sábado, janeiro 17, 2009

A homilia da Paula

O homem sobe para o ambão e começa num berreiro contra o pessoal. Deu lenha o tempo todo. Foi chapada velha, pontapés e chutos a torto e a direito. E vai daí, durante meia hora não teve uma única palavra de afecto. O tipo deve ter entrado no Seminário por frustração. Não viveu com pessoas. Não deve ter conseguido ver que à volta dele há pessoas independentemente dos seus pecados. Cruo. Não percebe que muitas daquelas pessoas que vão à igreja vão porque provavelmente todos sofrem e não interessa com o quê ou porquê. Simplesmente sofrem ou no mínimo estão à procura de algo. Aquele tipo é um triste coitado, que não percebeu nada do que andou a estudar. Berrou, berrou. Vós vindes à missa pedir para vós e não Lhes agradeceis as graças que Ela vos dá. Adorais Maria e esqueceis-vos que a figura principal é Deus nas suas três formas. Vindes à igreja quando precisais e depois tudo cai no esquecimento. Etc e etc, padre. O tipo é louco, nem imagina. Berrava de dedo em riste. Vós pensais que Maria é uma extraterrestre, mas não é! Vós podeis ser como ela. Uma mulher que se entregou, confiou. Uma mulher casta, livre de pecado. Ó padre, só faltou dizer que éramos todas um bando de putas. Uma tristeza. Até o rosto dele só espelhava tristeza. Nunca abriu a boca senão para berrar. Por isso nunca mostrou um sorriso. E repetia a treta da extraterrestre. Nunca mais vou àquela missa. Parecia um peixeiro a vender o seu peixe. Não vou não.
Ouvi e ouvi. Também ela se repetia insistentemente. Mas não berrava. Eu bem sabia que assim era. Ainda há dias numa sondagem verificávamos que as homilias têm sido descuidadas por muitos padres. Mas eu tinha de ensinar à Paula que a missa não é o padre e que a homilia é a mensagem de Deus actualizada. Se calhar ia usar a oportunidade errada. Mas não resisti e fui dizendo. Não devemos nunca confundir a mensagem com o mensageiro. Trata-se de uma voz. Nada mais. Uma voz entre outras. Aliás, a voz é um conjunto de sons que servem para comunicar uma mensagem. Sabes o que sucede depois à voz? Desaparece. Só fica mesmo a mensagem. O mensageiro pode ser rasca, deixar-nos à rasca, mas a mensagem será sempre uma Boa Notícia se for a mensagem do Evangelho. A mensagem será sempre a mesma. O resto pode variar. Isto serve para perceberes que a mensagem é que importa e que os que a transmitem são menos importantes. Aliás, isto também serve para nós, os mensageiros, percebermos que não devemos ter veleidades nem nos confundirmos com a mensagem ou a distorcermos. Eu falava, falava. Não berrava, não. E pensava que lhe estava a ensinar algo importante. De facto estava. Mas ela interrompeu-me para dizer. Ora aí está. O mensageiro não deve distorcer a mensagem.

29 comentários:

Anónimo disse...

Ora cá está um assunto que me tem inquietado nos últimos quatro meses.
Na minha paróquia houve mudança de pároco.
De facto, como o Sr. Padre diz, o que interessa é a mensagem e não o mensageiro. Só que, este mensageiro (o actual) não consegue fazer passar a mensagem. Falta-lhe sentimento naquilo que nos transmite, expressividade nas palavras e na leitura. Ficamos com a sensação que apenas cumpre o ritual do missal e nada mais tem para nos dar. Lembro-me de muitas homílias, algumas já com anos do antigo pároco, não me lembro da homília do Domingo passado. Pena que seja a opinião de muita gente e isso se reflita nos bancos vazios cada semana que passa.
Pessoalmente, já me senti mais próxima de Deus. Aquilo que eu gostava de ouvir não chega até mim...Tenho pena.

Fátima

Anónimo disse...

«Uma mulher casta, livre de pecado. Ó padre, só faltou dizer que éramos todas um bando de putas.»


