terça-feira, abril 30, 2019

Relojoeiro do tempo [poema 213]

Gostava de brincar aos relógios. Coleccionava
horas a rodar sempre para o mesmo lado
O lado que ele não sabia onde começava e terminava
Onde o fim se iniciava, rodava e rodava

Os ponteiros das horas nunca estavam sós. Estavam com o lugar
Onde se perdiam se os buscassse mais cedo ou mais tarde
À noite era mais fácil, porque o medo vem mas adormece
E a rodar continua, como relógio, no sentido dos ponteiros

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem.
Dizer o quê? pena que poucas pessoas "possam" ler...
Bj

Anónimo disse...

De algum modo lembrou-me o "Poema da minha esperança" de Sebastião da Gama. Com base nele achei graça durante muito tempo em ter sempre os relógios todos uma hora adiantados.