sexta-feira, abril 12, 2013

Três perguntas e muitas mais

Num dia destes, numa homilia destas, a pensar numa sondagem que li algures, sobre coisas destas como a ressurreição, fiz três perguntas. Primeiro perguntei se acreditavam em Deus, e quase toda a gente, senão mesmo toda, levantou o braço cheio de certezas. Claro que supostamente quem está na missa acredita em Deus, mas nunca se sabe, dadas as tradições que temos coladas a nós. Baixados os braços, perguntei-lhes se acreditavam na Ressurreição de Jesus. E o mesmo número de pessoas, ou quase o mesmo, levantaram o braço com algumas incertezas, pois o ânimo da resposta pareceu, aos meus olhos, menor. Além disso, baixaram os braços muito depressa, como se fosse melhor assim. Fiz então a terceira e última pergunta, que era se acreditavam na nossa ressurreição. E o levantar de braços tornou-se lento. Medido ou incerto. Como se os braços não tivessem forças para se levantar sozinhos, seguros. O número de braços levantado também diminuíra. Quis convencer-me que foram os meus olhos que viram desta maneira. Porém, uns dias mais tarde, alguém me confirmou com os seus olhos. Senhor padre, levantei o braço nas duas primeiras e na última não. Outra pessoa, inclusive, disse que não levantara em nenhuma, pois eu levantara-lhe mais questões que aquelas que fizera. O assunto chegou aos cafés. Quero crer que os meus paroquianos ficaram a pensar, tanto quanto eu. Porque a Ressurreição é a razão principal da nossa fé que dá sentido à nossa Vida. E isso deve fazer pensar. Mas o que mais me intrigou foi a quarta pergunta, que só fiz a mim mesmo, e que se relacionava com aqueles que tinham levantado o braço na segunda pergunta e na terceira não o tinham feito. Porque havia de Jesus ter ressuscitado? E a esta pergunta respondi com outra. Apenas para mostrar o Seu poder?

52 comentários:

Bruno disse...

Para mim a resposta para a quarta pergunta é se calhar mais simples que a terceira. Não porque não acredite na nossa ressurreição, mas talvez por não a compreender, já que a ressurreição de Jesus teve um momento e um intervalo de tempo fixos e a nossa... como será?
Quanto à quarta pergunta, acho que a resposta é tão simplesmente "para dar sentido à Sua Paixão". Isto é, a cruz representa o Amor de Deus - ágape - e esse Amor, levou apenas à cruz e não à ressurreição (a maior prova de amor é dar a vida pelo irmão e não ressuscitar por ele). No entanto, se não se tivesse dado a ressurreição de Cristo, esse Amor não se teria multiplicado tão facilmente, Cristo tinha sido "uma ilusão" que acabou no calvário mas, como ela aconteceu, Cristo foi uma esperança que levou os primeiros cristãos (e espera-se que os atuais) a também Amarem os seus irmãos até ao fim. Ou seja, Jesus não ressuscitou para mostrar o Seu poder, mas para nos mostrar o nosso poder através dEle, através do Seu Amor e da nossa doação aos outros, pois nós só Amamos verdadeiramente alguém se contribuirmos para que essa pessoa possa desenvolver todas as suas capacidades (no nosso caso de Cristãos, "Amarmos o próximo como a nós mesmos"), tal como Deus nos ajudou através da ressurreição de Jesus.

Anónimo disse...

Para que havia de Jesus ter ressuscitado?

Para nos dizer que É um Deus vivo e que quem crê n'Ele, nunca morrerá. Por outras palavras, que É o sentido primeiro e último da nossa vida, o ponto de encontro e caminho para a eternidade. É um Deus de alento (deixa lá, hás-de vencer a tua própria morte!).

Esta até não é muito difícil de responder (o problema está mesmo em senti-Lo em mim todos os dias, de forma a aderir com mente e peito abertos).

Anónimo disse...

Fazer umaa espécie de "estudo estatístico" na homilia parece-me interessante. Mas acho que os resultados podem ser falseados, ou seja, que as pessoas podem levantar o braço apenas porque é suposto que o façam. Contudo, é, sem dúvida, algo que levará as pessoas (pelo menos algumas) a refletir sobre a sua Fé, se de facto podem dizer que acreditam em Deus, se acreditam verdadeiramente na Ressurreição de Jesus (fundamento da nossa Fé) e na sua própria Ressurreição. Tal como o post do Sr. Padre sobre o assunto nos faz a nós refletir nessas mesmas questões.
Agora, penso que o menor número de braços levantados na terceira questão poderá também ter a ver com o facto de as pessoas pensarem que podem não ressuscitar por serem pecadoras. Todos nós desconhecemos a realidade concreta do que vem depois da morte, do que é essa Ressurreição, essa Vida verdadeira. A Ressurreição de Jesus vem trazer-nos esperança. Mas eu penso que o "Paraíso" e o "Inferno" ainda são conceitos em que as pessoas pensam. Deus vem para salvar os pecadores, mas fala sempre dos pecadores que se arrependem. Já pensou, Sr. Padre, que o facto de as pessoas não levantarem o braço pode ser por saberem que são pecadoras (todos somos e estamos constantemente a cometer os mesmos pecados muitas vezes) e não sentirem um arrependimento sincero? É só uma hipótese, sabe que a ideia de um Deus que castiga ainda está muito entranhada no pensamento das pessoas. Eu acredito num Deus-Amor, clemente e bondoso, cujo perdão tem uma força imensa. Mas não existirão também algumas condições para a Ressurreição? Será que sou merecedora dessa Ressurreição?
Fica o raciocínio.

