sexta-feira, agosto 24, 2012

A História do José, mais conhecido por Zé Tuga

O José, mais conhecido por Zé Tuga, nasceu em Portugal. Logo, nasceu católico. Isto é, faz parte do grupo daqueles cerca de muitos porcento que vão ser baptizados. Não tardou nem um ano e foi baptizado, levado ao colo pelos seus pais, com esta ideia. Queremos que ele tenha a nossa religião. O Zé Tuga entrou na catequese como os outros meninos, pois entra-se na catequese quase como se entra na escola. Faz parte da vida dos porcento que estão baptizados. Entrou na catequese para fazer a Primeira Comunhão e o Crisma. A Catequista era uma senhora Conceição muito devota da terra, que sabia tudo e ensinava tudo. O Zé gostava muito da senhora Conceição. Mas depois da Primeira comunhão as coisas começaram a azedar, a não fazer muito sentido, pois os amigos mais velhos, os maiores lá da escola, diziam que aquilo era uma seca. Ora, os amigos é que sabem tudo. Sabem mais tudo que a senhora Conceição. Por alturas da profissão de fé, já o Zé faltava mais vezes do que ia à catequese. Mas ainda se aguentou para o Crisma, embora nos anos que mediaram a Primeira Comunhão e o Crisma, não tenha ido muito à Missa. Ia à catequese, mas não ia à missa. Não precisava da missa para fazer o Crisma. Era amigo de Deus, dizia, embora na escola dissesse aos amigos que era mais do tipo agnóstico, que isto está na moda. Do tal amigo que se chama Deus ou Jesus, lembrava-se por alturas dos testes dos estudos ou da vida. Lá esboçava um Pai Nosso, ou ia a Fátima. Aliás, foi lá umas duas ou três vezes a pé com uns amigos dos copos, uns anos depois do casamento. Casou-se pela Igreja para as fotografias. O padre que presidiu à cerimónia ainda se lembra do sorriso maroto do Zé quando lhe passou o cálice para as mãos. Na altura confessou-se para calar o padre, embora não contasse todos os pecados. Aliás, isso dos pecados só eu é que sei. Ou melhor, nem sei o que é pecado. Digo umas asneiras e pronto. Voltou à Igreja quando a primeira filha foi a Baptizar, e lembra-se de discutir muito com o padre porque ele é que sabia quem seria o melhor padrinho para ela. Foi à reunião de preparação, e até gostou da conversa. Mas só foi interessante. Mais nada. Nessa ocasião, já nem se confessou. Fez mais ou menos o mesmo por alturas da segunda filha e no dia da Primeira Comunhão delas. Também nunca faltava aos funerais dos amigos, embora ficasse para além da porta dos fundos e nem entrasse no cemitério. Isso só fez no funeral da mãe e do pai. Foi à Missa e ficou no banco da frente. Entrou no cemitério e chorou porque Deus os levara. Mas era muito amigo de Deus, dizia, pois tinha a sua fé. Eu cá tenho a minha fé. No café, entre um copo e outro, falava muito mal da igreja, que os padres isto e aquilo, que as beatas eram umas falsas, que a igreja tem muito dinheiro. Por isso também nunca contribuiu muito para as causas da Igreja. Os padres é que tiram a fé. Mas ele não a perdia, porque carregava muitas vezes o andor da santinha nossa senhora de Fátima e não faltava à maior parte das festas. Ou melhor, à maior parte das procissões das festas. Não era má pessoa, como se isso bastasse para ser bom. Enfim, fazia parte dos cerca de muitos porcento que são católicos em Portugal. Há dias adoeceu. E em pouco mais de um mês faleceu. Teve um funeral digno, com missa e tudo, na mesma Igreja que uns dias antes não prestava, a pedido da família que ainda marcou missa de sétimo dia. A maior parte dos seus amigos ficou, como é hábito, para além da porta dos fundos. O padre foi muito simpático em falar da Vida Eterna. E para lá caminhou o Zé Tuga, quando lhe apareceu um gajo vestido de branco, um branco tão branco que nem há aqui na terra, e lhe fez uma pergunta. Zé Tuga, tu conheces-me? E o Zé Tuga olhou-o assim, bem, de alto a baixo, e respondeu. Acho que sim. Tu não és… deixa cá ver se me lembro, que isto da morte faz-nos esquecer tudo… aquele a quem chamavam de Jesus? O gajo de branco repetiu mais umas cinquenta vezes. Zé Tuga, tu conheces-me? Perante a insistência, o Zé respondeu com algumas semelhanças a umas respostas, em tempos, de um tal Pedro. Sim, Senhor, tu sabes tudo, sabes que te conheço. Quando já parecia que o senhor de branco estava satisfeito, ouviu mais umas setenta mil e setenta e sete vezes a mesma pergunta, num tempo que parecia nem ser tempo. Um tempo sem tempo. Um tempo que só podia ser agora e eterno. Cansado de ouvir e não sabendo como responder, sentou-se e ali ficou sentado para sempre.

75 comentários:

peregrino disse...

Irmão Padre agora “passaste-te” como diziam os jovens do Crisma quando eu me passava também e dizia uma daquelas “palavrinhas” que aqui não digo a alguma madame “Conceição” mais escandalizada que saia esbaforida da nossa sala onde tinha estado a “cuscar” numa de quem está ali só para ajudar… mas logo colhidas as informações mais “aprimoradas” aquilo era uma pressa… sabem, é que tinha que ir desculpem… desculpem…

…e ali ia ela a correr pelos corredores do centro paroquial esfregando as mãos enquanto sussurrava…. que bom, que maravilha… sabem, é que a madama já tinha material para a novela da semana nas ruelas paroquias onde as senhoras se encontravam (mas só por acaso, verdadinha verdadinha…!) e punham as conversas em dia.. que esta era uma.. que aqueloutra tinha que não sei eu o quê… e é que nem me atrevo a querer saber…! …sardinhas ao cesto pardais na rede blá blá, aquilo era uma festa só lá faltava o andor do Jorge Amado para compor melhor a novela não fosse a televisão lá ir filmar a missa e as moçoilas haviam esquecido de arranjar o cabelo!

Agora é que vão ser elas, dá mas é pano total de misericórdia nas velas porque certeza, certezinha que vem aí tempestade e fortes ventos… olha que até no terreiro do paço os velhos do restelo já fazem apostas a ver quantos tiros são precisos para deitar esta barca do Confessionário ao fundo…

Bom, estou para ver quem aguenta tal tempestade… a coisa vai dar fogo e enxofre mas eu fico firme… podes contar com a minha fidelidade… rato não sou por isso não abandonarei a barca, mesmo que seja o primeiro alvo visado e depois, aqui na tua barca só fiquem para chorar as sandálias que sobraram do resto do que foi uma vez um peregrino!

Ò meu Irmão Confessionário… nunca ri tanto como com este teu novo post, fantástico … um pintor não saberia pintar melhor tal paisagem do ambiente Fé que por aí perdura infelizmente… por isso alguém disse e bem que “um dia vamos todos ter tempo para pensar no tempo que não quisemos ter……”

… um abraço forte…

Anónimo disse...

Delicioso este post e, aos outros
Zés Tugas por aí existentes,veio-me recordar certas situações semelhantes sobre a vivência num colégio de Religiosas.....rsrs:):):) (Alma Rebelde)

Anónimo disse...

Magnífico este texto!
Devia ser reflectido pela Igreja em Portugal, pois resume e bem o catolicismo português.

Rosa disse...

Fabuloso,Confessionário toda esta descrição tão real nos nossos dias.
Eu penso mesmo que devia ser lida por mais gente além daqui...
Para pensarem e olharem-se nos espelho para ver a imagem refletida.

Rosa disse...

Fabuloso,Confessionário toda esta descrição tão real nos nossos dias.
Eu penso mesmo que devia ser lida por mais gente além daqui...
Para pensarem e olharem-se nos espelho para ver a imagem refletida.

Ana Melo disse...

Santas mães!! Nunca mais deixam de sofrer.

O Zé !!! é da onde !? Srº Padre? -Porta sim, porta também?!

Só na casa da minha mãe, foram produzidos pelo menos três!!! Eu acho que saí
“ligeiramente diferente para melhor” (as minhas avós lá conseguiram pôr-me a agradecer ao Jesus pelos menos mais meia dúzia de vezes do que a eles).

Bom!! as minhas cunhadas também são umas santas, (tiraram-mos de casa!!) ainda nenhuma os devolveu!! Mas acho que anda tudo por um fio!! Digo todos os dias à minha mãe (onde almoço e vou vendo como está) “ tu! trata-as bem! que se o salário deixa de por qualquer motivo de aparecer!! no dia seguinte devolvem-tos!!“ (e agora gordos a comerem o dobro!!) - como trabalhamos os 4 irmão juntos (outra raridade), sinto aqui no meu local de trabalho, mais do que em outro lado qualquer que Jesus Cristo está comigo/connosco. (Paciência, fé no sofrimento, olhar para trás)

Desta “boa” colheita, porque realmente ainda há pior (lido com isso todos os dias), tenho 7 sobrinhos (acho que nenhuma das avós perdeu nenhum tempo a rezar com eles!! umas mais que outras!! acharam “mais bonito” (elegeram outras igrejas, na altura que eles nasceram), As botas da Chico!! os as idas às compras para os meninos! a chupeta tal e coisa! as 300 consultas ao doutor………………....)

Há !! é importante! a minha mãe teve 4 filhos e nascemos todos em casa!! acho que só primeiro, no dia do nascimento, deu um bocadito mais de trabalho que os outros!

Bom! quanto à tia ( que sou eu) com tantas festas de aniversario que mais pareciam casamentos! onde a hipocrisia era sentimento reinante, deixou de ir! dos 4/5 mais novos, logo ao 2º anito, para não habituar! (que os passos para trás levam tempo, e são mal olhados pelo social) mas não deixou de querer os sobrinhos por perto!, (até porque trabalhando todos juntos as ferias as pausas dos garotos, obrigavam, sempre e bem!, a ter a tia por perto), mas festas!!! a tia!! só as de missa.

Agora , já tudo grande, alguns convívios combinados, entre pelo menos três deles, onde só mete tia /sobrinhos. Aqui consigo realmente, perceber o essencial das relações, e quais quero que prevaleçam.

Padre não deixe de “ajudar” as mães!! Estas mães que por “alguns” breves momentos, quiseram “brincar” novamente aos bonecos!!!! todos sabemos no que dão as confianças!! e com estes pais “Zés”!! não é fácil!!!

Acolha por favor!

Obrigado Padre! Porque cheio do Espírito Santo, vai trazendo estes assuntos a discussão, que nos mostram a todo momento, que somos tantos e diferentes, muitos já se acham (se calhar bem), com lugares marcados (e que não se querem arredar nem um milímetro). Outros estão mesmo à porta, e se ela continuar aberta a qualquer altura vão entrar. Eu! sem nunca ter saído! pois os preceitos e os caminhos, (mesmo que aligeirados/pecando sempre demais), acompanharam-me, acompanham-me a todo o passo. Vou voltando a entrar e gosto. O alimento que é a palavra certeira de Jesus Cristo, é para mim, Caminho Verdade e Vida.

"Deus Ama-te muito, confia em ti, não desiste de ti mesmo que tu desistas, ele não se cansa de correr atrás de ti para te conduzir aos Seus Caminhos."

Há !
-Também não acho graça a ostentação de hábitos/batinas.
E!
-Todos precisamos de misericórdia, até os que, dão gargalhadas altas se sinceras, a saborear/experimentar uma coisa nova, quantas vezes! uma primeira e ultima vez, às vezes as coisas mais simples da vida. Eu sempre gargalhei alto, com coisas pequenas (nos que realmente me conhecem, tenho essa imagem de marca). Hoje estou mais “raposa” só quase gargalhadas “estudadas”.

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e "Confessionário".
Olá a Tod@s que por aqui passam.

