segunda-feira, agosto 20, 2012

Mais um Manuel e uma Maria vão casar pela Igreja

O Manuel e a Maria, nomes fictícios desta história real, são dois jovens com os seus vinte e tantos anos que se vão casar em breve. Com eles estavam também a mãe e a irmã do noivo. A conversa decorreu com entusiasmo própria, por um lado, de quem está ansioso pelo casamento, eles, e por outro, de quem está a manifestar a sua alegria pelo acontecimento de fé, eu. A meio da conversa falei do sacramento da confissão. O rosto deles perdeu entretanto algum entusiasmo. Para quê, Senhor padre, perguntaram. Da mesma forma perguntei se não pretendiam comungar. Demoraram uns segundos, próprio de quem está a pensar se há-de responder sim ou não, e depois acabaram por dizer É melhor, senhor padre. Recolhemo-nos os três, eu e os jovens noivos. E antes que começássemos o sacramento da Confissão, o noivo foi dizendo que desde o Crisma que não se confessava. Mais, que desde o crisma não ia à missa. Mas que era muito amigo de Deus. A noiva, por seu lado, como se dissesse a mais interessante das verdades, foi acrescentando que ela desde a primeira comunhão que não ia à missa. Agradeci a honestidade deles, mas fiz-lhes duas perguntas a que não conseguiram responder se não com um esgar de voz e de olhos. Então porque vos ides casar pela Igreja? Não achais incoerente querer Deus para umas coisas e não O querer para outras?

15 comentários:

Anónimo disse...

De todos os sacramentos,o único que não pude receber na altura,foi o do casamento,já lá vão 35 anos.Foi apenas pelo registo.O meu marido era de outra religião ,eu tive que respeitar esse lado.Hoje ele quer e eu não,porque tenho encontrado o Amor de Deus ,como os primeiros passos de uma criança....Penso que não são os sacramentos que fazem de nós homens e mulheres melhores ou piores.O amor de Deus em qualquer momento pode envolver-nos sem necessitar dos rituais da Igreija.Penso que um dia quando formos chamados na presença de Deus,este pouco se importará,com as missas a que assistimos,com as confissões que fizemos....Desculpe Srº Padre de lhe dizer aquilo que sinto,mas é assim desta maneira que encaro a realidade das situações.Lógico que não sou contra,mas certos mecanismos da Igreja não se encaixam com a minha visão àcerca do Amor do nosso Pai.(Alma Rebelde)

Anónimo disse...

Irei comentar um pouco este post tendo em conta outros que foram recentemente publicados sobre a Fé ou a falta da mesma.
Tenho 2 filhos, ambos não baptizados. Eu não me casei pela Igreja, aliás não me casei ainda, vivo em união de facto. Fui baptizada não porque os meus pais queriam mas porque a minha avó pressionou a minha mãe e por isso essa é a minha única ligação física à Igreja Católica.
Mas hoje sinto uma grande tristeza ao ver sobretudo a minha filha mais velha sem Fé, ou melhor, sem expressar qualquer Fé. E eu queria mudar estar situação. Eu gostava que os meus filhos acreditassem em Deus, foi com essa intenção que eu não baptizei a mais velha. Pensei que um dia ela deveria ter a liberdade para escolher a sua religião e que esse dia do baptismo tivesse um sentido profundo, fosse um dia marcante na vida dela. O ultimo baptizado a que fui estava eu grávida. Acho que ouvi mais o que o padre disse do que os pais do menino... mas que interessa isso?
Acho que me afastei da Igreja porque penso que não conseguiria cumprir tudo o que deveria, ir à missa regularmente, ser praticante. É fácil casar pela igreja (quando o padre deixa), baptizar os filhos porque é só um dia. O difícil é todos os dias pensarmos um pouco em Deus e pensarmos se estamos a agir bem, se somos justos, se agradecemos os dias que temos.
Tenho uma colega que não vai á missa, não é praticante, teve um filho e vai baptiza-lo (quando eu disse que não ia baptizar os meus, concordou e disse que faria o mesmo). mas agora com a pressão da família , vai fazê-lo.
Nos sacramentos há uma pressão social inerente. é preciso ter coragem para ultrapassá-la e nos afastarmos quando achamos que a nossa Fé não é suficiente. Só que quando quisermos voltar, estamos tão longe, que poderemos não encontrar o caminho de volta.

Joana disse...

Padre, como podemos casar aos olhos de Deus e da sociedade sem ser na Igreja?