Anónimo disse...



... Mas que Jesus ressuscitado, podia ter aparecido a mais uns tantos... podia!... Só para facilitar (a nossa "fé")...
Ah!Ah

Peregrino disse...

Não sei “quantos” eram os homens e mulheres que estavam nessa celebração da Ressurreição onde lançaste o “aperto” … a coisa tb não é para compreensões fáceis… que o digam os Discípulos… e logo eles que teriam que ser convencidos dela, a Ressurreição, em 1ª mão por mulheres… entendo o “Ah!Ah” anterior.. não dá para escapar...

Abraços

Anónimo disse...

Caro Confessionário! Esta é mesmo difícil!!! No entanto eu quero acreditar na ressurreição dos homens. Se assim não for, o que nos acontecerá? Para que serviu o exemplo de Jesus, senão para nos dar a conhecer o caminho! Mas que fiquei baralhada, lá isso fiquei! Santa noite. Abraço

Ana Melo disse...

Eu espero que isto não me passe, Meu Deus!!

Tenho a sensação que os rituais (muitos! dentro das paredes dos templos), não nos deixam ver gente ressuscitada! também o INESPERADO de pedir numa celebração, para levantarmos os braços, ou fazermos uma roda mais ou menos ecuménica, não ajuda muito!!!!

Eu gosto de “ver” nas missas, o explorar ao máximo a palavra de Deus, ela por si só é riquíssima, vamos só “explora-la” um pouco mais, em casos mais actuais. Despertar a vontade de viver no nosso dia a dia ao jeito de Jesus.

Podem tentar! mas não se atrevem a mudar-me a opinião. Os exageros ao nível da encenação só estragam. Vá la!! eu sei! todos nos temos de vender um pouco.

EU SOU DAS PESSOAS QUE VEJO, (também porque faço questão de o ver!) TODOS OS DIAS GENTE RESSUSCITADA, vejo gente que se anula para que outros vivam, “vejo” mortos que nunca morreram, alguns nossos próximos, outros em histórias nos chegam. Aliás! não é esta a historia de tantos seguidores de Jesus?!

Mesmo eu! no meu tom de brincadeira já me saiu a expressão “eu sou das pessoas que já não morre” (para pouca gente com certeza), mas quando alguém mais intrigado se atreve questionar algum comportamento fora dos “seguidismos”, eu atrevo-me a confirmar, e muitas vezes a argumentar, que é a fé numa vida ao jeito de Jesus, que me faz ser essa felizarda.

Bom!! porque à caminhos muito difíceis de percorrer na sociedade que TODOS! criamos, escravaturas a que, salvo raras excepções nos damos, creio que em MIM, a “facilidade” do caminho, vem muito do facto de eu não ter filhos, do facto de não saber o que são férias, do facto de não saber o que são viagens, do facto de eu não ser nada nocturna, e mesmo nos poucos (pequenos ou “grandes” passeios), a parte que mais me agrada é a do regresso a “casa”, é a do regresso aos meus curtos e habituais caminhos.

Anónimo disse...

Não sei se deve ao tardio da hora… Não sei se se deve ao coro de risos… ou aos tintos de um saboroso jantar de amigos que para mim já findou, mas que continua ainda noite fora…, não sei… a pergunta que de momento faço é de onde vem essa fé que me questiona? Onde fica a sua nascente? Por que não se esgota? Que fé dá de si própria? Qual é o seu tamanho? O seu testemunho? O que é que aguenta? Alguma vez abanou?… Hum?! É muito fácil andar para aí de dia e de noite a azucrinar cada um, a fazer de fé perguntadora!

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e Confessionário.
Olá a Tod@s que por aqui passam.

Achei muito interessante esta "sondagem ao vivo". Ainda por cima num meio rural, onde chegam poucos "ecos" de algumas modernas "tendências teológicas", que de tanto quererem ser "modernas" - e "falar para o mundo culto" -, ficaram muito contaminadas pela filosofia grega, perdendo a apocalíptica hebraica. E a Ressurreição dos Mortos surgiu (embora tardiamente) na Cultura Hebraica.

Vou socorrer-me do auxílio de um Amigo, o P.e Rui Santiago cssr, para contribuir para o "debate" sobre a 3.ª questão: "Porque ressuscitou Jesus"?
"A Ressurreição de Jesus é a Insurreição de Deus!"
"A Ressurreição de Jesus é a mais intensa Declaração de Amor e o mais imerecido Perdão que Deus dá à Humanidade inteira."
"A Ressurreição de Jesus é a Acusação de Deus a todas as formas religiosas que põem a Lei acima da Misericórdia e a Autoridade acima do Amor."
"A Ressurreição de Jesus é a Insubordinação de Deus diante das injustiças que nós dogmatizamos como uma fatalidade! Deus não se comporta...".
Penso que chega...

Um forte Abraço para Tod@s.

Moçambicano

Moçambicano disse...

Olá de novo.

É óbvio que, para percebermos o que transcrive anteriormente, não podemos pensar nem num Deus "Intervencionista", nem no extremo oposto - um Deus que nos Criou e depois nos deixou "abandonados à nossa sorte".
Mas isso dava para um "Post" muito longo.
Apenas umas dicas, sempre do P.e Rui Santiago cssr:
"Celebrar a Páscoa é afirmar uma Fé muito maior na força velada da Ternura de Deus do que na brutidade evidente das nossas faltas de juízo."
"Não há espiritualidade que humanize se não integrar a Fé no mundo dos sentidos, Deus na Criação."
"Celebrar a Páscoa é afirmar com energia que a Palavra definitiva sobre o destino de todo o Universo é um Gesto Amoroso e Redentor."