- Adoro ver esta obsessão que a Igreja tem pelo pecado e o sexo…

Hugo Pinto Abreu disse...

Os Santos são assim. Incompreendidos.

Resta-me rezar então pelo sacerdote para que continue no caminho da santidade, e pela pessoa, certamente muito afastada da sã doutrina, que escreveu isto.

Luisinha disse...

Mas imagine que uma pessoa que até nem conhece muito bem a religião católica e quer tornar-se seu seguidor entra numa missa dessas relatada! Que impressão vai ter? De certo que o mensageiro tem a capacidade de alterar o conteúdo da mensagem conforme o tom usado, as palavras proferidas ou as atitudes para com os fieis que lá vão para se sentirem confortados e não ameaçados ou acusados! É certo que cada padre é uma pessoa, e como tal cada pessoa nunca é igual à outra, mas há que ter o mínimo de noção das coisas, não?!

Anónimo disse...

«O Mensageiro não deve distorcer a mensagem!»

Caro Padre,
os argumentos que usou para atenuar os 'estragos' causados por aquele 'sermão' são os mesmos que ainda uso para dizer a alguns Amigos que me procuram para, entre outras coisas, se lamentar da 'pobreza franciscana' que são as homilias (se é que tal se lhes pode chamar) do seu Pároco...

Enquanto fui Padre a homilia (quer de semana, quer ao domingo, quer nos sacramentos) era algo que eu sempre cuidei para que fosse portadora da única Mensagem: a de Jesus Cristo.

Hoje, sento-me na Assembleia... e percebo melhor o desabafo da 'Paula', como percebo melhor o desabafo dos meus Amigos...

Não há desculpa!
E por muito que queiramos fazer compreender que a Mensagem é mais que o mensageiro ou que a Missa é mais que o padre... a verdade é que é pelo Padre que Deus nos quer fazer chegar a Sua Mensagem... Se nos quer oferecer em Sacrificio!

O Papa Bento XVI oportunamente chamou os Bispos e os Sacerdotes para esta questão, quando alertou para o perigo de, pela sua pregação, se transmitir uma falsa imagem de Deus e da Igreja.

Anónimo disse...

Fatima, Deus ouvimos no nosso coração e no silencio do nosso estar. Nas homilias por vezes, porque algumas é para esquecer. Deus não tem culpa. Apenas dá liberdade de expressão...
Pior do que o que os padres dizem é o que deixam por dizer e o apoio que não dão ao seu rebanho. Tem tempo para tudo, até para confissionarios na Net.Não é? mas para os paraquianos? Que vão ao padre mais proximo, que este esta fora de serviço...
Não é confissionario?
Mas Deus não tem culpa.
Fé em Deus
Um abraço em Cristo

Teodora disse...

Sentados à mesa num jantar de colegas, perguntou o João ao Abreu se o padre lá da freguesia ainda continuava a fazer as homilias dele. O Abreu respondeu que sim. De facto, ele não tem jeito nenhum, regra geral são vagas, confusas e monocórdicas, mas ninguém poderá apontar-lhe o dedo em relação a alguma falha humana.

O Abreu conhece o padre há muitos anos. Sempre fez parte da Comissão Fabriqueira e por isso sempre conviveu de perto com ele. O padre é um homem dinâmico, disponivel e que sempre desenvolveu projectos em prol da sua comunidade paroquial.

O tal padre é homem para os seus 50anos e foi colega de seminário do João. O João não questionou por maldade, todos nos conhecemos há uns bons anos, o que nos permite falar abertamente e sem rodeios.

O João confirmou que já no tempo de seminário era um colega de qualidades humanas excepcionais, mas na oratória chegava mesmo a ter piada.

Os paroquianos não apreciam as suas homilias, mas sabem que têm um padre com qualidades humanas excepcionais e um amigo.

Eu prefiro sempre a verdade a uma farsa, embora reconheça que ouvir um padre a ler um texto bíblico como se lesse o folheto do medicamento para a gripe possa ser muito pouco inspirador.

Anónimo disse...

