segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Que achas da resignação do Papa?

Hoje as notícias quase não falaram de outra coisa: O Papa Bento XVI vai resignar no próximo dia 28 de Fevereiro. A notícia apanhou quase toda a gente de surpresa. E assim, numa abordagem quase a quente, que pensaremos nós disto?
Desta pequena inquietação, surge nova sondagem com a pergunta clara e simples: "Que achas da resignação do Papa?"
Já sabem que podem e devem justificar a vossa resposta aqui nos comentários. Acho que ainda vai correr muita tinta, e já tenho outras questões que gostaria de vos propor. Mas demos tempo ao tempo!

29 comentários:

Anónimo disse...

Olá, Confessionário
Concordo. É de facto, uma grande surpresa (a última resignação, ao que parece, data de 1415). Não considero que seja causa de inquietação, mas um exemplo para todos, dentro e fora da Igreja. Louvo a lucidez, a coragem e o desapego. Inquietante seria fingir que é Bento XVI, quem pontifica, e serem outros a fazê-lo, sem a devida legitimidade, como tem acontecido.Mostra que aos 85 anos ainda se pode inovar. Oxalá também se possa renovar! Iremos precisar de um papa com fibra, de sangue novo, de uma Igreja coetânea.
Quem virá a ser o novo papa? Não faz sondagem? É pena. O meu voto vai desde já para o “il Bel Giorgio”,sobretudo pela fibra. Desejo-lhe um grande dia.
Ciao

Anónimo disse...

Olá, Confessionário.
Concordo com a resignação. Tens razão, é uma surpresa; não considero que seja motivo de inquietação, mas uma lição de vida para todos nós. Louvo a coragem, a lucidez e o desapego de Bento XVI. Triste seria, continuar a fingir que é o timoneiro, de uma embarcação que já não tem força, nem capacidade para dirigir. Mostra que aos 85 anos ainda não é tarde para inovar. Oxalá a Igreja consiga aproveitar o ensejo e tenha a audácia de renovar! Precisamos de um papa com energia, fibra e sangue novo.
Vais também fazer uma sondagem, acerca da pessoa do novo papa? Adianto desde já que o meu voto vai direitinho para “il bello Giorgo”, pela energia e elevada qualidade da fibra!
Tem um dia feliz!

Anónimo disse...

Beatriz da Holanda abdicou, Bento XVI resignou, Godinho Lopes demitiu-se. Foi lançado o alerta vermelho. Conceituados especialistas receiam que esta onda de demissões em bloco, originada pelos mais altos líderes da nobreza, do clero e do povo, adquira proporções inauditas e que, em poucos dias, se propague por todo o Mundo, varrendo as instituições e trazendo a destruição e o caos.
…………………………………………………………………………………….
Afinal não ocorreu nenhuma catástrofe. Foi apenas uma oportunidade para, serenamente, fazer a necessária renovação.
Boa Noite.
Papisa.

Anónimo disse...

Eu acho que o teu sonho do dia 6 era este...
Tu és um autentico profeta! ahahahah

Filha de Maria disse...

Escolhi outra;

Aceito-a com admiração e respeito. Admiro a coerência e claro, logo de seguida respeito.

Peregrino disse...

Bom dia a todos…

Admiração e surpresa…seria bom e “saudável” para a vida e o ritmo da vida da Igreja que todos aqueles que ocupam cargos e detêm o poder de decisões no Vaticano e nas dioceses, se retirassem também para dar lugar ao renovo, talvez assim soprassem novos ares primaveris do ES na Igreja…!

Mas pelos sinais que chegam, e constatando que muitos dos que agora vão eleger o novo Papa foram escolhidos pelo actual, a maior parte deles são da linha dura e ortodoxa, e não podemos esquecer que Ratzinguer (que continua vivo… que Deus o ampare e lhe dê o descanso que precisa nos anos que lhe restarão…) terá sempre uma palavra e influência na votação mesmo que seja discreta… mas certamente muito poderosa… por isso, vejo pouca luz a surgir pela túnel… a não ser que o ES resolva pregar uma partida a toda aquela gente…

A verdade é que ainda não entendi porque é que apenas um punhado de cristãos pode escolher o seu líder, enquanto a maioria dos seus irmãos são ignorados na questão… bom, mas isso é outra terra ainda por lavrar na Igreja que todos fazemos… chegará o dia em que todos teremos que entender totalmente os significados do Salmo 127… espero que não seja pelos mesmos caminhos e rios da “Babilónia” dos nossos dias que acolheram o choro dos nosso irmãos no passado recordando essa Jerusalém que todos ansiamos…

Bom, confiemos e esperemos…

Anónimo disse...