Outro forte Abraço.

Moçambicano

Anónimo disse...

ó amigo Moçambicano, como é que tu explicavas isso às criancinhas?

Anónimo disse...

Sou o anónimo de 14-04-2013 -02h43

Penso que este “post” tem por propósito colocar-nos a reflectir acerca dos pilares basilares da nossa fé como cristãos. Ao fazermos essa análise, clarificamos determinados pontos importantes e somos confrontados com a nossa própria fé. Mas no meu caso, esse exercício ocorre essencialmente ao nível do intelecto. Por isso, fico mais esclarecida, mas não fico com mais fé. De modo que continuou a sentir-me insatisfeita.

Em matéria de fé, o que mais gostava, para começar, é perceber, mais do que aquilo em que se acredita, porque é que se acredita naquilo. Bem sei que ambas as coisas estão intimamamente relacionadas. Mas porque é que se acredita?!

É um dom de Deus? É uma especial graça? É fruto da personalidade de cada um? Está ao alcance de todos? A fé está no coração? É uma coisa mais espiritual? Qual é o testemunho que a fé pode dar da fé, de si própria?! Alguma vez se apagou? Nunca abana? Recupera-se? Como é?

O que é que se passa “dentro” de quem tem fé, ao ponto de decidir dedicar a sua vida a servir Deus? Ou de quem, mesmo não tendo tomado essa opção, a sente tão forte dentro de si que conduz a sua vida em função? O que é que exactamente se sente?

Gostava de saber como é. Da boca de quem a tem. Mais do que uma fé que pergunta, uma fé que responde sobre si. Para ter um cheirinho. Porque às vezes são precisas certezas. Prometo não incomodar tão depressa. Mesmo a sério. Se for possível. Fica ao critério.

Pramos disse...

Bom dia!
"Três perguntas e muitas mais"
São muitas as perguntas que me povoam, parece que triplicam cada vez que faço um retiro, ou uma reflexão mais profunda.
Um dia destes, depois da sessão do curso de catequese, o padre formador perguntava se o curso estava a ser proveitoso. Surgiram respostas muito variadas, mas sempre no mesmo sentido, que as coisas que se tinham falado quer de doutrina, quer de catequética ou mesmo de psicologia não tinham trazido nada de novo.
Toda a gente ficou em silêncio quando lhes disse que este curso tinha levantado em mim uma infinidade de perguntas, que tinham sido mais as questões levantadas do que as certezas cimentadas.
As questões que surgiram, e vão surgindo sempre mais, colocaram-me numa viagem que não sei onde me levará.
Uma das questões que mais me tem feito pensar até porque celebrámos recentemente a Páscoa de Jesus, foi a da ressurreição.
Será que eu acredito na ressurreição de Jesus ao ponto de ver nela o anúncio, a certeza da minha própria ressurreição?

Sim acredito na Páscoa de Jesus e na minha própria páscoa.

Acredito não só que ressuscito todos os dias a cada instante que sou capaz de fazer frente às minhas fragilidades mas acredito que ressuscitarei, no Espírito no dia em que em holocausto fizer a minha passagem para essa vida espiritual que Jesus nos prometeu.

As dúvidas que tenho prendem-se comigo e com a falta de coragem ou capacidade para me manter nesta viagem, neste caminho de curvas e contracurvas, de íngremes subidas e alucinantes descidas.

Achava eu que a ressurreição não tinha acontecido em mim, porque me sinto num túmulo escuro e frio, esqueci-me de acreditar que é nesse túmulo escuro e frio que a vida acontece, tal como é lá na terra escura fria que o grão de trigo fica enterrado o tempo necessário até frutificar.
Eu queria uma ressurreição instantânea.
Vou partilhar aqui um texto, a propósito da Páscoa, até agora não encontrei melhor para definir a PÁSCOA.

«'Mulher, porque choras? Quem procuras?' Tens Aquele que procuras e não o sabes? Tens a verdadeira alegria eterna, e choras? Tens em ti Aquele que procuras fora de ti. Estás no exterior de um túmulo, a chorar, quando o Meu túmulo é o teu coração; Eu não estou morto, mas repouso aí, vivo para toda a eternidade. A tua alma é o Meu jardim. Tinhas razão em pensar que eu era o jardineiro. Novo Adão, cultivo o Meu paraíso e guardo-o. As tuas lágrimas, o teu amor e o teu desejo são obra Minha. Tens-Me em ti sem o saberes: é por isso que Me procuras fora de ti. Vou, por conseguinte, aparecer-te também aí, para te fazer entrar em ti mesma, para que encontres no interior Aquele que procuras fora de ti».
(Homilia monástica anónima do século XIII,
Meditação sobre a Paixão e a Ressurreição de Cristo)

Pr




Anónimo disse...


Pramos
Obrigada pela partilha do texto. É lindíssimo.

Ruth Bassi disse...

Padre, a tua quarta pergunta deixou-me a pensar e a refletir.
Por um lado é inequívoco o Seu poder através da ressurreição(ou será o do Pai?) mas parece-me, também, que tinha de acontecer para que se cumprissem as escrituras; de outra forma, teria tido um fim, um passado que não
nos trazia a esperança de um futuro.
Um abraço
Ruth

Moçambicano disse...