Deus é testemunha do amor entre duas pessoas mesmo fora da igreja, mas isso só é reconhecido pela igreja, familiares e sociedade se casarem por igreja.
Pois no Civil, segundo a nossa religião Deus não está a ver, nem abençoa.
Somos casados em pecado, mesmo que o amor seja puro, sincero e verdadeiro.
Que confusão!!!
Bjs

Joana disse...

Desculpe padre;
Só mais uma coisa;

A igreja é o Templo de Deus mas Ele não habita os nossos corações para lá das paredes do Templo?

Se nos ensinam em crianças que só casando por igreja, seremos abençoados por Deus, não é normal os jovens que apesar de não frequentarem a missa, quererem casar por igreja? Pois fora dela, segundo a sociedade Deus não abençoa a união...

Maria J. disse...

Os sacramentos são sinais do amor de Deus por nós,sinais da Sua Aliança perpétua com o género humano, apesar de todas as nossas infidelidades.

Dão-nos a capacidade de entender que podemos ser melhores e firmam-nos nesse entendimento.

Peregrino disse...

Irmão Padre que nos abres as portas deste espaço -Confessionário…

Vim aqui para partilhar alguma “ideia-proposta” sobre o teu desafio lançado sobre “o esvaziamento dos sacramentos”…!

Mas ao ler estes dois post… e tantos outros…! Ai Senhor misericórdia…!

Permite-me partilhar uma experiencia que vivi ontem já no fim da tarde…

Ontem, já a tarde impregnada de um calor sufocante libertava a terra enquanto se ia deixando abraçar pela brisa da noite que se aproximava, este peregrino aturdido pelo calor, descansava sentado num banco do jardim mesmo ao lado das esplanadas (são 4 naquela praça à beira rio) um dos locais mais emblemáticos da cidade… enquanto a Irmã Pobreza ia invadido e dialogando com o meu coração…

Imaginem a cena….

Numa das esplanadas…. um frade franciscano acompanhado de 5 irmãs, todos eles trajando o seu hábito a rigor, saboreavam um daqueles gelados que parecem querer subir ao céu…

Percebi depois que estes consagrados eram companheiros de outros leigos que andavam por ali nas compras naquela algaraviada linguística e a bom som tão própria de nuestros hermanos… turismo religioso vindo de Espanha...

Mas regressemos novamente à esplanada…

..nada de estranho… a sede é inerente a qualquer ser humano… também nada de estranho ser logo aquela a esplanada mais cara… intrigante era a presença ali daquele hábito que veste a pobreza de S. Francisco na cor acastanhada tão familiar e aqueles outros 5 hábitos de uma brancura ofuscante e desafiadora de purezas… rindo em gargalhadas sonoras enquanto saboreavam tais castelos de iguarias de anjos enquanto bem perto da mesa deles, sentado noutro banco mesmo ao meu lado, um pobre de espírito e de materialidades, devorava um pedaço de bolo que havia “roubado” numa daquelas mesas nos restos de uma fartura abandonada na abundância rejeitada que magoa e fere terrivelmente a fome que por aí se vive e experimenta…!

“Aguentei” até a fim… bem queria o me coração rebentar no vaso de barro que há em mim e jogar os cacos da ira sobre aquelas almas de Deus….

… nenhuma daquelas almas franciscanas se ergueu, quem sabe, nalgum gesto mais fraterno em direcção àquele outro “Francisco” ali ao meu lado que tanto mexeu com o meu coração…! E olhem que estou seguro que se deram conta e bem da sua presença, porque o cheiro daquele pobre homem não deixava ninguém indiferente num raio de pelo menos 10 mts…

Sal e Fermento no mundo…!

E depois as interrogações a assaltarem-nos o coração porque as igrejas e os sacramentos estão a esvaziar-se assustadoramente…

“Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e, desta maneira, ambas as coisas se conservam.” (Mt 9,16-17)

Assim acontece com o nosso coração e de todos aqueles que receberam os Sacramentos…

Maria disse...

Estou plenamente de acordo com o que disse o Peregrino do dia 21 na verdade esvaziam-se os sacramentos porque se esvazia o amor. O amor a Deus o amor ao próximo. Para muita gente os sacramentos tornaram-se mero hábito, veja-se a ligeireza com que se comunga, com que se casa, com que se baptiza, com que se crisma. Para além da comunhão a maior parte na maior parte das vezes eu não acredito que as pessoas estejam preparadas e quando digo preparadas é conscientes daquilo que vão fazer, muito para além das festas e das vestimentas, do show-off.

Muitos como foi dito no post do confessionário, nunca vão há missa, outros após os sacramentos nunca mais lá põem os pés.
Eu penso e agora já estou a responder ao post anterior do confessionário em que votei...devo dizer o seguinte: a preparação das crianças através da catequese é meio caminho andado para a sua formação quanto aos sacramentos. É óptimo que haja bons catequistas empenhados na formação das crianças e jovens para os sacramentos.

