terça-feira, junho 12, 2018

Preparar o baptismo

Convidaram-me para, numa outra comunidade paroquial, presidir a um baptizado. São gente amiga a quem já presidi ao casamento e baptizados dos outros filhos. Como sabem que não gosto de fazer por fazer ou, dito de outro modo, que gosto que o sacramento não se faça por fazer, vieram contar-me que o pároco da comunidade onde vai ser o baptizado não exigia qualquer tipo de preparação e que tudo dependeria de mim e da minha vontade. Na minha opinião deve fazer-se sempre, nem que seja apenas de modo espiritual, para interiormente preparar a celebração. E como sabem o que penso e como penso, decidiram procurar outras paróquias próximas, pois não conseguiam conjugar esforços para virem ter comigo pessoalmente. 
E agora chega o real motivo destas minhas palavras. Por não saber detalhadamente os contextos, contornos ou os diálogos ocorridos, evito fazer o mínimo juízo deles. Contudo, não consigo ficar indiferente. Contou-me o casal que o pároco onde residem lhes respondeu que não fazia a preparação e que se quisessem tinham muitos conteúdos na internet para se prepararem. Que fossem lá. Um outro, a quem recorreram, respondeu que tinha prevista uma dessas preparações em tal data que, aliás, era posterior à data do baptismo, mas que também não costumava fazer a reunião para aqueles que iam baptizar seus filhos ou afilhados fora da sua paróquia. E assim vão as preparações de baptismos!

20 comentários:

Anónimo disse...

Credo, isto é o oito e o oitenta! Mas a mim pareceu-me ser padres já desanimados, que nao se estao para chatear com essas coisas. Padres que já perceberam à muito tempo, que os sacramentos deixaram de ser algo sério e espiritual, para passar a ser uma festa sem qualquer sentido espiritual para familia. Eu nao entendo o que vai na cabeça das pessoas. Talvez por me ter batizado em adulta, me faça confusão estas coisas! Há tanto motivo para festas, porque raio chateiam a igreja para haver motivo para festa?

Ailime disse...

Boa tarde Sr. Padre,
Eu concordo que haja preparação.
No entanto aqui na minha Paróquia há muito tempo que não ouço falar na igreja na preparação para baptizados, como ouço falar na preparação para os noivos (têm dois fins de semana de preparação intensiva).
Deus queira que seja eu que já estou a ouvir mal...;))!
Ailime
P.S. Mas acredito que haja alguma preparação, apesar do que acima expus.

Fá menor disse...

Pois... :(
E depois, quando numa paróquia se levam as "coisas" a sério e se exige dos paroquianos que as levem a sério, com as devidas preparações, frequência dos sacramentos... etc. é uma debandada geral -- "porque nunca se viu uma coisa assim, nas outras paróquias não se exige nada disso!"...
Nota-se nas Eucaristias dominicais, metade dos bancos da Igreja vazios. Que fazer?

Anónimo disse...

Quase sempre que um padre tem um problema com os sacramentos é porque o "colega vizinho" faz assim e assado... Não era melhor reverem isso?!

Anónimo disse...

Bom dia!

Se fosse apenas o batismo ou apenas esse padre ainda que se poderia compreender, mas as coisas estão a nível geral muito mais vulgarizadas.

Sou catequista de 10º ano.

São 30 jovens que se vão crismar.
O pároco que assiste a nossa comunidade, gosta das coisas com o seu sabor natural, bem fundamentadas.

Na reunião de avaliação dos documentos levantou-se uma dúvida quanto ao padrinho de um dos meus catequisandos. O homem é solteiro, mas segundo a mãe do catequisando reside numa paróquia vizinha em união de facto e tem dois filhos. Foi a própria mãe a alertar o Padre da nossa paróquia, que lhe respondeu que teria que arranjar outro padrinho.

Desconheço os pormenores, mas recebi um papel autenticado pelo padre da paróquia onde reside, autorizando-o a ser padrinho do jovem. Parece-me bem mas tanta contradição em tão pouco espaço de tempo "dá a volta ao estômago."

Acho que não é por viver em união de facto que deixa de estar apto para ser padrinho , e quem me conhece sabe que penso mesmo assim, o que me espanta aqui é a hipocrisia.

Andamos nós catequistas a tentar transmitir a doutrina de cristo com alguma seriedade, e também bem sei que uma coisa é a lei de Jesus e outra é a da igreja para que seja a própria hierarquia da igreja a nos desautorizar.

Seria mais coerente alterarem as leis da igreja, deixaríamos de fazer figuras tristes em frente aos catequisandos que passariam a encarar a catequese com alguma seriedade.