Olá a Tod@s.

Falei no défice de Espiritualidade de alguns Padres. Esse Défice estende-se (se é que por vezes não se aprofunda), quando "subimos" em termos de Lugares de Responsabilidade/Visibilidade.

Só assim se pode perceber que hoje, na RFM, tenha sido proposto como "Modelo de Vida para um Cristão" um Pensamento de Margaret Tatcher.
Com todo o respeito pela sua memória, não esqueçamos que foi uma pessoa implacável para os seus inimigos, e tão política - e politiqueira -, quanto os políticos costumam ser, e contribuiu grandemente, com o seu amigo Reagan, para o "hossanado" Liberalismo económico. Para quem não saiba, a "Bolha" rebentou primeiro na "City" (Londres) e só depois em Wall Street (NY).
E por respeito ao Papa - que é Argentino -, podia poupar-se a referência a uma Senhora que, para ultrapassar uma crise interna, defendeu colonialisticamente com "unhas e dentes" umas ilhotas (Malvinas) que estão a escassas milhas da Argentina.

Enfim, Tod@s temos direito a dizer umas "barbaridades", mas Alguns têm de medir mais o que dizem...

Um forte Abraço

Moçambicano

Moçambicano disse...

Já agora, voltando ao nosso Tema - a Quarta (e não "3.ª") Questão:

Gostei muito do Comentário d@ "Pramos".
Penso que toca no Essencial.
Parabéns.

Moçambicano

Anónimo disse...

"As tuas lágrimas, o teu amor e o teu desejo são obra Minha"

É animador pensar que o desejo (a procura de Deus) já é obra D'Ele.

Anónimo disse...

Pramos, obrigada pela partilha, tanto o texto (que é lindíssimo) quanto o testemunho!

Moçambicano disse...

Bom Dia a Tod@s.

Afinal, parece que se perdeu "algures" um meu Comentário, que era uma "Tentativa de Resposta" ao Amigo "Anónimo das 19.50", de 14 de Abril (estejam tranquilos, foi mesmo um "problema informático").

Como tenho o hábito de escrever directamente aqui no "quadradinho" - e não "guardar" noutro lado -, aqui vai "grosso modo" o que escrevi:

"Caro Amigo Anónimo das 19.50:
- A Questão do "Porquê" da Ressurreição de Jesus até é razoavelmente explicada às Crianchinhas, na Catequese, e noutros "foruns" - vide p. ex. o Livro "A Páscoa" do P.e José Luís Borga.
As Crianças têm um sentido inato de Justiça. "Intuem" muitas vezes, sem precisar de grandes "explicações filosóficas", que a Ressurreição de Jesus foi a Resposta Fiel de Deus Pai à Vida Fiel do seu Filho.
E para elas, Deus é o "Deus da VIDA".

O Problema é que, depois do Crisma, não temos muitas vezes uma Catequese de Adolescentes - uma idade crítica -, nem uma Catequese de Adultos - que são por vezes tratados como "criancinhas"...

Acresce o facto de muitos Padres, na "lufa-lufa" dos múltiplos afazeres (para compensar a sornice de outros), têm pouco tempo para a Oração, o Estudo e a Meditação - Individuais e Comunitários: "ser Orantes e formar Orantes".
E não há uma sã Espiritualidade sem Silêncio, sem Escuta e sem Comunidade (Partilha -> Acção)."

Grosso modo, foi isto que escrevi. Agora já perceberão porque é que, num Comentário posterior, falava do "défice de Espiritualidade de alguns Padres".

Um forte Abraço para Tod@s.

Moçambicano

Moçambicano disse...

PS: @ "Pramos" deu "outra luz" à minha modesta "tentativa de resposta" - sobretudo no que se trata dos Adolescentes e dos Adultos...

Abraço.

Moçambicano

Anónimo disse...

Meu caro Moçambicano, aqui a criancinha a que me referia era mesmo eu... Porque, como bem dizes, as criancinhas intuem, os adultos é que não... Um grande obrigada pela dica, talvez esse livro seja mesmo para mim!!!

Pramos disse...

Boa tarde!
Moçambicano!
Fiquei sem palavras quanto a este seu comentário. "@ "Pramos" deu "outra luz" à minha modesta "tentativa de resposta" - ..." , é que quando escrevo aqui ou noutro espaço faço-o sempre a partir de mim (esse é um aspecto que raramente abona a meu favor).
Tento ser verdadeira em tudo o que faço, e claro está no que sinto, é uma verdade que só me compromete a mim mas que desagrada à maior parte de quem me rodeia, talvez pela persistência e frontalidade a que isso obriga.
Nunca pensei em ser luz de alguém ou de algo, pois a verdade é que se existe Luz em mim ela não terá muito brilho.
Como poderia então eu iluminar o que quer que fosse (esta foi a minha grande surpresa). De qualquer forma muito obrigada pelas suas palavras, soube bem ouvi-las.
Receio não ter percebido a última parte do seu comentário " sobretudo no que se trata dos Adolescentes e dos Adultos...".
Permita-me ainda uma última observação à sua afirmação "O Problema é que, depois do Crisma, não temos muitas vezes uma Catequese de Adolescentes - uma idade crítica -, nem uma Catequese de Adultos - que são por vezes tratados como "criancinhas"..."
Concordo plenamente.
Um dia destes perguntei a um dos padres formadores e responsável pelo curso de catequese que estou a fazer... e a partir de agora quem nos orienta nas questões que vierem a surgir?
Olhou para mim demoradamente, (acho que estava a ajuizar acerca da minha sanidade mental,:)) procurava uma resposta adequada... e deu uma resposta conveniente, adequada mas pouco convincente no que me diz respeito.

