quarta-feira, maio 13, 2009

O casamento depois de dez anos casados

Estão casados pelo civil há cerca de dez anos. Têm duas crianças. A mais nova possui pouco mais que doze meses. Já os conhecia de outras andanças e de outras paróquias. Recordo ter perguntado na altura o motivo de não terem casado pela Igreja. Seria natural, pelo menos da parte dela, católica que vive os motivos de o ser. Recordo também a resposta que me deixou a pensar. O Afonso não fez caminhada de fé suficiente. Para ele não tem significado algum o casamento religioso. Deus ainda não é importante para ele. Eu vou esperar, disse a Teresa. Não quero fazer nem hipocrisias a Deus nem ao Afonso. No entanto quiseram baptizar o filho mais velho. Falámos de novo sobre o casamento. Não estava posto de parte. Falámos da verdade da sua fé. Quer mais verdade do que esta, padre? Perguntou a Teresa. Ambos queremos Deus nas nossas vidas. Mas não queremos nada à pressa. E queremos que o Tiago – chama-se assim o mais velho – tenha a oportunidade de fazer connosco o caminho. O Tiago baptizou-se na legalidade própria e possível.
Hoje o Afonso, a Teresa, o Tiago e o mais novo vivem, por acaso do destino, numa das minhas paróquias e tivemos oportunidade de nos reencontrar há dias. Queriam baptizar o mais novo. E queriam também confidenciar, dialogar e saber o que pensaria se eles quisessem casar pela Igreja. Eu fiz o mesmo que uns anos atrás. Deixei que tomassem eles a decisão de forma consciente. Perguntei do Afonso, de Deus na vida do Afonso. Respondeu-me o próprio que ainda precisava de caminhar mais, mas que neste momento Deus já lhe era algo importante. Não foi preciso muito. A papelada fez-se com serenidade. A cerimónia também. Nada de embrulhos. Eu sabia sobretudo o que ia na cabeça feliz da Teresa. Mas não resisti a perguntar na homilia o motivo de só agora, passados dez anos, terem optado pela sua união com a bênção de Deus. A Teresa olhou o Afonso. Este não teve meias medidas. Falou abertamente. Já somos uma família. Mas queremos constituir uma família cristã.
Of course que obriguei os presentes, que não eram muito mais que uma vintena, a perceber o que havia sido dito. Repeti-o e iniciei uma salva de palmas à verdade daquele casamento.
Hoje, cada vez que um casal, daqueles que não estão casados pela Igreja, me pede o baptismo de um filho, fico à espera de rever a família do Afonso, da Teresa, do Tiago e do Mateus.

20 comentários:

Alma peregrina disse...

Nasceu uma nova família! Estou muito feliz!

Fa menor disse...

Liiiindo! São necessárias muitas famílias cristãs, mas cristãs a sério!

Bjs

Anónimo disse...

é tão bom lê-lo.
Muito obrigado pelo que nos diz.

Canela disse...

Interessante;

Tenho algumas questões interiores...

-Porque a Teresa, teve que esperar porque o Afonso não tinha caminhada?

-Porque o Afonso, não "subiu" até ao que a Teresa tanto queria? Mesmo sem a referida caminhada? Não o conseguiria ele fazer, só por amar a Teresa?

É evidente que não são importantes, estas minhas questões... mas tenho-as!

O importante, tal como o Alma referia, é que nasceu uma nova familia Cristã!

Glória a DEUS!

Anónimo disse...

AINDA BEM QUE ESTA FAMILIA, VIU DEUS NA SUA VIDA E SÓ ASSUMIRAM O COMPROMISSO DE UM CASAMENTO PELA IGREJA, QUANDO ESTAVAM PREPARADOS PARA VER E VIVER COM DEUS NO SEU DIA A DIA.
NA MINHA OPINIÃO NÃO DEVE HAVER CASAMENTO RELIGIOSO SEM DEUS ESTAR NAS NOSSAS VIDAS...
AINDA Á POUCO TEMPO FUI A UM CASAMENTO QUE FOI UMA VERGONHA... POIS HOUVE UMA FALTA DE RESPEITO PARA COM DEUS ENORME, TODA A GENTE FALAVA ALTO, NEM OS NOIVOS SABIAM O QUE ESTAVAM A FAZER... FIQUEI MUITO TRISTE, POIS SÓ EU E O MEU MARIDO ESTAVAMOS ALI POR DEUS ESTÁ NAS NOSSAS VIDAS.
PARA QUÊ ESTES CASAMENTOS TÃO HIPÓCRITAS...É UMA FALTA DE RESPEITO PARA COM DEUS....
GINA

Carla Isabel disse...

Chorei a ler-te...sabes porquê né?

Acho que tenho que te mandar um mail!

Bjs

Anónimo disse...