Alguém escreveu: "Respeito como católico e como ser humano a decisão de Bento XVI no entanto, aceitando que o Divino Espírito Santo está na base da eleição e da destituição do Papa, se assim entendermos, então se Deus visse que o Papa já não tinha condições punha termo à sua vida terrena. De facto, para dar as lições que João Paulo II deu no sofrimento e na velhice é necessário abdicar do conforto e sofrer até Deus querer. Era isto que eu esperava deste papa. De facto, sendo uma escolha divina só Deus pode substituir o Papa levando-o para junto de si. Desta forma, a faceta humana do representante de Deus na terra passa a somente humana e pouco ou nada divina. Não apoio. Não gostei da eleição deste Papa e continuo a não gostar do fim do seu pontificado. Que Deus tenha compaixão da sua alma. Estas decisões são profundamente questionáveis entre crentes cada vez mais formados na fé e na teologia."
Não penso assim, mas fiquei a pensar!

Anónimo disse...

Boa tarde,padre.
Concordo plenamente com a resignação de Bento XVI.
" Surpreendeu realmente todo o mundo".
Joseph Ratzinger é um homem de muita fé, um teólogo admirável.
Sempre admirei este Papa, pela sua coragem e humildade pedindo perdão publicamente pelos pecados da Igreja.
É de louvar a aproximação e diálogo com outras religiões.
A última preocupação do Papa foi a nova (re)evangelização dos povos.
Que Deus continue ajudar Joseph Ratzinger.
Que o Espírito Santo inspire os Cardeais para a nova escolha do novo Papa.

Anónimo disse...

Concordo plenamente com a resignação de Bento XVI.
Testemunho admirável de sabedoria, humildade, coerência, e fé. A sua pública estava cumprida. O ministério continuará por muito tempo operante.

Anónimo disse...

"...aceitando que o Divino Espírito Santo está na base da eleição e da destituição do Papa, se assim entendermos, então se Deus visse que o Papa já não tinha condições punha termo à sua vida terrena..."

Que Deus seria este?

( Não será obra do Divino Espírito Santo esta resignação? Ou o Divino Espírito Santo está obrigado a regular-se pela cartilha dos que acham que dar lições de vida só passa por sofrer até ao fim? Não será esta resignação, em muitos aspectos, uma enorme lição de vida?)
Também não percebi o comentário “ não gostei da eleição deste Papa …” então mas não foi o Divino Espírito Santo a inspirar esta eleição? ( ou o anónimo esperava que Ele lhe fosse perguntar qual era a sua opinião?)


Os desígnios de Deus são misteriosos…

Anónimo disse...

Bom dia.

Votei na opção Outra.
Nao concordo nem discordo.
Fiquei triste. Acho que o Papa nao tem que ser robusto, nao há nenhum cânon e por isso o lugar dele em parte era lá, naquele lugar.
Por outro lado, mesmo com todas as suas faculdades mentais e físicas o Papa é apenas um dos membros de uma grande máquina, nao é só ele que decide. O que pode acontecer é que tendo mais forças fará a sua opinião fazer-se ouvir mais facilmente, mas ainda assim duvido que ele tenha plena liberdade em todas as suas decisões.
E se é assim, desistir agora nao será um pouco egoísta?
Talvez seja só eu a ver esse egoísmo mas parece-me que nesta desistência nao pesou apenas o bem da instituição religiosa, da comunidade ou de cada um dos crentes.

Dulce

Anónimo disse...

Bom dia!
Votei "outra"
Não tenho uma opinião formada acerca do assunto.
Pessoalmente a figura não me dizia nada.
Provavelmente fez bem, agiu como uma pessoa sensata.
Gostava muito de ver uma figura nova (em idade) como papa.
Mas enfim a minha opinião não fará diferença.