Verdade que a partir do crisma ficamos sem uma catequese de adultos, tendo em atenção que se está a lidar com pessoas adultas e responsáveis.
É assim também porque torna-se conveniente para muitos cristãos que se recusam a crescer na fé. Contentam-se por se ficar a ouvir as homilias muito bonitas do sr. Pe x y ou z, e por vezes até vão assistir à missa a outras paróquias para ouvirem o sr pe. falar bonito (mais uma vez falo pela realidade que conheci no passado e a com que me deparo actualmente).
Quanto aos senhores padres (alguns obviamente)também não estão muito habituados a ser questionados acerca do que quer que seja, e quando o são dão respostas vagas.
Mas acho que um Cristão quer e precisa sempre ir um pouco mais além no conhecimento da doutrina e de Jesus Cristo.
Para isso precisa não só mas também da ajuda e orientação de quem lida com as questões de fé de "olhos nos olhos".
Pessoalmente tenho um lema, "cada meta é apenas mais um ponto de partida".
Predispus-me a ir tão longe quanto me for possível e até onde Deus me permitir, pois no que depender de mim hei-de continuar.

Pr

Anónimo disse...

Que vídeo tão giro! Boa!
Só ria, padre, só ria!

Moçambicano disse...

Olá a Tod@s.

Como vêem, isto da Fé é uma "Busca em Conjunto". Cada um com as suas Inquietações, as suas Aspirações ("o Infinito está inscrito no coração do Ser Humano"), Partilhando... e dessa Partilha vai nascendo uma pequenina Luz, que nos estimula a Tod@s a continuar a Caminhar, embora "trémulos", pelo meio das "trevas"...

Cara Amiga Pram@s:
Pouco tenho a acrescentar ao que disse.
Quanto à questão dos "Adolescentes e Adultos", percebeu bem o que eu tentei dizer - e nota-se, pelo que escreveu.
Relativamente aos Adolescentes, que receberam uma Fé mais ou menos "sociológica" da Família, mais ou menos Consciente / Madura (muito importante o papel da Mãe (-> Amor)), a questão é que o Crisma ocorre por norma quando el@s andam grosso modo no 9º-10ºAno de Escolaridade. Depois apanham o "embate" de 2-3 anos de Filosofia, quantas vezes sem que haja os devidos "contrapeso" /capacidade de resposta a todas as questões que se criam naquelas cabecinhas...
E por norma "desaparecem da circulação"...
Pergunta: Em quantas Paróquias - mesmo urbanas -, há um Grupo de Jovens que mereça esse nome?
A "miséria nacional" só não é maior porque os Agrupamentos de Escuteiros vão - com todas as suas limitações -, ajudando a "tapar os buracos"...

Para ser "curto e grosso": Nem todos os Padres acreditam na Ressurreição - nas desta vida e no "face a face" com Deus -, com a convicção do nosso Amigo P.e Confessionário. Por feitio, pela história pessoal, pela idade, por motivos vários...
E isso "reflecte-se" na sua (deles) postura, nas suas atitudes no dia-a-dia, porventura numa certa incoerência entre o que se "apregoa" e o que se "pratica". E Já dizia o saudoso Papa Paulo VI (que tem sido "esquecido" nos últimos anos) que "o Mundo não precisa de Professores, precisa de Exemplos. Se os Exemplos também forem Professores, tanto melhor".

Um forte Abraço a Tod@s.
Procuremos Confiar Juntos. É mais fácil...

Moçambicano

Anónimo disse...

Bom Dia a todas/os...

Quero felicitar o autor do Blog por esta forma inquietante de "catequisar" os adultos. Muito interessante este post, como são, aliás, a maioria. As reflexões de Moçambicano e de Pramos não podiam ser mais precisas e pertinentes, sobre o assunto lançado à discussão pelo autor do Blog...
A catequese para adultos deveria ser, quanto a mim, uma das prioridades da Igreja... quanto mais não fosse para agitar a letargia a que se assiste no que se refere à Fé adormecida de alguns (serão a maioria?!) dos católicos (perdoem-me a sinceridade mas é que às vezes tenho a impressão que algumas pessoas que frequentam a Igreja o fazem pela necessidade de se afirmarem como pertencentes a um determinado grupo ou então pela tradição do ritual). É verdade que depois do Crisma, a maioria de nós, leigos, fica abandonado à sua sorte em matéria de uma exploração mais profunda da Palavra de Deus. Não será por isso de estranhar a proliferação de seitas com promessas de vidas materialmente felizes...
Há alguns meses, numa conversa descontraída perguntei a um Padre, amigo da família, porque é que não havia catequese para adultos (pelo menos na região onde resido). Confesso que esperava outra resposta, mas só me respondeu que sim, que havia. E a conversa (que, na minha modesta perspectiva, daria assunto para muitos meses) ficou por ali.
Sei que dá trabalho (muito trabalho) preparar a tal catequese para os adultos, e que aos Párocos (pelo menos a alguns) não faltam afazeres... Mas lá que faz muita falta, faz.
Abraço fraterno a todas/os.
AM

Confessionário disse...