Porque por mais más companhias que a adolescência lhe traga fica sempre qualquer coisa. Isto quando a formação não é também acompanhada pelas próprias famílias, onde o exemplo é fundamental, infelizmente, nem sempre acontece.

Há muitos jovens que foram assíduos nos sacramentos e com fé e quando entraram nos 18, 20 abandonaram tudo. Infelizmente tenho um exemplo bem próximo e doloroso de uma menina assidua na comunhão, na oração, foi catequista levou alunos ao crisma, e hoje passados 9 anos, vive em união de facto e nem um crucifixo tem em casa. A desculpa é porque o companheiro não acredita. Essa menina é minha filha...

Ainda em referência ao post do peregrino e ao comportamento dos religiosos, para com ao irmão lado, que nem davam por ele, mais valia tirarem o hábito, porque são Francisco morria de dor se ressucitasse naquele momento.Como é difícil amar o próximo...

Peço desculpa por me ter alongado tanto.

Um abraço
Maria

Maria Carminho disse...

Para Maria: Não desanime pela sua filha, continue em oração diante de Deus oferendo-lhe o seu sofrimento em união com os de Jesus Cristo, se puder mande de vez em quando celebrar uma missa pelos que se encontram em purificação a caminho da casa do Pai, por essa intenção, e verá que ela regressará a Deus.

Para Peregrino: É triste sermos testemunhas de um fato como o que relatou, mas Jesus Cristo escolheu Judas que o traiu. A igreja é Santa (porque fundada em Jesus Cristo)e pecadora (porque constituída por pecadores).
Não foi o hábito que fez com que eles tivessem essas atitudes. Como disse na minha mensagem em outro post, que me parece que leu pela sua resposta: "Não é o hábito que faz o monge." Mas não quer dizer que a batina não seja sinal sagrado.
Diante do silêncio de Deus, na minha longa noite de purificação, Ele silenciou-me e aquilo que digo é: se Deus não me sustentar com a Sua Graça, faço tal como os outros ou pior!
Rezemos...e procuremos cada um de nós fazer diferente, enquanto tivermos Graça para tanto!

Anónimo disse...

Bom dia!
Maria, fala-lhe uma pessoa que teve uma educação cristã na igreja católica.
Por volta dos 18, 20 anos deixei de rezar, de me relacionar com a comunidade cristã/católica, deixei de frequentar a igreja, nem me benzia sequer.
Quando casei fi-lo apenas no civil, achava desnecessário ir à igreja, estava zangada muito zangada com um padre achava eu, hoje acho que estava zangada principalmente comigo.
Quando nasceu o meu filho comecei a pensar seriamente nas questões de fé, nos sacramentos ministrados pela igreja católica, pensava principalmente em como é importante sentirmo-nos Filho de Deus, amados por ELe e eu queria que o meu filho tivesse essa certeza dentro dele.
Procurei um padre expliquei-lhe situação, ele disse, porque não aproveitava a ocasião e pedia a bênção de Deus sobre o seu casamento.
Aconteceu naturalmente na mesma celebração de baptismo do meu filho, "casei" na igreja".
Reflecti bastante sobre, pois a partir daquele momento tinha que honrar o compromisso assumido com Deus perante a comunidade.
Fazer com que a Luz que brilhava no meu filho não se apagasse mas continuasse a brilhar, para o mundo inteiro.
Decidi reconciliar-me com Deus em primeiro lugar a seguir comigo mesma e com o mundo em geral.
Nesta altura, aconteceu um verdadeiro milagre...
O meu marido acredita mas não pratica, não me apoia nas actividades na comunidade, mas também não me impede.
Actualmente sou catequista, acompanho os jovens não só na catequese, mas também no dia a dia, dentro do que me é possivel(elas normalmente vão ao meu encontro, ainda ontem a minha casa ficou de pernas para o ar, graças a Deus.)
Maria, não perca a esperança... a sua menina recebeu a luz de Cristo, essa luz não se apaga nunca... Pode levar anos, até brilhar de novo, no meu caso foram muitos, mas a seu tempo ela brilhará sobre a vida da sua filha.
Muita força para si, muita paz e muita luz.

Anónimo disse...

Eu estive 20 e tal anos sem comungar receber Jesus em mim,ia à Igreja quando não estava ninguém falava com Deus e tinha-O bem presente no meu coração,e ELE nunca me abandonou,mas um dia a necessidade de O receber foi tão grande,tão inexplicável,que só sentindo.
A história da Maria também acontece comigo,é difícil de aceitar,só entregar tudo nas mãos de Deus.