Anónimo disse...

E fiquei a pensar...

Nao são insondáveis os caminhos do Senhor?
O Papa João Paulo II foi exemplo de força na velhice. Apesar de toda a sua fragilidade, da doença, do cansaço , do esquecimento, ele permaneceu firme, com uma força de vontade inabalável.
Contudo Bento XVI num só acto de desistência revelou tudo aquilo que João Paulo II nao conseguiu apesar de toda a sua debilidade.
A velhice tem muitas formas, o ser humano possui muitos artifícios para viver consoante as dificuldades que se lhe apresentam. Perante dificuldades semelhantes, pelo menos na velhice, estes dois Papas revelaram caminhos distintos, forças distintas, e ensinamentos também. E por isso entristeceu-me, fiquei profundamente triste ao ver que o Papa teve que abdicar pois já nao tinha mais forças para continuar...
É aqui que reside a minha tristeza.

Dulce

Anónimo disse...

Não fiquei triste,nem alegre.Aceito a sua opção livre de escolha.Sabemos que a idade começa a pesar,há que aceitar os limites da existência com naturalidade.Quem se seguirá?...,pouco importa.Não é um Papa que irá fazer tremer a chama da fé..... (Alma Rebelde)

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e Confessionário.
Olá a Tod@s que por aqui passam.

Antes de mais, uma boa "Quarentena" a Tod@s @s que acreditam que, sobretudo nos tempos que correm, temos de facto de nos Converter em muitos aspectos.
Desde logo, pensarmos que, enquanto Europeus, ainda somos o "Centro do Mundo"... ignorando os Valores que felizmente ainda existem em outros Continentes, como África, ou América Latina.

Relativamente à Resignação de Bento XVI, eu penso que ele foi Lúcido e Honesto. Viu que já não tinha "garra" para poder levar por diante as "guerras" que procurou travar - contra a pedofilia na Igreja, contra as "lutas intestinas" na Cúria Vaticana (akguém de juízo "engoliu" a história do mordomo?), contra o Relativismo e o Capitalismo selvagem - vide Discurso de Ano Novo ao Corpo Diplomático...-, e disse "Venha sangue novo!".

O exemplo de João Paulo II foi comovedor. Mas por favor, não ignorem que nos últimos tempos "o Papa já não era ele".... Era-o, aparentemente. Mas o "pensamento de fundo", já não era ele a elaborá-lo.
Porventura, um dos seus actos mais genuínos foi, enquanto ainda podia falar, ter dito firmemente a George Bush filho: "Guerra, nunca mais!". Aí sim, foi JPII a falar, já liberto do "espartilho" que em tempos Reagan e Tatcher lhe colocaram.

Como escreveu um Amigo meu:
"A Igreja e a sociedade global requerem voz forte e congregadora, união de esforços e não diversão em questiúnculas de legalismos e ritualismos.
Só alguém apaixonado por Cristo e com firmeza espiritual, simples e pobre, tem liberdade para renovar estruturas e quebrar tradicionalismos criadores de obstáculos, derrubar muros para a Salvação de Deus chegar a Todos, sem exclusão de ninguém e com Compaixão desmedida pelos mais Pobres do Mundo.
Rezemos Todos os Dias (NP: desta Quaresma) para invocar o Espírito Santo sobre quem tem o encargo de escolher a Pessoa Justa." (sic).

Embora Ratzinger não fosse o meu "Papabile" - preferia Martini -, perante esta sua decisão, com Respeito e Esperança ouso dizer:
- Viva o Papa - o actual e o novo!

Um forte abraço para Tod@s.
Moçambicano

Moçambicano disse...

Já agora, estou expectante como vai o novo Papa dar continuidade ao "Ano da Fé" - e às Comemorações do II.º Concílio do Vaticano.

E lanço um repto ao nosso Amigo P.e Confessionário:
- Uma nova Sondagem, com a Questão: "De de Continente / Nacionalidade deveria ser o novo Papa?". Com justificações aos votos, como de costume. Penso que daria um "Fórum" muito interessante...