"O padre foi muito simpático em falar da Vida Eterna. E para lá caminhou o Zé Tuga, quando lhe apareceu um gajo vestido de branco, um branco tão branco que nem há aqui na terra, e lhe fez uma pergunta. Zé Tuga, tu conheces-me? E o Zé Tuga olhou-o assim, bem, de alto a baixo, e respondeu. Acho que sim. Tu não és…".

Há dias, também num Funeral, outro Padre meu Amigo disse, a um certo ponto, na Homilia: "Não se é verdadeiramente Cristão se não se acredita na Vida Eterna".
Passados uns dias, encontrámo-nos casualmente. Demos um abraço, recordei-lhe essa sua expressão e disse-lhe: "Que Deus lhe mantenha por muitos anos essa convicção!".

O que tem isto a ver com a "História do Zé Tuga". Na minha opinião, tem...
É que, sem querer desculpar os muitos "Zés Tugas" e "Marias Tugas", nem todos os Padres são como o nosso Amigo P.e "Confessionário", nem todas as Freiras são Madre Teresa de Calcutá, nem todos os Bispos são Dom Óscar Romero (ou D. Sebastião Soares de Resende)e por aí fora.
Ou seja, penso que vivemos, até ao nível do Clero, um período de "Défice de Convicções". E isso reflecte-se nas rotinas com que tantas vezes as coisas são feitas, sem criatividade, pensando que é o formalismo e, porventura, o retorno aos "dogmas do passado" que resolve as coisas.

Por isso, aquela "hipótese" de um dia afinal haver algo mais para além da morte e de Jesus nos vir definitivamente ao encontro (se quisermos, já vem agora, através da Palavra e dos Irmãos)e nos perguntar "Conheces-Me?" deveria inquietar-nos. A Tod@s.
E espero que nenhum "Zé" ou nenhuma "Maria" responda: "Senhor, conheci-Te em Menino/a / Adolescente, mas depois, com grande tristeza minha, fizeram-me chegar à conclusão que esses meus sonhos eram apenas isso - ingénuos sonhos. Perdoa-me. Estou muito feliz por Te reencontrar".

Como disse, não me estou a referir, nestas apreciações, ao nosso Amigo P.e "Confessionário".
Ele sabe-o bem.
Penso que já disse neste Blogue que estou ansioso por ver o que a Igreja Portuguesa irá fazer no "Ano da Fé". Vamos lá a ver se é desta que passamos DE FACTO para a "Pastoral de (Re)Evangelização" e deixamos, de uma vez por todas, a "Pastoral de Manutenção", donde nunca saímos, salvo algumas excepções, e que muito contribui para produzir "Zés" e Marias Tugas".

Peço desculpa a Tod@s - e em especial ao Amigo P.e "Confessionário" -, pelo tom "duro" deste meu comentário.
Mas penso que os mais de 40 anos de "Caminhada" - Moçambique rubano e rural, Roma, Portugal urbano e rural -, mo permitem fazê-lo.

E agradeço a Deus a Vocação do P.e "Confessionário" (há quem o seja e a não tenha), que lhe permite continuar a "remar contra a maré" - e às vezes a "arranjar lenha para se queimar".

Diz-se que estamos numa época de "eclipse de Deus".
Talvez Pessoas como o P.e "Confessionário", com o seu anticonformismo, à boa maneira do Mestre de Nazaré, sejam também "sinais" - sempre "singelos" -, desse Deus. Sinais que não "vemos", porque nos incomodam.

Para finalizar (isto já vai longo), quero, tal como o "Peregrino" - de quem aprecio muito os Comentáros -, manifestar a minha Fidelidade amiga a este Blogue - e sobretudo ao seu Autor.

Um forte abraço para Tod@s!

Moçambicano

Moçambicano disse...

PS:

Para quem não saiba, D. Sebastião Soares de Resende foi o 1.º Bispo da Beira - Moçambique. Participou no II.º Concílio do Vaticano, sendo responsável por 50% (!!!) das intervenções dos Bispos Portugueses (tiveram um ataque generalizado de "afonia"...). Paulo VI quis fazê-lo Cardeal, ao que se opôs Salazar, sobretudo porque D. Sebastião defendia a progressiva democratização e autonomia dos Territórios Ultramarinos. Está sepultado em campa rasa, no corredor principal do Cemitério da Beira, sendo o seu túmulo venerado por Cristãos e Não-cristãos.

Outro forte abraço.

Moçambicano

Joana disse...

Perdoem-me os autores dos comentários anteriores e pe. Confesionário incluído, mas pelo que leio no post e coments, todos devem conhecer bem Jesus, então porque é que em vez de julgarem o Zé Tuga, não vão para a rua dar a conhecê-LO, em vez de julgarem as atitudes dos irmãos? Porque não demonstrar humildade no perdão ao próximo, tipo as próprias palavras do Mestre; "Senhor perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem."

Dessa forma todos os Zés Tugas e Marias Tugas, saberiam responder ao Mestre na hora certa, não vos parece?
Até parece pelos comentários, que são todos donos da Verdade, isso demonstra, muito pouca humildade, tolerância e misericórdia para com o próximo.

Porque é que todos defendem que somos todos irmãos e filhos do mesmo Pai e depois existem tantas pessoas que se acham mais dignos Dele do que outros?

Basta ir-mos até à Parábola do Filho Pródigo, aquele que era justo, responsável e fiel ao Pai, acabou por se sentir injustiçado quando o Pai recebeu o seu irmão rebelde com um grande banquete e muita alegria.

Pelo pouco que sei, o Senhor não veio ao mundo pelos justos, mas sim pelos pecadores.

Quero deixar no ar uma notícia para reflexão de todos, há dias vi no Telejornal uma mãe, de profissão médica dentista, que sofria de uma depressão, creio que vivia no Algarve, não me recordo agora do nome da cidade, suicidou-se em casa e com ela levou os dois filhos de 11 e 13 anos.
Agora pergunto esta mãe tem direito á salvação eterna?

Nós conhecemos os factos do que ela fez e julgamos, mas conhecemos os motivos, os pensamentos e a doença e o sofrimento e descontrole interior daquela mãe?
Claro que não e ainda bem, porque se compreendesse-mos era sinal que conseguiriamos fazer o mesmo.
Só a Ele é dado esse poder de forma a saber TUDO o que se vê e o que não se vê e então julgar.

(continua...)

Joana disse...

(Continuação...)

Todos desconhecemos o futuro, todos temos, filhos, sobrinhos, netos, irmãos, etc. ninguém atire pedras na casa do vizinho Zé Tuga, porque podemos ter telhados de Vidro.

Outra questão que vos deixo, eu própria me interrogo muitas vezes, por isso quero partilhar com vocês, se fossem atacados e violentados por outro ser humano, em que sentissem a vossa vida em perigo o que faziam, defendiam-se ou deixavam-se matar?

E se fosse a vida do vosso filho/a que estivesse em causa, deixavam matá-lo sem fazer nada?

E os soldados que vão para a guerra? Se fosse o vosso filho/a? E se o vosso filho/a mata-se outro soldado inocente?
Pois porque todos, mesmo os inimigos são inocentes, porque são homens e mulheres ao serviço da pátria e isso não significa que concordem com os motivos da guerra, mas mesmo assim matam os irmãos em nome de um país.

Porque será que existem tantos homens ex soldados de guerra, com stress pós traumático?
Ver um irmão morrer ao lado e matar outro irmão para salvar a sua própria vida, não deve ser uma experiência nada agradável, nem quero sequer imaginar.
Quantos inocentes foram mortos e sofreram, em nome de uma igreja Graças a Deus já diferente no tempo presente?
Mas será, que um pedido de perdão, pelo mal feito no passado será suficiente para os pais que perderam os seus filhos/as de uma forma tão brutal?
Não sei, mas não quero julgar, porque então estaria eu também a achar-me superior e melhor que ninguém.

Só posso dizer que compreendo o lado do pe. Confessionário, uma vez que a Igreja é a casa que representa e Jesus é Alguém no qual acredita e segue religiosamente e cegamente. Mas não se esqueça, que nem todos podemos sentir tudo da mesma forma, todos somos diferentes e é essa mesma diferença que nos completa, senão todos seriamos padres, freiras, médicos, mecânicos, etc, já pensaram se todos pensásse-mos de maneira igual? A vida seria impossível, todos necessitamos uns dos outros e Deus sabe disso, apesar de muitos humanos se acharem auto suficientes.

Desculpem os desabafos, um tanto ou quanto alargados, provavelmente já estarão cansados de ler e não concordarão com nada do que foi dito, mas é o que sinto na alma.

Devemos sim orar por todos nós, pelas nossas fragilidades, pelas nossas falhas, pecados que certamente TODOS temos.
Até a irmã Madre Teresa de Cálcuta, teve momentos de dúvida, ela teve momentos na sua vida em que dizia não sentir Jesus, ela própria duvidou, mas nunca desistiu da sua missão, ajudar os Zé Tugas que encontrou no seu caminho, pois todos eles eram filhos e rosto de Deus.

Obrigada pela paciência e desculpem a minha própria lógica de pensar e sentir...
bjs

Anónimo disse...

A sua descricao, Padre, e, infelizmente, um retrato perfeito dos catolicos portugueses. Oxala o ano da fe permita uma alteracao nesta maneira de agir.
Porem, tambem e necessario um melhor acolhimento por parte da Igreja.
Deixa-me sempre perplexa ver a quantidade enorme de fieis que recebem a Comunhao, pois nao acredito que todos reunam as condicoes necessarias para O.
fazerem dignamente. Sei de casos concretos em que se consideram em condicoes porque nao mataram nem rouibaram, logo nao tem pecados Mas tambem confessar e uma dificuldade acrescida, porque, actualmente, e muito dificil encontrar onde.
Tambem houve uma mudanca algo abrupta de um Deus exigente e que castida com dureza para um Deus
cheio de amor e misericordia e que tudo perdoa.Enfim, penso, que neste Ano da Fe, reria util uma maior informacao e formacao religiosa.
Um abraco

Confessionário disse...

Olá, Joana

Mas quem é que está a falar de julgar o Zé Tuga?! Antes se está a julgar a incoerência dos ditos católicos. Não está em causa uma pessoa, mas uma forma de se ser católico que não é nada autêntica e que está muito longe daquilo que Deus sonhou para nós. Se não queres ser católico, és livre de o não ser; mas se queres, então que o sejas realmente.

Tb não estão em causa as fragilidades e/ou dúvidas e/ou inquietações do Zé Tuga, mas sim a sua atitude e opções. Aliás, geralmente os Zé Tugas não têm fragilidades, dúvidas e inquietações. Quem as tem são mais aqueles que estão a fazer caminho e à procura da Verdade.

Ainda assim, isso não impede que se acolha o Zé Tuga e que se ajude... se ele quiser ser acolhido e ajudado... porque a maior parte destes Zé Tugas não o quer. Quer é que aceitem a sua opção porque é sua e não porque seja a melhor.

Em conclusão: não devemos dizer que é Bem ou Bom aquilo que não é, só para parecer que não julgamos ou que somos tolerantes. Jesus nunca abdicou de dizer a verdade, mesmo que lhe custasse a morte, e apontou muito, mas muito, o dedo aos incoerentes e aos que usam a Igreja e o próprio Deus de forma errada, ou melhor, incoerente.

Não leves a mal... mas é para pensares. beijitos

Joana disse...

Desculpe-me sr. padre, mas ao questionar a incoerência dos ditos católicos, não estará jà à partida a julgar as suas acções?

Desculpe este exemplo, sei que não tem nada a ver, mas faz-me pensar, o Luis é do Benfica e o seu filho que tem 7 anos, simpatiza com o Sporting, então como o Luis tem a certeza que o Benfica é a melhor equipa do país e do mundo, quer como é óbvio, o melhor para o seu filho, logo tenta convencê-lo a mudar de opinião, o filho como gosta muito do pai e não quero vê-lo triste, até aceita ser Benfiquista, mas quando está sózinho com a mãe diz para não dizer nada ao pai, porque ele ficaria triste, mas ele gosta mais do Sporting.