Anda muita gente em busca de um cristianismo "consolo de alma", lembrando um velho cântico: "Eu tenho um gozo na alma e no meu ser..."
Estamos num tempo marcado por um individualismo umbilical, onde o que conta é o que sinto e como o sinto. Um cristianismo, tipo ping-pong, em as duas raquetes são eu e Deus. A dimensão comunitária e os valores ficam à parte ou enublados.
Depois o que está na moda é anunciar um Cristo manso, que compreende tudo, aceita tudo, estilo bota-de-eslástico.
Neste campo, o padre não tem direito a errar, nem tem o direito ao seu estilo de anunciar o Evangelho, tem de se despersonalizar para agradar a uma assembleia que, se não se sentir agradada, larga...Mas onde está a fé? Nas pessoas ou em Cristo? Mas vou à celebração por causa do ministro ou por causa de Cristo? E tenho consciência de que, com a minha ausência, deixando vazio o meu lugar, estou a prejudicar a família reunida?

Desculpe-me, caro padre, mas parece-me que se faz eco desta moda do tempo, orientando o seu blog num certo intimismo individualista em moda.Eu visito-o muitas vezes e aprecio a sua franqueza comunicativa. Mas, perdoe-me a veleidade, gostava mais de o ver remar contra a maré.
Fernando Luis

marta disse...

"Ora aí está. O mensageiro não deve distorcer a mensagem." - Aqui está uma grande verdade.
É certo que a mensagem não se deve confundir com o mensageiro, mas devo ouvir o mensageiro errado que distorce a mensagem? Se devo... lamento, mas não sou capaz.
(era por isto que eu outro dia distinguia o ir à igreja do ir à missa.)

Anónimo disse...

Gosto de uma homilia que me dê pistas claras para viver melhor e me ajude a perceber a mensagem de Cristo. Passo por aqui muitas vezes mas nunca comentei ao contrário do meu irmão que gosta de intervir.

Aproveito para pedir um favor: conhecem na cidade de Lisboa alguma paróquia onde a homilia seja pensada com alma? É que o padre da igreja onde vou não consegue chegar até mim e, embora teime em ir, venho sempre desiludida. Não há alegria naquelas celebrações e não estou a confundir alegria com euforia. Se souberem digam-me. Eu agradeço.

Caro Fernando Luís o que é que quer dizer "remar contra a maré"? Para mim remar contra a maré é conseguir encher as Igrejas de gente jovem disposta a seguir Cristo. E isso o Confessionário gasta-se a fazê-lo.

Continue Confessionário porque através deste meio se calhar chega a mais gente do que a falar no interior de uma qualquer Igreja

João Pedro

Economia disse...

Caro João Pedro,

Recomendo-lhe a Paróquia de São Nicolau, na Baixa-Chiado. Eles têm site, é só procurar no google.

Cumprimentos,

HPA

Alma peregrina disse...

Hum! Huuuuummmm!!! Huuuuuuuuuuuummmmm!!!

Sr. Padre, desculpe-me lá, mas estou aqui farto de fazer o pino e não entendo! Juro que não entendo!

Lá vou eu ter de fazer novamente de advogado do Diabo (que, nestes dias, é ser advogado do padre, lol!).

Ora bem, a acusação da Paula é "o mensageiro não deve distorcer a mensagem!"



Qual foi a mensagem do padre? Vamos rever:

"Vós vindes à missa pedir para vós e não Lhes agradeceis as graças que Ela vos dá."

"Adorais Maria e esqueceis-vos que a figura principal é Deus nas suas três formas. "

"Vindes à igreja quando precisais e depois tudo cai no esquecimento."

"Vós pensais que Maria é uma extraterrestre, mas não é! Vós podeis ser como ela. Uma mulher que se entregou, confiou. Uma mulher casta, livre de pecado."





Ora, eu sou um pobre leigo com um conhecimento insípido de teologia mas... alguém me pode explicar onde está, exactamente, a "deturpação da mensagem"?

