quinta-feira, outubro 17, 2013

És de opinião que a Catequese da Infância e Adolescência em Portugal tem funcionado bem?

A última sondagem proposta questionava-nos sobre a forma como cada um se relacionava com o seu pároco. Incrivelmente algumas pessoas nem sabiam que figura era essa. Mas, se acaso o número de pessoas que responderam que não conviviam com ele, ou só conviviam quando precisavam, ou não o conheciam, ou nunca falaram com ele, somava uma percentagem de 36%, o número daqueles que o têm como muito próximo ou que é mesmo como se fosse da família somava um total de 42%.
Hoje surge nova sondagem, numa época em que se reinicia a Catequese de Infância e Adolescência, para auscultar se acaso esta catequese tem funcionado ou não. Agradeço que justifiquem as vossas opções para se fazer uma boa reflexão com esta sondagem.
És de opinião que a Catequese da Infância e Adolescência em Portugal tem funcionado bem?

15 comentários:

Anónimo disse...

É preciso saber sobre o que incide a pergunta "tem funcionado bem". Em que sentido?
Sou catequista há 15 anos e, na "minha" igreja, a catequese funciona muito muito bem. As pessoas dão-se relativamente bem, não há conflitos relevantes, a catequista responsável é muito organizada, as pessoas empenham-se bastante no trabalho que fazem, e o padre vai dando o acompanhamento necessário.
No entanto, apesar de ver alguns frutos (e crianças a quem dei catequese são agora catequistas), muitas há que fazem a primeira comunhão ou a profissão de fé, e desaparecem da igreja. Nunca mais ninguém as vê. E aí pergunto-me se haveria mais alguma coisa que pudéssemos ter feito. Será que a catequese funcionou como deveria? Será que não poderíamos ter feito mais?

Anónimo disse...

Bom dia!
Não terá funcionado lá muito bem, caso contrário teríamos mais adultos a darem testemunho da fé que professam.
Mas estaremos no bom caminho.
Novos catecismos novas orientações através dos guias abrem os horizontes para o que urge ser posto em prática no dia a dia, a doutrina de Cristo.
Uma igreja mais próxima das pessoas e menos virada para questões de elite.
Menos discursos bonitos e bem estruturados, e mais acções concretas transmitem melhor a mensagem.
É que amar a Deus será relativamente fácil, pois a maioria de nós enquadra Deus apenas no plano Espiritual é mais cómodo, não conseguindo fazer a ponte entre o plano Espiritual e o material.
Agora se virmos um Deus presente a cada momento junto de cada um de nós, é um desassossego constante.
Alerta-nos constantemente para as nossas misérias.
E as misérias mais gritantes serão o egoísmo e cinismo que manifestamos nas atitudes mais básicas sem nos apercebermos disso.
Quantos de nós seriamos capazes de nos cruzar com um pedinte com a roupa suja convidá-lo a entrar, proporcionar-lhe um banho, sentá-lo na mesa e proporcionar-lhe uma refeição quente.
Essas atitudes acompanham-nos na fila do autocarro, na padaria, na estrada enquanto conduzimos, no trabalho ao tomar café, à porta de casa...ah e até na igreja enquanto comungamos. É que nem este ato símbolo da nossa união com o sagrado escapa a esses comportamentos.
Na paróquia a que pertenço a catequese tem funcionado mais à base da boa vontade das catequistas.
As pessoas dão o seu melhor de acordo com o que lhes foi transmitido e na linha de pensamento que lhe está enraizada. Pessoas conservadoras muito devotas nas orações "convencionais" sem no entanto conseguirem uma aplicação prática dessas fórmulas à vida à miséria à fome que as circunda.
Como consequência temos as nossas crianças jovens e adolescentes ao serem bombardeados em todas as direcções, incapazes de aplicar a esses apelos desenfreados o que aprenderam na teoria.
Sou catequista de coração, move-me um chamamento difícil de traduzir em palavras. Discretamente procuro apreender a realidade de cada catequizando e exemplifico a partir daí.
Isto requer um trabalho diário e constante requer sair todos os dias da nossa particular de conforto.
E não é simples fazer isto num meio adverso.
Discretamente faço algumas caminhadas intencionais, levo sempre qualquer coisa na mala do carro que estaciono em lugares estratégicos para poder distribuir roupas, leite, e por aí fora.
Mas sou apontada como "revolucionária" talvez não seja o termo que aplicam mas sei que chamam a atenção do padre para o meu comportamento.
O padre nem se atreve a dizer-me o que quer que seja que ouve.
Sinto no olhar nas palavras e nas atitudes para comigo que não reprova a minha forma de ser e de estar em igreja, em comunidade.
Aconteceu na celebração do sábado passado, eu fazia fila para comungar entretanto surge repentinamente do meu lado direito, uma senhora (catequista) toda "empinada" muito "chique" socialmente bem posicionada, que se coloca à minha frente, entre mim e o padre que entretanto já elevava a hóstia no ar, o homem não esteve com meias medidas, não disfarçou a irritação desceu o degrau e fez-me comungar a hóstia erguida que me havia sido destinada antes da intromissão da senhora.
Estaremos em plena fase de viragem e estamos finalmente a aprender a catequizar com o nosso agir diário
Passará também por aqui o caminho da nova evangelização(?).
PR