Moçambicano, não sei se tens razão quando falas do CNE! Pelo menos eu conheço uma realidade que não me faz pensar como tu: a maioria dos jovens e crianças que andam no CNE só aparecem nas actividades deles e pouco mais, vão à missa quando é a missa do CNE, vão a todos os acampamento (o que por si já é bom)... mas não sei... A fé é que é o mais importante, e não sei!

Moçambicano disse...

Caro Amigo Confessionário:

Plenamente de acordo. Também conheço essa realidade.
Aliás, eu escrevi, "os Agrupamentos de Escuteiros vão - com TODAS AS SUAS LIMITAÇÕES"... e por educação não as enunciei.

Mas quantos Párocos não "alijam" a Questão da Pastoral Juvenil, dizendo exactamente: "Temos os Esctuteiros!"...?

Depois falamos melhor (nomeadamente sobre os famosos "Oratórios" que existem nas Paróquias Italianas, e que são animadas por Jovens da Acção Católica).

Um forte abraço.

Moçambicano

Pramos disse...

Bom dia!
Anónimo 17-04; 10:05
"A catequese para adultos deveria ser, quanto a mim, uma das prioridades da Igreja."
Esta é também no meu entender a mais urgente das prioridades da igreja, mais uma vez falo por mim.
A sua intervenção veio mesmo a propósito, para mim.
Estou a frequentar um curso de catequese e ontem fugiu-se um pouco ao tema proposto.
Começou com o relato de experiências místicas, e terminou no tricot das organizações religiosas que abundam por aqui, e em todo o lado.
Tricotaram-se as testemunhas de Jeová, a IURD, a Igreja Maná, a Igreja Presbiteriana e Ainda Uma outra que existe aqui no Fx, (seguem o profeta Joseph Smith) não me recordo do nome.
Foi subtilmente aconselhado aos cristãos presentes que não falassem com as pessoas pertencentes a essas organizações ou iriam ficar presos por elas.
Quando aqui a cubana resolve meter a “colher” e dizer que no próprio entender proliferavam essas seitas porque tínhamos católicos mal formados que nãos sabiam dar razões da sua fé.
Que ao deixar de falar com essas pessoas perdíamos todos.
Perdemos a oportunidade de reafirmar a nossa posição em Jesus Cristo, de dar testemunhos dignos da nossa fé, abonando uns pontos a favor desta nossa igreja católica romana, tão apontada por essas.
Perdem os seguidores dessas seitas porque deixam de ter a oportunidade de ver as coisas de um outro ponto de vista e através de um testemunho vivo digno e na primeira pessoa.
Que antes de cortar o diálogo devíamos cultivarmo-nos na doutrina e em Cristo.
E terminei dizendo que o Cristão que está seguro da Fé que professa não tem medo de falar com quem quer que seja.
Que precisamos de uma catequese continua direccionada para adultos que em constante formação se vão tornando Cristãos convictos e seguros da Fé que professam.
Depois de falar fez-se um silêncio sepulcral, olhei sem receio o rosto de todos os presentes e percebi reações muito diversas todas no mesmo sentido, eram meios sorrisos irónicos ou de sintonia com a formadora, meneavam as cabeças em sinal de desaprovação, e muitas mais.
A formadora arregalava os olhos como se estivesse perante uma heresia. E eu senti que tinha cometido o grande erro de mais uma vez expressar a minha opinião.
Tive o cuidado de pedir desculpa e saí, sem vontade de voltar.
Mas contínuo convicta de que precisamos é de Cristãos bem formados na doutrina e na vida.
PR

Anónimo disse...

Não queria ser má, mas, sendo "curta e grossa"... Infelizmente, concordo consigo, Sr. Padre, a maior parte dos Agrupamentos de Escuteiros deixam muito a desejar no que se refere ao aprofundamento da Fé. Atrever-me-ia a dizer que de Escutismo CATÓLICO, como apregoam, têm pouco. Às vezes parece que o deus que seguem é Baden-Powell...
E a questão da pastoral juvenil nas paróquias... Acho que, de um modo geral, carecemos do envolvimento dos jovens nas paróquias. Custa-me dizer isto, mas em muitas paróquias não se sente o esforço dos párocos para que este envolvimento aconteça. Contudo, também há Párocos que trabalham com os jovens e se esforçam a sério para envolvê-los na vida da comunidade. Mas acho que é cada vez mais difícil, porque sindo que os jovens têm cada vez menos capacidade de se comprometerem com o que quer que seja. Atenção que não digo isto por falta de compreensão e esquecimento do que é ser jovem, eu ainda sou jovem e pertenço ao grupo de jovens da minha Paróquia. Mas sei que o meu pároco lança vários desafios aos jovens - 9º, 10º ano, Crisma, Grupo de Jovens, Agrupamento de Escuteiros - e... poucos são os que correspondem... Na sua maioria, os que correspondem já são os menos jovens.
Há um longo caminho a percorrer, a renovação das Paróquias está cada vez mais em risco.

Anónimo disse...

Pramos, é mesmo isso. Foi muito bem dito, concordo em absoluto. "Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova", não é esta a ideia? Não percebo porque se escandalizam... Temos mesmo de ser mais instruídos sobre o que é a Fé Católica, Apostólica, Romana, para podermos professá-la verdadeiramente e sermos firmes nessa mesma Fé.

Anónimo disse...

