segunda-feira, novembro 02, 2009

Vocações sacerdotais, quando?

Não vou falar do que penso. Vou só constatar a realidade. Tal como a constata o meu olhar. Digam que é apenas um olhar, que eu respeito. Mas é um olhar que existe.
O número de paróquias não diminui. Só diminui o número de pessoas em cada paróquia. Por outro lado, o número de sacerdotes diminui substancialmente. Logo, aumenta o número de paróquias e de serviços por sacerdote.
Geram-se novas angústias nos sacerdotes. Cansados. Esgotados em correrias, em faltas de compreensão, em multiplicar de exigências da parte das pessoas. Estigma do funcionário/profissão. Celibato. Falta de tempo para a oração. Para si próprio. O problema acresce porque alguns não aguentam e desistem. Lembro o mais recente colega que já não está ano activo. Estou a pensar noutro que já teve o casamento civil marcado. O problema agrava-se porque diminui o número de sacerdotes e a regressão aumenta. Muda o número de participantes nas eucaristias. As pessoas emigram de diversas formas. Os paroquianos diminuem. Um problema de natalidade, sobretudo. Missas com menos gente. Há-as com 30, 40 pessoas. Não podiam juntar-se?!
Muda muita coisa. Fora e dentro da igreja. Novos confrontos. Novas necessidades. Um evangelho a actualizar. Mas as atitudes dos cristãos continuam as mesmas de há vinte ou dez anos atrás, quando tinham o pároco na paróquia, sem grandes serviços, disponível para ouvir, para presidir a todas as celebrações, litúrgicas ou não, com tempo para inventar festas e procissões, para confessar, para conviver com as pessoas, embora se calhar hoje os padres convivam mais com as pessoas, digo eu. Recorrem ao padre quando precisam, e exigem-lhe, porque se entregou gratuitamente em favor do reino, que esteja na gaveta ao dispor. Abre-se e fecha-se a gaveta consoante as necessidades. Ate aceito. É para as necessidades que ele tem sentido. Mas, se têm celebração da Palavra é porque não deviam ter. Se a procissão foi mais curta o padre faz-nos perder a fé. Se o casamento não é assim ou assado, este padre não presta. Se vai exigir-se uma catequese organizada, coerente e séria, são exigências, e desistimos. Se faz algo formativo, não é para mim, pois também não tenho tempo. Se não faz, não se dedica às pessoas. Não quer saber. Se é obrigado a acabar com alguma coisa, não quer trabalho. Se não possui tempo, não quer saber de nós. Se come com este, tem preferidos. Se não come em casa de ninguém, não é sociável. As atitudes são as mesmas de há vinte anos. E depois a Igreja não evolui.
Sabem de um coisa? De vez em quando, ocorre-me a tentação de desejar ter nascido uns vinte anos antes.

36 comentários:

Confessionário disse...

Este texto que agora publico trata-se de um arquivo antigo. Talvez fosse mais actual aqui há uns dias atrás. Hoje até nem me apetece muito andar a pensar nisto. Mas para não vos deixar sem algum textito, acabei por publicá-lo. Como para a semana será a semana dos Seminários, achei que esta reflexão poderia ser oportuna.

Vou de retiro. Estou mesmo a precisar umas respostitas. Tenho umas conversas com Ele para por em dia. Por isso vou estar ausente uns dias.

Tb informo que já há usn tempos que tenho o desejo de melhorar esta nossa casa, sobretudo em termos gráficos e de imagem. Mas falta-me o tempo. Quase me apetece dizer "caramba". Até porque tinha prometido a mim mesmo que este ano sacerdotal iria dedicar mais tempo a este espaço! e tem sido o contrario. E é mesmo uma pena, porque este espaço quase funciona como o meu local de encontro com Deus em mim. O meu espaço das meditações.

Enfim... peço a vossa compreensão. Pode ser que depois do Retiro e depois das muitas coisas que tenho de fazer, consiga...lol

Aguardo tb, e então, sugestões vossas para melhorar este espaço!

Um abração ou beijão para todos.

bunny disse...