Explique-me então sr. padre, qual é a melhor forma de ser e de agir neste mundo, para que sejamos aceites por Deus.
Viver Jesus à sua maneira, para ficár-mos bem aos olhos dos pais, igreja, sacerdote, ou comunidade cristã, ou vivê-LO de coração?

Não é mesmo o sr. que nos ensina, que Deus é misericordioso, que é amor, que não é um carrasco sempre a culpár-nos e a julgár-nos de tudo? Que usa óculos e se esquece de colocá-los, quando fazemos algo de mal?

Qual de nós é melhor pessoa, o meu irmão/vizinho, que se diz Testemunha de Jeová, eu que me reconheço católica incoerente, ou o sr. pe. que é um católico convicto e cheio de certezas e de bons frutos?

Qual de nós é melhor e mais justo, aos olhos do Pai, qual das religiões é a melhor?

Qual de nós é melhor pessoa?
Qual de nós é mais santo, mais merecedor do Amor de Cristo?

Porque eu considero-me um "Zé Tuga" e tenho a certeza que sou indigna do Amor de Deus, mas quando morrer, não quero ficar eternamente sentada sem saber o que responder, mas também, terei que arcar com as consequências dos meus actos e pensamentos menos bons.

Quero que Jesus me acolha e esqueça os óculos nesse dia, para só ver as coisas boas que fiz, mesmo que sejam muito poucas, quero a piedade e a misericórdia e não o dedo da culpa virado para mim, pois já é suficiente a culpa que eu própria carrego comigo.

Não quero estar na primeira fila, mas não me importo nada, de estar na última, desde que seja, nas migalhas do Amor da Sua Presença.

Será que por ser como o Zé Tuga, mereço ficar sentada a pensar eternamente na resposta?
Tenho receio da sua resposta padre...

bjs

maria disse...

Olá, J.

li o teu texto, comentários e também o teu comentário à Joana.

Eu sugiro algo diferente: O José Tuga, na família, no trabalho, no lazer etc. E também todos os sistematicamente participam nos diferentes ritos: missa, demais sacramentos, formações etc. Nesses diferentes ambientes o que é que os distingue?

Dizes que Jesus nunca abdicou da verdade. Assim nos chegou o seu testemunho. Mas olha que o ênfase do Jesus dos Evangelhos não era no Templo nem nos seus rituais. "Não foi o homem feito para o sábado, mas o sábado para o homem."

É com alguma mágoa que li aqui comentários de mães a lamentarem-se porque os filhos já não frequentam a Igreja, mas não as li a darem graças a Deus porque são honestos, trabalhadores, amigos delas...

A liturgia da Palavra deste domingo incita-nos a fazer escolhas. Seria tudo demasiado simples se as nossas escolhas se restringissem apenas a sermos assíduos a alguns sacramentos "só porque sim". Por preguiça, comodismo, insegurança de algumas propostas da Igreja, parece que somos levados a ser cristãos só "porque sim". As propostas de Jesus são o posto disso.

Beijinhos

Confessionário disse...

Ó Maria

O texto fala do mau uso e do uso incoerente dos sacramentos por parte daqueles que se acham católicos. E mais te digo, as pessoas podem até ser boas e não serem católicas. Para ser católico não basta ser honesto ou bom. E Jesus instituiu os sacramentos para ficarem numa prateleira?! E mais te digo que se uma pessoa se esforçar por ser católico no dia a dia das suas atitudes, mas não for beber à fonte, tb não será um bom católico.

Expliquei?!


Confessionário disse...

Joana,

Não se trata de saber quem é melhor ou mais amado por Deus. Isso é que não se pode julgar. Só Deus.
Trata-se, repito, de saber da coerencia dos ditos católicos. E aquilo que Jesus mais criticou foi exactamente isso. Tanto a Joana como a Maria estão a confundir as coisas deste texto...
A Maria falou da liturgia de ontem, Domingo. E reparem que Jesus não tornou as coisas mais faceis. Preferiu perder discípulos. Nós, às vezes, queremos tornar as coisas mais faceis... se calhar para nos desculparmos. Para Jesus é Sim ou Não, mas nunca Nim!
No meu texto eu falo dos católicos "Nim"...

Vou evitar fazer mais comentários aqui. O meu comentário é o texto do Zé Tuga, e ponto final.

Anónimo disse...

Padre, nós facilmente arranjamos desculpas para nos salvaguardarmos das nossas opções! Deixe lá, que o texto está excelente (e retrata essa incoerencia que fala dos católicos que temos hoje, como eu nunca vi), de forma directa e com bom humor.

Anónimo disse...

Concordo contigo, confessionário. se não querem ir à missa, que não vão; mas depois não exijam missa no casamento ou no funeral; se não querem ir à missa, que não façam a 1ª com; se o crisma não lhes diz nada, que não se crismem...

Desculpem-me a Joana e a Maria: Não há honestidade e bondade nas pessoas ou atitudes que enumero em cima!
L

Rosa disse...

Força Confessionário, não desista,desinstalar é levar-nos a pensar,a deus,quer se goste ou não,é Fabuloso e a realidade todo o texto

Joana disse...

Padre, não fique chateado com os meus comentários, acho que o tirei dos eixos.
Mas, não era esse o meu objectivo...

O que eu pretendia saber, era se o Zé Tuga, por ser um católico incoerente, ou Nim, é menos católico, do que os coerentes?

Porque há quem se afirme, católico não praticante e isso não existe, ou se é, ou, não é católico.
Então o que é um católico incoerente?

Somos todos católicos, porque somos baptizados e pertencemos ao povo de Deus.
Por isso, não podem existir católicos Nim, porque todos dissemos Sim a Deus, pelas mãos dos nossos pais, no baptismo.
Não é Padre?

Por favor não se zangue, nem altere, não há necessidade disso, eu é que sou um espirito inquieto e insatisfeito e interrogo-me sempre sobre tudo. E por vezes faço de advogada do "diabo", sem querer.

De qualquer forma desculpe a minha ignorância e falta de conhecimento, sobre o assunto em questão.
Acho que eu é que deveria pedir mais formação e informar-me melhor...

Não deixe de comentar pe., pois é importante o que diz, você é um evangelizador como Pedro e Paulo, (nunca se esqueça disso), eu e muitos, é que somos apenas almas peregrinas e rebeldes em descoberta das certezas, que você já encontrou.

Fique bem, um abraço de paz :)
Bjs

Confessionário disse...

Ó Joana,
Nao tenhas medo. É só uma discussão e é nas discussões que se faz luz.
Mas devo dizer-te que não se é verdadeiro católico por se estar baptizado. É-se católico se houver coerencia entre o baptismo e a vida da pessoas, que passa pelos sacramentos feitos com verdade e a pratica diária dos valores do Evangelho. Podemos, da mesma forma e com o mesmo raciocínio, dizer que nem todos os que vão á missa são verdadeiros católicos.
Os católicos Nim só são católicos de nome. Percebes agora?
E percebeste porque é que não se tratava de julgar a pessoa?!
Não me zanguei!
bj

Anónimo disse...

Adorei esta postagem e 100% verdadeira... Parabéns... rezemos pela conversão destes muitos "Zé Tugas"... Abraço

maria disse...

"E Jesus instituiu os sacramentos para ficarem numa prateleira?!"

Tens a certeza que querias mesmo dizer isto?

É que se se assume que os sacramentos (e o único sacramento é Jesus...depois presente nos diferentes símbolos/sinais)são como um bem de consumo e que só se acede aos mesmos através de cumprir esta e aquela disposição, então temos a perversão daquilo que significa a Encarnação: Amor gratuito.

Os sacramentos não são magia nem bens de consumo. Cada um só vive em comunhão se aceita comprometer-se com o projecto de Jesus.

Voltamos ao princípio: que compromisso?

Depois dizes que é necessário ir à fonte. Pois é. Completamente de acordo. Mas a fonte está refém de algum grupo ou lugar?

Ah, ok! se és católico...católico ou seguidor de Jesus? Só se pode ser seguidor se Jesus sendo católico?

"Disseram a Jesus: Está ali a tua mãe e os teus irmãos..." toda agente conhece o resto.

Alguém sugere que rezemos pela conversão dos outros. Rezemos sobretudo pela nossa para que tenhamos um coração e vida cada vez mais identificados com aquele que professamos.

maria disse...

mais uma achega ao que queria dizer:

«Hoy seguimos ignorando la propuesta de Jesús. En nombre del evangelio seguimos ofreciendo unas seguridades derivadas del cumplimiento de unas normas. No se invita a los fieles a hacer una elección de la oferta de Jesús, porque no se les presenta dicha oferta. Hemos manipulado el evangelio para salir con la nuestra. No nos interesa el mensaje de Jesús, sino nuestros propios anhelos de salvación que no van más allá de la sola carne.

Hasta la eucaristía, que es el símbolo (sacramento) de la entrega, la hemos convertido en objeto de adoración, para evitar el compromiso de dejarnos comer. No queremos ni oír hablar de la realidad significada: el don de sí mismo.

Es descorazonador, seguir pensando que Dios está más presente en un trozo de pan, que en el ser humano que sufre y espera nuestra comprensión y ayuda. Es decepcionante que la celebración de la eucaristía, no tenga ninguna repercusión en nuestra vida real ni me exija cambiar nada.»

daqui:http://feadulta.com/es/comentcol1.html

Confessionário disse...

Maria, estamos praticamente de acordo. Por os sacramentos não serem bens de consumo é que é um contracenso tratá-los como tal e os "Zés Tugas" é o que fazem. O resto é o resto, e já o expliquei em outros comentários que aqui coloquei em respostas...

Maria Carminho disse...

Somos chamados a ser testemunhas do amor íntimo de Deus. todos nós fazemos parte co corpo místico de Cristo, que é a sua igreja. Uma atitude boa ou má por parte de um só dos seus membros, afeta todos os outros membros. Só é possível sermos testemunhas do amor íntimo de Deus se nós próprios vivermos em íntima união com Ele. Vivermos em íntima união com Ele é uma caminhada para a vida inteira, e à qual todos somos chamados. O poder interior da Igreja é o próprio Espírito Santo, que nos transfigura, nos eleva e nos transforma em verdadeiras cópias de Jesus Cristo. O Espírito Santo não se revela aos que têm orgulho intelectual, mas revela-Se aos simples e aos pobres em espírito. Ele diz-nos: "Far-vos-ei ricos através da vossa pobreza, fortes através da vossa fraqueza, zelosos e fiéis através da vossa miséria; um vivo Altar da Nossa Santidade Trinitária, através da vossa nulidade". Esta nulidade significa a nossa total pobreza diante de Deus, que sem Ele nada somos. Somos chamados a fazer a vontade do Pai. Como podemos descobrir a vontade de Deus para as nossas vidas, como podemos descobrir as nossas misérias, o nosso mais profundo pecado se não procuramos caminhar humildemente com o Sennhor? E caminhar humildemente com o Senhor é permitir que Ele cresça em nós...nos transforme n'Ele...e isto só é possível com a fequência dos sacramentos e com vida de oração. Esta frequência dos sacramentos e vida de oração se feitas com humildade, tráz inevitavelmente o amor de Deus para amarmos o próximo como Ele ama. E sempre que rezamos pelos outros, o que é um dever de caridade, estamos sempre a rezar por nós mesmos, o que fazemos pelos outros regressa a nós. Como é possível que Jesus Cristo nos tenha deixado dois sacramentos tão importantes como são a eucaristia e a confissão e nós tenhamos a coragem de dizer: não... eu não preciso disso... estou bem assim.... Só por isso já precisamos de confessar a nossa pouca humildade diante de Deus, o orgulho da nossa auto-suficiência.... Deus não nos obriga a aceitarmos os Seus sacramentos, mas por favor, não digamos que o que Ele instituiu não é assim tão importante! Como conseguimos amar verdadeiramente o nosso irmão sem que Deus cresça no nosso interior? Um abraço a todos.

