quinta-feira, outubro 13, 2011

três Instante: a Lurdes

A Lurdes teve um cancro e, diz ela, foi o senhor padre que me mostrou que não devia desistir de viver. Foi o sorriso do senhor padre que me ajudou a sorrir. Por isso a Lurdes não se queria despedir de mim. E quando se foi despedir, disse-me que não se queria despedir do meu sorriso. E que chorara várias semanas seguidas. E que rezara para que eu não partisse. E que até houve refeições em que não conseguiu comer. Não entendia. Não queria entender. Mas ontem, senhor padre, fiquei mais serena. Ela nem sabe dizer serena. Disse qualquer coisa parecida, mas entendi-a. Os anos na paróquia ajudam a entender o que as pessoas querem dizer, mesmo sem o dizerem. Fiquei mais serena, senhor padre. E sabe porquê? Porque entendi que na paróquia para onde o senhor vai deve haver também muitas outras pessoas que precisam do seu sorriso. Limpou duas lágrimas. Deu-me um beijo suave na mão. Despediu-se. Limpei duas lágrimas. Aconcheguei-lhe a mão que agarrara a minha e, simplesmente, sorri.

18 comentários:

M.M. disse...

Concerteza que também será feliz na paróquia para onde vai :) pena não ser para a minha! :)

Anónimo disse...

Caro padre, é de padres assim como o senhor que a Igreja precisa.

Anónimo disse...

Mais uma vez me vieram as lágrimas...

Filha de Maria disse...

Vou falar com o seu Bispo... vou fazer-lhe um requerimento, para vir para a minha paróquia!!! :)


Continue a ser o Sacerdote que é, assim próximo das pessoas, amigo até... não perca esse fio condutor, que é caminho para JESUS!

Beijinho fraterno

Anónimo disse...

A Vida é feita de encontros e desencontros, de partidas e chegadas. É bem verdade! No entanto todos nós nos afeiçoamos a alguém ou a muitas pessoas, partilhamos a nossa vida com elas criamos raízes. Não somos por natureza nómadas. Necessitamos do aconchego da amizade, do calor da presença.
Na vivência muitas vezes solitária, do sacerdócio e do sacerdote o “seu” povo é a sua maior riqueza, quando em nome da obediência, o sacerdote é convidado a partir para outra missão, vive um dos maiores dramas da sua vida, sofre e leva a sofrer muitos dos que o acarinharam ao longo de muitos anos. Para além disso a sobrevivência adquirida em termos materiais é posta em causa.
No entanto é também nestes momentos que a sua vocação saiu reforçada, pois quando se ordenou ordenou-se para uma igreja (Comunidade de todos os cristãos).
A sua missão e estar disponível….Mas é algo muito difícil e doloroso!
Fernando F.

Maria Zete disse...

Pois é, Caro Padre, certamente que na Paróquia onde vais, irás encontrar outros Joãos, Lurdes e tantos outros a precisarem de tuas palavras sinceras, do teu sorriso e principalmente de tua disponibilidade. Creio que coração de Padre é um pouco igual a coração de mãe, sempre cabe mais "uns". Como seria bom se existissem muitos outros Padre iguais a ti.

Maria disse...

Tão bonito, tão comovente. Então diga lá se não vale a pena ser padre...padre assim com um coração do tamanho do mundo. Com um pároco assim eu também choraria pela sua saída.
Agora é a adaptação a outra paróquia, provalmente com um ambiente mais citadino, digo eu, em que as pessoas são muito "impessoais" mas tenho a certeza que fará novos amigos. Desejo-lhe todas as felicidades, que Nossa Senhora esteja sempre a seu lado.
Grande beijinho.
Maria

Rosa disse...

Nem sabe como eu O compreendo,e penso que injusto fazerem isso,já chorei muito e fui fazer a primeira visita ao meu Prior e só me deu vontade de chorara
Bem haja que Deus O acompanhe e lhe dê forças para caminhar em frente.

Confessionário disse...

Olá, Fernando F.
As tuas palavras foram imensamente sábias...

Confessionário disse...