Fiquei desarmada quando uma pessoa ligada a todo este processo de crisma me disse que o tal padre da paróquia vizinha passa tudo o que pedem pois até é formado em direito canónico.

É por consideração ao pároco da nossa comunidade e de certa forma aos jovens que acompanhei, que os levo até à data do crisma, mas o que me apetecia fazer era mesmo ficar já por aqui.

Mas posso afirmar que catequese nunca mais.

Conheço algumas realidades em que se vive a fé cristã, julguei que a igreja católica seria a mais coerente e aquela que nos ajudava a encontrar com Jesus sem aquela pressão psicológica imposta por outras organizações religiosas, talvez seja também a mais "hipócrita".

PR

Confessionário disse...

PR, não é a mais hipócrita, a sério que não é.
Mas tem muitas fragilidades... e ainda está muito fixa no institucional...
De qualquer modo, nós pregamos a Igreja de Cristo e ela supera todas as nossas contrariedades, dificuldades, barreiras, hipocrisias... força. Não te centres no que sentes, mas no que Deus espera de ti.

Paulina Ramos disse...

Acredito que acada um de nós cabe unicamente fazer o bem…
Não para merecer o céu (o céu não se ganha não se perde e muito menos se merece ou deixa de merecer) mas para tornar suportável a passagem na terra.ada um de nós cabe unicamente fazer o bem…
Não para merecer o céu (o céu não se ganha não se perde e muito menos se merece ou deixa de merecer) mas para tornar suportável a passagem na terra. É isso que Deus precisa que cada um de nós faça.
Forte e terno abraço!

Anónimo disse...

Concordo plenamente com a catequista PR, a hipocrisia que se transpira, dá volta até o estomago de um sapo! Também este ano irei meter ponto final.

Anónimo disse...


PR,

há quanto tempo não a lia... eu que acho sempre o seus comentários pertinentes. É complicado manter-se ligado a uma religião onde discordamos de tanta coisa, onde temos tantas vezes que separar o trigo do joio...

Conf.

"Não te centres no que sentes, mas no que Deus espera de ti." vou tentar lembrar-me deste conselho, nem imaginas o sentido que isto me faz...

SL

Confessionário disse...

14 junho, 2018 14:37
Mas vais por um ponto final em quê? na tua relação com Deus?!
A nossa relação uns com os outros nunca foi fácil. Com Deus tb não. Mas o pior que pode aconetecer é desitirmos de manter a nossa relação com Ele, com o nosso pequeno contributo para alguém mais O amar.

Anónimo disse...

... ponto final... na relação com DEUS, por causa das pessoas?


Aqui na minha terra tem uma frase que diz assim: "Quem saiu da Igreja por causa das pessoas, nunca entrou por causa de DEUS!"


Desafios com pessoas e leis temos em todos os lugares... Por que então não deixamos de ganhar nosso dinheiro quando no trabalho remunerado são tantos os que nos tiram a paciência?

Paulina Ramos disse...

Boa tarde,

Acho que o ponto final a que o anónimo se refere será idêntico ao meu.

Nada tem a ver com essa Força que nos dá vida, mas sim com toda a hipocrisia que reina na igreja e que desautoriza ou ridiculariza o trabalho do catequista.
É quando não lhes convém dar explicações apontam a nossa ignorância como causa.

Há pessoas podem ter todas as licenciaturas possíveis, ser padres ou não mas não passam de ignorantes da Vida, vivem de uma forma tão promiscua que perdem a credibilidade própria e conduzem os menos bem informados a perder a confiança na própria Igreja.

Normalmente essas pessoas consideram-se os bem conceituados e sabedores até daquilo que nunca vivenciaram.

Confessionário disse...

Paulina, desculpa insistir... pois mesmo assim não se deve desistir de dar a catequese, de testemunhar, de viver a fé na comunidade!...
Imagina o que seria se eu, porque também não concorde com o bispo, ou com os colegas, ou com a hieerarquia toda, deixasse de celebrar, de pregar, de testemunhar?!...

Paulina Ramos disse...

Que Ternura despertou em mim a tua insistência!!!

Hei-de falar do Amor da ternura da liberdade (Deus), enquanto respirar, se faltarem as palavras usarei os braços e abraçarei, distribuírei sorrisos gratuitos, usarei um ou dois quilos de arroz, de açúcar ou um litro mel, posso usar também as alfaces morangos ervilhas e cenouras do meu quintal...