Anónimo disse...

Padre, francamente nao me admira o facto que relata. Desde ha decadas que os casamentos pela Igreja Catolica sao procurados mais por uma questao social do que por fe ou pratica religiosa dos nubentes e, no momento actual, em que a falta de religiosidade e a crise de valores e enorme,.restam algunms casamentos civis e ainda menos religiosos.
Porem, se houvesse uma maior formacao a varios niveis talvez fossem evitados alguns casos de divorcios e anulacoes de casamenmtos catolicos que, quando aceites, demoram anos e, nessa altura ja, perovavelmente, existe uma outra familia civil ou de facto.
Os tempos e as condicoes sociais mudaram e ja nao faz sentido manter um casamento por razoes economicas ou sociais.
Um abraco em Cristo

peregrino disse...

Não quero individualizar a questão do hábito-batina até porque não é esse o tema proposto, mas senti que poderia persistir aqui algum mal-entendido em função do conteúdo do meu último post que apenas e só, procurava partilhar um experiência vivida na 1ª pessoa, dentro de um timing em que alguns corações aqui haviam abordado o tema dos sinais exteriores como a batina etc…!

A minha interrogação da alma naquele lugar não era as pessoas envolvidas, seres barrentos como eu! O meu combate interior ali e em qualquer lado não era nem é “contra” as pessoas, mas sim contra o MAL que tomou conta daquele espaço… e que, sem ninguém se dar conta, ia minando aquilo que de mais precioso lhes vestia a existência, a espiritualidade que Francisco de Assis lhes deixou como legado, algo que depois é expresso também por sinais exteriores como marca do carisma, um deles eram os hábitos que traziam vestidos!

O que aqui está implícito é algo muito profundo para uma análise aligeirada como nos permite apenas este espaço… mas podemos aproveitar o desafio do Confessionário e caminhar-meditar na mesma linha sobre o tema dos Sacramentos… de que nos vale pedir ou receber por exemplo o Crisma, quando depois nas nossas caminhadas os nossos gestos negam ou passam ao lado das implicações que nos “exige” na vida da Fé o sacramento que recebemos!

Olhem um exemplo simples entre tantos: a PAZ como fruto do ES! Por exemplo, reparem no rosto das pessoas quando saímos do Sacramento da Eucaristia! Não era “suposto” ser uma festa da Ressurreição! Que me perdoem mas a maior parte carrega um semblante de quem está a sair mais dum funeral do que de uma festa! Que testemunho estamos a dar para o exterior! De gente que vive angustiada, gente sem paz! Já para não falar da paz que damos aos outros começando pela nossa casa…!

… é tão fácil esvaziar os Sacramentos tornando-os sinais de um anti-testemunho do Amor! Porque afinal tudo se resume ao AMOR como disse aqui a Maria antes…

Ficamos surpresos porque as pessoas hoje acreditam cada vez menos nesses Caminhos… ou então se os procuram agem de uma forma que denota das duas uma:

Ou desconhecimento total do sacramento e as implicações e exigências que ele carrega e isso tem ou terá talvez a ver com a parca informação e formação…

… ou porque o nosso testemunho desvirtua de tal forma a essência do sacramento recebido que do outro lado julgarão que tudo não passa de um esquema a cheirar a socialites, protagonismos e afins… tão em voga na sociedade e por isso depois tanta gente que chega tentando manipular quem acolhe de forma a atingirem os fins desejados, na presunção de que quem Ama tudo deve acolher e permitir!

Sim, que se acolham a todos… mas a Verdade deve prevalecer e nisto todos somos co-responsáveis… seja ao nível do testemunho, acolhimento sem juízos nem selectividades, formação exigente e contínua que deve começar primeiro em nós, na caminhada menos em grupo e mais pessoal com os chegam, (jovens e adultos), e isso pode ser feito por pessoas convidadas pelo Pároco, sejam casais ou indivíduos, sobretudo que sejam pessoas com testemunho de vida de forma a fazer um acompanhamento sério e responsável, mais familiar e pessoal ao invés do “tudo ao molho e fé em Deus”!

O SAGRADO exige de nós a totalidade do nosso coração mergulhado no serviço à Comunidade e aos irmãos! O Senhor da SEARA não pede gente capacitada, é Ele que capacita, agora cada um sabe onde está neste momento o seu coração… mais do que debates e palavras o que precisamos é agir, mas isso exige COERÊNCIA, FIDELIDADE e ENTREGA sempre na VERDADE… não há desvios possíveis no caminho com Deus… ” Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” (Mc 8,34).