Obrigado pelas vossas palavas de incentivo, que se juntam às palavras dos ultimos dois meses nas minhas paróquias antigas. Não as vou guardar com vaidade, mas para me lembrar delas quando a missão estiver um pouco mais difícil.

Obrigado

Rosa disse...

Vamos estar sempre aqui, esperando uma palavra,que para nós é vital,e que nós também consigamos, passar um pouco de amizade e carinho,que existe em nós.
Bem haja

Anónimo disse...

sei bem que os sacerdotes tambem tem coraçao e gostam das pessoas , a sua historia fez-me chorar porque tambem tenho um amigo assim , que mesmo ausente esta presente na minha vida e todos os dias rezo por ele ao pai para que lhe corra tudo bem na missao dele, e a vossa vida , mas as vezes a saudade e grande.

Anónimo disse...

Caro padre, já me vez chorar, e lembrei-me de uma antigo paroco que tivemos na nossa paroquia sempre sorridente, bem disposto. Já partiu para o Pai.
Lembrou-me, e muito, o meu querido primo, sacerdote há 37 anos, gravemente doente, em fase terminal, que tem sempre gente em casa a saber como está; enfermeiras amigas que fazem escala para que não passe nenhuma noite sózinho, pois está completamente dependente, só mexe a cabeça.
A ultima vez que o vi, em Setembro, vivemos a 200 km de distancia, ele interrogava-se o porquê de tantas atenções, que as pessoas tinham a sua vida, mas não se esqueciam dele, eu só lhe respondi: estás a colher o que semeaste ao longo da tua vida.
Padre, continue assim, pois os seus paroquianos, e todos nós que lemos avidamente tudo o que escreve, precisamos de si.
Um abraço
Conceição Cristóvão
P.S. peço desculpa pelo comentario tão longo

Anónimo disse...

Sei o que seus paroquianos estão sentindo. Há dois anos o nosso querido frei, que nos acompanhava na paroquia por mais de 11 anos foi transferido para cerca de 20 horas de distância de nós. Na hora parecia que o coração ia despedaçar, e de certa forma despedaçou... Chorei muito porque ele tinha sempre sido um grande apoio, um grande amigo em todos os momentos... Desde o dia que se foi, só o vi 3 vezes.. mas a amizade e o carinho continua o mesmo, não só comigo mas com todos aqui da paróquia. Sentimos muita falta, mas ele vive em nossos corações, como você tambem , com certeza, viverá no coração dos seus amigos. Como diz uma canção brasileiro de Milton Nascimento " Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração". Paz!
Teresa

Anónimo disse...

Oh!

"... simplesmente, sorri. "

Conheço bem a expressão.

Quando faltam as palavras ou a coragem para as pronunciar, ou ainda quando a emoção nos enrola a lingua, o resultado é simplesmente um sorriso.

Ele (sorriso) é a mais curta distância... diz tudo...

Um sorriso para si.

Anónimo disse...

Olá Padre, não o conheço, na verdade descobri esse blog por acaso, mas gostaria de dizer algumas palavras. Fiquei feliz em fazer essas leituras (textos e comentários) louvo a Deus por ainda haver bons padres, ando muito triste com minha diocese e principalmente com meu pároco, sempre tão grosso, insencível e a procura de status!!!
Só Deus.
Forte abraço
L.S.

Anónimo disse...

Caro amigo padre:
Gostei muito de ler esta historia, estou certo que esta senhora o adora mais pelo homem que é, do que pelo padre que é.
Porque tambem há muitos psicologos assim que ajudam as pessoas, mas não teem a sua formação moral e pessoal para o fazer como voce faz, daí a diferença.
Antes de ser padre voce já era pessoa e é essa pessoa que os outros veem em si.
O padre é só por acréscimo, porque Deus viu em si o mesmo que nós humanos vemos, logo ele achou com toda a certeza que voce seria um bom pescador de almas. E não se enganou, a minha voce pescou.
Um abraço Luis.

Anónimo disse...

Caro padre Blogueiro, esses dias meu provincial me telefoneu, queria me consultar se eu aceitaria ser tesoureiro da congregação. logo eu que trabalho com o social e poucos faços as contas. mas também aceitei. só espero que o Senhor me ajude na tarefa.

ass.: religioso no brasil