sábado, janeiro 24, 2015

os funerais mais assim

Ora pois bem, hoje aprendi quais os requisitos necessários para que um funeral de um ente da nossa família seja àquela hora que se quer, na forma celebrativa que se quer, mesmo que isso implique e complique com a vida e os programas de vida e missão do pároco. Eu sou de opinião que isto se resolvia rapidamente com uns clones de padres. Vá, para falar com mais caridade, isto resolvia-se era com mais vocações sacerdotais. Mas para tal acontecer também era necessário que houvesse uma maior consciência desta necessidade por parte dos cristãos. Quer-me parecer que os nossos cristãos não precisam muito de padres. Precisam é que eles façam o que eles querem ou precisam. E assim, do outro lado do telefone se ouviu um Senhor padre, faça lá o jeito pois eu sou catequista na minha paróquia. Portanto, meus amigos e amigas, se quiserem ter o que pretendem do padre, basta serem catequistas. Eu até entendo o que a senhora, no meio da aflição, quis dizer. Eu até entendo que um catequista, sendo pessoa de fé, queira realizar toda a sua vida e a dos seus com toda a manifestação de fé possível. Porém, fazia algum sentido serem igualmente os primeiros a aceitar aquilo que é possível, manifestando que a sua fé não depende das circunstâncias, mas da sua relação com Deus. A minha resposta foi autêntica. Minha senhora, eu costumo fazer o melhor por todos porque todos merecem o melhor. E por ali ficámos, até porque para mim os funerais são sempre momentos de excepção complicados e sensíveis. Lá se encontrou a solução possível para ambas partes e tudo ficou bem. Aliás, a senhora no dia do funeral veio pedir-me desculpa pela forma como me tinha abordado.
Mas quando desliguei o telefone lembrei-me daquele colega que um dia foi contactado por um senhor da agência funerária para o informar, sem o consultar, que tinha um funeral no dia seguinte às 16h. O colega não esteve com meias medidas e respondeu-lhe que sim senhor, que não havia problema. E naquele exacto momento concedeu autorização ao senhor da Agência para presidir às cerimónias exequiais do outro dia às 16h. Se foi ele a marcar, que fosse ele a presidir. O padre dava-lhe autorização.

22 comentários:

Anónimo disse...

"Portanto, meus amigos e amigas, se quiserem ter o que pretendem do padre, basta serem catequistas."
Sarcástica e deplorável esta tua afirmação.
É como meter todos os padres na mesma sacola.
Olha que desde pedofilia à prostituição as sacolas são bem grandes e diversificadas, se mais não vem a público é porque as instâncias maiores não o permitem.

Sou catequista, nunca pedi nada semelhante ao padre que "faz serviço" lá na paróquia onde moro e adianto-me a dizer que é para ele "enquadrar" dentro da disponibilidade.

Foi a primeira vez que fiquei com o "estômago embrulhado" ao ler um post teu.

Dirás "há sempre uma primeira vez" ou então "problema teu" ou ainda paciência este espaço é meu e escrevo nele o que me aprouver, terás toda a razão, no entanto apesar de não te conhecer pessoalmente não te imaginava petulante e grosseiro até.

Tens toda a razão quanto ao assunto em questão no entanto a forma como o abordaste foi detestável, na minha opinião é claro.

Desculpa por qualquer excesso da minha parte.

Confessionário disse...

26 janeiro, 2015 10:34

Sarcástica poderá ser; deplorável depende do ponto de vista.
Tu fixaste-te numa frase e quase lhe retiraste o resto do contexto. Parece que nem te interessou ler o que estava a seguir e como tudo se resolveu e ficou em paz.

Mais, penso que é um exagero da tua parte essa referencia sobre o meter toda a gente na mesma sacola. Se leres outra vez se calhar vais ler de outra maneira. Experimenta ler sem pensares que se dirige a ti, catequista. E tenta dar mais atenção às frases que se lhe seguem e que são a resposta a esta frase mais forte ou provocativa. E experimenta ler o texto sem essa frase(de facto dir-se-ia tudo na mesma, reconheço!). Mas tb a mim se me "embrulhou o estomago" quando a pessoa alegou que queria o funeral assim insinuando que era catequista.

Mas tb é apenas o meu ponto de vista. E tb posso ter-me excedido ao usar e aplicar esta frase.

Eu mim disse...