Concordo com muito do que diz e como Paroquiana que sou admito que isto acontece. Mas nem com todos. Tenho um Paroco que tem 2 paroquias nao muito grandes e para alem de celebrar eucaristias nao faz mais nada. Não comparece a reuniºoes de cateuqistas, jovens, leitores....nada. Quem quiser falar com ele tera de is a Igreja depois da missa ja que ele nem sequer mora em nenhuma das paroquias....É anti procissoes e tradiçoes - e olhe que aqui nao ha nada de extraordinario para cumprir- nao sugerer nada de novo e celebra missa hoje, 2 de Nov , 2a feira dia de trabalho normal as 11.30 da manha porque nao celebra missas a noite...Enfim Padre peço desculpa o desabafo, mas nem sempre os Padres são como descreve. Mas olhe que tambem conheço uns assim que cansados e esgotados pensam em desistir...

Bom retiro e que Ele lhe de as respostas que necessita!!!

noctivaga disse...

Que tenha um excelente retiro.

Moçambicano disse...

Bom Dia, Caro Amigo P.e "Confessionário".

Tinha algumas coisas para dizer, mas ficam para depois do Retiro.

Bom "Encontro"!

Nós cá estaremos a "torcer".

Um grande abraço, para Si e para Tod@s que por aqui passam!

Anónimo disse...

Então que o retiro lhe proporcione a oportunidade de pôr as conversas em dia com Ele e que seja retemperador.

Anónimo disse...

Olá Bom dia Caro Padre,
Eu dou muito valor aos padres, pois os paroquianos culpa-nos por tudo...bem basta tudo o que têm que aturar.Deus abençõe todos os Padres e lhes dê força para levarem o seu ministério em frente.
Mas a vida de um paroquiano também não é mais facil...quantas vezes se é vitima de mentiras, quando estamos a servir de coração, e temos que abandonar tudo aquilo que mais gostamos, e o dom que nasce connosco de servir a Deus, em prol daqueles que dizem mentiras para que são bem vistos pelo pároco e que escodem uma pele de lobo com uma de cordeiro...
E tanto mal estão a fazer á paróquia e até ao próprio pároco.
Força para o nosso pároco...e para todos os padres...
Um bom retiro....e peça por todos nós....

Anónimo disse...

Confessionário
Este é um bom tema para reflectirmos. Não sei o que vou dizer sobre ele, mas é verdade que me toca muito de perto. tenho uma experiência de vida que passa muito por ele. Se o Confessionário tem aí uns 48 anos, está a falar ou ouvir quem nasceu uns 20 anos atrás. E como o senhor, em pequeno sonhou, verdadeiramente, ir para o seminário, para ser padre.
E , apesar de todas as dificuldades, tudo se resolveu, como que por encanto,até um "beifeitor" apareceu para me pagar os custos, que não eram pequenos.
No dia 7 de Outubro de 1953 lá vou com meu pai, todo contente, uma mala com meu enxoval, de camioneta e depois de comboio, até Ermesinde. Colégio/Seminário da Formiga. Um deslumbramento. Éramos mais 100, os do primeiro ano. Ali começou o longo itinerário que, passando por outros dois, no porto, havia de desaguar no seminário diocesano de teologia, na Sé.
Era o tempo em que tudo parecia estável e bem arrumado. O sacerdócio era um ideal. Uma consagração ao serviço de Deus e dos irmãos. Exercida

Anónimo disse...

Dou-lhe toda a razão. As pessoas são muito exigentes.

Muito fazem os Padres. Não sei como aguentam!!!

Maria

António Valério,sj disse...

São preocupações muito reais, e partilho-as. Um dos modos de olhar o que acontece pode ser o não deixar cair os braços, desanimar, ou então fazer de bombeiro que tem de fazer tudo. Se os tempos são estes, a Igreja também é esta, em crise, é certo, mas com algo a dar. O mundo precisa de ser acolhido. Se cada cristão acolher, sem querer impor, é já uma transformação.

Rezo pelo seu retiro e agradeço muito a partilha.

Obidense disse...

sr. padre mais uma vez estou em total acordo consigo , esta sua visao das coisas apesar de nao ser nova e bastante actual , cada vez mais se nota isso a padres que tem 7 paroquias , como e que se pode chegar a tanto , as pessoas nao sabem o que e a vossa vida , pensam que os padres sao super , mas nao , sao humanos e tem fragelidades. um abraco

padredanyel disse...

Fico a pensar em outros padres. Aqueles que a própria igreja os excluiu: porque cantam, animam as celebraçoes,poruqe sao diferentes, estrangeiros... porque receberam outra formaçao ou porque são brasieliros. Aqueles que vivem e evangelizam de um modo diferente.
Conheço um, ainda jovem, cheio de forças, dinamico; mas nao serve: é por demais animado para a igreja. Vive como leigo... sozinho e quase abandonado.

