quinta-feira, dezembro 13, 2012

É assim o braço de Deus

A senhora tem problemas de bronquite. Arfa ao falar. Veio ter comigo porque quer ir para o céu. A história da sua vida não tem sequer muitos erros ou pecados. Mas vive ensombrada pela ideia de não ir para o céu. Vive, como a bronquite, aos soluços. Tenho medo de não ir para o céu, senhor padre. A questão é recorrente, nela e em muitos mais com boa intenção de viver ou de morrer. Lembrei-me logo da Rosária, que nas minhas antigas paróquias, vivia abafada pelo medo de não ir para o céu. Ocorreu-me perguntar se ela sabia que Deus era amor. E se confiava no seu amor. Ela respondeu-me que sim, claro que sim. Então confie que o Amor Dele há-de ser maior que o seu medo. Há-de ser muito maior que as suas faltas. Perguntei-lhe se confiava no seu marido, e ela respondeu prontamente que sim, embora, às vezes, fosse muito rabugento. Acrescentei mais uma série de perguntas. Se o marido a visse caída no chão, que lhe faria? Deixava-a lá caída? Virava-lhe as costas? A cada pergunta ela respondia prontamente que o seu marido nunca faria uma coisa dessas porque a amava muito. Ora se o seu marido, porque a ama muito, não a deixaria caída no chão, imagine o que faz Deus cada vez que nos vê no chão! Se confia em Deus, confie também que sempre que a vir caída, Ele a ajudará a levantar-se. Quando se confia em alguém que nos ama, sabemos que por maior que seja a nossa queda, essa pessoa vai lá estar para nos dar o braço e levantar-nos. É assim o braço do Deus que nos ama infinitamente.

7 comentários:

Anónimo disse...


" ...se o seu marido, porque a ama muito, não a deixaria caída no chão,..."
Quando no dia a dia temos a certeza de que alguém nos "ama muito", será mais simples acreditar nesse braço divino.

Ir para o céu não é o mais importante para mim.

Importante para mim é criar o "céu" aqui mesmo na terra, uma vez que é aqui que tudo acontece.
É aqui que temos a oportunidade única de fazer algo.
Acho mesmo que se não conseguirmos "ver" "sentir" Deus neste mundo não será certamente no outro que O veremos.










Ruth Bassi disse...

Acho, Padre, que tudo o que se torna obssessivo tem causas e efeitos que não serão seguramente positivos. Nas causas teremos, por certo, a falta de confiança em si próprio e nos outros e nos efeitos
não estará alheia a inquietação quase constante, podendo conduzir a problemas psicológicos.
No caso em questão, penso que haverá, talvez,falta de confiança e de estímulo ou, quem sabe, também de conhecimento ao nível da fé e que conduz a uma constante intranquilidade que não ajuda na caminhada, porque o espíríto se encontra em permanente sobressalto.
Induzir alguém, nesta condições, a um estado de tranquilidade e confiança em si própria e NELE não me parece tarefa fácil. Penso que será necessário um acompanhamento
espiritual próximo e continuado.
Beijinho
Ruth

Moçambicano disse...

Olá, Caro Amigo P.e "Confessionário".
Olá a Tod@s que por aqui passam.

É com "histórias exemplares" como esta que se ajuda a Viver o Ano da Fé ("Fides" -> Confiança).

Continuação de Bom Advento.

Um forte abraço.

Moçambicano

Anónimo disse...

Oi ,muito legal o novo vídeo que vc postou no seu blog.Peço licença para colocar no meu espaço .São pequenas atitudes ,mas que fazem uma grande diferença.Legal a música tbém. Abraço. Feliz Natal e feliz 2013.LUZ.

Confessionário disse...

O vídeo está no youtube disponível, Luz.
Feliz Natal tb

Dad disse...

Desde que o meu Blog se desconfigurou ando pouco por aqui, mas mesmo assim não quero deixar de lhe desejar um Feliz Natal na companhia de todos os que ama.

Que seja Santo o Santo Natal e cheio de luz!Desde que o meu blog se desconfigurou ando pouco por aqui, mas não quero de dar as boas festas e os desejos de que o próximo ano seja melhor do que este. Beijinho,

Soulmate disse...

Não deixo de me surpreender como há tanta gente a referir-se convictamente a causas e efeitos, a rotular com nomes técnicos o que desconhece e a sentir que tem a capacidade e as certezas necessárias para fazer juízos das vivências internas de cada pessoa. Peço a Deus que nunca me deixe correr esse risco, que me dê outra postura humana. Não descrevendo psicologicamente a manifestação de uma obsessão, o certo é que até mesmo uma obsessão pode ser usada por Deus para reforçar por exemplo a constância na oração, a perseverança no diálogo com Ele, a aproximação de alguém a um sacerdote… há tantos motivos a considerar que qq análise depreciativa cai mal a quem a faz e não a quem a tem. É que sempre que não desculpabilizo o outro, culpabilizo-me a mim. (Não acha?)