Outro forte Abraço.
Moçambicano

Confessionário disse...

adorei a sugestão, amigo Moçambicano... Preparem-se!

Joana ;) disse...

Votei não sei o que pensar...

Porque na realidade não sei mesmo, foi uma decisão surpreendente.
Espero que com esta atitude, o futuro da Igreja seja realmente para melhor, mas pessoalmente não acredito muito nisso.

Uma boa Quaresma para todos!
Bjs

Anónimo disse...


O próximo Papa será o último.

Preparai as vossas Almas.

....e haverá sinais nos Céus...

No Fim dos Tempos virá o Senhor
E nós iremos ao Seu encon-on-tro
O Senhor virá, o Senhor virá!

Ruth Bassi disse...

Olá Padre,
Foi na verdade uma notícia surpreendente. Acho que, para além da humildade em reconhecer a sua fragilidade e, assim, permitir que alguém ocupe o seu lugar com melhores capacidades físicas, demonstra uma grande racionalidade e honestidade. Também não podemos esquecer os múltiplos problemas e intrigas existentes na Curia Romana e que, por certo, também terão directa ou indirectamente influenciado a sua decisão. À primeira vista, não parece o momento mais indicado para a resignação mas Deus e o Papa saberão porquê.
Abraço
Ruth

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Votei Não concordo, imagino que tenha sido o unico. E faço minhas as palavras que o Filipe Avillez escreveu sobre este assunto

Eu acho que uma das maiores lições que a humanidade recebeu nos últimos anos foi poder assistir ao envelhecimento e à morte de João Paulo II. Numa altura em que a fragilidade e a morte se escondem, em lares, em quartos fechados, debaixo de plásticas… o mundo não sabe envelhecer e não sabe como tratar a morte. O mundo ocidental, pelo menos.

João Paulo II mostrou que a dignidade humana não se prende com a capacidade de falar, de reagir, de andar. É inerente à nossa condição. Morreu quebrado, mas sem perder um pingo de dignidade.

A tradição na Igreja sempre foi de os clérigos morrerem nos seus cargos. De Papa a bispo diocesano. Há claras desvantagens… a possibilidade de ficar anos com um bispo frágil e adoentado, sem energia, que se cansa. Mas as vantagens parecem-me superiores. Os fiéis afeiçoam-se à pessoa, criam com ela laços de familiaridade, o Bispo torna-se mesmo um pai para os seus fiéis.

Como as coisas estão agora, com os bispos obrigados a resignar aos 75 anos, soa-me sempre a funcionalismo público e dá a ideia que depois de uma certa idade as pessoas perdem o seu valor. Cria, sobre tudo, distanciamento em relação aos fiéis que não têm tempo para criar a tal ligação. É pelo menos isso que eu, com a minha curta experiência, sinto.

Nas Igrejas orientais acontece o contrário, os bispos e Patriarcas ficam até resignarem por vontade própria ou até morrerem e não me parece que venha mal ao mundo por isso.

Respeito com devoção filial a decisão de Bento XVI. Não tenho dúvidas que terá medido bem as consequências do seu acto. Mas penso que o pior que poderia acontecer agora seria instalar-se a ideia que um Papa deve sempre resignar mal começa a enfraquecer. Espero que isso não aconteça.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Quanto aos comentadores que aqui pedem sondagens e opiniões sobre o futuro Papa, discordo profundamente,e espero não ver aqui um inquérito desse tipo, pois qualquer Católico sabe que o Papa é escolhido pelo Espirito Santo, e é sabido que quem "entra Papa para o Conclave, sai sempre Cardeal"

Moçambicano disse...

Boa Noite a Tod@s.
Com todo o respeito e humildade, começo por dizer que o Espírito Santo não é um "privilégio" dos Cardeais. Não fui eu que inventei a expressão "O Espírito sopra onde quer".
Em segundo lugar, um dos aspectos que está por cumprir, do II.º Concílio do Vaticano, é a Colegialidade Episcopal.
Esquecemo-nos que essa Colegialidade era a "marca" da Igreja Primitiva, antes de Constantino a ter "domesticado".
Quanto ao Papa ser "indicado" pelo Espírito Santo, efectivamente às vezes acontece... como aconteceu como João XXIII!
Mas isso só demonstra que as "contas", os "planos" de Deus poucas vezes coincidem com as/os nossas/os.
E se calhar é por isso que achamos que Ele está "em silêncio"...
Um forte abraço para Tod@s,
Moçambicano

Moçambicano disse...

