quinta-feira, janeiro 29, 2009

Nem uma palavrinha de agradecimento, parte II

A zeladora dos altares não concordou, embora o rímel continuasse a olhar na direcção das minhas palavras, isto é, da minha boca. E, já que não serviram, continuei. Na Casa de Deus há muito espaço, muitos lugares, muito que fazer. Há para todos. Todos têm para fazer. Funções, responsabilidades, serviços. Até ao Concílio Vaticano II os leigos não eram considerados membros activos da Igreja. Não participavam na eucaristia. Assistiam. Não celebravam os sacramentos. Recebiam-nos. Eram espectadores passivos da actividade da hierarquia. Depois as coisas foram mudando. Porém, na minha opinião, as mentalidades ainda não mudaram o que deviam, quer de padres quer de leigos. Todos têm opiniões sobre o assunto. Mas uns não querem abdicar do monopólio. Outros não querem assumir o trabalho.
Servir na Igreja, minha amiga, é um direito e dever de cada um. E o serviço deve ser só isso, serviço gratuito. Todo o cristão deve ser activo, e tem um “lugar” a cumprir na comunidade. Não peça agradecimentos. A mim. Aos outros. A Deus. Faça-o como verdadeiro serviço. Acho que não gostou da palavra serviço, porque saiu porta fora sem dizer sequer Vou-me embora.

17 comentários:

pescador de ilusoes disse...

caro Pe
infelizmente é assim, muitos buscam o poder e o status seja onde for! querem mostrar serviço dizer que fez ou que deixou de fazer, e infelizmente encontram quem os de palavras que o estimulam a continuar, quando se deparam com pessoas que dizem a realidade se sentem menosprezados! é triste a ganancia por poder ate dentro da Sante igreja mas!!
somos povo santo e pecador dai a razao pra tanta soberba!Nao abrem mao de seus serviços as vezes por mais de anos ja estao a frente do memso movimentoe nao querem abrir mao ou dizem que se abrir ninguem conseguira tocar pra frente pois so o mesmo sabe como fazer!

paz e bem!

Anónimo disse...

Muitas vezes as pessoas querem fazer-se notadas,apenas porque se sentem sós.
Não que busquem especialmente uma palavra de reconhecimento.
Acontece que muitas vezes estamos tão ocupados que nem nos apercebemos de como estão carentes os que nos rodeiam.

A igreja só é santa porque é santificada pelo Espirito Santo, e nada tem a ver com templos feitos de pedra, a realidade é que o Espirito que reina em cada lugar tem a ver com as pessoas que o frequentam, pois é nelas que habitam ou a Luz ou as trevas.

noctivaga disse...

Pois é... até na Igreja, para alguns, antiguidade é um posto... e até entendem que ninguém os consegue substituir... Isto para dizer que, também na paróquia onde pertenço ou melhor não pertenço mas é onde me sinto integrada, existe uma senhora Catequista que, pelos anos que tem de Catequista entende que o seu posto é insubstituivel. Não aceitou de bom agrado a entrada de jovens para colaborar na Catequese e, até já consegui "espantar" algumas. Falta e não avisa; as festas têm de ser como quer ou então amua; não assiste a reuniões; Diz que não precisa dos Catecismos porque tem tudo na ponta da lingua; música dentro da sala é impensável, enfim...ficava aqui uma série de tempo a referir a postura desta senhora. Este Domingo passado eu e a Catequista que dá Catequese comigo faltámos porque fomos ás Jornada Nacionais de Catequese mas soubemos que esteve lá a Mãe de uma criança que diz que o filho só regressa á Catequese se for para a minha sala... Não sei como é que vou descalçar esta bota... é que em três meses já vai no quinto miúdo que quer mudar de Catequista e, depois esta senhora já teve o descaramento de dizer que eu lhe retiro os miúdos...vamos ver o que vai acontecer no próximo Domingo. No meio disto tudo ainda consigo ter pena desta senhora porque deu imenso na Catequese. Já lhe disse que não é dispensável, que todos fazemos falta, os mais velhos pela experiência, os mais novos para dinamizarem... mas na cabeça dela nada disto faz sentido. Qual dinamizar, qual música... para ela a Catequese faz-se com uma cruz enorme desntro da sala, as paredes não podem ter cartazes, e as rianças não precisam de cantar e têm de ficar quietas e caladas porque a cabeça dela já não está para barulhor. Nota: estou a referir-me a crianças de 6 anos....

Luisinha disse...

Que reacção estranha... Desta vez quem não deu nem uma palavrinha foi a senhora, não é bonito deixar o senhor padre a falar sozinho... Nem quero imaginar o que virá na parte III, mas já agora até gostava de saber se a senhora sempre lá voltou e qual a reacção dela!

Paz e Bem! :)

Confessionário disse...

Luisinha, como adivinhaste que havia III parte?

CrisR disse...

Para mim a palavra servir sempre foi natural quando se trata de Deus e da igreja, mas talvez tenha razão padre, para alguns não é.
Nós nascemos para ser servos de Deus.
E que venha a III parte. :)

Vidas disse...