Anónimo disse...

Os espaços e ambientes catequéticos continuam a ser cópias imperfeitas das madrassas que todos conhecemos onde a doutrinação ocupa um lugar de destaque anulando a possibilidade de criar e libertar os catequisandos para um crscimento equilibrado e um caminhar responsável e adulto na vida da fé.

Quem olha para os manuais e os seus conteúdos percebe o que significa a infantilização da fé que desresponzabiliza e apenas cria clones que dão o tom e a forma ao quadro actual das nossas comunidades paroquiais.

Cisfranco disse...

Eu por acaso não sei como é feito, actualmente, esse ensino, mas a avaliar por quem ensina, às vezes nada recomendáveis, não me deixa muito optimista. Também sei que é mais fácil criticar do que fazer bem e comprometer-se, sugeitando-se a ser criticado. De qualquer modo , acho que entendo o comentário anónimo (18 Outubro, 2013 14:51) e concordo com ele.

Ruth Bassi disse...

Caro Padre,
Não estou em condições de dar uma boa opinião sobre o assunto. Há bastantes anos, fui catequista e deixei de o ser porque senti que era necessária uma reciclagem periódica para bem desempenhar a missão e, não tendo disponibilidade para tal, preferi, embora com grande pena, abandonar o ensino da catequese.
Sou de opinião que o catequista, para bem desempenhar a sua missão, nos tempos actuais, precisa de ter sensibilidade para enfrentar os problemas que se colocam às crianças e jovens do nosso tempo e não só com discursos moralistas. É uma missão muito nobre e nem sempre fácil. Mas, em verdade, alguma coisa vai mal. Basta observar os fiéis das nossas igrejas - cada vez menos e mais idosos.A contenção económica tem tido a sua influência na diminuição da natalidade mas, mesmo assim, verifica-se que, dos poucos que frequentam a catequese, ainda menos são os que continuam a seguir a religião. No entanto, acredito que se tiverem tido uma boa formação, e mesmo que façam a sua caminhada longe da Igreja, haverá um dia, ainda que distante,
em que regressarão.
Um abraço
Ruth

Anónimo disse...

Funciona muito mal porque as catequistas não estão preparadas e os padres fogem do trabalho como o diabo foge da cruz.

Inês Guedes disse...

Esta é uma questão muito complicada... pela minha experiencia enquanto catequizanda e como catequista penso que é o catequista que faz a catequese... penso que é necessário ter Padres presentes e dispostos a apoiar os catequistas e acho que é necessário virarmos-nos também para os pais... quantos de nós não têm crianças nos grupos em que os pais os vão lá deixar e os vão buscar no fim da Eucaristia, só para estarem 2 horas sem "aturar os filhos"... mas não deveriam ser esses pais a acompanhar os filhos??? este é realmente um tema que me "incomoda" o que podemos nós catequistas e nós comunidade para alterar esta forma de estar???

Respondendo à pergunta, penso que sim, penso que na paróquia onde participo temos melhorado bastante mas também tenho a certeza que há um longo caminho pela frente até voltarmos a ver as nossas Igrejas de pedra cheias de "pedras vivas"...

Anónimo disse...