Fa menor disse...

O tempo anda de mal connosco ou somos nós que andamos de mal com o tempo? Também me pergunto algumas vezes: o que é que motiva as pessoas... e o que é que as desmotiva?
Se calhar, andamos em busca da perfeição nos outros para compensar as nossas imperfeições...

Bom Retiro!

Beijos

teresa disse...

olá padre amigo , pois é , aqui é o mesmo , dizem a mesma coisa do padre .
é realmente uma situação complicada , dificil de gerir , pois não se pode agradar a todos .
por isso vá agindo da forma que o seu coração manda .
e peçamos a deus que o guie no seu caminho .
espero que este retiro lhe faça bem , e que consiga encontrar as respostas as suas perguntas .

abraço amigo .

JS disse...

Ai os tempos de antigamente! Faz lembrar o outro: "Oh, porque é que saímos do Egipto, onde havia pão com fartura e panelas cheias de carne..."

Maria disse...

Padre
Espero que consiga descansar o suficiente e aliviar um pouco das responsabilidades do dia a dia. Que o vosso retiro seja frutuoso. Compreendo as vossas dificuldades e admiro-vos por isso. Quando é que as pessoas entenden que os padres também
são de "carne e osso", para usar uma expressão da minha terra. Não é só no Portugal interior que se encontra a falta de apoio dos católicos aos seus padres, nas cidades também, só que aqui normalmente só têm uma paróquia. A população está envelhecida e os jovens são poucos. Frequentam a catequese, quando muito fazem a 1ª. comunhão, a profissão de fé e afastam-se. Poucos ficam. As missas ao Domingo têm poucas pessoas, especialmente as principais do meio-dia e das sete da tarde, aqui na Paróquia a que pertenço,e não é por falta de dinamismo e inovação do pároco e dos outros padres da comunidade dos missionários capuchinhos. As pessas não vão. Por exemplo entre 50 pessoas, só 15 serão jovens e casais novos. Há pouca preocupação dos leigos no apostolado, acham que vão à missa e isso lhes chega. Mesmo as próprias comunidades de leigos são pouco intensas e compostas de pessoas já
com alguma idade.Enfim...

Que a graça do SENHOR desça sobre
vós. Um abraço amigo.
Maria

Sónia disse...

Caro amigo!

Tb eu ando a precisar de um retiro mas falta-me o tempo..!
o meu retiro ultimamente tem sido tb o meu blog e nem p ele agr tenho tido tempo..
enfim, aproveita tu esse tempinho, que é precioso!

qto ao texto, é triste a realidade, mas é assim em td na vida. As pessoas nunca estão satisfeitas com nada. A vida é uma incessante procura, e mta gente procura o desnecessário qd n tem nada de relevante p procurar...

um bjinho, com a paz de Cristo

Anónimo disse...

Tá a ver Padre, como eu tinha razão no post " Nem pensar" (sobre o Tiago).
Afinal, com 9 anos ninguém tem consciência e responsabilidade suficiente para entrar no seminário. As nossas convicções aos 9 anos não são as mesmas aos 18 ou 20...
Eu sei que terá muitos dias de indecisão... Isso só prova que não tem certeza absoluta da opção que fez.
Eu, sempre quis casar e constituir família, disso tenho a certeza!

Um abraço,

José Manuel

Canela disse...

Não há promessas de facilidade na Biblia!

A Biblia contem promessa de vida, abundância, felicidade... mas não fala de facilitismos!

O mundo é duro porque as pessoas têm o coração endurecido!
O mundo é o que as pessoas fazem dele!
Se nos amarmos uns aos outros verdadeiramente, estaremos verdadeiramente ao serviço uns dos outros, sem esperar nada em troca.

Desculpe amiguito...mas...sinto-o assim!

Anónimo disse...

Padre sempre q posso venho até aqui.Admiro o que escreve. Este tema " vocações sacerdotais" tinha pano para mangas, mas apenas quero referir que alguns padres não deveriam exercer o seu ministério, devido às suas atitudes e comportamentos.
Onde está o cumprimento dos mandamentos?Eles próprios deveriam seguir o exemplo de Cristo.
Muitos são pessoas revoltadas. Então onde está a sua vocação?Abraço

Mª José Tavares disse...