Pena é que o meu pároco se recuse a baptizar filhos de pais não casados pela Igreja.
Pena, ou talvez não, sempre achei um sacrilégio baptizar crianças sem idade para o discernimento.

Anónima.

CrisR disse...

Compreendo o Canela disse. Eu própria casei com uma pessoa para quem Deus não dizia nada, ao fim de 38 anos de vida conheceu Deus através de mim. Para ele Deus simplesmente era algo estranho e a quem nunca tinha dado importancia.
Mas por mim, casou com a benção de Deus. E não sentiu nisso nenhuma hipocrisia, porque percebeu que estava apenas no incio de uma caminhada que nunca tinha feito e a conhecer um Deus de que nunca tinha ouvido.
Hoje a sua caminhada continua e já me pede para orar a Deus, já vai comigo á igreja, já ouve musica cristã e acredito que um dia será mais do que uma criatura de Deus, mas também um filho de Deus.

Mas ás vezes é preciso dar tempo ás pessoas para que tomem as decisões de coração, como fez o Afonso. É bem melhor do que aqueles ( e o padre bem deve conhecer) que só colocam os pés na igreja do dia do casamento porque a festa é bonita e nunca mais ligam nenhuma a Deus ou fazem uma caminhada para O conhecerem.

Alma peregrina disse...

Cara Mar com Canela:

Por que teve de ser a Teresa a "esperar" pelo Afonso? Por que não pôde o Afonso dar o salto da fé por amor à Teresa?

Hum...

1) Deus é Amor.
2) Deus ama mais do que qualquer Afonso pode alguma vez amar.
3) O Amor não força ninguém.

Medite nisso...

Anónimo disse...

anonimo disse...
caro padre, é com muito interesse que visito este blogue, acho maravilhoso os temas e mais ainda os diversos comentários. sou das terras do vouga, casado à 25 anos, temos 2 filhos e à 15 anos que pertençemos a um movimento de casais que são as Equipas de Nossa Senhora.
Deveria haver muitos Afonsos, porque só se atinge um objectivo caminhando

Anónimo disse...

Caro Padre.
É com muita frequencia que visito este blogue, acho muito interessante os temas e mais ainda os diversos comentários. Sou das terras do Vouga, casado à 25 anos, temos 2 filhos e à 15 anos que pertencemos a um movimento que são as Equipas de Nossa Senhora.
O Afonso deveria ser um exemplo para todos, porque só se atinge um objectivo caminhando.

Anónimo disse...

Olá!
Nos dias de hoje, existem muitos casais que preferem juntarem-se sem nenhum tipo de casamento. Nem religioso, nem civil. Para outros uma junção dessas é para toda a vida, por isso optam pelo casamento religioso.
Talvez a falta de confiança um no outro, faça com que isso aconteça.
Mas isto não é um problema da igreja, é um problema da sociedade em que vivemos. A falta de fé uns nos outros, faz com que não tenhamos fé no nosso Deus, e por consequencia num casamento relegioso.

Um abraço

Alexandra

Teodora disse...

parece-me que com o novo regime jurídico para as uniões de facto já ninguém quer juntar-se.

Anónimo disse...

Anónimo disse


Sem Deus existe o casamento.

Com Deus existe o matrimónio.

felicidades...

barrote disse...

ola sr.padre, ca vou deixar o meu comentario esta historia , faz-me lembrar uma historia que se passou comigo quando eu tratava do cartorio aqui. um casal de velhotes ja com perto de setenta e muitos anos cada um , nao se tinham nunca casado nem pela igreija nem pelo civil , viveram maisde 50anosjuntos e no fim desse tempo resolveram que queriam casar e digo-lhe com toda a franquezafoi dos casamentos mais bonitos a que eu assisti em quase 10anos de servico. um abraco

Canela disse...

Caro amigo Alma Peregrina;

Obrigada pelas suas dicas.
Tem razão sim senhora!

Se Deus que é DEUS não força ninguém, porque o deveria fazer a Teresa?

Só me lembrei desta minha questão, porque para mim... eu jamais conseguiria estar no papel da Teresa... Talvez eu seja uma grande egoista, não sei!

Cada um de nós tem os seus defeitos, eu tenho muitos.... :)

A Paz de Cristo

Anónimo disse...

Trata-se de uma questão de consciência verdadeira e fé !

Fernando Gonçalves

Fernando Vouga disse...

Caro amigo

Conheço um casal (ele é um actor conhecido) que, depois de uma união de facto de vários anos, já com uma filha, optou por casar. Porém, ironia do destino, o divórcio ocorreu pouco tempo depois!
Um abraço

Lidiane Souza disse...

Estou nesta situação. Faço 10 anos de casada agora em julho e se tudo der certo iremos comemorar nos casando na igreja. Chegou a nossa hora!

Confessionário disse...

Que bonito, Lidiane.
Parabéns