Cara Pramos

Eu sou AM (anónimo 17.04; 10:05)

Lamentavelmente a castração intelectual é uma norma adoptada por aqueles que são confrontados com assuntos para as quais não estão preparados. O "deixá-los falar sozinhos" porque não estão connosco e não são dos nossos é a forma mais eficiente de despachar e também é o processo mais infalível de criar trincheiras em vez das tão desejadas pontes. Enfim... São formas diferentes de viver a Fé (?!)! Felizmente há pessoas com atitudes mais dignas (do que essa que subtilmente aconselha ao afastamento para evitar um eventual contágio).
Não desanime nem desista da frequência do referido curso de formação: vai certamente, com as suas intervenções, deixar uma marca (e tenho a certeza que obrigará a pensar, pelo menos alguns, dos presentes). É que, tal como eu disse no comentário anterior, há pessoas que apenas "estão" porque "é bem" pertencer a determinados grupos e não por sentirem necessidade de aprofundar a doutrina de Cristo Vivo!
Abraço fraterno.
AM

Moçambicano disse...

Olá a Tod@s.

Acho que, sem nos apercebermos, estamos um bocadinho a fazer o "caminho dos Apóstolos", desde a Noite de 6.ª Feira Santa até à Manhã da Ressurreição... ;)

Não desanimemos, portanto...

Um forte Abraço.

Moçambicano

JS disse...

Cara Pramos, permite-me que tome um pouco a defesa da tua formadora e do grupo em geral.

Primeiro que tudo, é preciso não meter no mesmo saco as organizações/confissões religiosas existentes. A carapuça de "seita" não serve a todas de igual forma. Isto é importante porque acaba por implicar comportamentos diversos da nossa parte na hora de dialogar ou de virar costas.

Tens razão em dizer que "o Cristão que está seguro da Fé que professa não tem medo de falar com quem quer que seja". Mas o contrário também é verdade: um cristão inseguro e com uma fé débil não está à vontade para falar com quem o questione ou desafie sobre as suas convicções religiosas. E pode bem ser que no grupo de formação em que participas haja muitos que se sentem assim. Estão todos a fazer o mesmo curso, mas não estão todos no mesmo patamar de fé; nem é líquido que o
curso esteja a ser proveitoso de igual forma para todos.

Daí a recomendação subtil da formadora, que, embora traindo o ideal para que se deve caminhar, acaba por se adequar à realidade da situação. Até porque uma pessoa com uma fé débil é facilmente influenciável; e disso são testemunho precisamente as pessoas com quem é suposto dialogarmos, já que, na grande maioria, se diziam católicas antes de terem sido captadas pelas organizações que agora representam.

Também é bom perceber que o diálogo com alguns desses grupos é, de facto, uma conversa de surdos. Assumindo uma posição proselitista, à mistura com modernas técnicas de marketing, a sua missão é convencer e arregimentar. Não estão propriamente dispostos a ouvir-nos de verdade e a reflectir sobre os nossos argumentos. É como ter à porta um vendedor do Meo e querer falar com ele sobre as vantagens da Zon...

E há depois um problema cultural a considerar: é que nós não temos nada o hábito de discutir ideias, numa base racional e objectiva. Facilmente nos deixamos levar pelas emoções e facilmente personalizamos as coisas. É como somos. E isso deve ser tido em conta e levar-nos à prudência, na hora de querermos apostar em diálogos bem-intencionados. Mas também à perseverança, sem desanimar perante más experiências. Talvez sirva de (mau) exemplo aquilo que relatavas no teu comentário: tentaste discutir uma opinião no seio do teu grupo; e confrontada com reacções negativas, até quase equacionavas a hipótese de te afastares. Se calhar, também estás a precisar de te sentires mais segura...

JS disse...

Curioso o teu post, Confessionário.

Até porque, no início, as coisas eram ao contrário. No tempo de Jesus, havia entre os judeus a crença na ressurreição dos mortos (que estava longe de ser consensual). Mas tratava-se da ressurreição futura, no fim dos tempos. A novidade e o escândalo foi quando alguns começaram a anunciar que alguém já tinha ressuscitado, que a ressurreição podia acontecer no hoje do nosso tempo e deste mundo. Todavia, a proclamação da ressurreição de Jesus baseava-se na da ressurreição final. Dizia Paulo: quem não acredita que os mortos hão-de ressuscitar também não acredita que Jesus tenha ressuscitado.

Mas fará sentido, como questiona o post, acreditar na ressurreição de Jesus sem acreditar na nossa ressurreição? Encontro duas possibilidades de explicação.
Por um lado, é diferente acreditar em algo já acontecido e sucedido a outrem, e em algo que há-de acontecer, e acontecer connosco. Pode ser mais complicado acreditar em algo que nos envolve directamente e que exige também a esperança.

Por outro lado, pode ser também o resultado de se sublinhar em demasia a divindade de Jesus. Cristo ressuscitou porque era Deus. Como nós não somos Deus, será que iremos ressuscitar?...
Talvez faça falta regressar a uma fórmula de fé mais antiga: foi Deus que ressuscitou Jesus de entre os mortos; e Deus, que ressuscitou Jesus, é o mesmo que há-de dar vida aos nossos corpos mortais.

Anónimo disse...

Mas se acreditamos em Jesus e se Jesus nos promete o Paraíso, porque não haveremos de acreditar na nossa própria ressurreição?!

JS disse...

Caro anónimo: se calhar, é porque Jesus prometeu o Paraíso ao crucificado. Ora, como ninguém anda com muita vontade de se deixar crucificar...