Tem razão.
De facto, nos tempos que correm é muito complicado ser Padre, como também o é noutras profissões. Os paroquianos cada vez são mais exigentes e insatisfeitos, talvez, como muito bem diz, a Igreja não evolui.
E este é o maior erro da Igreja.
Conheço um caso muito parecido com o citado por padredanyel e posso garantir que com a exclusão desse Padre a Igreja e os paroquianos ficaram mais pobres.
E agora se me permite, deixe-me enviar um abraço a PADREDANYEL, pessoa que conheço e que muito estimo.

joaquim disse...

Ora bem, meu amigo Padre “no confessionário”

De acordo com o que escreves sem dúvida, pois tocas em tantos aspectos reais da vida do padre secular e da vida dos paroquianos e paróquias que todos os dias vivemos.

Mas se por um lado há paroquianos que não “evoluíram”, também há alguns sacerdotes que continuam agarrados a tradições antigas, e não são os mais antigos, mas alguns bem novos e acabados de ordenar.

Se há paroquianos que apenas “se servem” da paróquia também já há muitos felizmente que querem servir a paróquia, assim como há sacerdotes que querem essa ajuda, a fomentam e distribuem responsabilidades, (não é isso que nos diz o Vaticano II?), outros há que querem ajuda mas só como eles querem, quando querem e sob as “suas ordens”, sem discussão, nem colaboração.

Claro que se um padre não tem tempo para si próprio, para alimentar a sua espiritualidade, se não tem tempo para a sua oração pessoal, para ler e se documentar, todos sabemos, que a sua vivência da fé se vai ressentir, e a sua missão vai ser muito mais coisa da sua vontade do que da vontade de Deus.

E esta é também uma realidade para os leigos fiéis, que se não têm vida de oração e de encontro permanente com o Senhor, também não serão os colaboradores empenhados na vontade de Deus mas apenas na sua própria.

Mas pergunto eu, em que circunstâncias e quando podem os leigos ouvir e aprender a sua missão de co-responsabilidade na Igreja e em Igreja?

Em encontros paroquiais ou diocesanos com certeza, mas que deveriam ser acessíveis a todos, (refiro-me a acessibilidade de entendimento), e sobretudo não serem, como tantas vezes são, longas reuniões de monólogos mais ou menos interessantes.

E as homilias servem também o desígnio de ajudando a meditar nas Escrituras, poderem ajudar a procurar a melhor e mais correcta maneira de viver a fé e de a viver em Igreja?

Pois é meu amigo, talvez a Igreja devesse ser mais rigorosa em certos aspectos, como a administração de certos Sacramentos, como o Matrimónio, ou o Crisma, e mais aberta no acolhimento às pessoas e àqueles que podem dar de si, muito mais do que lhes deixam dar.

Quantas vezes uma boa “palestra” dada por um leigo, testemunhando a sua vida no dia a dia não vai ajudar melhor os outros a confrontarem-se com as suas próprias vivências da fé?

E pergunto eu muito humanamente: será que a gestão dos recursos humanos, (entenda-se sacerdotes), é a melhor e mais bem feita, ou serve vontades e desejos humanos?

Não são alguns sobrecarregados, enquanto outros têm “estatuto” diferente?

Eu por mim, graças a Deus, vivo numa paróquia em que os sacerdotes se abrem á comunidade e a comunidade aos sacerdotes e que, não sendo tudo uma perfeição, não deixa de ser uma comunhão eclesial que vai dando frutos.
Houve um tempo em que senti a hierarquia mais próxima dos leigos, mas agora confesso que me parece haver novamente um certo distanciamento.

Com tantos e tão sucessivos ataques à vivência da fé, à vivência dos valores do cristianismo, sentimos, sinto eu talvez sozinho, uma certa falta de apoio e direcção nas posições que como cristãos e católicos devíamos tomar.

E não me refiro a guerras, nem confrontos, mas testemunho de presença, como ainda recentemente a Espanha deu.

Desculpa a extensão do comentário que algures se perdeu naquilo que se propunha dizer.

Abraço muito amigo em Cristo

disse...

Também a mim me apetece recuar no tempo… Vinte anos era pouco…

Cada um só dá o que tem… eu dou-Lhe a vida mas leva-a com todas as tribulações e desencantos…
Paciência:(((

Força:)

Bj

Confessionário disse...