E não, não vale dizer que o padre foi agressivo! A acusação não é a de veicular a mensagem de uma forma agressiva! A acusação é de "deturpar a mensagem"! E é essa a conclusão do post!




Ora, se o padre berrava e acusava, sou contra! E quero sublinhar isso: SOU CONTRA!!! Mas estas coisas que ele disse são importantes e quem me dera que fossem ditas mais vezes!

Cá para mim, a única deturpação vem da Paula. É ela que, perante isto:

"Vós pensais que Maria é uma extraterrestre, mas não é! Vós podeis ser como ela. Uma mulher que se entregou, confiou. Uma mulher casta, livre de pecado."

depreendeu isto:

"Ó padre, só faltou dizer que éramos todas um bando de putas."




Confessionário, você está na blogosfera há uns tempos! Quantas vezes não vieram os anónimos e a malta do costume deturpar tudo o que você diz, despejando comentários agressivíssimos ao mesmo tempo que se queixam da "agressividade" da Igreja (mázinha!).




É de relevar que a Paula começa a sua intervenção com isto:

"Não deve ter conseguido ver que à volta dele há pessoas independentemente dos seus pecados. Cru. Não percebe que muitas daquelas pessoas que vão à igreja vão porque provavelmente todos sofrem e não interessa com o quê ou porquê. Simplesmente sofrem ou no mínimo estão à procura de algo."

Ora, embora eu concorde com isto que ela disse, estas palavras geralmente significam isto: "as pessoas vêm para a Igreja para se sentir bem e o padre (mauzinho!) não tem nada que abalar as nossas consciências nem obrigar-nos a mudar!"

Pergunto-me o que a Paula faria diante de S. João Baptista.




Proponho à Paula um exercício. Aqui há um ano, eu fui confessar-me. Tinha muitas pessoas à minha frente. E ouvia o padre do confessionário (não o do blog, o outro, lol) a berrar a cada pessoa! Sim, era péssimo! Afinal de contas, as pessoas que se vão confessar estão fragilizadas! E eu sou contra a forma como o padre lidou com os paroquianos! E sou contra a forma como agiu comigo!

Mas, enquanto me vinha embora, meio amargo... pensei para comigo: Por que será que Deus me colocou um padre tão agressivo no confessionário? Afinal de contas, o padre está a representar Cristo! Se o padre foi agressivo, então foi Cristo que foi agressivo, não? E porque teria estado Cristo agressivo comigo?

Não, não pensei que Cristo estivesse mais zangado comigo do que o habitual. Mas sei que Cristo, por vezes, disse palavras muito duras... e, geralmente, fazia-o nas situações mais importantes e vitais para a Fé.

Por isso pensei... por que será que Cristo foi agressivo comigo? E, naquele dia, comecei a pensar, a questionar as palavras ríspidas do padre. E foi só por causa disso que, dias mais tarde, tive a força suficiente para agir correctamente numa situação semelhante à que tinha confessado!

Portanto, é este o exercício que eu proponho à Paula! Por que será que Deus permitiu que a Paula recebesse aquela homilia naquele dia? Por que será que Deus lhe quis veicular aquela mensagem tão dura?
Será que a Paula está disposta a aceitar o desafio, ou ir-se-á embora como tantos outros fizeram nos Evangelhos?



Pax Christi

Anónimo disse...

Fernando
Os Srs Padres têm, sim, direito a errar, têm tb direito à sua identidade mas não deixam de ter, cumulativamente, o dever de saber comunicar. E só comunicam quando fazem passar a mensagem e com ela fazem crescer a confiança que depositamos num Deus vivo. Dito de outro modo: evangelizam quando ajudam a fé -que já existe- a crescer. Nos momentos mais atribulados da minha vida sinto que os conflitos surgem mais vezes e mais fortes do que queria. Discernir e seguir em frente nem sempre é fácil. Fazer silêncio dentro de nós ajuda mas é confortável saber que o verbo está por perto... Fiz-me entender Fernando?
Um abraço

Canela disse...

Sociedade descristianizada.

Cristãos de museu.

Assembleias na missa parcas e desmotivadas.

