Vivemos num tempo do fácil. Tudo tem de ser fácil, de fácil acesso, de fácil consumo, sem dificuldades, adversidades, contratempos, sacrifícios ou compromissos. Sem um não aos nossos desejos e vontades. Neste contexto, a Igreja tem-se tornado um espaço ou um lugar onde o fácil também acontece. Ou, para sermos mais honestos, um espaço onde os seus principais agentes facilitam para se tornarem populares de forma mais fácil. Infelizmente, quando um padre exige alguma coerência entre o sacramento que se exige como um direito e a vida que lhe deve corresponder, está a alterar as regras deste tempo. Li algures a um outro colega, referindo-se a este tipo de situações, que “o consumidor não quer ser discípulo; quer ser cliente”. Concordo. Por isso se não há nesta loja, vai-se à loja do vizinho. Procura-se o padre facilitador, aquele que, como referia esse colega, “por preguiça pastoral ou medo de ser impopular, ‘despacha’ sacramentos”. E depois este padre é que é bom e aquele é que é mau. Mede-se o padre pelo facilitismo com que ele se presta a ser um comerciante do sacramento. Este é que é o padre porreiro. O outro é o padre que afasta as pessoas da Igreja. Como se estas pessoas não estivessem já afastadas e não quisessem manter-se nesse afastamento. Vivemos num tempo do fácil e, muitas vezes, por causa do porreirismo, a Igreja vai-se transformando, muitas vezes, numa Igreja fácil.
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Uma conversa de acolhimento e imposições"
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