Joaquim, já devias desconfiar que estou em muito de acordo com o que apontas... of course... of course.Eu nao sou exemplo para ninguém. Mas gostei de te ler.

Fernando disse...

Este é o tempo de mudança, acelerada, bem visível que nos envole já a todos.

A taxa de natalidade na europa está abaixo da manutenção das gerações nativas.

A sustentabilidade dos credos tradicionais está já em cheque. Os novos "invasores" com outros credos, mas maioritariamente monoteísta, posiciona-se nos países desenvolvidos com altas taxas de natalidade.

Conferências episcopais reunem-se e discutem (vidé em França reunida recentemente no Santuário de Lurdes). Lá um cardeal afirmou que por cada duas ordenações anuais morrem vinte. A mensagem saída de Lurdes foi basicamente a do cultivo da humildade na igreja, abstenção de conflitos políticos e oração. Por cá a ideia básica é muito semelhante.

Torna-se evidente que mais do que a crise nas vocações, as sociedades ocidentais estão elas mesmo no centro da crise. Atente-se para a destruração de muitas famílias, dos valores, etc.

A questão que deixo à discussão é a seguinte:
Será que as ideias do Concílio Vaticano II ainda estão actuais para responder às necessidades deste mundo em mudança ?

A paz de Cristo esteja com todos !

Anónimo disse...

Olá Conf.

Espero que neste retiro tenhas conversado bué com Ele, e que ele te tenha puxado as orelhitas se fosse necessário.

"Vocações sacerdotais para a a minha adeia."
Desculpa, vou dar-te este exemplo e até gostava me me ajudasses.

Somos uma comunidade bem pequenina. Os jovens que vão á missa serão cerca de dez, outros tantos passam o ano sem lá irem, de vez em quando lá aparece um. Quando se faz uma reunião debatem-se todos os assuntos, não é necessário fazer varias.Grupos de catequese: 2 cada um com um aluno. Acolitos: 3 e é uma guerra para continuarem a se-lo(20 anitos) Reunião de jovens só no fim de semana, e ás vezes são mais os que ficam no café doque os que vão. O nosso padre vai celebrar a missa duas vezes por mês.

Agora conf. Diz-me o que podemos fazer para dar mais trabalho ao nosso pároco.Ele Tem sete paroquias(todas pequenas, e quando eu digo pequenas estou a referir-me a 150 habitantes), já tem bastante trabalho. Mas o seu dia a dia mantem-se um pouco desocupado. Internamente nós já nos vocacionamos para diriguir um pouco a nossa aldeia para o acompanhamento aos idosos. Mas surge a pergunta: a nivel de igreja, o que pode-mos fazer?

Conf. todos nós temos uma luta. Mas quando toca a igreja, e serviço pastoral... não é facil.

Um abraço!

Alexandra

Anónimo disse...

O mundo mudou. Tanta coisa que parecia inabalável e indiscutível afinal, não é. Tudo tem de ser repensado. Até a forma de ser sacerdote. No fundo o que conta é a relação do homem com Deus. O sacerdote interpõe-se como um ajudante. Para ajudar tem de ter os pés assentes na mesma terra. Não pode ser ou parecer um anjo alado que estende as mãos ou lança a corda. Tem de estar mergulhado na vida. Não deve refugiar-se num regimento. No passado, parece que houve influência da vida militar na forma como o serviço sacerdotal se organizou. Seminários.Quartéis. Hierarquia militar. Hierarquia sacerdotal. Esquisito.E não pode ser.

Moçambicano disse...

Bom Dia, Caro Amigo P.e "Confessionário", Bom Dia a Tod@s!

Sobretudo após o Concílio Vaticano II, procurou-se formar Padres que por sua vez fossem "formadores de Comunidades". Acolhimento, Animação, eram termos que faziam parte do vocabulário.

Logicamente, o maior ou menor sucesso da Comunidade dependia das capacidades do Padre e da capacidade de resposta dos paroquianos (para já não falarmos do Bispo).

Agora, parece que - pelo menos em algumas situações -, torna a colocar um grande ênfase na capacidade de o candidato a Padre enfrentar o seu estado celibatário, quase em detrimento das suas qualidades humanas...

E a "cúpula" Vaticana "pisca o olho" à Fraternidade Pio X - excomungada por João Paulo II! -, em vez de - pelo menos casuísticamente -, analisar a situação de milhares de Padres casados. Só em Portugal penso sejam cerca de 400...

