segunda-feira, julho 23, 2018

novelo de lã [poema 189]

Era um novelo de lã pequenino, a nascer
Um fio a querer ser muito mais, no coração

Enrolava-se e desenrolava-se,
às vezes dobava-se
Nalguma mão calejada,
nalgumas mãos de fada

Deixava pontas soltas, para outros nós, a crescer
Era novelo a viver, às vezes sobreviver,
ou repousar
Ia e vinha, como onda de espuma a fazer-se mar

Encontrava-se e perdia-se
no meio dos seus irmãos
Era um novelo, enfim, que um dia Deus fez
Vestido de lã, nas suas próprias mãos

2 comentários:

Zilda Carlos de Souza Carlos de Souza disse...

Que bonitinho, amei

Anónimo disse...

gostei muito, sobretudo da frase: "Ia e vinha, como onda de espuma a fazer-se mar"