PS: Ratzinger entrou "Papabile" para o último Conclave - e foi Papa. Martini, propositadamente, esteve todo o Conclave de bengala, embora nessa altura ainda a pudesse dispensar...
E não esqueçamos o último e comovente encontro entre estes dois Grandes Homens da Igreja - Ratzinger de bengala, Martini em cadeira de rodas. Disse-lhe Ratzinger: "Como vê, Eminência, também já uso bengala...".

Anónimo disse...

Bom dia!
"...o mundo não sabe envelhecer e não sabe como tratar a morte. O mundo ocidental, pelo menos... "
Concordo plenamente com esta afirmação.
O Papa não está morto, provavelmente sente-se debilitado para continuar a exercer as suas funções.
Enquanto portador de todas as faculdades mentais resolveu resignar ao cargo.
Não deveriamos concordar ou discordar, também ele é um homem livre com o direito a decidir o que acha que é melhor para a igreja e para ele próprio.
Deveriamos apenas respeitar a decisão dele.

Anónimo disse...

A RENÚNCIA DO PAPA ...

Texto escrito por um jovem espanhol, de autoria desconhecida, com idade de 23 anos.

O Papa que sempre renunciou!
Multiplicam-se as mensagens de apoio e afeto ao Santo Padre, o Papa Bento XVI, após o anúncio de sua renúncia, sobretudo por parte dos jovens. O Papa que foi calorosamente acolhido pela juventude no dia em que foi eleito como novo pontífice é agora mais uma vez aclamado pelo seu exemplo de fidelidade, amor e, principalmente, humildade.

Leia abaixo o emocionante artigo de um jovem de 23 anos sobre esse evento histórico para fé católica:

A verdadeira causa da renúncia do Papa.

Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender às 8 da manhã quando te dirigem a palavra para dizer com a maior simplicidade: "Daniel, o papa se demitiu". E eu de supetão respondi: "Demitiu?" A resposta era mais do que óbvia, "Quer dizer que renunciou, Daniel, o Papa renunciou!"

O Papa renunciou. Assim irão acordar inúmeros jornais da manhã, assim começará o dia para a maioria. Assim, de um instante para o outro, uns quantos perderão a fé e outros muitos fortalecerão a sua. Mas este negócio de o Papa renunciar é uma dessas coisas que não se intendem.

Eu sou católico. Um entre tantos. Destes católicos que durante sua infância foi levado à Missa, depois cresceu e foi tomado pelo tédio. Foi então que, a uma certa altura, joguei fora todas as minhas crenças e levei a Igreja junto. Porém a Igreja não é para ser levada nem por mim, nem por ninguém (nem pelo Papa). Depois a uma certa altura de minha vida, voltei a ter gosto por meu lado espiritual (sabe como é, do mesmo jeito como se fica amarrado na menina que vai à Missa, e nos guias fantásticos que chamamos de padres), e, assim, de forma quase banal e simples, continuei por um caminho pelo qual hoje eu digo: sou católico. Um entre muitos, sim, porém, mesmo assim, católico. Porém, quer você seja um doutor em teologia ou um analfabeto em escrituras (destes como existem milhões por aí), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de zombaria e de orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre como Papa.

Por isto, quando acordei com a notícia, como outros milhões de seres humanos, nos perguntamos: por que? Por que renuncias, senhor Ratzinger? Ficou com medo? Foi consumido pela idade? Perdeu a fé? Ganhou a fé? E hoje, depois de 12 horas, acho que encontrei a resposta: o Senhor Ratzinger renunciou, porque é o que ele fez a sua vida inteira.

Anónimo disse...

É simples assim.