Padres a terem que mover montanhas.

É isto que eu vejo!
É isto que eu sinto!

Não se pode ir á missa, apenas cumprir uma obrigação.
Não se pode apenas ir sómente á missa.

Onde estão todos, quando pedem leitores?
Onde estão todos, quando pedem alguém para o coro?
Onde estão todos, quando pedem catequistas?
Onde estão todos, quando pedem voluntários para visitar e rezar com os doentes?

Quando encontrarem as respostas certas, para estas e muitas mais questões... então sim. Aí saberão porque a "Paula" se sentiu tão indignada... saberão porque o Pe. fez "aquela" e não outra homilia.

Deiam mais, entreguem-se mais, olhem-se mais e só depois olhem para os defeitos dos outros!

Luis Carlos disse...

Olá,

Esta questão da mensagem e do mensageiro, é muito engraçada.

Senão vejamos.

"O mensageiro pode ser rasca, deixar-nos à rasca, mas a mensagem será sempre uma Boa Notícia se for a mensagem do Evangelho. A mensagem será sempre a mesma."

Tirando a parte de que não há Boas Notícias fora da bíblia cristã, o que é muito redutor da capacidade de Deus, o que dava para outra conversa.

A mensagem não pode ser a mesma, independentemente do mensageiro, por que o mensageiro também é mensagem, faz parte da mensagem, se fossem assim tão desligados um do outro, Jesus podia ser um drogado e alcoólico, e nós devíamos acreditar no que ele dissesse, acreditamos no que ele disse, por que ele tinha uma sanidade mental e espiritual fantástica.

Quando vou pedir uma opinião não vou pedi-la a uma pessoa raivosa, bêbeda, nervosa, que grite, que berre.

É apenas o pormenor, mas eu acho um por maior.

Até já,
Luís Carlos

Anónimo disse...

Canela

Deêm e não "deiam". Os erros ortográficos também são erros e por isso devem ser corrigidos. Mas nunca a berrar. Verdade?:)

Anónimo disse...

Eu para exigir dos meus alunos tenho de lhes dar algo em troca.
É preciso mimar para exigirmos e termos sucesso, ou então apenas criamos criaturas tristes e carentes.

Dou-lhes ralhete feio quando é o momento certo e apoio-os quando sei que eles precisam. Se estão frágeis sei que devo refrear os meus impulsos.

Não tenho o direito de bater em quem já está magoado. Até porque irei colocá-lo ainda mais desorientado. A menos que eu saiba que essa é a estratégia certa para aquela pessoa.

CrisR disse...

Hoje sou eu padre que estou num daqueles dias...mas no meu caso não por estar sozinha, mas por estar acomapanhada, e por ter tido a oportunidade de estar sozinha e não a ter aproveitado!!

Anónimo disse...

Olá a todos.
Devo dizer que acompanho este sítio há muito tempo, no início por curiosidade e hoje por necessidade, mas nunca comentei.
Hoje comento porque senti uma enorme injustiça na anónima de 17 Janeiro, 2009 21:56, e não sou capaz de deixar passar isto. Não posso. Não sei se ela é paroquiana do "Confessionário" ou não, mas não parece; se é não o conhece bem.
Eu sou sua paroquiana e também gostava que ele tivesse mais tempo, mais umas dez horas por dia.
Ainda recordo as duas horas que ele me esteve a escutar num grave problema que tive e a atenção que prestou ao meu filho quando o meu marido lhe pediu que viesse cá a casa depressa. Se não fosse ele não sei bem o que teríamos feito nesse dia.
Nâo conheço nenhum padre aqui perto que oriente um grupo de jovens, que tenha a catequese tão bem organizada, que faça formação habitual aos catequistas e aos que querem baptizar os filhos, que faça todas as semanas uma folha paroquial na paróquia.
É pontualíssimo e explica tudo de forma organizada e com antecedência; tem um sorriso grande em todas as ocasiões; é muito simpático e acolhedor; fala bem e parte sempre das leituras; está meia hora antes da missa na Igreja para atender de confissão; já fez muitas obras aqui na paróquia; organiza o crisma para todas as paróquias todos os anos; este ano vamos ter Santa Unção; gosto muito dos seus baptizados e casamentos; vem muita gente de fora casar e baptizar; está à frente do Centro Social.
O Bispo deu-lhe este ano mais uma paróquia; tem 5. Imagino, padre, que não quer que se diga o que faz mais, porque tenho reparado que não mistura as coisas aqui. Nunca disse aqui coisas espectaculares que faz. Acho isso bonito. Ninguém sabe que o senhor faz coisas pelo país todo e é responsável de uma coisa aqui na diocese que lhe dá muito trabalho; eu ouvi-lhe dizer que lhe dá mais trabalho que as paróquias.
Podia dizer muitas mais coisas,
mas acho que já chega. Se calhar tomara o padre ter tempo para si e mais para este sítio. Há gente injusta!
Obrigado pelo que me tem ajudado na paróquia e aqui.
L

