quarta-feira, outubro 18, 2017

O negócio da salvação

Senhor padre, um colega seu disse-me que se me confessasse, comungasse e rezasse pela alma de uma pessoa à minha escolha, essa alma era salva e ia para o céu. Por isso lhe peço se me pode confessar. 
Não o conhecia, mas não o deixei ir-se embora sem a pretendida confissão. Também não conheço o denominado colega que lhe fez tamanha proposição. E mais uma vez não me quero julgar dono do juízo de Deus ou das boas intenções, tanto do colega como do senhor que me batera à porta. Não obstante, gostava de saber que raio de negócio é este que compra a salvação, ainda por cima, a salvação de alguém que não é o beneficiário directo da confissão, da comunhão e da oração. Que raio de negócio será este que limita a opção de Deus à nossa acção. Talvez tenha razão o meu colega, e talvez eu deva ir ali à igreja mais próxima comprar uma salvaçãozita para um amigo que faleceu e que gostava muito de ver no céu.

11 comentários:

Anónimo disse...

Uma logica, essa que descreves ,parecida à das promessas que cumprem depois de receber a graça... Será que graça se teria cumprindo sem a promessa? Ou as graças estão condicionadas às promessas?
Estive em Fatima dia 12 de outubro. Não quero desrespeitar de forma alguma quem paga promessa ou a quem compra velas gigantescas e lança no meio de labaredas assustadoras que me fazem lembrar o inferno que nos é descrito em Fatima. Estas pessoas têm com certeza fé forte que as move e que às vezes me comove. Eu não sei ter fé assim :-(. Não consigo sequer olhar para aquele crematório , nem sequer percebo o sentido e de que forma isso nos aproxima de Maria? Pe podes esclarecer me? O que me apercebo é que vós padres não defendeis estas manifestações de fé mas estão longe de desincentivar. Nessa noite,pus nas mãos de Maria toda minha indignidade, todas as minhas misérias, pedindo Lhe que me encaminhe e que me ajude a ser melhor pessoa. No fim sentia paz... Uma paz que foi ferida por um espectáculo multimedia...e mais não digo

SL

Anónimo disse...

bem, se "é" assim, então temos que "Arranjar" quem nos salve!!!
Oh valha-me Deus, ás vezes ainda fico um pouco confusa com certas atitudes, ou sei lá como dizer...será que ainda há padres a pensar assim???
tenho a esperança que esse senhor tenha dito isso, por imaginação pessoal, por achar que seria mais fácil, se dissesse que tinha sido um padre a aconselhá-lo, sei lá...
Bem Deus lá está para nos ajudar, o que vale Ele sabe de cada um, mas que tem muito que fazer, ai isso tem...
Bj

Idalina disse...

A justificação não estará no n.º 1471 do Catecismo da Igreja Católica: "«A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições, pela acção da Igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos». «A indulgência é parcial ou plenária, consoante liberta parcialmente ou na totalidade da pena temporal devida ao pecado». «O fiel pode lucrar para si mesmo as indulgências [...], ou aplicá-las aos defuntos».
Lembro-me que durante o Ano Santo da Misericórdia, ter ouvido falar muito nas Indulgências Plenárias que se podia aplicar pelos defuntos.

Anónimo disse...

A fê não negocia, tem que vigiar, orar e entregar tudo nas MÃOS da santa Mãe do Filho e do ESPIRITO SANTO. ch m

Anónimo disse...

Olá, Idalina

Andei à procura no Evangelho onde fundamentar o nº 1471 do Catecismo e não encontrei. Não digo isto com maldade, mas achas que o Evangelho fundamenta isso?

Idalina CSGaspar disse...

E quanto daquilo que se encontra no Catecismo da Igreja Católica não se encontra no Evangelho, pelo menos não claramente! Mas apenas me limitei a referir que podia ter fundamento ali.

Anónimo disse...

Idalina, sou a anónima de "19 outubro, 2017 13:16"
Eu entendo a tua boa vontade em indicar uma resposta para o que diz o confessionário. Mas eu penso mais como ele. Não me parece que se possa justificar o "negócio da salvação", seja de que modo for. Não contradigo o catecismo, mas é verdade que muitas vezes ele serve uma Igreja meio dona da salvação.

Beli disse...

ahahahahah

Beli disse...

ahahahahah

Anónimo disse...

O Confessionário está cá um protestante! O jubileu da Reforma andou a fazer-lhe mal...
A Idalina fez bem em situar o caso no quadro da doutrina das indulgências. Para quem pergunta em que página do evangelho está isso, lembro que os adeptos da "sola Scriptura" são na porta ao lado.
É evidente que tal doutrina tem aspectos problemáticos que podem redundar em interpretações falsas e servir de justificação a práticas simoníacas. Mas tal não invalida o cerne da questão: o sentirmo-nos chamados a essa obra de caridade e misericórdia que é o contribuirmos para a salvação dos nossos irmãos, mesmo se já defuntos, através da força da oração de intercessão e do oferecimento das graças que nos advêm dos mistérios em que participamos.
Porque a fé cristã, precisamente, não é o "salve-se quem puder" ou o "cada um salve-se a si mesmo". Estamos todos no mesmo barco: ou salvamo-nos todos, ou todos pereceremos.

Confessionário disse...

15 dezembro, 2017 15:45

Tomo a primeira frase por um elogio (sem qualquer tipo de maldade na minha afirmação!)! Não concordo com muito do que significa a Reforma, assim como não concordo com muito do que significou a Contra-reforma. Qual delas a melhor ou pior!? Também comungo com muitas coisas para as quais Lutero chamou a atenção, embora caísse naquilo que eu não gosto de facto, os radicalismos!
Mas se pensar que a salvação não se compra é ser protestante, então eu devo ser mesmo alguém que protesta muito!
A salvação depende de Deus e não de nós. Não sei se é uma comparação plausível, mas imagino as coisas mais ou menos desta maneira: Deus tem uma prenda para nos dar, e dá-no-la. Nós desembrulhamo-la ou não.