sábado, setembro 26, 2015

ùltimas aves [poema 71]

Há também aves que não são pássaros
Porque rastejam e não voam
Debicam onde podem como podem
Fazem votos de poder e responder
São castas estas aves sem penas
e sem asas, sem espaço para voar.
São aves comidas por outras aves

5 comentários:

Coruja Sábia disse...

Um albatroz voou sobre o mar
E encontrou um homem pensativo sentado á beira das pedras negras, o albatroz seguiu a brisa, assim chegou mais perto do homem. Reposou o corpo a uma pedra ao lado e ficou a vê-lo

Coruja Sábia disse...

Continuação:
Dentro da mente daquele pássaro os pensamentos voavam. O homem vestido de negro escrevia com agilidade os seus versos presos. Ajeitava os óculos perfeitamente, passando a caneta em um papel, sentado, calmo e muito pensativo. O albatroz reparou que era um humano vivido. A face branda da alma calejada. Pobre e inofensivo albatroz mal sabe de nada. O observou mais um pouco e depois abriu as assas em voo. Ficou pairando sobre as ondas, violentas que batiam nas pedras, ou reparando na espuma feita por elas. E lá ainda o homem estava. Quieto e parado com os pensamentos de um poeta, isto é fato...A ave desceu ao mar e repousou nas ondas. Mas em uma fração de segundos o olhar da ave cruzou com o do homem sentado sobre a pedra. E um tinha o outro no olhar, o albatroz voou, subiu alto perto dos rochedos. E desceu ao homem resolvendo se aproximar, ele pousou sobre seus papéis, e o homem com raiva sacudiu os braços para amendrota-lo, mas o albatroz ainda o estava a olhar. Curioso, olhou os versos do homem, e o senhor pegou os versos e os colocou na bolsa. O albatroz pensou ''A pessoas com almas de pássaros, mas não se jogam ao mar. E a outras que tem alma ardilosa igual a ave de rapina. E existem pássaros, iguais a mim que por dentro a alma é humana.'' O albatroz virou seus olhos negros ao mar, feroz e frio. Ao longo horizonte. Lembrando como foi dificil levantar voo sozinho. Vendo a plenitude do seu pequeno corpo a imensidão do mar. O homem observou o pássaro sem nada entender. Porque os dois não falavam a mesma língua. Ele era um humano, já o pássaro um animal, mas sua alma sempre foi humana. O albatroz e o homem se olharam, sem nenhuma palavra naquele momento. Os dois conversavam, não pela boca, mas pela alma. E o homem compreendeu que o albatroz o havia inspirado liberdade para sonhar os seus sonhos. E que o homem ensinou ao albatroz a lei da força do amor divino. Logo ele abriu suas asas e voou sobre o mar agora com mais coragem do que antes.

Anónimo disse...

TRÁFEGO AÉREO

Vento lento, lento
Lento vento, entro
Voar é um estremecimento
De asas em cima do chão

Vento entre, entre
Entre vento, tremo
Voar é um estremecimento
Nas garras de um falcão

Vento rente, rente
Rente vento, tento
Voar é um estremecimento
De asas acima do chão

Vento mente, mente
Mente vento, mudo
Voar é um estremecimento
Com risco de colisão

Vento muda, muda
Muda vento, sente
Voar é o estremecimento
De uma pena na mão

Anónimo disse...

Estes dois últimos poemas fazem muito sentido. Vivemos numa época em que uns vivem à custa dos outros explorando-os. NUnca se falou tanto de corrupção. Que pena.

Paulina Ramos disse...

Bom dia
Há tanta gente que existe sem viver.
Talvez por falta de coragem de ousadia
ou apenas de oportunidade para enfrentar as outras aves por quem hão-de ser comidas.
E vão percorrendo o caminho da melhor forma que lhes é possível, pois sem espaço,sem penas sem asas é mesmo impossível voar.
Um poema tão real que toca a "áurea" da crueldade.
Todos deveríamos ser pessoas humanas e humanizadas o suficiente que não impedir ninguém de efectuar o seu voo pessoal.
Sinto como próprio o sentimento daqueles que rastejam daqueles que não têm asas nem penas porque lhes foram cruelmente arrancadas.
Este poema revolta-me por senti-lo uma retrato fiel da vida do dia a dia.
Que pena que assim seja.