa' que é e 'sacerdócio', relação que não é uma para cada 'pessoa' sacerdote

porque 'sacerdote' não pode ser definido, classificado ou produzido por 'pessoa' (se pudesse, os

sacerdotes seriam como os pastores comuns dos homens [por ex. os políticos], os quais têm que ser

aquilo que dizem ser [aquilo para além de 'pessoa' comum] através da sua própria pessoa, daí serem

eleitos pelas pessoas, e não podem sê-lo por a classe que instanciam ou assumem ou personificam os

definir a eles 'pessoa').

Eu não sou é daquelas pessoas que aquilo que exprimem é filosofias de "ah tudo é lindo, e paz e amor

para todos". Porque para mim (além de isso ter mesmo que ser uma fantasia e não uma verdade [e

fantasia é expressão do sujeito concreto da expressão]), esse comportamento só é possível se a

pessoa abstrai essas suas crenças no mundo que elas precisamente representam (e portanto ele é

representado com essa mesma pessoa, aliás esta pessoa abstrai-se no mundo que pretende representar

ou definir), em vez de pensar e exprimir alguma coisa que abstraia verazmente o mundo, coisa que

espero que seja óbvio de perceber, não pode ser a percepção de um objecto do mundo nem portanto

muito menos uma construção que abstrai ou representa conjuntos desses objectos.

Quanto àquela observação tão comum entre as pessoas, "Ah tu dizes coisas complicadas", só digo isto:

as formas simples da verdade escondem a verdade porque são fáceis de serem interpretadas pelas

pessoas que não a conhecem. Daí que se essa verdade for revelada, ela não pode coincidir com as

coisas que essas pessoas já construíram para representar e definir aquilo que vêm e ouvem. [«and the

people (...) have seen a great light» - quem tiver entendimento e quiser, entenda ele próprio,

porque se entende a si próprio] Para as pessoas que não têm entendimento, simples é aquilo que elas

dizem, porque assim acham, e por isso acham que devem iluminar a mente das outras com essas

"verdades". Eu cá nunca pude pretender que aquilo que digo é uma coisa simples e muito fácil de ver,

como as árvores e os passarinhos no céu, porque não sou uma máquina fotográfica, não faço snapshots

da realidade para os mostrar às pessoas, e por outro lado porque nunca mas nunca me fiz representar

por seja o que for que disse (excepto claro quando digo brincadeiras ou explicitamente me refiro).

As máquinas fotográficas que o façam, que eu tenho coisas de verdade com que me preocupar e por isso

não sou um interlocutor entre a realidade e os meus semelhantes (isto é um insulto aos meus

semelhantes, se é que eles percebem isso). A realidade é absolutamente a mesma para toda e qualquer

pessoa. Por isso é um comportamento fantasioso andar aqui a pensar que se diz realidade às outras

pessoas que também aqui estão (se estas quisessem realidade não teriam cá vindo, nem teriam cá vindo

por vontade de a exprimir [por alguma razão existem posts neste blog, é porque eles não estão

escritos nos calhaus que tão grandemente fazem a realidade]). Aquela observação significa: Eu não

compreendo aquilo que tu dizes (e isto é porque não sou capaz de o fazer, mas não porque sou capaz

de ver falacidade naquilo que tu dizes). É bonito exprimirmo-ns, mas é feio caracterizarmos os

outros com a nossa expressão da nossa pessoa (uma expressão que caracterize ou represente esta). Lá

está: Aqui eu quero falar com as pessoas ou com alguma pessoa, não me interessa fazer-me conhecer a

elas nem também que elas mo façam (isto desvirtua este blog).

Obrigado pela vossa capacidade de compreender aquilo que os outros dizem, e pela vossa vontade de

pensar em vez de reagir. A sério. Por isso é que eu gosto dos comentários do Kephas, da Fá, da Filó,

e de tantas outras pessoas, a quem já agradeci contribuirem para esta casa que é este blog. Uma casa

que aceita por natureza quem quiser fazer parte dela (do que eu sempre agradeço a este Padre, como

aliás muitas outras pessoas com certeza). Para quem sabe alguma coisa sobre religião, tenho a

certeza de que é fascinante saber que neste blog deste Padre, é um paroquiano virtual mas como

qualquer paroquiano concreto deste Padre, mesmo que não pratique os ritos da religão cristã. Ouvir a

voz deste padre já é ser um paroquiano. E como todas as pessoas que aqui depositam o seu contributo

a ouvem, eu aqui sou precisamente igual a elas a todos os níveis, e é por isto mesmo que não tenho

pudor em contribuir (como o Kephas, a Fá, etc.).

Beijos e abraços, e sempre Obrigado Sr. Padre

P.S. = É incrível como seja o que for que a Alexandra ou "Zé Manel" digam, têm sempre subjacente ao que falam alguma coisa mais verdadeira. É assim mesmo. (E se eu fosse padre fazia deste as minhas palavras: «Ita missa est».)

nuno alexandre disse...

aaaaaaahhhhhhhh!!! não sei porque é que o texto ficou assim!

desculpem desculpem desculpem desculpem desculpem desculpem

Kephas disse...

Caro Nuno Alexandre:
Desculpe lá a minha intervenção. Um dos problemas dos blogs é a ausência do rosto humano que matiza as frases de sentimentos, por isso eu pensei que o meu caro amigo e a Teodora estavam um pouco "pegados" (embora não muito, por isso é que no meu comment eu sou um pouco jocoso, como deve ter percebido)



Cara Fátima - Brasil:
Eu já me penitenciei noutro comment... não é Foucault é Tourault. E não é "História da Igreja" mas "História CONCISA da Igreja".