Maria Carminho disse...

E é verdade que rezo pela minha própria conversão, peço a Deus que troque o meu coração de pedra pelo d'Ele, de carne. Peço-Lhe o dom do verdadeiro arrependimento...que Ele cresça em mim...

maria disse...

há o "Zé Tuga" e a "religião do gato" (cá para mim uma é inseparável da outra):

"Era uma vez um guru que todas as noites fazia meditação com os seus discípulos. Um dia, um gato entrou na sala e, correndo por todo o lado, perturbou a meditação. O guru ordenou então que se prendesse o gato fora, durante a hora da meditação. Deste modo, todos puderam meditar sem serem importunados. O tempo passou. O guru morreu e foi substituído por outro guru, que tudo fez para que se respeitasse estritamente a tradição, dizendo, entre outras coisas, que era necessário prender um gato fora, durante a hora da meditação. Quando também o gato morreu, procurou-se outro, para prendê-lo fora, durante a hora da meditação. Uma vez que as pessoas não compreendiam o sentido desta medida, apelou-se a teólogos, que escreveram dois grossos volumes cheios de notas sobre a necessidade sagrada de se ter um gato preso fora, durante a meditação da noite. O tempo passou, a meditação caiu fora de uso, já ninguém se interessava por ela. Mas, para respeitar o rito, continuou-se a prender um gato."

daqui: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2735086&seccao=Anselmo%20Borges&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

maria disse...

"O Espírito Santo não se revela aos que têm orgulho intelectual, mas revela-Se aos simples e aos pobres em espírito."

bem me parecia: não se sabe distinguir "simples e pobre de espírito" oremos...é que o orgulho pode assumir tantas formas: a maior de todas é que não se possui tal coisa.

isto não é para ofender, mas não vou fingir que não li.

HD disse...

Vi o texto do Zé Tuga…interessante pela ousadia e contundência
e surgem-me algumas ideias :
- a descrição encaixa que nem uma luva em muitos de nós católicos…
- é um facto ,a falta de coerência em muitos “católicos”
-que se servem da Igreja como um supermercado …
-que criticam por tudo e por nada , a maioria das vezes de forma injusta e pouco esclarecida…

Mas convenhamos:
-Em muitos casos estes são os frutos, de uma pastoral inadequada…existem casos pontuais de paroquias onde por força de um carisma pastoral do pároco e dos leigos comprometidos localmente, onde a realidade é bem diversa. Gente comprometida com o Evangelho de Cristo ,onde se sente a juventude a fervilhar!!!!
…mas em regra não é isto que se passa. E o problema é de quem acolhe ou de quem difunde?
-Que teimosamente muitas paróquias apostam na quantidade (cristandade) em vez da qualidade da catequização (cristianização)– é ver a facilidade com que pessoas impreparadas tanto do ponto de vista pedagógico como catequético, aparecem como catequistas…e estão há espera que os jovens “agarrem” uma mensagem de Vida, quando tudo o que lhes é proposto, nada tem de apelativo?
- Quantos párocos baixaram os braços e fazem uma pastoral de mera continuidade, com um mínimo de problemas?
- A banalização dos Sacramentos: critica-se a facilidade do Divorcio, mas quantos exigem coerência a quem pede um Casamento Católico?
Muitas paróquias são um deserto de jovens…mas será que as respectiva equipa pastoral está decidida a mudar de estratégia para levar a Boa Nova aos mais novos?
A culpa não são as más gerações…são a ausência de estratégias pastorais e a falta de formação nas Dioceses nos últimos 30\40 anos , distraídas da realidade e pensando que os modelos pastorais de há 4 décadas resultariam…
Os resultados estão há vista. Aliás hoje o clero tem obrigação de estar mais bem preparado, só que tem uma tarefa ciclópica de correção de erros de anos pela frente, por vezes com poucos meios e sobretudo com escassez de recursos humanos.
E há vícios, que são difíceis de mudar!
Mas eu acredito que é possível !
O que importa mesmo é saber Semear e não parar de o fazer!
HDias

Peregrino disse...

Quando li pela primeira vez este POST o meu coração sabia que a VIAGEM seria longa e agitada pelas marés dos diálogos humanos que abriram aqui sulcos e foram dando forma aos rios da comunhão que acolhem e são acolhidos nesta barca do Confessionário…!

Na minha última intervenção neste tema permitam-me partilhar duas interrogaçães-inquietações que vão tomando forma no meu coração a cada momento em que a minha alma espreita mais para lá das amuradas desta barca do Confessionário, que são todos os vossos corações que aqui partilharam um pouco do seu pão…



… creio que, sem nos darmos conta, talvez nas tentativas de cortar forte as contra-correntes que nos impedem de avançar mais rapidamente nesses oceanos agitados da Fé onde navega a Igreja hoje, acabamos por forçar demasiado o ritmo da barca e corremos o perigo de ficar encalhados no diálogo de quem crê que as suas certezas são a toda a prova de erros humanos…

… já vi muita gente a tentar arrancar o “joio” antes de tempo… acreditem… não vou aqui descrever o resultado dessa CEIFA tão humana…(Mt 13, 24-30)…!

A segunda inquietação leva-me a meditar na MISERICÓRDIA DO PAI…

… peço fortemente ao Senhor que todos aqueles(as) aqui escrevem e também os que chegam apenas a ler… façam um dia também parte daquele GRUPO de CONVIDADOS encontrados pelas ruas da vida para aquelas BODAS que tantos outros rejeitaram, tão seguros e atarefados que estavam nas suas caminhadas, certezas e seguranças muito pessoais... (Mt 22, 1-10)…!

No entanto, como dizia a Maria de (28 Agosto, 2012 13:33)… “… não vou fingir que não li…”… eu também não posso “fingir” que não li o outro pedaço e muito forte que termina este 22ºCapítulo do Evangelho de Mateus…

“E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”
(Mt 22,12-14)…!

São palavras muito fortes… duríssimas… muito…!

...que o Senhor tenha Misericórdia de todos nós… Trigo ou Joio todos fazemos parte da mesma SEARA…!

Peregrino disse...

CORRECÇÃO:

Desculpem, ”…o outro pedaço e muito forte…” não termina o 22º cap. vai sim no seguimento do contexto do cap 22 que termina no (vs. 46)… horas de dormir… mea culpa… sorry!

Joana disse...

Sr. padre, desculpe insistir mais uma vez, mas eu quero aprender e principalmente compreender!

Fui estudar um pouquinho e encontrei um livrinho, que costumava usar em criança na catequese, para poder participar na missa. Tem por titulo de capa "Creio em Deus."

E eis o que encontrei:
Mandamentos da lei de Deus, que como todos sabemos, são 10, segundo Moisés:

1º- Adorar a Deus e amá-LO sobre todas as coisas;
2º- Não invocar o santo nome de Deus em vão;
3º- Santificar os Domingos e festas de guarda;
4º- Honrar pai e mãe( e outros legitimos superiores);
5º- Não matar (nem causar outro dano, no corpo, ou na alma, a si mesmo ou ao próximo);
6º- Guardar castidade nas palavras e nas obras;
7º- Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo);
8º- Não levantar falsos testemunhos(nem de qualquer outro modo, faltar á verdade, ou difamar o próximo);
9º- Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos;
10º- Não cobiçar as coisas alheias.

Estes 10 Mandamentos encerram-se em 2 que são: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos.

Qual é o mandamento, onde está escrito, participar na missa inteira aos domingos e dias Santos e abster-se dos trabalhos servis?

Qual é o mandamento, onde está escrito, confessar-se ao menos uma vez por ano?

Qual é o mandamento, onde está escrito, comungar ao menos pela Páscoa da Ressureição?

Qual é o mandamento, onde está escrito, fazer penitência segundo as normas estabelecidas pela Igreja?

Qual é o mandamento, onde está escrito, contribuir para as despesas do culto divino e para a sustentação de quem está ao seu serviço?

Não é verdade, que são estes os 5 mandamentos da Santa Igreja Católica?

Agora pergunto sr. padre, sem malícia, nem segundas intenções, pergunto porque não sei mesmo, quem fundou a Igreja Católica?
Quem ditou os seus 5 mandamentos?

Não pode ter sido Jesus, porque muito antes Dele viver entre nós, os templos e os sumos sacerdotes já existiam, por isso muitas vezes Jesus pregou nos templos e sinagogas, não foi?

Outra coisa de que me recordei, Jesus era judeu. Porque se chama então Jesus Cristo?
No pouco que conheço dos 4 evangelhos, todos se dirigem ao Mestre ou Messias, só e apenas, como Jesus, e alguns seguidores tratavam-no como Jesus o Nazareno.

Apenas nos actos dos apóstolos e cartas aos Romanos, Coríntios, Gálatas, Filipenses, Colossenses, Tessalonicences, Timóteo, Hebreus, Tiago, Pedro, etc. se começa a tratá-lo por Cristo e Senhor.

Muito sinceramente não entendo esta passagem da história da biblia e da Igreja Católica.
Talvez me possa elucidar e ajudar padre.
Obrigada!
Bjs

Maria J. disse...

Sim...o sermos "promovidos" de massa acéfala dos chamados fiéis por tantos séculos a membros actuantes do corpo de Cristo pede muito esforço de transformação das estruturas para que a Palavra se entranhe e se faça carne em cada um de nós.

Maria Carminho disse...

É uma verdade de Jesus Cristo que o Espírito Santo se revela aos simples e pobres de espírito.
O que disse não me ofendeu porque a verdade acerca de mim mesma Deus conhece-a.
O que pretendi dizer foi que muitas vezes pretendemos um Deus à nossa imagem e semelhança, uma igreja adequada à nossa maneira de ser e de querer. O que aqui está em discussão são os sacramentos. E lido com muitas situações em que os pais inscrevem os filhos na catequese, faltam que se farta e depois querem a todo o custo que recebam os sacramentos. Por mais que lhes digamos que não têm a preparação suficiente, não entendem, e depois vão falar com o pároco porque a/o catequista não compreende. E os filhos fazem a sua comunhão tão desejada cheia de pompa e circunstância e nunca mais põem os pézinhos na igreja... Estes casos ABUNDAM!!! A primeira comunhão deve ser a primeira de várias...mas na maioria é a última...até que regressem...e como disse aqui alguém...se encontrarem o caminho, é que podem afastar-se demasiado. Mas se Jesus Cristo instituiu os sacramentos é porque são importantíssimos para a nossa felicidade. Nós somos livres de escolher o nosso caminho, o que não podemos dizer é que os sacramentos não são tão importantes assim... mas são importantes para as festas...

peregrina disse...

Causa pena e dor ver que isto é uma triste realidade nos nossos "cristãos" que se dizem crentes mas criaram a sua fé (zinha)e estão acomodados nela, é triste... mas quem sou eu, apenas uma peregrina também com muitas limitações.
Há muito que venho lendo os seus posts.
Obrigado pela fé viva e vivida e posts que nos tocam.

Joana disse...

Peregrino...

Permita-me perguntar-lhe, mas, o que quis dizer, nas suas ultimas mensagens?
Acha que todos os que somos como o "Zé Tuga", somos joio?

O que achou da leitura do artigo/opinião, do Padre Anselmo Borges, sugerido pela Maria?

Bjs

maria disse...

Peregrino

(Mt 22,12-14)

e o que significa a veste nupcial? Alguma eclesiologia identifica-a com o sacramento do baptismo. Será? Mas sendo, o que significa o baptismo na história da salvação?