Infelizmente há cada vez mais falta de vocações... não só sacerdotais, mas de tudo um pouco.
As pessoas hoje em dia parece que esquecem a Fé e a razão porque prestam serviço na Igreja. Ora, no meu caso, se quiser alguma coisa à hora que quiser e bem entender, usando a lógica dessa paroquiana, ser catequista, comparando com tudo o que faço, não chega!! Ora bem:
Sou catequista, dou aulas de viola lá na paróquia, sou coordenadora de um grupo coral infanto-juvenil, quando é preciso ler, leio, estou gerindo a pagina do facebook da paróquia, etc,etc...
Pois ao ler a reação da paroquiana pergunto-me:
"Mas então, por que ou por quem fazemos tudo isto?"
Fazê-mo-lo "por amor À camisola", Por amor a Cristo ou para que o Padre nos faça um favor quando queremos?! Estilo: Ó Senhor Padre... uma mão lava à outra!
Acho que a cada dia que passa, deixa-mo-nos envolver cada vez mais pela necessidade física das coisas e deixamos a espiritual de lado.

Confessionário disse...

Eu mim,
ora aí está o que eu pretendia dizer: quando se pede alguma coisa não se deve pedir porque tb fazemos isto ou aquilo, como uma negociação.... e quanto mais fé temos, mais descobrimos que não deve ser assim

Anónimo disse...

Realmente quem ler este post com "Fé" verdadeira, percebe muito bem.
Pois se nós que fazemos parte dos leigos que estão ao serviço de Deus e da Igreja,com fé claro, temos "obrigação" de contribuirmos com a nossa maneira de ser e de pensar, que TEM que ser diferente daqueles que, como dizem "á têm a fé deles".
Mas se estamos ao serviço com verdadeira Fé,percebemos, e bem, este post.
Desculpe o anónimo do primeiro comentário, mas "detestável", não terá sido um termo muito provocativo?
Acho que deves ler outra vez, com mais atenção, como te aconselha o autor do post...
Mas Deus tudo Ama e tudo Perdoa.

Anónimo disse...

Olha Confessionário por aquilo que me é dado ver na minha paróquia e noutras em redor,e este post e as reacções que ele tem suscitado, é disso também mais uma confirmação.As pessoas que tinham a obrigação de ser um pouco mais esclarecidas na fé, são aquelas que mais nos desapontam!

Anónimo disse...

Desculpa a franqueza, mas também eu não entendi a razão por que recebeste de forma tão reactiva o pedido da senhora catequista enlutada. Vivemos num país em que a cunha é quem mais ordena, pedimos a todos os santos que metam cunhas a Deus, e, em momentos tão delicados como o que descreves, dói saber que não podemos contar com uma simples cunhazita do senhor padre. Custava-te assim tanto ginasticar uma ou duas horas do teu dia, entrelinhando na agenda preenchida aquela cerimónia fúnebre assim e assado? A mais, sendo a senhora quem é - UMA CATEQUISTA, bolas! - devias saber que é pessoa acostumada a tornar possíveis os impossíveis. A senhora puxou dos galões, porque a coisa estava preta. Pudera. Mas tu ergueste logo o estandarte “eu cá sou padre… todos iguais… todos merecem o melhor… blá-blá-blá… e a fé e tal…” quando o que a pobre queria (e merecia) ouvir nessa ocasião era: “Catequista? Minha senhora, tratamento VIP assegurado”. Foste muito insensível e - ainda não estou bem certa desta - parece-me que também caíste no pecado da soberba. Foi, foi.

Confessionário disse...

26 janeiro, 2015 18:07
"E por ali ficámos, até porque para mim os funerais são sempre momentos de excepção complicados e sensíveis. Lá se encontrou a solução possível para ambas partes e tudo ficou bem. Aliás, a senhora no dia do funeral veio pedir-me desculpa pela forma como me tinha abordado."

a resposta está nestas frases. E mais não digo, para que não pareça soberba!

Anónimo disse...

A resposta foi esclarecedora e o silêncio muito eloquente. Já percebi:
Se para ti os funerais são sempre momentos complicados e sensíveis, é porque neste foste sensível;
Se lá se encontrou a solução possível para ambas as partes, é porque lá fizeste um funeral mais ou menos assim dentro do possível;
Se a senhora no dia do funeral te veio pedir desculpa, é porque era ela quem estava errada e tu estavas certo!

Anónimo disse...