A minha experiência data de há uns cinco anos atrás, avalio-a da seguinte forma:
As catequistas não reuniam para discutir como estava a decorrer a catequese nem se os objectivos estavam a ser atingidos. Não trocavam impressões sobre os problemas que decorriam no decorrer da catequese e nem a forma de os solucionar
Não era facultado às catequistas ensinamentos sobre a forma de lidar com crianças ou adolescentes, pelo que umas eram respeitadas outras não, dependendo da sua habilidade em lidar com esta população. Logo o resultado final é muito divergente.
Nenhum padre dava qualquer acompanhamento, ou se preocupava com o assunto
Os pais não eram envolvidos na catequese, quando os filhos faltavam não eram com frequência feitas chamadas para saber o motivo
As circunstâncias não tratavam a pessoa como um todo, mas apenas era interesse cumprir o programa. Não havia atenção pela pessoa (se era sujeita a bulling, se vivia num bairro..)
Quando os pais decidiam tirar as crianças da catequese mesmo dando uma explicação, não havia uma forma de abordar a situação de forma inteligente nem preparada
Não era feito nenhum acompanhamento da pessoa pós catequese
A criação de empatia não era proporcionada na catequese, nem fora desta, e isso é que leva muitas vezes as pessoas a desistir. Não havia vínculo entre as pessoas
A meu ver de um modo geral a catequese é muito mal programada. Ainda que cumpra o programa, duvido que o impacto esperado na criança seja muito acima dos 50% esperados.

Anónimo disse...

Partilho inteiramente do que é dito pelo Anónimo 21 Outubro 21:44.

Anónimo disse...

Ó pá, os miúdos são complicados e as catequistas umas ataditas que não conseguem por os miúdos na linha.
Até os professores, com formação pedagógica, não conseguem segurar os miúdos.
O melhor é dar catequese aos pais.

Anónimo disse...

... quero ainda acrescentar: tb podiam por os pais a dar a catequese para saberem o que custa aturar os seus filhos!

Anónimo disse...

Sim, acho que os catequistas devem ter outro tipo de formação e acompanhamento. Sim, acho que muitas vezes os catequistas não têm jeito para fazer catequese. Mas, na minha humilde opinião, o maior problema é que "a catequese começa em casa"... A maior parte dos pais "matricula" o filho na catequese só porque sim, por tradição, e é a primeira vez que entra na Igreja depois do baptismo do seu filho que se realizou só porque sim, por tradição, uns anos depois de um matrimónio que aconteceu na Igreja só porque sim, por tradição. Há muitos pais que acham que na catequese se conta "historinhas" às crianças, enquanto os adultos vão às compras. Há muitos adolescentes que frequentam a catequese para "fazerem o crisma", mas "crisma" tem por definição "poder ser padrinho/madrinha de baptismo". Quando, em Igreja, deixarmos de trabalhar para os números, talvez deixem de se administrar matrimónios por tradição, baptismos só porque sim e crismas para se ser padrinho. E se calhar é preciso catequizar primeiro os pais, porque estes têm de ser os primeiros catequistas dos seus filhos, pelo exemplo. Enquanto houver crianças a frequentar a catequese só porque sim, a ser deixadas como depósito no salão paroquial (tal como na escola são deixadas como depósito...) enquanto se aproveita para ir às compras, a ser deixadas na Eucaristia a que "esta semana têm de ir" enquanto os pais ficam no café... Enquanto assim for, a catequese não resultará. É a minha opinião.

Anónimo disse...

Ah... Queria deixar claro que eu não sou catequista.

Unknown disse...

Para mim a catequese tornou-se mais um fardo para as crianças, para além da escola. Não entendo porque tem que ser todos os fins de semana, obrigá-los a ir a missa, quando a religião é uma opção não uma obrigação. Não ensinam da maneira mais correta, tornando a catequese uma chatice pois não tentam adaptar a aprendizagem a idade. E depois pergunta-se as crianças se gostam de ir a catequese a resposta é sempre a mesma com desanimo de quem tem que ir por obrigação. Continuando assim a religião católica vai diminuir cada vez mais.

Confessionário disse...

16 dezembro, 2016 09:06

e porque se hão-de obrigar a ir? E porque os pais não dão a verdadeira catequese tb em casa? E se perguntar ás crianças se a escola não é um fardo, qual é a resposta mais previsível? e de que maneira é que a catequese tem feito aumentar a religião católica quando no final da catequese a maioria desaparece?