Toda a minha solidariedade e oração para Si e para todos os seus Colegas que procuram "resistir contra a maré". Há muitíssimos leigos anónimos (outros nem tanto) que estão convosco. Força!
E se algum "fraquejar" - e se casar -, só uma coisa lhe peço:
- Não "desapareça do mapa" e continue connosco a construir o Reino de Deus!

Um abraço a Tod@s!

Moçambicano

Confessionário disse...

Moçambicano, não sei que te diga. às vezes tb sinto isso: que há uma preocupação desmesurada pela qualidade sexual do candidato ao sacerdócio e não há alguma em relação à sua qualidade humana e de relações humanas.


Alexandra, porque não organizar momentos inter-paroquiais com qualidade? ...

Confessionário disse...

Ó teresa, mas eu, basicamente, já respondi atrás, noutro comentário...

Sem. Márcio disse...

Pe,
Conversando com uma senhora à porta da catedral, esta me disse que o novo padre (recém ordenado) era muito bom...mas (segundo ela) 'é muito novo, não tem experiência...' num tom de queixa.
Pensei então: O que o povo quer? Que nos ordenemos e passemos mais 20 anos no Seminário !!!

Sem. Márcio disse...

O sr. disse que há uma preocupação com a sexualidade do candidato, mas a formação atual destaca as 5 dimensões: A vida comunitária, a dimensão humano-afetiva, a formação intelectual, espiritual e pastoral.

Onde estas devam estar harmonizadas para o exercício de um futuro ministério.

Confessionário disse...

Sem.Marcio,
De facto um padre novo ainda nao tem experiência. Para mim o problema nao está ai. Mas no facto de as pessoas sempre encontrarem uma desculp ou argumento para se atirarem ao padre. Ele nao tem experiência. Mas é padre, deve ser um Bom Pastor, e deve ser um outro Cristo. Incomoda as pessoas terem sempre um peso a colocar nos ombros do padre, mesmo que não haja motivo aparente.

Quanto à formação... pois, amigo, apesar de tudo isso, penso que o SEminário ainda não forma para o essencial, porque o essencial é o que cada um conseguir caminhar. Eu penso que os educadores do Seminário são bem intencionados e tudo fazem para uma formação integral dos seminaristas (Eu já fui educador num SEminário!)... mas há m,uita coisa que o próprio internato, o próprio mundo da teologia, deixa de lado... A Vida é quem mais ensina, e parece-me que os seminaristas são um pouco protejidos dessa vida.

Um abraço amigo

Carlos Godinho disse...

Olá, caro Colega.
Partilho, em boa parte do seu sentir. Mas parece-me que esta realidade não é uma fatalidade. Seria necessário que os Senhores Bispos tomassem consciência desta realidade e soubessem fazer um coisa que se chama boa gestão dos recursos humanos que têm. E que se pensasse - é claro - sobre o modelo de padre para este tempo. Será o modelo «beneficial» que provém de longe na história da nossa organização eclesiástica, o modelo para hoje? Parece-me que não. Mas, por enquanto, fica como desabafo! Mas o futuro há-de impôr-se! E a breve trecho! Abraço. Pe. Carlos

Maria disse...

Fiquei, muito triste e chocada com o que disse Padredanyel, como é possível com tanta falta de saderdotes e de vocações sacerdotais, acontecerem coisas destas? A hieraquia da Igreja, anda muito distraida, arreigada a tradições, não evolue, não aproveita os recursos que lhe são oferecidos de bandeja.Desculpem o desabafo mas isto causa-me uma certa revolta. Bolas, será preciso outro Concílio além do Vaticano II, para avivar a espécie de sonolência em que se vive, no que concerne aos sacerdotes em condições especiais? Não sei se me faço entender? Valha-nos Deus.
Maria

tesouro disse...

Também eu queria, Padre! Ternascido à 20 anos atrás!Por várias razões!Pq seria mais novo e pq iria corrigir muitas coisas na minha vida.
Abraço

sou aquilo que sou... disse...

na realidade, o cilibato dos padre é cada vez mais questionado, até por mim que sou mulher, pois cada dia que passa fico mais calada sobre este assunto.
tem que haver formação, independentemente do numero de padres que existe, e sobretudo os institutos seculares, religiosas e diaconos podem como devem ajudar os poucos padres que existem. desta forma o pouco que há, será muito, devido a ajuda entre todos.
abraço,
olga