Cara Bico de Pato:
Não se trata de chamar "anormal" a quem se casa. Não se atribui um epíteto a quem se casa ou a quem não se casa. Trata-se simplesmente de vocações diferentes. Iguais em dignidade, mas diferentes. Tal como um homem casado ama a sua mulher, também um padre ama Deus. Tal como um homem casado cuida da sua família, um padre cuida da sua paróquia. O padre não deixa de ter família... simplesmente (como ministro espiritual) alarga o conceito de "família" a um conjunto maior da Humanidade, que é o seu "rebanho".

Quanto ao caso dos Padres Orientais, tem toda a razão. Mas, mais uma vez, convém contextualizar...

Como já disse, a Igreja Católica Romana baseou a sua decisão numa experiência que durou 1500 anos e optou por uma medida que tem funcionado relativamente bem. O objectivo: tentar permitir a entrada na Igreja apenas de sacerdotes com certeza da sua vocação.

A Igreja Ortodoxa Oriental não é uma só Igreja, mas um conjunto de igrejas com uma certa autonomia e que se agrupam entre si.

Onde se situam essas igrejas?

Algumas no Norte de África e no Médio Oriente. Ora, estes países estão há séculos sob domínio muçulmano, muitas vezes com leis adversas e perseguições aos cristãos.

Outras nos Balcãs. Ou seja, países onde sempre houve uma constante actividade bélica.

Finalmente, na Europa de Leste, onde até há poucos anos existia a repressão de países comunistas com uma grande animosidade contra a religião.

Deste modo, pode-se dizer que a Igreja Oriental não precisa do celibato para descobrir as verdadeiras vocações. Tendo em conta o histórico, tornar-se padre nestes países é, já em si, um acto corajoso que demonstra uma verdadeira vocação.

Resta saber se, agora, com a queda da URSS, a Igreja Oriental da Rússia, com a sua actual política sobre celibato, se irá manter nos eixos. Eu e a minha cara interlocutora nunca o saberemos porque na Igreja Católica Romana a degradação da moral do clero demorou 900 anos a manifestar-se...

Mas pode-se ter uma ideia. É que não é só a Igreja Oriental que permite padres casados.

Muitas denominações protestantes também. Ora, o que sucedeu nessas confissões?

Muitas começaram a afastar-se da Palavra de Deus e a abraçar os progressismos modernos, mesmo quando claramente contrários à Escritura...

E isto tem suscitado muitos problemas! A Igreja Anglicana está à beira de um cisma! As confissões protestantes clássicas (luteranos, calvinistas, etc...) têm vindo a perder fiéis para confissões mais recentes e conservadoras (como os Evangélicos).

Temos que ter em conta que isto do celibato não é, como você disse, uma coisa de Deus, mas dos homens. Porque se trata de uma medida de organização interna de uma instituição. Portanto, temos que falar, não em termos filosóficos, mas em termos institucionais...

Como eu referi no meu comment de 1/10 20:38 a decadência da Igreja Católica Romana sempre foi melhor combatida utilizando medidas mais celibatárias. Sempre que tal sucedia, os mosteiros enchiam-se novamente, como por milagre.

Se o celibato fosse tão contrário a uma boa organização da Igreja Católica, não lhe teria permitido aguentar estes últimos 300 anos, que foram de um anticlericalismo excessivo e sem paralelo na História.

Além disso, é um facto que, nos E.U.A., os seminários dos estados mais "conservadores" possuem muito mais seminaristas do que os estados com um catolicismo mais "liberal". Além disso, estes sacerdotes de estados "conservadores" têm uma grande resistência à ideia de pôr fim ao celibato...

Penso que temos que fazer o que é melhor para a Igreja. Um padre não tem que andar desmoralizado por "nadar contra a corrente". Essa é a vida que um padre tomou, mesmo que não houvesse celibato. Um padre tem de estar sempre a "nadar contra a corrente" porque Jesus sempre "nadou contra a corrente" (ou, "pega na tua Cruz e segue-Me").



Cara Alexandra:
Deus não pode dar sexo, mas pode dar amor.

Um padre não sente falta de amor, porque vai à própria fonte de todo o Amor.





Gostaria de terminar, dizendo que é falso que a Igreja Católica Romana não aceita sacerdotes casados. Aceita sim senhor... e não precisam de pertencer ao rito greco-católico.

Um homem casado pode tornar-se Diácono Permanente. É o grau mais baixo da hierarquia, mas é sacerdote. Se é possível conciliar a vida de sacerdócio com a de casado, por que não há mais diáconos permanentes? Eis aqui uma boa questão.

Cumprimentos a todos

MC disse...

Olá padre!
Passei mais uma vez por aqui porque gosto do que escreve. Não chegou a responder ao mail que lhe enviei. Claro que não tem que o fazer, mas gostava de saber o que pensa da minha história (verídica).
Mesmo assim, obrigado.
MC

Anónimo disse...

"Reconheço que têm havido comentários que quase parecem transformar este espaço num linguajar desconexo, descontrolado ou brejeiro"??????
Desculpa lá... os comentários desta altura têm um nível, que não se compara com o da agora... Para onde foi toda está esta gente?!

Confessionário disse...

Este espaço é quase como uma peregrinação e nem sempre são os mesmos peregrinos que precisam de aqui vir... Depois vão voltando de vez em quando!