Trigo e joio: todos somos uma coisa e outra. Um dos obstáculos que mais sinto na Igreja é a dificuldade em aceitar as próprias sombras. Mesmo com uma história de cultivo da culpa e de expiação, as sombras são sempre dos outros. Ou os outros, que é ainda pior.

No capítulo 15 de Lucas, encontramos as chamadas parábolas da misericórdia. Também elas são para levar a sério e tirarmos as devidas consequências.

Creio que é comum a todos nós a noção de que seguir Jesus é duro e exigente. Mas nessa proposta de exigência não se pode esquecer a misericórdia e o amor gratuito, que são uma e mesma coisa: Deus.

Carminho,

é demasiado comum, identificar os que interpelam e questionam, de arrogância intelectual. Com que bases?

Nos primeiros tempos da Igreja, as primeiras comunidades também se debatiam com muitos problemas semelhantes ao que nos têm aqui em diálogo. Paulo, por exemplo, questionou sobre a obrigação de circuncisão dos cristãos que não pertenciam ao povo judeu. E chegaram a um entendimento. Classificá-lo-ia de arrogância intelectual?

Eu conheço as dificuldades que refere em relação à catequese...quando é que a Igreja vai repensar seriamente sobre o baptismo a crianças sem o uso da razão e a consequente preparação para os sacramentos de iniciação cristã?

Ana Melo disse...

Joana
Va´! Lá!

Volta e reler os teus comentários, analisa-os (mandamentos/misericórdias) da tal 3ª forma de ver as coisas! daquela maneira que “parece” que nos caíram umas “escamas” dos olhos!

O exemplo mais simples; não importa a cor das camisolas (o jogo da bola é um jogo bonito), não importa quem ganha ou perde! áliás, se for para criar guerras! mesmo que te custe, reza/sofre/recua/silencia …, e deixa-os ir, deixa-os “ganhar”.

(O resto é feito por gente como nós cheia de virtudes e defeitos, se não conseguimos mudar o mundo todo (idolatrias/rituais), vamos mudando o nosso, dentro ou fora da paredes da igreja, à minha sobrinhada costumo dizer que lá (missa) não se aprende nada de mal)

Beijo

Peregrino disse...

Joana

...não me parece!... ter dito em nenhumas das minhas intervenções que os tais “Zés Tugas” eram o Joio…! Mas… (com a permissão do nosso Irmão Padre)… vou tentar simplificar as coisas de forma a lançar aqui alguma luz sobre o que quis dizer-significar:

Sabes, Jesus utiliza esses dois elementos da natureza, Trigo e Joio, como também utilizou tantos outros porque um dos seus “objectivos” era e é ainda hoje, comunicar-ensinar algo de uma forma SIMPLES (nós é que complicamos tudo…)… por isso utiliza dois elementos naturais que eram conhecidos da gente simples daqueles tempos!

Quem conhece bem estas duas plantas sabe que é muito difícil identificá-las quando crescem juntas numa seara… só quando chega o momento em que já amadureceram e estão prontas para a ceifa é que as coisas ficam mais claras…!

Dois PORMENORES muito importantes que estas duas plantas carregam:

Um deles tem a ver com o fruto que produzem!

… enquanto o Trigo dá umas sementes (grãos de trigo) que depois de triturados se transformam na tão conhecida farinha com que fazemos o pão…

… o Joio não produz nenhuma semente sendo a sua espiga completamente oca…!

Outro pormenor interessante! na altura em que ambos já AMADURECERAM totalmente estando assim prontos para a ceifa, as espigas do Trigo assumem uma postura… como se estivessem DOBRADAS sobre si mesmas, enquanto o Joio se mantém FIRME E ERGUIDO no meio da seara!

… existem muitos outros pormenores mas quis focalizar-me apenas nestes dois porque me parecem “suficientes” e de uma CLAREZA para comunicar o que acredito seja um dos fortes conteúdos desta parábola que nos ajudará também a chegar à tua pergunta…!

Repara na POSTURA dos dois… o Trigo numa postura como que de HUMILDADE ali, alquebrado, CARREGADO DE FRUTOS que ao tombarem na terra vão dar espaço a novas espigas que produzirão mais tarde outras sementes (frutos)…

"Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." - (Jo 12,24)

O Joio, ali lado-a-lado com o Trigo, mas numa postura completamente diferente… ALTIVO, também cheio de beleza e força, no entanto, completamente VAZIO de frutos… ÔCO por dentro…!

Também… (não sei se sabes), mas se misturarmos o Trigo e Joio aquando do processo da moagem, este último provoca uma espécie de “envenenamento” do produto que sairá como resultado da trituração sendo perigoso para consumo!

Joana, lançaste-me uma pergunta…! E eu creio que depois de meditares bem sobre o que aqui partilhei… (tentei ser simples mas…quem me dera a mim a simplicidade de Jesus…!)… creio que será para ti mais “fácil” seres tu agora a responderes à tua primeira pergunta…

… ora, medita e verás que no teu coração poderás identificar (repara bem no verbo que utilizei, IDENTIFICAR… não o verbo JULGAR…)… sobre o SIGNIFICADO de ser CRISTÃO-TRIGO ou de ser CRISTÃO-JOIO… que abundam no meio dessa grande seara que é a Igreja…!

Quanto à tua 2ª questão… bom… sobre os GATOS (tema da crónica de AB… que é pertinente e forte…) a verdade é que tais sombras de felinos abundam… dá para perceber isso muito bem pelos ruídos das miadelas que se escutam nas muitas queixas que soam às portas dos templos.. (…ele é porque tudo está mal… ou porque não se fez tal e tal… ou porque fulano e sicrano...!)…

… a verdade é que nunca estamos satisfeitos… como aquele Irmão mais velho do Filho Pródigo, ainda não demos conta da RIQUEZA que temos mesmo ali bem pertinho de nós… e depois… bom, perdoa-me Joana, mas eu já não dou mais para esse “peditório” … alimentar tal mesa onde se serve tal COMIDA de GATO não é o meu caminho… o meu caminho é Cristo e é nisso que quero focalizar e centrar o meu coração…

Beijos na alma no Pai que nos ama eternamente…

Peregrino a naufragar disse...

Olhem que o irmão Padre já está ali a chamar-me com o "olhar" ao “confessionário”… vai ser "dezenas" sem conta pela certa… e a culpa é vossa… ai misericórdia…

Ó alma de Deus com nome de Maria de (29 Agosto, 2012 13:35)…

Sobre a Trigo e o Joio serem “todos a mesma coisa” já disse algo sobre o tema na resposta à Joana… (mas é uma opinião apenas pessoal… ai Jesus quem sou eu…não esqueçam essa condição humana-barrenta que possuo… pf…)

Sobre o tema da “veste nupcial” que utilizei antes num dos meus comentários (28 Agosto, 2012 23:10) a este POST … nesse episódio de (Mateus 22, 1-14) …sempre me pareceu que esta “irritação” do Senhor tem a ver com toda uma caminhada de Fé e ainda assim não se estar plenamente preparado para as Bodas do Cordeiro… muito parecido por exemplo com a questão de se viver os Sacramentos sem mergulhar profundamente neles com a vida, gestos e oração… tantas vezes dou o exemplo da festa da Eucaristia que mais parece um “funeral”…

… recordem também aquela outra “irritação” de Jesus com Filipe, Tomé e os outros por causa das suas interrogações, logo eles … gente que ainda por cima andavam há muitos dias a caminhar lado-a-lado com o Mestre… (João 14)…

Assim “parecem” muitos muitos… cumprem tudo e certinho, sabem tudo e conhecem todas as doutrinas e afins… mas na hora da DECISÃO ainda lhes falta alguma coisa, esse é o significado do episódio e da questão ali levantada na falta da “veste nupcial”…

Depois, quando chega o Senhor andamos aflitos porque falta alguma coisa… faz-me recordar aquele episódio das 10 virgens (Mt 25,1-13)… cinco prudentes, e cinco loucas….assim como aconteceu com o azeite que ali faltou… asim acontece(u) com a VESTE NUPCIAl….

Falta-nos a muitos… mais do que anos e anos de caminhada cristã… falta-nos a muitos aceitar ainda a GRAÇA totalmente… vestir-nos dessa VESTE para acolher a totalidade da Misericórdia do Pai…

… eu creio que é algo parecido a isto que ali se passou… estamos mais preocupados com conhecimento e outros caminhos e pouco com a Graça…! … sempre temos que “acrescentar” mais alguma coisa muito nossa… (…uns são GATOs outros é kilos e kilos dessas espécie de quinquilharias “religiosas” que tantos procuram ao estilo de compensações… etc…)… parece que sem esses “acrescentos” não chegamos lá… a CRUZ parece que ficou incompleta e o Senhor ainda não ressuscitou.. que me perdoem as palavras…

Depois para que servem os Sacramentos se andamos pelas “tendas” do mundo em busca de tudo menos deles…!

Olha Padre Irmão Confessionário… agarra o leme e toma mas é conta disto porque já me meti em correntes e ventos contrários e a coisa está a ficar agitada… acode-nos… quem lançou ventos foi vossemecê por isso faça o favor… acolha… ai este Post .. ai Senhor e ainda a “procissão” vai no adro… 30 comentários e não sei quantas visitas já… tá a ficar lindo isto tá….

Maria Carminho disse...

Maria: se ler com atenção o que escrevi vai compreender melhor. Não acusei quem quer que seja de questionar ou interrogar. O que quis transmitir foi que se Jesus Cristo instituiu os sacramentos, quem somos nós para dizer que não precisamos deles...que eles não são importantes? E o orgulho a que me referia é precisamente este: de não se precisar dos sacramentos d'Ele! Se Jesus diz o contrário, vai convencê-l'O? E estou a repetir-me!
Que o Espirito Santo a ilumine e a encha da Sua Graça.

Um abraço em Cristo.

Confessionário disse...

Ó peregrino a naufragar... não tenho muito tempo... lol

maria disse...

Carminho,

acha que é caso de ir regatear com Jesus sobre os sacramentos. E onde é que me encontro com ele para esse tête à tête? :)

Sugiro-lhe um livro para leitura: "Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos" um ensaio do Leonardo Boff

no mesmo abraço :)


maria disse...

Peregrino, eu escrevi:

"Trigo e joio: todos somos uma coisa e outra". Há quem interprete a parábola (e parece-me que é o que faz)que uns de nós são trigo e outros joio. Não me parece o sentido da mesma, Jesus deu-nos um testemunho inclusivo, não exclusivista. Porque parece-me que ninguém se quererá considerar "joio", não é assim? O joio serão sempre os outros.

Considero que tiramos mais proveito da parábola se a lermos como sendo a seara de trigo (cada um de nós) que no meio do mesmo crescem uns pés de joio que nos impedem de ser o campo perfeito e "limpo". Bom, acho que todos sentimos a dificuldade que é mudarmos em nós aquilo que nos impede de ser semente boa...é preciso a sabedoria do "Agricultor" que no tempo devido nos prepara para a colheita.

Anónimo disse...

"Vou evitar fazer mais comentários aqui. O meu comentário é o texto do Zé Tuga, e ponto final."

Não gosto.
F.

Anónimo disse...

Amar a Deus sobre todas as coisas para poder amar o próximo como a nós mesmos. É muitíssimo porque o Reino de Deus constrói-se cá em baixo e tantas vezes fora dos templos.

Querem administrar os sacramentos, muito bem; não querem administrar, muito bem.

Pe Confessionário anda azedo como muitos dos seus colegas. Tente reconcilar-se consigo e com os outros e vai ver que se torna mais tolerante. Eu sei, eu sei que os padres sabem tudo e não gostam de conselhos mas é totalmente livre para o ignorar.

Abraço!

Anónimo disse...

Ainda lhe vou dizer mais uma coisa. Estas resistências surgem porque o Confessionário ainda não consegue AMAR verdadeiramente esses seus paroquianos...

Bj

Anónimo disse...