Parece-me que as pessoas podem pedir o que quiserem ao seus padres. Afinal vivemos numa democracia. E os padres só têm que aceitar. Os teus paroquianos podem dizer o que quiserem. Tu é que não. Amigo padre, tu não podes usufruir da democracia porque és padre!
percebeste?!!!

Confessionário disse...

26 janeiro, 2015 22:58
era sarcasmo, certo?

Anónimo disse...

Bingo!!!

Anónimo disse...

Então reverendíssimo? Não tem um diácono para o trabalho sujo?!
Sonia

Confessionário disse...

27 janeiro, 2015 14:22

Trabalho sujo?! Não sei a que te referes. Para mim, embora haja alguns trabalhos mais difíceis e penosos, não há trabalhos sujos para Deus!

Anónimo disse...

Penso que há aqui comentários de pessoas que nem sequer sabem do que estão a falar...como se falar das coisas de Deus fosse assim tão banal.

"Então reverendíssimo? Não tem um diácono para o trabalho sujo?!"

Por favor, os diáconos são pessoas que estão para colaborar e ajudar os padres (que infelizmente não podem estar em todo o lado)e não para fazer o que eles não querem.

Anónimo disse...

Meu Deus!!! Será que a nossa Fé é tão mesquinha!... Não somos capazes de aceitar uma contrariedade que Deus envia seja através de quem seja? Penso que qalguns dos nossos comentadores já ultrapassaram o risco e a boa educação!... Que Deus transforme estas mentalidades banais
em Amor, mais Fé e caridade. Penso que isto nos falta quasí a todos. Vamos acabar com a guerra!... Vamos rezar pela Paz, até entre catequista e Padres...
Que a paz de Deus desembrulhe os nossos corações e nos embrulhe no Amor. Assi seja!!!...

Anónimo disse...


"Os funerais mais assim"
Isto deu que pensar, rezar e amar.
Vamos todos comentadores e proprietário do blogue assumir a nossa responsabilidade com energia e humildade, porque a falta dela,só
leva ao desendimento...
Bj.

Anónimo disse...

Para Deus não há trabalhos sujos. É verdade.
Mas custa-me o seu desabafo exemplificando com um caso tão extremo como a morte de um ente querido.

Confessionário disse...

27 janeiro, 2015 17:16

Porque é que o meu desabafo-reflexão há-de ser entendido como se eu pensasse no funeral como um trabalho sujo?! Haja paciência, de facto. Realmente, apetece-me fazer de santinho e dizer que realmente eu sou o mau da fita. Peço perdão a Deus pelo dano causado! Ora bolas. Haja paciência. Eu não posso dizer o que senti nessa ocasião (mesmo que depois tenha feito todos os esforços para encontrar um meio termo; como a senhora que é catequista fez igualmente). Obrigado, Senhor, por todas as ocasiões-oportunidades em fazer-me mais humilde e mais paciente!

Confessionário disse...

Não levem a mal o que vou dizer, mas alguns dos comentários deste post só me fazem lembrar daquelas pessoas que quando morrem são as melhores do mundo, embora tenham sido ruins durante a vida. Porquê? Pelo simples facto de que morreram e na morte temos de ser solidários até esse ponto.

Eu ouso repetir que fazer funerais é-me das coisas mais difíceis porque das mais sensíveis. E tenho sempre em atenção isso, independentemente da classe, raça e o que seja. Mas não me peçam para não dizer o que disse neste post. Além disso, como disse acima, experimentem retirar a frase que a 1ª comentadora referiu. Talvez consigam ver para além dela. Obrigado a todos.

Anónimo disse...

Ainda não entendi o porquê de tanta dificuldade em entender o que o padre quis dizer!
Tivessem alguns um batizado marcado com o padre e este lhes dissesse que não podia porque tinha um funeral para fazer porque uma catequista lhe pediu àquela mesma hora, e logo os comentários seriam diferentes. Também lhe digo, padre, tenha paciência.

Anónimo disse...

Reverendíssimo, por favor leia o seu post. Fez uma reflexão donde extraiu um conjunto de conclusões sobre "os cristãos" que são tão justas como qualquer lugar comum que lhe possa dizer sobre o trabalho dos padres. Soa-me a conversa de café entre sacerdotes.
Não estou a fazer juízos de valor sobre si mas sobre este post em concreto.
Numa coisa tem razão. Precisamos de mais padres. Principalmente daqueles que têm vocação/paciência para pessoas. Porque daqueles que passam a vida a suplicar por um trabalho na cúria ou para ir estudar para Roma já estamos cheios.
Sonia