Olá!

Servir na gratuitidade, sem esperar recompensa. Quando trocas o teu pouco com o outro sem esperar recompensas, serás recompensado; sem esperar riquezas, enriquecerás; sem pensares na colheita, teus bens se multiplicarão. Porque semeias num reino onde dar é receber, onde dar a vida é perdê-la para encontrá-la, onde gastar servindo é crescer e transformar.

beijinho
MJG

Anónimo disse...

«Servir na Igreja, minha amiga, é um direito e dever de cada um. E o serviço deve ser só isso, serviço gratuito.»

Como justifica o vencimento auferido pelos Capelães nos quartéis e hospitais?

Obrigado.

João Silva.

Luisinha disse...

Eheheh...
Pois é senhor Padre, de tantas coisas que se passa pela vida, há umas que se tornam previsíveis demais! Por isso estou bastante curiosa... E a senhora voltou?? Qual a reacção dela?? Conte!! :)
Não querendo me meter no assunto, para o "Anónimo João Silva" das 13:25h, então eles iriam viver de quê?! Não podiam chegar a um supermercado de mãos a abanar e simplesmente dizer: "É que eu sou Capelão do Quartel ou de Hospital" de certeza que não iriam fiar, muito menos doar, de tal ordem anda a crise por aí. a doação que o Padre fala é a doação de alma, sem esperar recompensa em glorificações ou pedestal. De certo que os Capelães têm vocação suficiente para realizarem essas funções sem algum tipo de remuneração mas nos dias de hoje, para haver tal dedicação exclusiva, há que haver o mínimo de condições de subsistência (eu acho...). No início dos tempos as vocações regiam-se pela entrega exclusiva, vivendo da caridade e ofertas de comidas das pessoas (espero não estar a dizer nenhuma asneira eheheh) mas hoje em dia é mais difícil e as coisas têm que se adaptar aos nossos tempos.
Oh senhor Padre, corrija-me alguma coisa se estiver a dizer algum "pecado"! :)
Mas não se esqueça das novidades parte III please!! :)


Paz e Bem!

Anónimo disse...

E o Senhor padre não se queixa quando o seu Bispo nem sequer repara no seu esforço e passando não lhe dá o tal elogio ou agradecimento?
Ela pelo menos disse-lho a si directamente e não pelas costas como fazem alguns

Anónimo disse...

Anónimo das 20:45
o Sr.Bispo está sempre a elogiar o trabalho do confessionário, ele é um rapaz muito trabalhador mesmo!Faz coisas que nunca passariam pela cabeça do Bispo, a sério. Por isso ele não lhe poupa elogios, eu já os ouvi algumas vezes! Verdade, Confessionário?

bj
mariana

ailhadosamores disse...

Ora nem mais.
Sr Padre, desculpe se disser algo de errado, que não conheço seu blogue, pouco tendo lido.
Mas sem dúvida que concordo com o último comentário.

Servir a Deus será certamente não julgar... onde não é devido. E que esforço fez o senhor para se situar na posição da senhora?

Quantos trabalhos fez o senhor nunca visto, nunca agradecidos, ignorados? Na sua posição de padre, talvez nenhum... pois é uma posição de estatuto e autoridade,

Que sabe o senhor da vida daquela mulher? Que sabe, da sua solidão, ou de já todo um passado, uma vida inteira sem uma palavra de reconhecimento por tudo o que fez - como acontece tanto entre as mulheres?

Quantas não recebem dinheiro, nem respeito, nem um lugar na sociedade, nem uma entidade de referência social, nem o orgulho de outros por elas, nem liberdade - nada!!! Quantas não recebem senão ingratidão depois de terem oferecido as suas vidas?

Que sabe o senhor da vida dela, e acha que é pedir muito, o senhor, que já por de certo ouviu a frase "obrigada senhor padre" milhares de vezes... acha verdadeiramente que é pedir muito, pedir um agradecimento apenas? Um sorriso, um olhar, uma apreciação do que ela faz?

Antonio Valerio, sj disse...

Bom dia! Muito obrigado pelo seu blog, que sigo com mto interesse! Quando se está a estudar teologia, ajuda muito ter esta perspectiva, para não ficar nos ideais e perceber que os desafios pensados tem de ser encarnados na realidade.

A questão da partilha de responsabilidades e da participação de todos na vida da Igreja passa por uma mudançade mentalidade muito grande. No fundo existe um jogo de perder e ganhar, mas sobretudo esperar e confiar. O mais difícil de tudo,é que não há respostas imediatas, mas deve haver um discernimento concreto nas oportinidades pastorais de dar maior responsabilidade, fazer reflectir sobre essa responsabilidade e assumir consequências.

O diálogo deveria ser muito mais horizontal, percebendo que não existem uns que têm as ideias e outros que as tem que receber, mas procurar sinceramente que cada um à sua maneira se perceba num contexto de colaboração e, sobretudo, de construção de qualquer coisa que tem a ver com missão e entrega a um bem maior. Obrigado mais uma vez e bom fim de semana! Antonio

Confessionário disse...