Eu sou o alguém que disse que pode nao se encontrar o caminho de volta. E tenho me mantido em silencio nesta discussão porque pessoalmente nao me interessa a forma como os outros vivem Deus. Neste momento interessa-me de alguma forma encontrar o meu caminho de volta. Mas para quem esta de fora da Igreja, este post do Zé Tuga é desconcertante porque de certa forma quem esta de fora se identifica com ele. Mais tarde nos comentários o Padre do Confessionário explicou que estes Zés são aqueles que nao tem duvidas, mas creio que o "mal" já estava feito e a confusão instalada. Quando eu li a primeira coisa que pensei foi:será que sou um Zé Tuga, (apesar de que eu me comporto de uma forma coerente, tal como já referi, nao faço os sacramentos por fazer....) ? Mas depois fui lendo os comentários percebi mesmo que nao era, que esta era uma critica aos "católicos" pouco informados, que no fundo estão tão perdidos como os que estão de fora simplesmente acham que nao estão. Pelo menos alguns que estão de fora (como eu) sabem que estão mesmo de fora e só entrarão convictos, plenamente convictos. Mas hoje rezei o terço com algumas pessoas na capela da minha freguesia, chorei por dentro e por fora. Nao comunguei (como poderia?). Nunca o fiz na minha vida alias. Mas no final o Padre ao me ver lá (alguém totalmente desconhecido) disse umas palavras, que eu entendi como para mim. E no meu intimo anseio que tenham sido para mim. Disse ele que Jesus fala a todos de diferentes porque somos diferentes mas que temos que ouvi-lo. E eu vim embora agradecendo por aquelas palavras. Respondendo à questão da fé (da sondagem) acho que de facto é preciso acolher, ser exigente, mas acolher porque quem anda perdido precisa de sentir que alguém se importa.

Peregrino disse...

…ò corações tão amados por Deus…. mais do que as palavras… o que importa é deixarmo-nos AMAR sem MEDO… e amar também os OUTROS com todas as nossas forças e com todo o nosso coração…

…o resto… não inquieteis o vosso coração… o vento e a temporalidade se encarregarão disso…!

” Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.
É nisto que em nós o amor se mostra perfeito: em estarmos cheios de confiança no dia do juízo, pelo facto de sermos neste mundo como Ele foi.
No amor não há temor; pelo contrário, o perfeito amor lança fora o temor; de facto, o temor pressupõe castigo, e quem teme não é perfeito no amor.
Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: «Eu amo a Deus», mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão.
(1 João 4,16-19)

… se começarmos a experimentar-viver radicalmente este Amor vão ver que depressa uma “revolução” e um novo Pentecostes irá acontecer dentro e fora da Igreja….


(pronto, prometo que já não falo mais....)

Anónimo disse...

Zé Tuga
Não é a Fé mas a Razão que nos torna únicos na criação e é por ela que um dia temos que responder.
Não vale muito a pena bradar contra “ Zés Tugas” e católicos “Nim”, quando nós “os bradantes” não somos capazes de explicar os nossos Dogmas e as incongruências que através da Fé queremos justificar.
Quando hoje se observa uma grande baixa e falta de convicção na prática religiosa talvez seja a altura para meditar e nos perguntarmos se não se deve também às muito devotas senhoras Conceição e seus mentores.
“ …. Por os sacramentos não serem bens de consumo é que é um contracenso tratá-los como tal e os "Zés Tugas" é o que fazem. O resto é o resto, e já o expliquei em outros comentários que aqui coloquei em respostas..” …mas, não é o “Zé Tuga”, que assim os trata, … e, quem diz que são sete, mas na prática apenas seis se for para a mulher.
Já agora, confessionário, uma pergunta muito directa: está mesmo certo de que quando dá a absolvição o penitente fica absolvido perante Deus
Cumprimentos do Zé Tuga

Confessionário disse...

Olá, caro "Zé Tuga"

Sim, a resposta é Sim.

E os homens tb só podem fazer uso de 6 sacramentos. E tu amas com o coração e não com a razão, e é esse que te traz ou não a felicidade. E sim, os mentores e as senhoras Conceições tb terão as suas culpas.
Que sejas feliz na tua busca!

Joana disse...

Ana Melo;

Li com atenção o seu comentário e compreendo o que disse.
Mas sinceramente, não deveria apenas responder aos seus sobrinhos, que lá (missa), não se aprende nada de mal. Realmente isso é verdadeiro, mas, não chega.

Pois por essa ordem de ideias, nos templos budistas, Testemunhas de Jeová, etc, também não se aprende nada de mal. Logo podemos frequentar e seguir todos...

Acho que temos que ter um pouco mais de convicção cristã, naquilo que aconselhamos e afirmamos, pois, segundo o padre confessionário e outros, nem tudo o que está do lado do bem, filosofias e afins, significa que seja bom... (ex. o REIKI, Testemunhas de Jeová, Astrologia e outras práticas esotéricas).

Neste meu último comentário, quero apenas deixar a seguinte mensagem:

Ouve uma atitude do meu querido e saudoso Papa João Paulo II, (que Deus o tenha em paz), que me emocionou e me mostrou uma vez mais, o grande coração de ser humano que possuía.

Quando esteve no muro das lamentações, colocando uma carta, com o pedido de perdão da Igreja Católica e frequentando os seus templos e mesquitas, com os sacerdotes ortodoxos e outros.
Para mim, aquele, foi um gesto de um Homem bom e justo, que reconheceu e mostrou a todo o mundo católico, que todos somos filhos de um único Deus e por isso todos irmãos, independentemente de O chamár-mos de Deus, Alá, Jeová, Buda, etc.

Com este gesto João Paulo II, assemelhou-se a Jesus, pelo menos, é essa a minha opinião, conhecendo o pouco que conheço d`Ele. Sem julgamentos, sem atirar pedras, apenas, amando e perdoando todas as nossas diferenças pessoais e religiosas.

Deus é um só, que nos pede para viver-mos em Paz e Amor com todos os semelhantes, independentemente das suas crenças religiosas, culturas, sexo, cor ou raças.

Não esquecendo que segundo a nossa filosofia e crença de vida católica, Jesus é o único Caminho para chegar ao Pai, independentemente de ser dentro da Igreja, ou dentro do nosso Coração.

Espero e quero acreditar que realmente assim seja, porque continuarei a pecar e a ser uma católica incoerente como o "Zé Tuga" conscientemente, enquanto entender que não existe nada de mal, nessa incoerência, apesar de também não existir nada de bom a 100%.

Definitivamente acho que acabei de me considerar uma católica Nim.
E espero que Deus me perdoe por isso.
Caso contrário, padre confessionário, acho que nunca nos chegaremos a conhecer, nem encontrar Lá em Cima!!! lol

Bjs a todos :)

Anónimo disse...

Zé Tuga
Já percebi que não quis perceber (passe a redundância) e vai continuar a chutar para canto. Quando falei dos sacramentos estava a referir-me ao facto de o sacramento da ordem estar vedado às mulheres :(( Quanto ao resto, tenho para mim que DEUS é justo e não pede deixar ao arbítrio de um homem ( sujeito ao erro pela sua condição humana), tarefa tão importante! Teríamos o arbítrio do homem a condicionar o ARBITRIO de DEUS. Tempos houve em que era o bode expiatório que incorporava os pecados e os expiava com a sua morte.
Cumprimentos do Zé Tuga

Confessionário disse...

Que confusão na tua cabeça, Zé que te intitulas Zé Tuga! Estás a tentar descobrir alguma coisa ou só a tentar contrariar?!
Não se tratou de nenhuma redundância (pois percebi o que quiseste dizer e tu não o que eu quis dizer), pois que, á partida, quem se "ordenar" não poderá "casar-se".
Quanto ao resto de que falas, gostava que soubesses que quem perdoa é Deus, através de um fragil instrumento que é o sacerdote. Não se trata do arbítreo dos homens (ou de alguns), mas de Deus.

Gosto muito de ver que estás inquieto, e isso é muito bom para quem quer ser cristão, pois só quem se questiona pode fazer caminho. Mas, sinceramente, parece-me que neste teu caminhar, deves ter um pouco mais de abertura, sobretudo de coração.
Não leves a mal esta observação, mas eu acho que tu não estás interessado em descobrir porquês ou motivações. Vieste com vontade de "picar" o padre! Ok, aceita-se. Mas aceita tb, e sem redundâncias

Abraço amigo

Confessionário disse...

Ó Joana, e outras pessoas a quem acho que se deve tb dirigir o que vou dizer a seguir:

O amor de Deus é de facto o mais importante. Não há nada mais importante que o Seu amor. Mas uma relação de amor tem dois lados. Não podemos abrigar-nos nesta ideia de que o amor de Deus basta, se da nossa parte não houver amor.
Não podemos dizer: ah e tal, Deus amam-me e portanto fico descansado! Não preciso de fazer mais nada!

A lei do Amor é a verdadeira lei de Deus, e por isso está acima de todas as normas e afins que uma Igreja possa ter. Mas até o Amor tem formas de existir e de se efectivar. O que é necessário, em qualquer caso, é que esse amor seja "regado". Então que se "regue". Com quê?! Com tudo isso que Jesus nos legou. E se quero ser autentico católico, não basta dizer que Deus me ama.

Espero ter ajudado e ter sido um pouco mais explícito.

Anónimo disse...

Caro confessionário.
Hoje, não tenho muito tempo. Mas, en passant, e simplificado as coisas, para que melhor se perceba direi:
a) “E tu amas com o coração e não com a razão, e é esse que te traz ou não a felicidade” , Este velho aforismo, caduco, redondo e inconsequente é desmentido pela prática. Se assim não fosse, nos transplantes, para além das compatibilidades fisiológicas tínhamos que ter em conta, cultura, religião, sexo, tendências sexuais etc. …etc. … Mas nada disso muda porque a Razão se mentem intocável. Aliás, fui transplantado com um fígado feminino e não fiquei com a personalidade afectada.
b) Deixando de lado os alinhavos e os godés (mas podemos voltar à temática dos sacramentos, mais tarde se assim o entender); o que eu gostaria de saber, para já, é qual o impedimento de merecimento ou teológico que afasta as mulheres de receberem o Sacramento da Ordem! Quando na pratica são elas que mais trabalham em prol da Igreja?
c) “gostava que soubesses que quem perdoa é Deus, através de um fragil instrumento que é o sacerdote. Não se trata do arbítreo dos homens (ou de alguns), mas de Deus.” Mais uma afirmação redonda que só tem vencimento porque é indemonstrável, e, em matéria tão importante acho que justifica-la com a fé é muito pouco , principalmente quando essa fé é inquestionável. Tenho conhecimento de que pecados retidos por um confessor são perdoado por outro. É também difícil, para mim, aceitar a presença de Deus nas confissões da idade média onde atos de tortura eram praticados. Parece-me que Deus dispensa bem o “frágil” intermediário.
Desculpe o português desalinhado e pouco escorreito escrito ao correr do teclado, mas, como já disse, hoje, não tenho tempo para mais. ÁH, Fé só é Fé quando é questionável, o contrário é Fanatismo.
Cumprimentos do Zé Tuga

Maria disse...

Meu Deus a que um simples e até hilariante post deu azo!!! as pessoas afastaram-se na maior parte dos casos do verdadeiro sentido do post para darem largas a sua inquietação, que para algumas parece certezas. Há pessoas que até referiram respostas dos posts, anteriores. A essa senhora que diz que lê lamentações de mães porque as filhas abandonaram a religião e não referem, não agradecem por as mesmas serem honestas, trabalhadoras, amigas... como as pessoas confundem, "alhos com bugalhos"...não lhe vou responder porque o Confissionário já o fez.
Como já tanto se disse, eu acho que já chega. No comment, never more!
Abraço padre!
Maria

Maria Carminho disse...

