quinta-feira, dezembro 15, 2011

um ponto que queria ser ponto de luz

Gostava de ser um ponto de luz. Apenas um pontinho pequenino, porque um pontinho é sempre uma extensão, uma ínfima parte da Luz. Gostava de ser um ponto de luz. Porque mesmo que iluminasse apenas um pequeno trilho, uma réstia de levada, uma direcção, ele seria sempre um indicador do caminho. Gostava de ser um ponto de luz que abre a visão e não concentra em si a atenção. Quando olhamos fixamente a luz, ficamos cegos ou deixamos de ver. Não quero ser um ponto de luz que se deixa cegar pela inconsciência de permitir ou fazer cegueiras. Não quero ser um ponto de luz que se deixe cegar pela vaidade de ser luz. Queria apenas ser um pontinho da Luz. Queria mesmo e muito. Sempre e fortemente. Mas, para tristeza da Luz e infelicidade de quem precisa de luz e de quem queria ser ponto de luz, que sou eu, a maior parte dos meus dias e noites e noites, sou apenas um ponto que queria ser esse pontinho da Luz.

23 comentários:

Rosa disse...

E esse ponto que é, de certeza que muita gente O aguarda com ansiedade,e que muito faz...e transmite esse ponto de luz para o coração dos outros.
Que bom nós podermos ler,participar neste partilhar, e muito mais ,que esse ponto de luz de certeza indica.

Idalina disse...

E será que não é mesmo esse pontinho de luz??? Já o senti como tal algumas vezes. Obrigado por isso!

Maria Zete disse...

Olá Padre.
Quantas vezes o senhor foi ponto de luz para mim. Quantas vezes encontrei "ponto de luz" nos seus textos. Assim é comigo e tenho certeza assim também é com e para tantos irmãos que visitam/frequentam o confessionário. Um Natal cheio de luz para todos.

Mafalda disse...

Como São João da Cruz, Santa Teresa de Ávila ou , soube-se recentemente, Madre Teresa de Calcutá.Todos santos, uns no Céu já Santos, outros na terra sempre a caminho da santidade que nos é proposta todos os dias. A tal luz que queria ser, já é, e brilha forte.A grande questão é que, quem a vê, é quem precisa de ser iluminado, em primeiro lugar. Neste caso, nós, que estamos do lado de cá do Confessionário.E que também partilhamos consigo ( partilho) momentos de «necessidade de ser luz».Enfim, Ele sabe o que faz.
Abraço grande e espero não ter baralhado mais.

luzderafael disse...

Querer ser um ponto de luz,já é ser luz.É acreditar na mesma e isso ainda que não pareça,faz toda diferença.Não precisamos ser holofotes,não somos perfeitos e assim como na fé;se conseguirmos manter a mesma ,ainda que no tamanho de um grão de mostarda-nunca a perderemos e acredito que seja assim com a luz(que buscamos,que desejamos ser pro outro e que queremos sentir no outro).Se valorizarmos e acreditarmos nos pontinhos luminosos de cada um e respeitarmos seus limites ,seremos iluminados e iluminaremos.E essa luz vem de dentro...Abraços grandes.LUZ.
Todos nós somos filhos da luz,portanto somos luz (ELE já nos pediu há muito tempo,sejam sal e luz)...

Porthos disse...

Já és!

Muitas vezes e para muita gente... Atrevo-me a dizer que num período de tempo és sempre um ponto de luz ainda que para pessoas diferente e em momentos diferentes.

Para mim também foste! E não poucas vezes...

Aquele abraço

HD disse...

Semear …Semear … Semear !!!
E por vezes é Escuro , não vemos onde deitamos a semente, mas há que semear!
Fechar os olhos, esvaziar-se de si…esperar os indícios e sinais…orar.
Silencio. partilhar ,reconciliar, obter o perdão ,louvar e agradecer…
Ele dá-te o que pedires.
Confiar, pois ele está SEMPRE ao nosso lado, quando menos acreditamos, quando nos sentimos abandonados, perdidos.
Respirar fundo a vida, olhar em volta, estar atento aos sinais dos tempos no caminho de cada um.
Ouve, escuta o murmúrio dos que sofrem. Não ficas indiferente.
Semear , semear, semear...não é da tua conta, ver ou esperar frutos.
Ele sabe o que faz.
E o que faz contigo, é sempre atendendo o que és, mais as tuas fragilidades.
Como tu sabes, Ele capacita os mais fracos, dá alento aos simples e torna-os semeadores de um novo Reino.
Através de ti , passa a Sua Luz. E quantos aqui e ali sem tu pressentires, precisam dessa Luz , que te atravessa e tu difundes.
Luz de Esperança para os famintos e sedentos…
Semear, semear, semear…não pares!
Confia ,pois Ele guia os teus passos :)

Joana disse...