O Papa renunciou a uma vida normal. Renunciou a ter uma esposa. Renunciou a ter filhos. Renunciou a ganhar um salário. Renunciou à mediocridade. Renunciou às horas de sono, em troca de horas de estudo. Renunciou a ser um padre a mais, porém também renunciou a ser um padre especial. Renunciou a encher sua cabeça de Mozart, para enchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a estar aposentado aos 85 anos, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou a desfrutar de seu país. Renunciou à comodidade de dias livres. Renunciou à vaidade. Renunciou a se defender contra os que o atacavam. Pois bem, para mim a coisa é óbvia: o Papa é um sujeito apegado à renúncia.

E hoje ele volta a demonstrá-lo. Um Papa que renuncia a seu pontificado, quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas na de algo ou alguém maior, parece-me um Papa sábio. Ninguém é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem os seus sacerdotes, nem seus leigos, nem os casos de pederastia, nem os casos de misericórdia. Ninguém é maior do que ela. Porém, ser Papa a esta altura da história, é um ato de heroísmo (destes que se realizam diariamente em meu país e ninguém os nota). Eu me lembro sem dúvida da história do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como foi que morreu? Sim, numa cruz, crucificado como o seu mestre, só que de cabeça para baixo.

Nos dias de hoje, Ratzinger se despede da mesma maneira. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado por seus próprios irmãos católicos. Crucificado à sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade, essa que custa tanto entender. É um mártir contemporâneo, destes a respeito dos quais inventam histórias, destes que são caluniados, destes que são acusados, e não respondem. E quando responde, a única coisa que fazem é pedir perdão. "Peço perdão por minhas faltas". Nem mais, nem menos. Que coragem, que ser humano especial. Mesmo que eu fosse um mórmon, ateu, homossexual ou abortista, o fato de eu ver um sujeito de quem se diz tanta coisa, de quem tanta gente faz chacota e, mesmo assim, responde desta forma... este tipo de pessoas já não existe em nosso mundo.

Vivo em um mundo onde é divertido zombar do Papa, porém é pecado mortal fazer piada de um homossexual (para depois certamente ser tachado de bruto, intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo num mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um sujeito que, com 85 anos, quer o melhor para a Instituição que representa. Nós, porém, vamos com tudo contra ele porque, "com que direito ele renuncia?" Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Como se ninguém tivesse preguiça de ir à escola. Como se ninguém tivesse preguiça de trabalhar. Como se vivesse num mundo em que todos os senhores de 85 anos estivessem ativos e trabalhando (e ainda por cima sem ganhar dinheiro) e ajudando a multidões. Pois é.

Pois agora eu sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que irá achá-lo muito estranho. Num mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, porém que daqui a 50 anos ainda irá recordar como, com um gesto simples de humildade, um homem foi Papa e, quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu afastar-se por amor à Igreja. Morra então tranquilo, senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem corpo exibido em São Pedro, sem milhares chorando e esperando que a luz de seu quarto seja apagada. Morra então como viveu, embora fosse Papa: humilde.

Bento XVI, obrigado por suas renúncias.

Quero somente pedir minhas mais humildes desculpas se alguém se sentiu ofendido ou insultado com meu artigo. Considero a cada uma (mórmons, homossexuais, ateus e abortistas) como um irmão meu, nem mais nem menos. Sorriam, que vale a pena ser feliz.

(Partilhado de Rafael Santana)

Anónimo disse...

Boa noite.
Todo o mundo fala
que foi um ato de coragem e humildade,
eu nao vejo as coisas desse jeito.
Para mim,
se ele queria resignar
por estar cansado e velho demais, entao deveria ter resignado
logo no inicio antes de ser popular, pois com 78 anos
saberia que nao
iria para jovem.
Mais, mesmo assim aceitou
o poder que lhe foi
confiado portanto,
deveria ter suportado
as consequencias de
suas escolhas até o fim.
Bj Vera

Anónimo disse...

O papa foi obrigado...a resignar...se não, faziam-lhe o mesmo que fizeram a joão paulo primeiro...o vaticano no seu pior, é uma embrulhada tal que se tornou ingovernável...tantos interesses vis e baixos ali se instalaram que deixou de ter lugar a cadeira do papa...também não faz falta...a Igreja não é o papa...sobrevive sem ele...até mar serenar.
Joaquim Mendes Gomes