O telefone e os colegas
Não passaram muitas horas quando me liga o colega Y para desabafar. Faz isso muitas vezes. Não aguenta mais. Não consegue celebrar com gosto. Parece que toda a gente o persegue. Não aguenta o celibato. Sente-se só.
Por volta das vinte horas, depois de uma das minhas missas, ligo ao colega Z porque precisava pedir-lhe um favor, combinar com ele umas coisas. Não atende. Ligo segunda e terceira vez. Acaba por ligar ele, cerca das vinte e uma horas. Estava ocupadíssimo. Pediu desculpas. Não sabia se ia dar. Não sabia para onde se virar. E ainda tinha uma reunião às vinte e uma e trinta.
Acabada a nossa conversa e, para cúmulo do dia, liga-me o colega V. Digamos que o telefone, hoje em dia, pode ser o nosso ponto de encontro, o nosso instrumento da fraternidade. Atendo. Que fazes? Pergunta. Eu trabalhava. Sou mais como o Z. Não queres ir dar um passeio amanhã? Insiste. Eu bem queria. Mas amanhã também tinha o dia cheio. O colega V dedica muito tempo ao passeio. Sabe que é saudável ter tempo para isso. Faz lembrar aquelas pessoas que dizem que os padres apenas trabalham aos domingos. Não condeno nem julgo.
Não quero mesmo fazer isso. Mas penso, e aproveito para pensar alto como somos sacerdotes e todos diferentes. Penso igualmente a quem me gostava de assemelhar mais. Penso no modelo ideal do sacerdote. Penso no Bom Pastor. Penso que haveria muita coisa para reflectirmos em conjunto, os bispos, os padres, a Igreja, os cristãos.
Ontem foi um dia de pensar no meu sacerdócio a partir dos colegas.
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