concha disse...

A Igreja na sua hierarquia, sempre foi e há-de continuar a ser atacada.
A forma mais fácil de a atacar é através dos homens que deixaram tudo para seguir Aquele que ninguém consegue atacar, porque é Deus.Curiosamente, diz-se que Deus existe ou não existe, mas ninguém O ataca mesmo no Seu filho feito homem.
Os padres vivem no meio dos paroquianos e dos que o não são e sabemos que é mais fácil apontar um defeito do que uma qualidade.Temos aversão em olhar o outro nas suas qualidades,talvez porque nos espelhamos nele.
A Eucarístia é o local de encontro, de comunhão e embora seja agradável escutar alguém que tem o dom da palavra, a verdade é que a essência daquilo que se proclama é que é importante.Também sabemos que ninguém escuta a mesma mensagem do mesmo modo porque somos todos diferentes.Até a mesma Palavra escutada em ocasiões diferentes nos pode trazer mensagens diferentes.
Poderá até ser um exercício interessante ir a uma dessas missas em que a homília não é tão ao nosso gosto e tentar ver o que ela terá de bom para nós.
Um abraço

Anónimo disse...

Há uns anos, o padre da minha freguesia, pensou e voltou a pensar nos comentários que lhe chegavam acerca das suas homilias. Que era chato, que demorava muito, que fazia algumas pessoas dormir, que não falava ao coração, que era muito teórico, que, que, que...
Então o padre convida as pessoas para um encontro no salão paroquial numa noite da semana. Finalidade? Conhecer a Palavra de Deus do próximo domingo, dar sugestões sobre a homilia, pontos a focar, tempo, etc, etc.
No primeiro encontro, apareceu um bom grupo e participativo. O padre ficou feliz. E no domingo seguinte a homilia teve exactamente em conta o trabalho da reunião.
Marcou nova reunião. Apareceu muito menos gente e menos participação.
Bom, o padre continuou a marcar a reunião seguinte. Apareceram três idosas que lhe pediram que falasse mas é da Senhora de Fátima, da história dos Pastorinhos e da devoção do terço que "aquela coisa" das leituras era uma chatice...
Imaginem agora o estado interior em que ficou o pobre do padre...
De facto é assim. Quando é para "carregar" no padre, parece que toda a gente está pronta. Lembram treinadores de bancada. Quando nós, leigos, somos chamados a dar o nosso contributo nos mais variados campos, ficamos nas covas...
Graças a Deus que o padre da minha terra é tudo menos clericalista. Raramente fala de padres, mas fala imenso do povo de Deus. Todos baptizados, todos enviados.
Fernando

Anónimo disse...

Tenham paciência mas a mesma mensagem transmitida de formas diferente tem diferentes impactos. Concretizo. Sou contra o aborto inequivicamente. Mas na altura em que estava prestes a ser referenciada a lei que o permitia estive numa celebração que me deixou de rastos tal foi a forma como o problema foi apresentado. Tanta rudeza. Tão pouco amor. A mensagem era boa mas o mensageiro era péssimo. Não gostei. Não voltei.
Parabéns Padre pelo trabalho que realiza.
Cuide tb de si para conseguir cuidar dos outros.