Deixarei o "cargo" dos homens, sem dúvida, mas jamais deixarei o de Deus.
Sinto a leveza da liberdade, depois de me decidir deixei de sentir o jugo dos homens.

Acredito que quem não se sente confortável é que muda, eu mudei. E não estou "chateada" com ninguém em particular, estou a seguir o que me diz o coração.

Isto de ser igreja tem muitíssimo que se lhe diga.
Não é por deixar de dar Catequese que deixo de ser igreja...

Obrigada pela sensatez das tuas palavras e até um dia destes.

Um terno abraço.

Anónimo disse...

Sim Paulina Ramos, o "ponto final" a que me referi é sem dúvida idêntico ao teu e até me revejo no teu ultimo comentário: "sentir a liberdade da decisão e não sentir o jugo dos homens"...e também nao saio chateada com ninguém, mas é necessário estarmos onde somos felizes!

JS disse...

No caso de transferência de baptizados, é verdade que a questão da preparação costuma baralhar-se um pouco.
Por um lado, faz sentido a formação ser feita na paróquia onde o baptismo será celebrado, porque se pode melhor enquadrar as circunstâncias da celebração prevista e os temas/sinais que o celebrante irá privilegiar no decurso da cerimónia; por outro, também bate certo que a preparação decorra na paróquia onde se reside, em cuja família cristã local é-se suposto estar integrado e em cujas celebrações se participa regularmente.
Com a sobrecarga de trabalho dos párocos e não se justificando a sobreposição de preparações, na prática acontece que os senhores padres acabam passando a batata quente um ao outro, esperando cada um que do outro lado seja assumida a responsabilidade das reuniões de formação. E as famílias, no meio da confusão, acabam passando por entre os pingos da chuva, apresentando-se à celebração sem terem tido a oportunidade de fazer uma caminhada mínima que as ajude a viver aquele momento de forma mais convicta e comprometida.

JS disse...

Também pode haver razões válidas para que os encontros formais sejam dispensados: o padre pode estar a acompanhar aquele casal já há algum tempo (e.g. o namoro surgiu no grupo de jovens da paróquia, frequentaram o curso de noivos ainda recentemente, ou estiveram em formação para o Crisma, tratou-se de uma gravidez de risco e o pároco foi sendo visita regular...); o casal pode ter feito uma preparação baptismal recente, para um filho anterior, ou porque foram padrinhos há uns meses atrás.

É de lembrar também que toda a comunidade cristã é desafiada anualmente a fazer um percurso de cariz baptismal: essa é uma das dimensões fundamentais do tempo da quaresma e das celebrações pascais. Algumas comunidades têm a alegria de acompanhar catecúmenos e de com eles aprofundar o sentido e significado da opção pelo Baptismo. Em outras comunidades ainda, os baptizados de crianças ocorrem com alguma regularidade no decurso da celebração dominical, dando a oportunidade à assembleia de sentir e ser parte activa da graça de Deus transbordando do seio da Igreja. Tudo isto é aprendizagem, formação "in actu".

JS disse...

"...prevista uma dessas preparações em tal data que, aliás, era posterior à data do baptismo". Curiosamente, a situação poderá não ser tão descabida como parece à primeira vista. Porque a prática milenar da Igreja propõe efectivamente o encontro também depois do Baptismo, o chamado tempo da mistagogia, do saborear o que se recebeu e do concretizar a resposta/compromisso eclesial.

No caso de crianças baptizadas, esse momento da caminhada poderia traduzir-se, por exemplo, numa cerimónia de apresentação solene à comunidade (quando o baptizado aconteceu em cerimónia reservada à família) ou através de um encontro convivial dos casais que baptizaram seus filhos ao longo do ano decorrido. Ou de algo tão simples como vir mais tarde à igreja e deixar a foto e nome da criança no quadro junto da pia baptismal (como já se vai vendo em algumas paróquias), e que serve ao mesmo tempo para a família expressar o seu agradecimento e a comunidade manifestar o seu acolhimento.

Anónimo disse...

O problema é quando o próprio padre precisava que lhe fizessem uma preparação de baptismo. Para saber lidar com os nervos mesmo quando a idade não perdoa...
https://www.youtube.com/watch?v=Lm5NA-8Tz9Q

Confessionário disse...

JS, obrigado pelos comentários.
Eu tb já fiz algumas preparações pós baptismo.
Para mim nem se trata de uma questão de preparação ritual, mas sim de uma preparação espiritual, ou seja, que se preparem de verdade para um acto autentico...
Obrigado pelas ideias..

e, claro pela partilha do vídeo... Ó Meu Deus!!!