Olá pe.
Pelo que leio neste espaço, penso como todos aqueles que já falaram anteriormente. Também para mim, voce já é um ponto de luz, tipo um farol, que nos alegra, orienta e guia com a sua presença.
Não deixe nunca de acreditar nisso.
Bom Natal!!!
Beijinhos :)
Joana

Anónimo disse...

Um pirilampo mágico!...Força.
Um abraço

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Padre,

Gostava de lhe deixar aqui a recomendação do blogue do nosso Ex-Prior do Estoril, e actual Pároco em Carcavelos. Espero que goste :

http://blogdopadreantonio.blogspot.com/

Um Santo Natal

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Padre,

Outra ligação que recomendo ;

http://www.santidade.net/index.htm

Anónimo disse...

Gostei tanto da tua partilha, que decidi utilizá-la num esquema de oração que vou fazer esta noite nas minhas paróquias com os meus paroquianos. É uma "Vigília da Luz", promovida juntamente com a Cáritas Diocesana, no seguimento da venda das velas da Campanha "10 milhões de estrelas", e para angariação de roupa para o banco de roupa da Cáritas.
Obrigado pela tua partilha.

LPS

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e Confessionário.
Também na minha opinião, deesejar ser um "ponto de luz", já é sê-lo. São depois as circunstâncias que permitem que essa luz brilhe mais ou menos. Mas brilha sempre. Como a brasa que espera o vento favorável para de novo irromper em chama.
Um forte abraço amigo e solidário.
Bom Natal para Si e para Tod@s que por aqui passam.
Moçambicano

Moçambicano disse...

PS: Gosto muito de ver a Humildade num Padre.
É sinónimo, por norma, de Humanidade - qualidade essencial num Sacerdote (in persona Christi).
Abraço amigo!
Moçambicano

Anónimo disse...

Olá sr. padre!

Adoro este blog, há já algum tempo que o sigo, mas é a primeira vez que comento.

Há uns meses atrás um padre da minha paróquia também foi enviado para outra localidade.
Era uma pessoa que eu gostava particularmente de ouvir, acho que ele tinha, ou melhor, tem o dom da palavra.

Quando encontrei este blog pela primeira vez, pensei que você era ele, uma vez que a sua forma de ser é muito semelhante à dele.

De qualquer forma, sendo ou não sendo a mesma pessoa, queria apenas dizer-lhe que apesar do confessionário ser uma presença virtual, para mim é um ponto de luz.
Porque através das suas reflexões, sentimentos e vivências, transporta-nos para algo maior, para uma Luz maior, para um Sentir maior.
Portanto, obrigada da minha parte, por esse raio de Luz, mesmo pequenino sempre necessário.
Continue...
bjs
T.

Maria disse...

Olá Senhor Padre,
já tudo foi dito, pelo que pouco vou acrescentar, mas o meu amigo já é ponto de luz, muito mais do que pensa.Não só pelos seus textos,como também pelas palavras de ânimo e coragem que em determinado período da minha vida recebi de sua parte.Que essa luz se acenda mais e mais e que o Senhor o abençoe.
Grande beijinho,
Maria

Filha de Maria disse...

Venho desejar-lhe um Santo Natal e abençoado 2012

maria disse...

passei por aqui para te desejar um Feliz Natal, vivido na alegria da fé.

beijinho,
maria

DAD disse...

Querido Amigo!
Também eu queria ser luz constante para toda a minha familia e amigos, mas é dificil - vai-se tentando mas é um exercicio diário que muitas vezes a lufa-lufa da vida não dá tréguas.
Este confessionário continua a sua missão e cada vez que por aqui passo, sinto-me bem.
Queria desejar um bom Natal e um feliz Ano novo, apesar de termos consciência que, do ponto de vista material não será fácil, pois que o seja do ponto de vista do nosso crescimento espiritual.
Beijinho,

Anónimo disse...