Anónimo disse...

Parabéns! Que Deus se faça sentir sempre presente e lhe abra caminhos!
Sr Bispo não abuse...:)))

joaquim disse...

Claro que a mensagem é boa e para ser completa deve ter no mensageiro o testemunho da própria mensagem, mas não pensamos nós também com as nossas cabeças?

Não discernimos nós, por detrás da forma como são ditas as palavras aquilo que elas nos querem dizer?

Concordo que uma homilia não deve ser feita a "ralhar", mas não serão por vezes os comentários negativos à mesma, uma forma de não querer pensar verdadeiramente no que as palavras da homilia afinal nos querem dizer?

Porque o conteúdo desta homilia que nos é explicado, incomoda, pode até incomodar muito, quando vivemos a religião do cumprimento da Missa Dominical.

O mensageiro foi agressivo, levantou demais a voz, ralhou até, então deixemos o modo como foram proferidas as palavras e ouçamos apenas aquilo que elas nos querem dizer, ou melhor, aquilo que Ele, o Senhor, nos quer dizer com as palavras.

De qualquer modo, compreendo e concordo que nem sempre as homilias são proferidas do modo mais perfeito, mas os sacerdotes, como nós, não são perfeitos, aliás, são tão humanos como nós.
e por isso também falham.

Reparemos até que Jesus Cristo nem sempre foi brando na Sua pregação.

«Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes a sepulcros caiados: formosos por fora, mas, por dentro, cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de imundície!» Mt 23,27

Abraço amigo em Cristo

Anónimo disse...

Confessionário:
Sabe a história do homem, do rapaz e do burro? Se calhar já não é do seu tempo... mas peça a um dos seus paroquianos para lhe a contar. Com certeza que ele o fará com todo o gosto e perceberá (eu sei que já percebe...) que não se pode agradar a gregos e a troianos. Continue a agradar aos que mais precisarem de si e terá a sua missão cumprida.
Bjinho

Anónimo disse...

De vez em quando, também é salutar aparecer um padre com tomates, que não tenha medo de enfrentar o público na Igreja e seja corajoso para lhes apontar o dedo às feridas pútridas e escondidas.

Amigo nem sempre é aquele que mais sorri e encolhe os ombros, mas aquele que instiga e alerta para os nossos erros, para o facto de vivermos adormecidos e precisarmos de uns abanões.

Teodora disse...

Eu confesso que gostaria que os padres deste país fossem de inspiração socretina.

Assim... com aquele olhar pisco (entre umas pestanas trabalhadas com uma mascára Lancôme com efeito de alongamento e enrroladinhas) reflexivo, de quem está a ter ideias profundas, dedinho em riste e vozinha de quem lhe está a apertar os tomates! Ups! Perdão! Excedi-me! A mãozinha aberta como simulasse limpar vidros, em movimentos circulares. O pisca-pisca dos olhinhos, género Gata Chalupa também pontua. Uns gritinhos, aqui e acolá. E por fim... aquele rabinho espetado. No interior dum Armani.

Um charme!

erute disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Alma peregrina obrigado pela tua reflexão. Gostei e esclareceu-me algumas ideias existentes em mim.

Enquanto leigo foi-me pedido que orientasse celebrações dominicais na ausência do presbítero, não tenho grande facilidade na oratória e desde de o início que é a minha maior preocupação.

Não aceitei de imediato porque receei não conseguir levar a mensagem, no entanto depois de rezar e perceber que estava a ser necessário ser instrumento aceitei, mas tenho o cuidado de preparar a mensagem a levar o mais que posso.

Atrevo-me a questionar, sem intuito de julgar, não terá a Paula “enfiado” a carapuça?

O pároco da minha paróquia também há dias que grita, e muitos são os dias que enfio a carapuça…não gosto, mas tenho de reconhecer que ele tem razão.

Rezo para que todos tenhamos coração para acolher o outro, seja ele quem for.