O número de diáconos permanentes em Portugal aumentou mais de 70% desde 2010. Quando a 8 de dezembro de 1984 foram ordenados os primeiros quatro diáconos permanentes em Portugal, na então jovem Diocese de Setúbal, por iniciativa do seu primeiro bispo, D. Manuel da Silva Martins, não se imaginava que o número de diáconos permanentes fosse aumentando a uma velocidade considerável. Segundo o Annuario Pontificio 2025 e o Annuarium Statisticum Ecclesiae 2023, os diáconos permanentes constituem o grupo de clérigos que cresce mais rapidamente no mundo. O seu número chegou a 51.433 em 2023. Lembrando como a Igreja se foi organizando e construindo nos seus inícios, considero estes dados uma enorme graça. Contudo, e olhando a realidade por outro prisma, não deixo de me fazer a pergunta sobre se não estaremos a assistir a uma clericalização do diaconado ou, pelo contrário, a uma laicização do sacramento da ordem. O risco de clericalização surge quando o diácono entende ou vive o seu ministério como uma forma incompleta de sacerdócio; quando mede a sua eficácia pastoral pela sua proximidade funcional ao altar e à liturgia; quando adopta estilos e linguagem que não brotam da sua própria identidade, mas de uma imitação do sacerdote. Um diácono não precisa nem deve parecer um padre. Mas há um segundo risco, menos visível e talvez mais subtil: a laicização do diaconado. Isto ocorre quando o ministério diaconal é diluído em tarefas que poderiam ser desempenhadas por leigos. A Igreja não ordena para resolver problemas de organização, mas para tornar visível, de forma estável, um aspeto do mistério de Cristo e uma vocação dentro da Igreja. O diaconado não se justifica pela falta de sacerdotes ou para fabricar super-leigos. Justifica-se por si mesmo, como ministério de serviço. Se isto for esquecido, a ordenação diaconal torna-se um acessório.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Os diáconos"
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