terça-feira, dezembro 16, 2014

Como classificarias a Igreja?

Um dia destes, ou melhor, uma noite destas, num encontro interessante com jovens, e no meio de uma pequena brincadeira, pedi aos presentes que de zero a dez tentassem classificar ou avaliar a Igreja dos nossos dias. Alguns tiveram a coragem de falar a sua pontuação. Outros calaram-se. Apeteceu-me insistir com aquela de Levante o dedo quem se situa entre os zero e os cinco, os seis e os sete, e assim por diante. Lá foram levantando os braços aos poucos, e pouco acima do meio da tabela.
Às tantas, uma das jovens, irreverente e atrevida, mas com sincera vontade, levantou outra vez o braço para me fazer a mesma pergunta. E o senhor padre, como a classificaria? Recordo que respondi prontamente Dez. Dez na escala de dez. Inquieta, perguntou porquê. Respondi que porque a Igreja era de Cristo. Ele é a cabeça da qual nós somos o corpo. Por isso só poderia atribuir-lhe um dez. E será sempre dez, mesmo quando não se goste de algo na Igreja, seja estrutural seja humanamente falando, seja como seja. É como um orçamento de Estado, lembrei. Uma coisa é aprovar o orçamento no geral, e outra nas especialidades.

9 comentários:

Anónimo disse...

Exactamente.
É mesmo uma resposta á altura, e que nos faz pensar na pontuação que nós daríamos!!!
Boas Festas

Anónimo disse...

Bom dia!
Admiro a tua "ousadia" na pergunta que nos fazes.
Os jovens que acompanho na sua maioria não acreditam no "que eles dizem", "eles" são os padres.
E não conseguem separar a figura da igreja da figura do padre.
Compreendo a posição e a revolta pois abundam por aqui situações menos dignas, padres que são chantageados por "namorados" cubanos, padres que abdicaram do sacerdócio para casar, outros que foram enviados para o estrangeiro como forma de castigo por alegados abusos de crianças, e outros há que têm a sua namorada à qual ofereceram casa.
A minha opinião não é muito diferente da de alguns dos meus jovens, no entanto esforço-me por separar as águas e pensar que padres são homens uns mais vulgares que outros e que haverá uns quantos especiais porque mais semelhantes a Jesus Cristo.
Um dia destes participei num convívio de Natal num seminário.
Sei que não deveria relatar esta situação, mas umas quantas coisas ficaram "entaladas" na garganta e na alma... quase até ao sufoco.
Quando cheguei cumprimentei um a um os presentes fui apresentada a duas ou três personagens. Os olhares curiosos do reitor não me caíram muito bem... ao ser-lhe apresentada usou uma expressão mais baixa que o próprio olhar e a coisa ficou tremida, não lhe dei o prazer da confiança e não lhe respondi. Ao todo não seríamos mais que cinquenta pessoas. Chega o bispo cumprimenta particularmente alguns presentes, aos outros acena superiormente "considerem-se cumprimentados" diz com ar "baboso".
Celebrámos a Eucaristia... um momento solene os cântico entoados pelos poucos seminaristas tocaram o coração penso que de todos os presentes, quando me dirigia ao altar para comungar deparei-me com o padre da paróquia à qual pertenço, que como sempre tinha chegado atrasado, sorri-lhe e ele devolveu-me um sorriso encantador, pensei que pelo menos "ele" era natural e espontâneo.
Subimos ao 1º andar para um convívio e representação do auto de natal e o que faço eu na minha ingenuidade e mania de ser autêntica onde quer que esteja, ao avistar o padre que orienta fiquei feliz e não o disfarcei, (é um homem com sessenta e muitos anos)dirigi-me a ele peguei-lhe mas mãos como costumo fazer e dei-lhe dois beijinhos que é como costumo cumprimentá-lo, isto não é todos os dias, pois vejo-o semanalmente e falo com ele uma ou duas vezes por mês. Surpreendeu-me a reacção dele retirou as mãos com uma rapidez e olhou-me com uma frieza que me gelaram, penso que se ficou a dever à proximidade do bispo. A caminho de casa e ao pensar nesta reacção as lágrimas escorreram pela cara.
Os padres e os bispos em vez de se misturarem com os poucos presentes sentaram-se numa mesa em separado o bispo era o centro das atenções. Os seminaristas "coitados" pareciam enfiados num colete de forças serviam o sr bispo (como se este fosse aleijado) sob o olhar "hitleriano" do reitor que os deixava ainda mais nervosos.
São estes os tais que os meus jovens apelidam de "eles" e é esta a imagem que "eles" passam da igreja que representam.
Desta igreja, eu não quero fazer parte.
Durante o percurso até casa decidi formalizar a minha renúncia "a determinadas funções de voluntariado" que exerço na paróquia a que pertenço.
Gosto de ser eu mesma onde quer que esteja, penso que não sou inconveniente... a minha forma de falar, agir, vestir não escandalizam ninguém, portanto se sou eu que me sinto incomodada eu é que tenho que me mudar para ficar confortável.
"É como um orçamento de Estado, lembrei. Uma coisa é aprovar o orçamento no geral, e outra nas especialidades." Compreendo a tua afirmação, muito bem encaixada nesta tua exposição mas desculpa o desabafo, provavelmente este será um erro a igreja de Cristo não deveria ser comparada a coisa nenhuma exceptuando Jesus Cristo.
Compreendo, se decidires não publicar este comentário.
Mais uma vez desculpa usar este espaço para "falar" desta forma.