Tudo em mim despertava quando o dia morria. Abria os meus enormes olhos redondos, espreguiçava o corpo achatado, esticava as asas, empertigava as antenas e distendia as patas curtas e finas. Largava o torpor que restava, roçando o exosqueleto na frescura da vegetação rastejante e chupando uma lesma ou duas. Enquanto vagueava pela noite cerrada, a extremidade do meu abdómen publicitava a presença do meu corpo aceso, em tons de vibrante verde néon. Sustido no éter, pela suave brisa do estio, alcandorado na copa de uma árvore ou deslizando rente ao chão, o encanto natural da minha luminescência abrilhantava os campos e sinalizava os caminhos. Zonzas, as fêmeas acudiam em número, prontas para o bailado nupcial. Atraídas pelo aparato, as minhas presas também. Apesar de toda a minha magia, medrava recôndito no mais íntimo do meu curto cérebro de insecto uma inquietante questão existencial. O desassossego assomou-me quando dei conta que o meu estonteante fulgor esmorecia à medida que a noite empalidecia… Num momento de inefável terror confirmei que até o mais ínfimo pontinho de luz se extinguia no meu corpo ao raiar do dia!... Desesperei! De que valia a minha fulgência, se o melhor de mim morria perante a magnificência da luz difusa do dia?!... Cabisbaixo, cego de inveja da luz do dia, abjurei a minha peculiar condição natural. Fora de mim, bradei resoluto na noite escura: Nunca mais serei poste volante de iluminação! Não tornarei a ser um lampião! De mal comigo, fiel à minha intenção (a divulgada aos gritos nos moldes expostos), decidi participar num retiro espiritual, a fim de descobrir dentro de mim uma nova valia funcional. Com este propósito, embrenhei-me pelo fundo da paisagem. O meu articulado corpo castanho, converteu-se num pequeno ponto escuro, a adensar o negrume da noite. Deambulei em círculos, pensei várias vezes em quadrados. O meu estômago roncou muitas vezes de fome. Perdi o meu sex appeal. Saturei de fina angústia. Desesperado, sem solução à vista, já lavado em lágrimas, decidi destruir o meu corpo precipitando-me com as asas fechadas do topo de um galho seco. Antes de mais, porque não queria morrer cansado (pois só Deus sabe o que nos pode esperar do outro lado em situação de insecticídio), instalei-me confortavelmente na minha enxerga, tecida de folhas segas, no meio de uma modesta clareira, a recuperar forças. Trinta segundos depois (ou meio minuto, consoante a perspectiva), embalado pelo sons do crepúsculo e mordido pela modorra, já me havia esquecido do meu próprio eu. Olhei o céu e observei como o dia acedia docilmente à incursão da noite. Naquele imediato instante percebi que o humilde dia apenas perecia para que o meu pequeno ser entómico se pudesse maravilhar com o cintilar das estrelas na abóbada celeste!! Compreendi que a luz do dia, a luz das estrelas e a luz emitida pelo meu próprio corpo fluorescente, participavam em igual medida na divina Luz da criação. Todas as luzes eram uma só Luz! Se eu partilhava com o dia a sua maravilhosa luz, porque a cobiçara então?! Das entranhas da noite, surgiu uma forte voz (ou seria o rugido do vento?) que dizia: “Assim como o dia tem que fenecer, para que lhe possa sobrevir a noite, também o teu eu teve que ser mortificado, para que desses o devido valor à tua própria luz”. Assim confortado, ciente das palavras ouvidas, retomei a luminosa existência do meu ser de pirilampo (no ponto em que a havia deixado na última vez que cintilei), intensamente grato à luz difusa do dia por me deixar ser apenas mais um pequenino foco luminoso presente na noite escura.

Confessionário disse...

Tens que pensar em escrever um livro! Tens tens

Anónimo disse...

Primeiro tens que escrever tu o teu, senão feneço como o dia, com falta de matéria prima!

Confessionário disse...

não tenho tempo para mais do que escrevo aqui! Pode ser que um dia!