Na Bíblia encontramos todas as respostas para as nossas dúvidas. A respeito da não ordenação das mulheres, encontramos que na Última Ceia apenas estiveram presentes homens, Jesus tinha até a Sua própria Mãe, digníssima, se quisesse que as mulheres fizessem parte do sacerdócio ministerial. A missão da igreja é evangelizar o mundo com os valores do evangelho e não o mundo evangelizar a igreja.
A mulher foi maravilhosamente dignificada por Deus, quando Ele escolheu Maria para ser Sua Mãe. Jesus podia ter aparecido já como homem adulto, mas quis ser concebido no ventre de uma mulher, tudo o que precisava para o Seu Corpo físico veio de Maria, não houve a contribuição de um homem. Porque Deus age de uma forma e não de outra são mistérios que a nossa capacidade humana não consegue compreender. Enquanto o sacerdote nos dá o Corpo e Sangue do Senhor na Eucaristia, esse é o mesmo Corpo que Maria trouxe no Seu ventre. Maria, e portanto todas as mulheres, participa na Eucaristia tão intimamente como os sacerdotes na Encarnação. Da mesma forma que Maria tratou de Jesus como só as mães sabem fazer, também, cada mulher é chamada a ser mãe espiritual dos sacerdotes, que estando abertas à ação do Espírito Santo tornam Jesus presente no mundo.

Anónimo disse...

.”A respeito da não ordenação das mulheres, encontramos que na Última Ceia apenas estiveram presentes homens, Jesus tinha até a Sua própria Mãe, digníssima, se quisesse que as mulheres fizessem parte do sacerdócio ministerial” – Se vamos a fazer juízos de intenção, então, também podemos inferir que jesus prefere ter Judas no sacerdócio do que mulheres!
.”A missão da igreja é evangelizar o mundo com os valores do evangelho e não o mundo evangelizar a igreja” Feliz ou infelizmente, para mim felizmente é o contrario do que afirma que faz vencimento; e ainda bem!
1. A mulher era considerada um ser inferior. A filosofia grega considerava-a um "ser humano incompleto". Segundo o direito romano, que foi adotado pela Igreja, a mulher não podia exercer responsabilidades públicas. Sendo assim, como poderiam as mulheres ser investidas no papel de dirigentes que o sacerdócio implicava?
2.A mulher era considerada em estado de castigo por causa do pecado. Era tida como responsável pelo pecado original e encarada como fonte contínua de sedução. Como poderiam criaturas pecadoras transmitir a graça de Deus?
3. A mulher era considerada como ritualmente impura devido à menstruação. Sendo assim, como seria possível permitir que as mulheres maculassem a igreja, o coro e, em particular, o altar? Saliente-se que estes preconceitos, embora de origem cultural, se tornaram preconceitos de ordem teológica. Constituem a verdadeira razão para recusar a ordenação das mulheres, como se conclui claramente dos escritos dos Padres da Igreja, dos cânones dos sínodos locais, dos regulamentos eclesiásticos e da teologia medieval. Está, pois, provado que a pretensa tradição de não ordenar mulheres é uma falsa tradição. A verdadeira e autêntica Tradição da Igreja tem de se apoiar em razões válidas. Como tão bem dizia S. Cipriano: "Um costume errado não passa de um erro velho" (Cartas, 74,9).
4. Mas a RAZÃO fará o seu caminho, pois é por ela somos e seremos julgados, a não ser que sejamos considerados inimputáveis.
5º .Na minha aldeia, ainda hoje as mulheres são as primeiras a estrar na Igreja para a missa Dominical, mas começam por ocupar os lugares do fundo deixando os da frente para os homens que se entretêm a contar aventuras no adro só entrando à terceira (toque de sino) e ocupam todo o frontispício que lhes esta reservado !!!! Quando andei a estudar no Colégio do Sagrado Coração de Maria e gostava de chegar cedo para brincar com os meus amigos era “caçado” para ajudar à missa pois as freiras estavam impedidas de o fazer! Há cem anos atrás, as mulheres não ocupavam nenhum lugar importante na Igreja, como acontecia na sociedade em geral. Não estavam autorizadas a receber a comunhão durante o período menstrual; e, depois do parto, tinham de ser "purificadas" antes de poderem reentrar numa igreja. Era-lhes estritamente proibido tocar nos "objetos sagrados" tais como o cálice, a patena e as toalhas de altar. Não podiam em caso algum distribuir a comunhão. Na igreja deviam usar sempre um véu sobre a cabeça.
6.Atualmente, assiste-se a uma consciencialização da importância dos direitos humanos: a igualdade fundamental entre os homens e as mulheres e o dever de oferecer a todos as mesmas possibilidades. Face a esta evolução, a atitude para com a mulher começou a modificar-se na Igreja. Agora as mulheres podem ser "encarregadas temporariamente" de ler, servir à missa, cantar, pregar, dirigir celebrações não eucarísticas, administrar o batismo e distribuir a sagrada comunhão. Mas permanece a proibição da ordenação! Até que este problema seja resolvido, não nos podemos demitir das nossas responsabilidades (sobretudo as mulheres) enquanto Católicas conscientes e responsáveis se o não fizerem, a pressão e o tempo se encarregarão disso com custos mais gravosos!
Um abraço do Zé Tuga

Maria Carminho disse...

Caro Zé Tuga:

Para mim viver como pessoa católica consciente e responsável é:
- disciplinar a nossa vida por Jesus Cristo, segundo o caminho que ele mesmo nos indicou;
- dispor o nosso espírito a ser corrigido (ou seja, caminhar humildemente com Deus) e poder habitar em Deus; estar enraizada n'Ele, edificada n'Ele, ser firmemente conduzida pela fé e repleta de ações de graça.

Jesus Cristo em nada foi preconceituoso. Ele agiu contra a ditadura do preconceito. Ele resolveu o preconceito da mulher ser considerada impura, precisamente com o caso da hemorroíssa. Não me parece que fossem homens a lavar os copos utilizados na Última Ceia. Ao tempo de Jesus já existiam religiões que aceitavam a ordenação de mulheres. Deus podia ter feito caminho com um destes povos (como exemplo apenas, pois, Deus caminha com todos). Jesus podia ter acabado com esse preconceito, que tinha Ele a perder? Em todo o caso foi crucificado.
Há diferença entre os aspetos exteriores de religião e os valores do evangelho, estes últimos, meu bom amigo, prendem-se com os aspetos interiores que, também, se transmitem com gestos exteriores. Por ex.: amor ao próximo (valor interior); gestos: gentileza, delicadeza, etc..são valores exteriores, ou seja, graça exterior.
A Igreja, que somos todos nós, perde pela falta de santidade de vida dos seus membros. E a razão da forte crise que atravessamos, e generalizando, é precisamente esta: ausência de Deus ou pouca presença d'Ele nas nossas vidas.

Não posso avaliar as intenções de Jesus Cristo, mas, a escolha d'Ele de Judas, mostra-me que a Igreja é constituida por homens e mulheres pecadores. Outrossim, que ele era o mais capaz para o sacerdócio mas o único que não soube aceitar-se a si mesmo, por isso, não foi capaz de aceitar o perdão de Deus que foi maior que o seu pecado. O caminhar humildemente com Deus, também, passa por esta aceitação das nossas partes más. É que quando aceitamos esta parte estamos no caminho da cura.
A traição de Judas é um exemplo de que o discípulo de Jesus não é diferente do Mestre, quando o discípulo é atraiçoado pelo seu melhor amigo, em Jesus, ele fortalece-se para continuar o seu caminho e saber perdoar.
A contemplação da vida de Jesus é o que mais me dá força e compreensão para a minha vida.
Não sou teóloga, mas como catequista que sou, sempre tenho transmitido os valores do evangelho conforme os ensinamentos da Igreja: amar a Deus sobre todas as coisas, amar o próximo como a si mesmo. Perdoar a todos sem distinção, amar os inimigos...Não murmurar, caluniar...etc...e frequentar os sacramentos para melhor caminhar com Deus, viver uma verdadeira vida em Deus.



Maria Carminho disse...

para Zé Tuga:

....um abraço cheio da ternura de um Deus que é louco por si...

Adalberto Macedo disse...

Maria Carminho:
Uma coisa reconheço e penitencio-me por isso. Tem um discurso mais gentil e elegante que o meu, mais áspero e de uma rudeza quase provocatória. Isto deve-se ao facto de não apreciar discursos muito redondos, que, sempre que se vislumbra uma brecha, correm a blinda-la para evitar a espiral com dogmas inexplicáveis por quem os enuncia e incompreensíveis pelos destinatários.
Diz-me que não é teóloga mas apenas catequista. Ainda bem. Não gosto de argumentos de “autoridade” e muito menos da misoginia vesga Agostiniana. Estou a falar das discriminações, do conservadorismo mais negativo ligado a uma afetividade muito bloqueada por mitos que nada têm a ver com o amor e a igualdade.. Não entendo Deus a “mandar” Abraão sacrificar Isaque … Não entendo como Santo Agostinho não hesitou em deixar no inferno as crianças que morriam sem batismo! Não entendo um deus que não perdoa o pecado original e precisa da morte do filho para se aplacar … perdoar a Adão seria tão mais fácil e misericordioso !! A não ser que se atenda ao “paradoxo de Epicuro”. Tenho amigos de vários credos e não os distingo nesse patamar. Não há filhos de um Deus Maior e filhos de deuses menores! … Que diabo, vivemos no mesmo planeta, somos todos humanos, logo não podemos andar a levantar barreiras onde elas não existem com o pretexto de: “fora da igreja não há salvação” isso sim é desumano … não é sério … a dogmática fixista; é uma falácia. Não faz sentido!
Ainda sobre as mulheres, o dogma da Imaculada Conceição foi um presente envenenado do Papa Pio IX na bula Ineffabilis …, Nossa Senhora não precisava dele, durante séculos e até há 150 não precisou! Para além de ser inócuo, é contra as outras mães que conceberiam e andariam com o pecado dentro delas durante nove meses. A VERDADE é bem mais simples e entendível. Jesus não precisa de “Teologos iluminados” que nos digam o que ele quis dizer …. Não acredito nos dogmas onde se “coisifica” o divino. Não acredito num pai mais preocupado em alimentar a fornalha para nela lançar o filho que se portou mal, (como ficamos na parábola do filho pródigo ??). e no meu caso até nem tem sido tanto assim. Passe a imodéstia. Pai que é Pai perdoa, e quando não pode perdoar deve ser justo. Justo quer dizer tam que haver proporcionalidade. Sendo o homem finito não é justo um castigo infinito
Estou numa fase de urgência, de risco ( fiz um transplante hepático e, curioso, é de mulher) não tenho pressa nem medo do amanhã … o meu Cristo está muito longe do mito, ele é humano, digno e reivindicativo, e certamente entender-me-á.
Se calhar é por estas e por outras que há Zés Tugas descrentes. Eles não entendem! Eu não entendo. Ou me explicam direitinho ou não carrego a Bandeira da FÉ, porque sim! É pela RAZÂO que tenho que responder.
Carminho, agradeço-lhe a amabilidade e delicadeza da resposta, não me convenceu, mas valeu a intensão.
Ze Tuga = Adalberto Macedo

JS disse...

Olá, Adalberto.
Vejo que te debates com muitas inquetações e dúvidas. Nada que não seja normal num caminho de fé de alguém que não se contenta com visões infantis e busca um sentido mais profundo e verdadeiro da realidade.
Bom seria que pudesses encontrar alguém com quem dialogar e que te pudesse dar resposta a algumas das tuas questões, alguém com uma disponibilidade que a net não permite. Alguns de nós tivemos essa sorte e felicidade, o que muito nos ajudou a crescer na fé.

Do muito que dizes, apenas chamaria a atenção para o ponto do dogma da Imaculada Conceição, que porventura terás entendido mal (o que é muito frequente). O dogma não se refere à condição maternal de Maria, ao acto de conceber, mas sim ao momento em que foi concebida, no seio de sua mãe Ana. Sendo que Maria foi “fabricada” como qualquer outro bébé; pelo que este dogma não tem nada que ver com uma visão pecaminosa do sexo ou do acto sexual. Nem pretende discriminar as mulheres. Pode-se é dizer que acaba por discriminar o resto da humanidade...