Nelson Gonçalves disse...

Eu classifico com 9 valores, não por achar que errou e não merece o 10, mas por achar que há sempre algo que pode melhorar. Na minha opinião tudo pode melhorar, podemos ser sempre mais: hoje somos mais e melhores que ontem e amanhã seremos mais e melhores que hoje. A isto chamo crescimento.
Penso que nós como Igreja temos a oportunidade e a opção de aperfeiçoarmo-nos, de tentar ser a imagem perfeita de Jesus Cristo. De caminharmos para o Cristianismo como um modo de viver. Digo nós porque não vejo o Clero num lado e o Povo noutro. Para mim a Igreja somos todos nós em conjunto.
Igreja é composta por homens, os homens erram, logo a Igreja erra. É um raciocínio claro. Mas é preciso distinguir entre a acção dos homens que erram e a Palavra que a Igreja transmite. Esta Palavra é Verdade e Vida, Imutável e Eterna.

Anónimo disse...

Nunca havia pensado desta forma!

Febe disse...

Particularmente depois do VAT II passamos a entender que a Igreja somos nós da hierarquia,aos consagrados, aos outros cristãos,que sempre ouvi chamar de fiéis,fórmula que me parece exquisita...pois parece que os outros não o são.

E assim quando pedem para classificar a Igreja começo por mim e deixo-me ficar numa classificação modesta...pq este grande corpo ainda corresponde muito pouco à sua Cabeça...

Anónimo disse...

A igreja que temos com 4 valores já vai com sorte. Os padres são uns vaidosos e convencidos. Tenho experiências péssimas e deixei-me de igrejas. Rezo na minha casa.

Úrsula disse...

Lá vem eu de novo padre...Sou uma chapeleira maluca rs. Agora vou ser aspera aqui. Antes de dar minha opinião. Eu leio todas primeiro. Eu não posso classificar a igreja como um todo, atrás dos padres existem homens e das freiras mulheres. E cada pessoa é como o formato e um molde diferente. Em discursos aqui li pessoas que generalizam a igreja. Vou contar a minha experiencia. Tenho um tio-avo padre e tesoureiro, ele tem 75 anos. Mas é um senhor risonho e amoroso, adoro demais ele. Eu tinha 9 anos e a noção zerada, um belo dia fui visita-lo na paroquia. E a noção como já disse no zero. Entrei no meio da missa e sai correndo pelas pessoas. Na hora da hóstia, cheguei gritando. TIOOOOOOOOO e pulei. Derrubei tudo, meu tio não falou nada, parou a missa, e fiquei envergonhada. Mas a reação dele foi engraçada. Sorriu e passou as mãos nos meus cabelos, e eu o abracei. Rs nem dava na cintura dele ainda rs. Moral da história. muitas pessoas olharam com raiva e esperava uma resposta aspera e as outras sorriram. Nem todo mundo pode agradar, atrás do padre, a um humano. Meu tio é um bom exemplo disso. Haviam dias que eu fazia umas besteiras. Minha mãe falava e ele vinha com o sermão. Muitas palavras me ajudaram. E no meu primeiro namorado, rs ficou como um pai bravio. Por ele ser padre e não ter filhos. Fiquei sendo a sua filha. Em todo minha vida ele esteve presente. Tenho amor incondicional por meu tio. Nestes dia cheguei na igreja e o abracei beijando-o no rosto, algumas freiras fecharam a cara, e pensaram que eu era uma oferecida. Mas fiz questão de falar.
''Sou sobrinha neta dele''
Elas calaram a boca. Conversei com ele e beijei suas mãos na saída. Por ele eu dou 10 para igreja. cada caso é um caso. Meu tio avo é meu segundo pai.
Boa noite padre.

Confessionário disse...

Muito bonita a tua história, Úrsula. Eu adoraria que minhas sobrinhas pensassem o mesmo (se calhar não será muito diferente, mas gostava de as ouvir)... mas lá está, não confundas Igreja com padres, nem que seja o teu tio.

Úrsula disse...

Voltei padre. pode deixar seu conselho será seguido. Suas sobrinhas devem achar o senhor uma alto autoridade. E realmente é. Meu tio é um padre adorado por todos. Freiras, parocos e o Bispo. Sabe qual é o meu apelido na igreja?
''Guardiã serafim'' qualquer problema. Eu to lá, a igreja toda sabe e até a cidade vizinha. nestes dias ele fez uma cirurgia. Meu tio tinha que ficar no repouso, mas cade? Todo mundo entrando e saindo da casa dele. Teve um dia bem enfezado. Cheguei batendo palmas e colocando todo mundo para fora. Até o bispo. ''Meu tio precisa descansar''
E ele sorria fraquinho, cuidei dele. Meu velho estava cansado, logo após dormiu. Lembro de sua face tranquila e as rugas do tempo em cada canto. Padre, deixei ele descansando. Preparei uma sopa, cortei pão e o ajudei a comer. A cirurgia no coração o deixou fraco por 1 mês. Meu tio melhorou e voltou as missas. Sempre quando piso os pés na igreja. O povo diz ''Lá vem a guardiã do padre João.'' Lembro que quando criança aprontei demais. Pegava sua batina e vestia saindo pela casa. Pulava nas suas costas. Bom padre, hoje ele já está numa idade cansativa e precisa dos meus cuidados. Ele é meu segundo pai. Ajudo o primeiro aos seus 64 anos. Meu pai progenitor, e o da alma.