Anónimo disse...

Gostaria que tudo na Igreja fosse a cem por cento...não é. Gostaria que toda a gente fosse baptizada, desde o berço, crescesse e recebesse exactamente a luz da Fé, em todas as suas manifestações, para com deus e os irmãos. Gostaria que as igrejas -templos enchessem a abarrotar, com campos entusiastas de futebol, mas não é. Que toda a gente recebesse frequentemente os sacramentos...canais de graça entre deus e nós...mas não é...Mas entre oito e oitenta, prefiro que haja lugar para toda a gente, os de oitenta eos de oito...
Se alguém vem pedir o sacramento do casamento dentro da Igreja, mesmo que dela ande afastado, sem a hostlizar, já é bom...tudo tem um começo...e esse pode sê-lo ...a confissao, também poderá vir, mas que nunca seja condição...enfim, o que conta é o Amor de Deus que é nosso Pai...Ele lá sabe como tudo irá...Nada de geometrias nem tabelas de aritmética...a música não são as notas , nem sequer as pautas...nasce dentro de nós, com de fonte pura de água fresca ...as paredes da igreja só servem para nos guardar do frio e do calor...o que conta é o espaço que nela habita...
JLMMGomes

Maria Carminho disse...

A fé é um dom sobrenatural de Deus que urge pedi-la. Mas, também, é decisão, Deus respeita a nossa liberdade. Quanto mais caminhamos para Deus, mais e melhor vemos as situações e as pessoas à Luz d'Ele. A respeito dos sacramentos e do ano da fé que se aproxima vou apenas dar o meu testemunho.
Oriunda de uma família com progenitores de religiões diferentes, o ambiente em casa era de perseguição religiosa. Livros religiosos católicos só escondidos. Frequentei a catequese e a eucaristia às escondidas, por vezes não era possível ir. Fui batizada, fiz a primeira comunhão e a solene, todas as cerimónias às escondidas. Muito cedo iniciei-me como catequista que permaneço até hoje. No final da adolescência tive uma grave crise de fé com a duração de 2 anos, sem qualquer momento de alívio. Permaneci perseverante na Eucaristia e na catequese, mas não recebia os sacramentos da penitância nem a da eucaristia, já os tinha abandonado no ínicio da adolescência e por graça de Deus retomei-os no fim da crise de fé, os quais até à data jamais abandonei. Devo dizer que me iniciei como catequista com 15 anos e nunca me senti bem por não receber os sacramentos, principalmente pelo exemplo que eu devia transmitir.
Anos mais tarde conheci aquele com quem casei, pessoa sem fé. Ele queria juntar-se, eu queria viver de acordo com o que ensinava, não conseguia viver uma vida que me separasse de Deus. Ele acabou por decidir casar. Tivemos filhos, aos quais desde a gestação lhes falei de Deus. Ensinei-os muito cedo a rezar. Eles sabem e sentem que Deus é uma pessoa que vive connosco e que é o centro da nossa vida, aprenderam a benzerem-se às refeições. Sou testemunha da vida interior que vai crescendo neles. Após 11 de casados, o pai decidiu dar outro rumo à sua vida, andando, ainda, sem rumo ao fim de uns anos...Sei que posso pedir a declaração de não validade de casamento, tenho razões sérias e já confirmadas, mas não quero. Acreditei, na altura, ser um projeto de Deus para a minha vida, e agora vou até ao fim (com muitas e grandes lutas). Somos todos pecadores em conversão, há dois anos fiz uma proposta aos meus filhos para rezarmos um terço em família diariamente, a favor do pai (mas rezamos por mais intenções), que eles aceitaram. Atualmente, é raro eu faltar à eucaristia diaria e à confissão quinzenal. Agradeço a Deus a existêcia dos sacramentos, o dom do perdão, a existência dos sacerdotes, que sem os quais Deus não cresceria em mim como tem crescido, e pelos quais rezo todos os dias. E continuo à espera da reconstrução do meu casamento que a nível humano é um impossível, mas eu acredito no Deus dos impossíveis. Tudo é possível para aquele que crê. Pelos sacramentos da confissão e eucaristia, Deus tem concedido curas não só a mim, mas, também, aos meus filhos. Louvado seja Deus pelas maravilhas que tem realizado na Sua igreja.

Confessionário disse...

Só um apontamento para aqueles que falaram da anulação do matrimónio religioso ou da sua validade.
Como sabem, pelas leis religiosas é impossível anular. O que se pode é provar a nulidade, isto é, que nunca existiu verdadeiro casamento!
abraços