Pramos disse...

JS
"Se calhar, também estás a precisar de te sentires mais segura..."
Poderá ter razão se tivermos em conta que não existem certezas absolutas enquanto estivermos no caminho.
Não será que toda a gente tem as suas inseguranças?

PR

Anónimo disse...

Com mais, ou menos, ou mesmo sem nenhuma vontade, ao passarmos por esta vida, não somos todos crucificados, JS?

Anónimo disse...

"Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra viverá..." (Jo 11:25)
Esta nem fui eu que disse...

JS disse...

Caro anónimo: há crucificados e há crucificadores. Mesmo que estes também sofram, isso não apaga o que fazem aos outros.
E não falta também quem fique a assistir ao espectáculo. Não são eles que metem os pregos; mas também não o impedem.
Para estes, a promessa de Jesus é a Geena...

JS disse...

Pramos
É isso mesmo: se estiveres consciente das tuas inseguranças, melhor poderás compreender as inseguranças dos outros e donde vêm esses tais receios de falar ou dialogar. com estranhos à nossa fé.
E se estás convicta de que um cristão deve ser seguro de si e da sua fé, e aberto a dialogar com todos, tens a possibilidade de fazer caminho dentro do grupo de formação, dialogando e discutindo com a formadora e o resto do pessoal. Não digo que seja fácil, à conta das tais inseguranças (tuas e dos outros); mas é esse o caminho.

Anónimo disse...

Caro JS
Mas também ninguém disse que o Céu é para todos... Ó tu pensavas?

JS disse...

Caro anónimo, já estás a ver porque é que alguns não têm vontade de acreditar na própria ressurreição. Para eles, não serão boas notícias.

Esse é um dos pormenores que costuma ficar esquecido: ressuscitaremos - para sermos julgados.

Anónimo disse...

Julgas então que não é apenas falta de fé? Na tua perspectiva, trata-se antes de falta de confiança, na misericórdia de Deus? A misericórdia é pequena para o tamanho dos pecados? Ou são os pecados demasiados grandes para o tamanho da misericórdia? E o arrependimento...? Quando o sapato é apertado, recorre-se á calçadeira...

JS disse...

Caro anónimo: primeiro a justiça, depois a misericórdia. Acreditamos num Deus justo e misericordioso. Com ambos os predicados.
Infelizmente, é costume abusar-se da palavra "misericórdia", a ponto de a tornar uma negação da exigência de justiça. E acaba-se por descredibilizar Deus. Assim, não há fé que resista...

Anónimo disse...

Meu caro JS

Essa seria a ordem se tratássemos de assuntos da terra, mas introduzimos aqui a grandeza do céu.. e o amor de Deus não é justo… daí precisamente a misericórdia…

Flávio Sobreiro disse...

Penso que... Em meio a tantas dores sofridas fica difícil acreditar que possa haver felicidade além dos sofrimentos.
http://novos---olhares.blogspot.com.br

JS disse...

Caro anónimo: o amor de Deus não é justo? Dás-te conta da barbaridade de uma afirmação destas?
Espero bem que aquilo que querias dizer fosse que o amor de Deus é mais que justo, que vai além da justiça.

É sempre a mesma história quando chegamos ao ano C: toca a vender a religião do Deus bomboca; e sai como pãezinhos quentes...

Anónimo disse...

Meu Caro JS

E sei que percebeste o que disse e onde exactamente quis chegar… já há muitas linhas de conversa para contextualizar…

Deus acolhe os arrependidos, com misericórdia. É aquela coisita do perdão… tens noção? Eu sei, é muito à frente… Outro patamar. Passam na peneira sem que a condenação corresponda ao tamanho do pecado… ou mesmo até sem qualquer condenação. Recebidos de braços abertos, pelo Dono da casa. Como o outro, que dizem pródigo.

Não é esta a ideia que os Homens tens de justiça. Pelam-se pela aplicação de uma justiça… retributiva. Mas apenas aos outros… Porque quando lhes toca a eles, está quieto ou mau…

E, JS, não stresses, sou tão alérgica ao glúten, como à barbárie… Mas até gosto de uma bomboca acompanhada com uma laranjada. E tu, tão cítrico, fazes reacção positiva à vitamina C?!

Anónimo disse...

Hoje li uma notícia, intitulada assim:

«Lisboa: Cardeal-patriarca convidou jovens a dar “testemunho” da sua fé.»

E transcrevo:

«‘Evangelizar é pôr-se a caminho, movido por dentro, para dar um testemunho’, disse D. José Policarpo, na Jornada Diocesana da Juventude que decorreu no Restelo, juntando cerca de um milhar de jovens.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinhou que o cristianismo ‘não é um discurso, não é uma teoria, é uma experiência, uma experiência que se comunica’.

‘Uma das fraquezas da Igreja hoje, porventura das Igrejas do Ocidente, é transformar o Cristianismo num discurso.’»

Concordo com tudo, sobretudo com aquela da experiência que se comunica. Tenho pena que este jovem não venha fazer uma perninha, aqui neste nosso caminho. Era rapazote para me explicar umas coisinhas…

Fonte: Google Notícias - My Ecclesia TV

Anónimo disse...

“eu sou das pessoas que já não morre”
É uma frase que fica dentro de nós. De um profundidade surpreendente, para recordar. Não me vou esquecer dela. Eu também sou das pessoas que nunca morrem. Solidária até à morte.