Quanto ao facto de te teres identificado como um Zé Tuga, parece-me ter havido aí também um mal-­entendido. É que o Zé Tuga de que o Confessionário falava é alguém que, por natureza, não questiona nem duvida. Cumpre aquilo a que está obrigado, mas sempre pelo serviço mínimo, que é para não se incomodar ou se comprometer. Para ele, Deus será, no máximo, um gajo porreiro, mas não passa disso. Para ele, pessoas como tu serão gente com demasiado tempo livre e que estariam melhor nos Jeovás. Um Zé Tuga nunca se identificaria contigo.

Adalberto Macedo disse...

Viva, J.S.
Agradeço a observação, mas na verdade não há confusão no entendimento, eventualmente embrulhei-me no discurso. Dispersei-me muito! É o que dá!
Fui reler o que escrevi e na verdade não é muito claro. O que eu queria dizer é que o dogma da Imaculada Conceição era discriminatório para as mulheres que não tendo recebido a graça da descontaminação (concebidas sem pecado) andariam a fabricar (o)pecado durante nove meses. O dito Dogma seria um ato desnecessário e inócuo pois o “Gajo” , o beneficiário, era como a pescada (antes de o ser já o era), eterno e incontaminável.
Quanto ao ter vestido a pele de Zé Tuga, a intensão era outra! Era questionar/questionarmo-nos; se não era ele (Zé Tuga) produto de um discurso pouco motivador, demasiado redondo e dogmático só acessível a iluminados. O discurso da igreja tem que ser vivo e motivador, não pode estar blindado por dogmas que ninguém percebe, tem que ter alegria, semear horizontes, desassossegar e por as pessoas em marcha para o infinito do pensar, do cognitivo, e não “servir” uma fé onde já está tudo pensado tudo definido e só nos resta aceitar e cumprir, ou gramar com os costados no inferno.
Adalberto Macedo

Maria Carminho disse...

Caro Adalberto, em primeiro lugar quero dizer que quando falei acerca da gentileza foi apenas no sentido de tentar explicar, de forma simples, a diferença entre os valores interior e exterior de religião e nada mais.
A rspeito da ordenação das mulheres dei apenas o meu parecer, embora sabendo que Deus olha para o nosso íntimo e não para a forma do corpo, ou seja, olha para a nossa alma.

No fim da nossa vida seremos julgados pelo amor.

A Conceição de Maria foi imaculada para que fosse digna de receber Jesus. Ele nunca poderia encarnar num corpo que tivesse sido manchado pelo pecado. Toda a substancia do Seu Corpo foi tomada de Maria. Se Maria tivesse tido uma carne manchada pelo pecado, mesmo que fosse só por um instante, a Carne de Jesus teria sido uma carne sobre a qual o pecado teria tido o seu domínio, nem que fosse por um só momento, o que não era compatível com a Sua Divindade e Santidade.

Na criação do homem Deus deu-lhe dois movimentos: um de seu ser criado para a existência e outro de seu ser que existe para Deus (a vida da Graça). Com o pecado original ( o qual para nós é um mistério) o homem perdeu este segundo movimento, pois, detentor da sua liberdade dada por Deus, ele escolheu o movimento do mal. Desde então, o homem não mais caminhou pela via de Deus que é a verdade, preferindo a via do mal que é a mentira. Mas a misericórdia de Deus dá de novo este segundo movimento - que lança o homem para Deus - ao homem pelo batismo. A bondade de Deus vai a tal ponto que sempre que o homem queira pode regenerar ou reforçar este movimento para Deus pelo sacramento da penitência.
A prova de Abraão dá a entender que Deus é um juíz implacável, mas foi fruto do amor misericordioso de Deus. Deus tem o direito de por à prova o nosso amor por Ele. Ele não deixou que o filho de Abraão morresse, mas Abraão pela sua fé foi chamado o pai dos crentes. Acontece que Deus não se entrega totalmente enquanto a pessoa não se entregar totalmente, ou seja, a prova de Abraão é uma prova decisiva na vida do crente, difícil mas repleta da Graça de Deus, em que o crente tem a liberdade plena de escolha, mas se optar por Deus, pelo total abandono n'Ele e confiança filial completa, vai conhecer a verdadeira liberdade dos filhos de Deus, ser plenamente homem.
Um abraço em Cristo.

maria disse...

Carminho,


mas que imagem desoladora nos dá de Deus.

Agora compreendo porque não percebeu nada das minhas intervenções.

Acha que o Deus que Jesus nos revela na parábola do filho pródigo (o verdadeiro sentido é o Pai misericordioso)o pastor que vai em busca da ovelha perdida, o bom samaritano etc...são a expressão do juiz implacável? Ou o vizinho que se comove e levanta para atender o vizinho insistente? Deus não ama à nossa medida. Deus é amor. E o amor é, no mínimo, gratuidade. Se não, é tudo menos amor. O que seria um contra senso.

E nem vou falar na questão do dogma da Imaculada Conceição...a forma como põe as coisas é mais magia do que teologia.

Adalberto Macedo disse...

Carminho,
O sexo, para a igreja sempre esteve ligado ao pecado. Mesmo dentro do casamento era “o pecado consentido”. Não tendo São Joaquim e Santa Ana outra forma de cumprir a vontade de Deus “crescei e multiplicai-vos” senão fazendo sexo, lá se arranjou mais um Dogma! Não gosto da apologética dogmática pelas razões que em escritos anteriores exprimi, e ainda; porque é um dialogo truncado na medida em que apenas o apologeta, conhecedor da “revelação (!?)” é senhor da verdade “não há verdade nem salvação fora da igreja”. É uma pena que a teologia que mais me convence seja exatamente aquela que a Cúria Romana não gosta: Teologia da Libertação.
Mas vamos ao pecado original. Dando de barato o paradoxo que existe em penalizar quem não tem consciência do “bem e do mal” pois só depois de pecar passou a ter! O pecado original serve para explicar os “males” de que padece o mundo, que ao ter sido criado por um Deus misericordioso, não deveria padecer de mal algum. Esta explicação é a meu ver ofensiva a Deus. Só um Deus cruel e vingativo, se sente ofendido com a desobediência do filho, que nem sequer tem a consciência do “bem e do mal”!
Um pai amoroso, como é o Deus em que acredito, não só teria perdoado uma e outra vez o filho desobediente – é isso que ensina a parábola do filho pródigo-, como em caso algum lhe teria passado pela cabeça castigar, após a primeira queda toda a sua descendência e por toda a eternidade! Como é possível que um Deus infinitamente bom e misericordioso castigue com tanto rigor e desproporcionalidade ??!!!! :(((((((
A resposta teológica causa calafrios: “Quando o homem ofende (desobedece) a Deus, a criatura ultraja (desobedece) ao Criador; o ser finito ofende (desobedece) o ser infinito; isto reclama, por conseguinte, um castigo também infinito”. E onde está o Deus infinitamente bom e misericordioso; pergunto eu, que ouso pensar ….
Metafísica barata que compara Deus a um déspota que exerce um poder cruel e omnímodo. Só um Deus obcecado com a sua omnipotência vem de algum modo legitimar as arrogâncias e arbitrariedades dos senhores absolutos e reforçar as diferenças em categorias hierárquicas. Qualquer dia é menos grave escarrar na pobre viúva desemparada do que chamar gatuno ao gatuno, porque o gatuno é político ou presidente de qualquer coisa.

Confessionário disse...

Adalberto, o Deus em que acredito é muito parecido com o que apresentas neste teu comentário!
abraço

Maria Carminho disse...

Prezada Maria:

Acho que realmente devo fazer um esclarecimento: Quando me refiro que Deus não se entrega totalmente enquanto nós não nos entregarmos totalmente, não me refiro ao amor gratuito de Deus, mas, outrossim, ao caminho de santidade. Nós podemos viver em estado de graça e contudo Deus não viver de forma plena em nós. Todos nós somos cegos, espiritualmente falando, de nascença, temos profundamente enraízado, no nosso interior, os nossos egoísmos, vaidades, farisaísmos, orgulhos...é necessário esta entrega total a Deus para que Deus possa viver plenamente em nós. O bloqueio é da nossa parte e não da parte de Deus...E esta entrega total exige confiança total e abandono completo nas Mãos de Deus, para que Ele reine de forma completa.
Para compreender melhor, poder-lhe-ia indicar alguns autores de elevada espiritualidade, mas indico-lhe Sta. Teresinha do Menino Jesus, diário de Sta. Faustina, ou até: "Se tu soubesses o dom de Deus" de Luís Rocha e Melo, SJ.
Quanto ao Deus implacável, leia melhor o que escrevi, talvez se faça luz na sua visão do que lê.
Perdoe-me por este conselho: não julgue tão depressa o que os outros escrevem só porque não entende...tem todo o direito de dar a sua opinião...e os enganos acontecem com qualquer um de nós...mas leio nas suas opiniões julgamentos apressados, que em nada correspondem à realidade das minhas intenções.
Um abraço em Cristo e uma boa caminhada na Luz do Senhor.

maria disse...

Carminho,

não vale a pena entrarmos em juízos de intenções. Não me conhece e eu não a conheço. Fiquemo-nos por aquilo que aqui se escreve.

O Adalberto já lhe respondeu o essencial. Eu apenas acrescento que, como cristãos devemos ir mais à fonte: os evangelhos.

E à luz dos evangelhos não se pode tirar a ilação que a Graça (o prório Deus)está mais ou está menos em nós. Volto à parábola do filho pródigo. Em algum momento o pai (que no exemplo dado por Jesus é um pai humano)deixou de estar com o filho, mesmo quando este se afastou completamente? Então se um pai humano é capaz de agir assim, Deus que é amor, alguma vez pode estar mais ou menos em nós?

De Teresa de Lisieux acho muito marcante a reflexão expressa no livro "A minha vocação é o amor". A ênfase não é colocada no que nós fazemos ou somos, mas naquilo que Deus é em nós. Concordo consigo: é a essa realidade em nós - que é Deus - que nos devemos "abrir". A iniciativa é sempre de Deus e não está condicionada aos nossos estados de graça ou de desgraça. Um amor adulto e que não se move em busca da satisfação das necessidades, compreende esta dinâmica.

Um sentido abraço.

Adalberto Macedo disse...

Confessionário, eu me confesso:
Há bastante tempo que seguia o teu blogue com interesse e agrado! Gosto do que escreves e como escreves. Escreves na verdade muito bem: simples, breve, escorreito e facilmente entendível. Leio-te com agrado. O Zé Tuga que encarnei foi realmente uma provocação (no bom sentido) e um pouco para “picar” o padre, chamando-lhe a atenção para o discurso institucional, muito redondo, também ele gerador de Zés Tugas; embora concorde que 90 % são como os pintas. Já agora queria cumprimentar também o Moçambicano que gosto de ler.
Moçambicano, diz-me uma coisa: por acaso não és da Zambézia? É que eu andei por lá 30 anos, a maior parte no Gurué (terra do Chá).
Um abraço e desculpem lá qualquer coisinha.

Confessionário disse...

Adalberto, amigo

Gostei do picanço, sobretudo quando comecei a perceber a tua motivação, resultado de estares inquieto! Gosto desta tua forma de estar em busca, embora nem sempre concorde com algumas teorias. Mas tenho para mim que vais no bom caminho!
Não caias, por favor, no extremismo da teologia da libertação! Os extremismos são sempre maus companheiros.

abraço

Maria Carminho disse...

Na minha resposta não escrevo acerca da salvação dos não batizados....

Abraço em Cristo

Anónimo disse...

Inspirado, mas dramático. A responsabilidade é de todos.