Caros amigos, reparai como somos nós!
A reflexão é sobre o serviço, a gratuidade, a forma de ser em Igreja com responsabilidades distribuidas, e nós atentamos apenas no elogio ou não elogio que se faz!! Esta tb deve dar para pensar.


Agora, em resposta a 3 comentários:

- ao anónimo que falou do Bispo quero agradecer; ontem fizeste-me pensar nas vezes em que esperamos esse seu conforto ou elogio e depois lamentamos pelas costas. Obrigado.

- Ilhadosmaores, eu faço todos os possíveis para não julgar; o assunto aqui é mesmo o serviço; a senhora tem todo o valor... e mesmo que fosse "compliacad", como já afirmaram aqui de outra pessoas semlhantes, será sempre alguém que Deus ama; agora quero deixar bem claro que todos nós, párocos, temos de agradecer a quem trabalha na paróquia... mesmo áqueles que usam esse trabalho para outras coisas que não servir.

- à Mariana quero dizer que, apesar de publicamente o meu bispo ter já tecido alguns comentários, eu preferia a sua confiança e atenção; e além disso, sendo honesto com todos, até com o próprio bispo, esses elogios não são abundantes. Agradeço na mesma. beijitos

um abraço a todos

Luisinha disse...

Queria dizer à ilhadosamores que mesmo a senhora ter passado por dificuldades na vida (que todos as passamos de uma forma ou de outra), acho que isso não justifica o ter de ser "reconhecida" com as palavras do Padre, pois antes que o Padre diga alguma coisa, primeiro Deus já a reconheceu e ela deveria aprender a reconhecer-se a si própria, para depois estar aberta ao que possa ou não advir, porque as pessoas por vezes andam tão atarefadas e entregam-se tanto que o "obrigado" verbal é substituído por um outro tipo de "obrigado" não-verbal, e este acaba por não ver "visto" porque as pessoas só se centram nas palavras e nos reconhecimentos (públicos de referência!) eheheh
Quando damos verdadeiro valor ao reconhecimento que Deus tem em nós e quando nos reconhecemos parte de uma entrega, como ela se entregou nos auxílios da Igreja, isso deveria bastar, a meu ver, e sair a cada dia satisfeita com os seus resultados. Se vamos passar a vida à espera de palavrinhas de cada vez que damos um passo, corremos o risco de ficar parados na vida, e esse talvez tenha sido o mal da senhora, se por acaso sofreu dos males que algumas pessoas aqui imaginaram e não duvido, e por isso mesmo é que eu acho que muitos males da humanidade vêm dos apegos, das vaidades, e etc...

Mas pronto...
E agora senhor Padre, já pode deixar a parte III??? :) eheheheh

Teodora disse...

Sem querer cometer uma heresia, julgo que é momento de dirigirmos as nossas preces para os anjos Freeport e Freepor.

Oremos!

Cláudia disse...

Para mim é uma estreia, comentar neste blog, que venho vindo a seguir (e a divulgar) e que muito me faz pensar.
O facto de me estrear justamente neste post, é porque me fez recordar uma situação que se passou há alguns anos, e que estas partilhas me fizeram recordar.
Estou ligada à música e há alguns anos atrás, comecei a acompanhar a minha mãe aos ensaios do coro sénior da Eucaristia. Acabei por num dos ensaios levar uma flauta (bisel) e acompanhar a melodia, até que o Pároco, achou interessante e disse-me para eu passar a acompanhar o orgão na Eucaristia. Assim fiz, com grande contentamento, e com os tão apregoados elogios de algumas pessoas da comunidade. Chegou, entretanto, uma outra jovem que tocava flauta transversal e passou, a Eucaristia, a ser animada pelo orgão e as duas flautas. Até ao dia em que o Pároco disse que uma vez que havia uma outra flauta, e a minha não se ouvia tanto, que já não era preciso eu ir. Eu, do Pároco, não esperava elogios, queria apenas que me deixasse comparticipar da forma que eu podia.
Esta longa história (peço desculpa) não pretende criticar o Pároco, mas colocar outro ponto - pior do que oferecer os seus dons e não ser elogiado por isso (oferta = gratuitidade) é não poder oferecê-los.
É verdade que não gostei muito de se dispensada. Mas talvez não tivesse mesmo lógica estar a tocar "para o boneco"(?)
Hoje em dia o mesmo pároco solicita-me para animar, com a guitarra, diversas actividades da catequese.
Este ano, em que sem me dar conta, fui acumulando actividades, ando numa correria, mas a grande recompensa é mesmo sentir que "posso" dar, que faço parte de uma comunidade que não se limita a estar, mas a trabalhar.
Peço desculpa, mais uma vez, por me ter alongado tanto, e por tornar a minha partilha tão "egocêntrica", mas a alegria de dar é algo que sinto bastante intensamente.

Abraço em Cristo